21 julho, 2026

EMPRESAS GAZELA, PME LIDER E PME EXCELÊNCIA: MUNICÍPIO HOMENAGEOU COM VOTO DE LOUVOR

 


Crédito das fotos: Município de Penacova / Facebook

O Município de Penacova homenageou, com um Voto de Louvor, as Empresas sedeadas no concelho de Penacova que foram distinguidas com o Estatuto PME Líder e PME Excelência. Duas empresas Gazela foram igualmente reconhecidas na Sessão Solene do Dia do Município. Estes galardões referem-se ao desempenho destas empresas no ano fiscal 2025.

Vejamos o que significam estes estatutos, atribuídos pelo IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação, I. P.).  O estatuto PME Líder é um selo de reputação que distingue o mérito das PME (Pequenas e Médias Empresas) nacionais com desempenhos superiores. É atribuído tendo por base as melhores notações de rating e indicadores económico-financeiros.

Por sua vez, as PME Líder que apresentem os melhores desempenhos são anualmente distinguidas com o estatuto de PME Excelência, um selo de reputação que facilita o desenvolvimento dos seus negócios. O conceito de empresa «gazela» corresponde a empresas jovens (com idade igual ou inferior a cinco anos no início do período de observação) e com elevados ritmos de crescimento, sustentados ao longo do tempo. Com base na consulta de dados de acesso público da plataforma RACIUS (https://www.racius.com/) deixamos aqui alguns elementos sobre cada uma das empresas em causa:



Empresas GAZELA 

Aleatory Concept, Lda

Morada: Estrela d’Alva 3360-223 São Paio de Mondego

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social € 50.000,00Atividade Fabricação de carvão (vegetal e animal) e produtos associados; Transformação de madeiras e seus derivados (incluindo serração); transformação e comercialização, por grosso, de resíduos florestais com fins energéticos, sua importação e exportação e ainda produção e comercialização de pelletes.

Acerca da Empresa A empresa Aleatory Concept tem 8 anos, tendo sido constituída em 13/10/2017. CAE: 20142 - Carvão 16101 - Serração de madeira 16291 - Outras obras de madeira - fabricantes  38322 - Valorização de resíduos não metálicos

Liderpanóplia - Transportes e alugueres unipessoal, Lda

Morada: Rua da Castanheira, S/N - Silveirinho 3360-310 Travanca do Mondego

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 300.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrém, aluguer de veículos automóveis pesados e ligeiros, comércio de outros veículos automóveis, comércio a retalho de peças e acessórios para veículos automóveis.  A empresa Liderpanóplia Transportes e Alugueres tem 5 anos, tendo sido constituída em 04/08/2020. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias 45110 - Automóveis ligeiros77110 - Automóveis 77120 – Camiões


Empresas PME Líder e PM Excelência 

(por ordem aleatória)

Verbos & Conceitos, Lda

Morada - Rua Principal, Nº 6, Casal de Santo Amaro 3360-180 Penacova

Forma Jurídica - Sociedade por Quotas Capital Social - € 40.000,00Atividade - Exploração de bar, café e restaurante. Acerca da Empresa - A empresa Verbos e Conceitos tem 7 anos, tendo sido constituída em 22/03/2019. CAE:  56302 – Bares  56101 - Restaurantes tradicionais  56301 - Cafés

Martins & Gomes, Lda

Morada: Vale da Sobreira, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 125.000,00.  Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. A empresa já foi conhecida no passado como TRANSPORTES MARTINS E GOMES, LDA e, mais recentemente, como TRANSPORTES MARTINS & GOMES LDA.  CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Águas das Caldas de Penacova, SA

Morada: Mata das Caldas 3360-192 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima; Capital Social € 2.500.000,00. Atividade: No âmbito de Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente. CAE: 11071 - Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente.

Leitão do Aires, SA

Morada: Zona Industrial, Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 20.000,00.  Atividade: Actividades de restauração. A empresa Leitão do Aires tem 16 anos, tendo sido constituída em 14/12/2009. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Restaurantes tradicionais. CAE: 56101 - Restaurantes tradicionais.

 José António Diogo Construções Unipessoal, Lda

Morada: Rua da Capela, Nº 4, Póvoa 3360-025 Carvalho

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 34.000,00. Atividade: Construção civil, reabilitação e obras públicas de edifícios e outras estruturas (incluindo estruturas metálicas); compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Compra, venda, aluguer de equipamento de construção e demolição com operador; gestão de equipamento destinado à atividade da construção civil e obras públicas; escavações, demolições e terraplanagens. Comércio a retalho de materiais relacionados com as atividades, bem como um vasto conjunto de outras actividades. A empresa José António Diogo tem 14 anos, tendo sido constituída em 02/01/2012. CAE: 43120 - Preparação dos locais de construção   47523 - Material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares

Fozvias Unipessoal, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Edf. Admin., Sala Nº 6 - Sazes de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social: € 260.000,00; Atividade: Construção Civil e obras públicas; compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim; comércio e aluguer de equipamentos para a construção; transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem; exploração florestal; atividades dos serviços relacionados com a silvicultura e exploração florestal; comércio por grosso de madeira em bruto e de produtos derivados. A empresa Fozvias tem 16 anos, tendo sido constituída em 11/06/2010. A empresa já foi conhecida no passado como TRIBALFLOWER - UNIPESSOAL LDA. CAE::43120 - Preparação dos locais de construção   2200 - Exploração florestal 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Fernando Silva e Carvalho Lda

Morada: Seixo 3360-031 Seixo - Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: (Código de Actividade Económica): 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Transportes Ilha do Mondego Unipessoal, Lda

Morada: Rua Prof. Leonel Henriques Gonçalves, Nº 2, Parada 3360-252 São Pedro de Alva

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 125.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem. Compra e venda de materiais de construção. Compra e venda de madeiras para celulose. Prestação de serviços de máquinas rectroescavadoras. A empresa Transportes Ilha do Mondego tem 8 anos, tendo sido constituída em 15/01/2018. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Reninstal Unipessoal, Lda

Morada: Rua Cabo das Relvas, S/N, Lorvão 3360-110 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social € 116.500,00. Atividade: Construção civil e obras públicas; Compra, venda e permuta de bens imóveis e reverenda dos adquiridos para esse fim, incluindo a reabilitação de edifícios, arranjos exteriores, instalação elétrica, esgotos, gás, canalizações e climatizações; Instalação de energias renováveis. Prestação de serviços na área de telecomunicações. Comércio, importação e exportação de equipamentos e produtos relacionados com a atividade. Reparação e manutenção de produtos metálicos. Outras instalações em construções. Comércio por grosso de móveis para uso doméstico, carpetes, tapetes e artigos de iluminação. Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos. Comércio a retalho de eletrodomésticos, em estabelecimentos especializados. Atividades relacionadas com sistemas de segurança. A empresa Reninstal tem 11 anos, tendo sido constituída em 06/10/2014. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  41200 - Construção de edifícios 43221 - Instalação de canalizações 43222 - Instalação de climatização.

R2P - Reciclagem e peças, SA

Morada: Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social: € 50.000,00. Atividade: Valorização de resíduos metálicos, comércio e desmantelamento de bens e veículos usados e em fim de vida ( camiões, automóveis, máquinas e outro equipamento) e prestação de serviços de pronto-socorro. A empresa R2P - Reciclagem e Peças, S.A tem 14 anos, tendo sido constituída em 24/01/2012. CAE: 38321 - Valorização de resíduos metálicos

Placolás - Comércio de Pladur e Gesso, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Apartado 124, 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 150.000,00. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Pinturas Vitor Pisco, Lda

Morada:  Rua do Malhão, Nº 10 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Pintura e colocação de vidros. CAE: 43340 - Pintura e colocação de vidros

Paulo Alexandre Construções, Lda

Morada: Rua Municipal, Carapinheira da Serra 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 10.000,00. Atividade: Construção e remodelação de edifícios, residenciais e não residenciais. Trabalhos especializados de construção designadamente instalações elétricas, de canalização e de climatização, estucagem, montagem de trabalhos de carpintaria e caixilharia, revestimento de pavimentos e de paredes, pintura, colocação de vidros e de coberturas, demolição de edifícios e de outras construções e preparação de locais de construção. Comércio e aluguer de equipamentos para construção. Elaboração de projetos de arquitetura, engenharia, certificação energética, pareceres técnicos, consultadoria e fiscalização. Compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Arrendamento e exploração de bens imóveis próprios ou alheios. A empresa Paulo Alexandre, Construções tem 7 anos, tendo sido constituída em 28/09/2018. CAE: 41200 - Construção de edifícios  43110 – Demolição  43120 - Preparação dos locais de construção

Macop - Materiais de construção, SA

Morada: Penamac Parque, Nº 10, 12 e 14 3360-187 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 2.170.000,00. Atividade: Comercialização de materiais de construção civil; Comércio por grosso de materiais de construção; Comércio a retalho de material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares, em estabelecimentos especializados; Projetos de climatização e irrigação; Venda de eletricidade; Consultoria económica, financeira e serviços de gestão e formação; Estudos de mercado; Publicidade e marketing; Gestão de marcas próprias. Comercialização de sistemas automáticos e dispositivos autónomos de deteção de incêndio e de deteção de gases; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de fumo; comercialização de sistemas de extinção por água; comercialização de sistemas de extinção automática por agentes distintos da água e água nebulizada; comercialização de sinalização de segurança; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de poluição de ar; comercialização de iluminação de emergência. CAE: 46732 - Materiais de construção (excepto madeira) e equipamento sanitário.

Fernandes e Henriques, Lda

Morada: Ferradosa 3360-186 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 2.300.000,00. Atividade: No âmbito de Azeite, óleos e gorduras alimentares. A empresa já foi conhecida no passado como FERNANDA E HENRIQUE, LDA. CAE: 46332 - Azeite, óleos e gorduras alimentares

Construções Rodrigues e Filho, Lda

Morada: Edifício Penedo Raso, Lote 2, Nº 10, R/C Esq. 3360-173 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social € 131.000,00. Atividade: No âmbito de outras obras de engenharia civil. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES RODRIGUES E FILHOS, LDA. CAE: 42990 - Outras obras de engenharia civil

Construções Luís Pereira & Alves,Lda

Morada: Agrelo 3020-923 Fornos

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 100.000,00. Atividade: No âmbito de Construção de edifícios. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Begal - Soc Comercial e Industrial de Palitos e Derivados de Madeira, Lda

Morada: Lorvão 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 11.500.000,00. Atividade: No âmbito de outro comércio por grosso de bens de consumo. CAE: 46494 - Outro comércio por grosso de bens de consumo

Antunes & Filhos, Lda

Morada: Lomba do Airo, Sazes do Lorvão 3360-293 Sazes do Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 125.000,00. Atividade: No âmbito de Exploração florestal. CAE: 2200 - Exploração florestal

Veiga Lopes, SA

Morada: Urbanização Valbom, Lote Nº 6, Cave Direita, Carapinheira da Serra 3360-101 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 150.200,00. Atividade: Construção civil e obras públicas, compra e venda de imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim, comércio a retalho e por grosso de materiais de construção e serviços de silvicultura. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES VEIGA LOPES, LDA. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Trilhos energéticos, Soluções Sustentáveis Unipessoal, Lda

Morada: Rua Principal, 64 - B, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 5.000,00. Atividade:  Atividades de gestão, monitorização e fiscalização de obras, coordenação de projetos, avaliações de ruído, certificação energética, e ambiental. Comércio, importação, exportação, montagem, instalação, reparação e manutenção de sistemas de aquecimento e arrefecimento, seus componentes e acessórios. Instalação, reparação e manutenção de painéis solares térmicos e painéis solares fotovoltaicos e de outros sistemas de energias renováveis. Instalação, reparação e manutenção de aerogeradores / turbinas eólicas. Prestação de serviços na área da certificação energética de edifícios, bem como na área dos ensaios e análises técnicas de materiais, utilizados na construção civil. Prestação de serviços e auditorias nas áreas de qualidade, ambiente e segurança. Formação profissional. Análises de águas residuais e de águas para consumo humano. Construção Instalações Eléctricas, Comércio a retalho por correspondência ou via Internet. Comércio por grosso e a retalho de veículos automóveis ligeiros, novos e usados. Atividades de arrendamento e exploração de bens imobiliários próprios ou arrendados, nomeadamente, edifícios residenciais e não residenciais, incluindo espaços e instalações industriais, comerciais e de terrenos. A empresa Trilhos Energéticos tem 12 anos, tendo sido constituída em 30/10/2013. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Instalação eléctrica. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  43221 - Instalação de canalizações   47910 - Comércio a retalho por correspondência ou via Internet.


20 julho, 2026

Município pretende criar Roteiro dos Pintores Júlio Pomar, Júlio Resende, Nadir Afonso e Martins da Costa. Mural sobre Martins da Costa é outra iniciativa em perspectiva.


"A Travessia", de Pedro Charters de Azevedo, obra vencedora do Escalão D 

Fonte: 

O Presidente da Câmara, usando da palavra na Sessão de Entrega dos Prémios do Concurso de Pintura Martins da Costa, anunciou a criação de um Roteiro Cultural à volta de alguns dos pintores que se integraram no designado grupo “Os Independentes”, incluindo João Martins da Costa.

Álvaro Coimbra, que representava igualmente a Família do Pintor, que habitualmente marca presença, mas que, por motivos de saúde, não se deslocou a Penacova,  começou por manifestar um grande gosto por “ver que há cada vez mais participação neste prémio de pintura Martins da Costa”. 

Sublinhou, de seguida, algumas notas sobre o pintor, do qual foi aluno em Penacova: “Martins da Costa não nasceu aqui, mas apaixonou-se por Penacova. Na década de setenta refugiou-se aqui, construindo a sua casa virada para o vale do rio Mondego. Utilizou parte da casa como atelier, foi pintando o vale, a paisagem, tudo o que o rodeava e, ao mesmo tempo, era professor na escola secundária”, recordando que enquanto professor do liceu “era muito exigente, muito rigoroso, mas também ensinava a sermos criteriosos e rigorosos na técnica que íamos aplicando”.

“Martins da Costa não necessita de grandes apresentações – referiu – dado que se trata de  “um dos pintores mais conhecidos do século XX,  do inicio do século XX, fez parte do Movimento os Independentes, com uma série de nomes famosos da pintura portuguesa como Júlio Pomar, Júlio Resende e Nadir Afonso. 

O presidente da Câmara prosseguiu anunciando uma intenção: “tentar concretizar num futuro próximo um roteiro cultural que integre estes nomes incluindo Martins da Costa.” Adiantou igualmente:  “quem sabe, um dia, a colecção dele esteja mais visível ao grande público na nossa Casa das Artes Martins da Costa, no Largo Alberto Leitão.” 

“Nós queremos também, em breve, ter um mural, não executado por Martins da Costa, mas por alguém que reproduza uma obra “ do pintor.  

Na sessão, usou também da palavra, a Directora do Agrupamento de escolas de Penacova, Cristina Simões.  

“O contributo dado pelo Agrupamento de Escolas de Penacova tem sido peça importante no estímulo à participação dos mais jovens.”- refere a nota divulgada pelo Município. 

De acordo com a mesma nota “o Prémio de Pintura, instituído anualmente pela Câmara Municipal para perpetuar a obra do pintor João Martins da Costa” teve os seguintes vencedores:

Escalão A – Alunos Ensino Superior Artístico e Artistas Plásticos em Geral
Vencedora - Joana Ribeiro; Menções Honrosas - Maria Teresa Miraldo e Beatriz Alves Marques. 
Escalão B - Alunos do Ensino Secundário do Curso de Artes Visuais
Vencedora - Camylle Palheiros; Menções Honrosas - Inês Marques,  Miguel Fonseca, Isabela Madeira de Sousa 
Escalão C - Alunos do 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos)
Vencedor - Evellyn Sophia Mendes Lopes; Menções Honrosas - Rebeca Câmara e Ricardo Teodoro
Escalão D – Público em Geral
Vencedor - Pedro Charters de Azevedo;  Menção Honrosa - Hélder Carvalho dos Santos


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Partilhamos de seguida um conjunto de fotos publicadas na página do Município no Facebook: 



















19 julho, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (2): o Morgadio e a usurpação de Sebastião José criticada por Camilo

 


“O Perfil do Marquês de Pombal é uma obra biográfica e ensaística escrita por Camilo Castelo Branco, na qual o autor traça um retrato profundamente crítico, satírico e desmistificador de Sebastião José de Carvalho e Melo. Longe de aderir à corrente de glorificação do estadista, Camilo descreve o Marquês como um déspota cruel, vaidoso e um "homem feroz". (1)

Em 1882, Camilo Castelo Branco respondeu ao clima de celebração do centenário da morte do Marquês de Pombal com um ensaio biográfico que mostrou o homem cruel por trás do estadista visionário. Em https://www.e-cultura.pt/artigo/29671 podemos ler, igualmente, que esta obra de Camilo “mostra o lado negro de Sebastião José de Carvalho e Melo”. Na página 63 e seguintes, Camilo aborda o Caso do Morgadio de Carvalho

Transcrevemos, em grafia actualizada: 

“Este homem quando encontrava o administrador dum vínculo a estorvar-lhe a usurpação, matava-o juridicamente. 

Na casa de Ataídes estava o morgadio de Carvalho. Sebastião José, o descendente do padre Sebastião da Mata-Escura (2), dizia descender do instituidor D. Bartolomeu Domingues, e nessa qualidade impôs que o senado de Coimbra o encabeçasse no morgadio vago por morte do conde de Atouguia, justiçado em 13 de Janeiro de 1759. 

E depois como viram na carta requisitória para a prisão de José Policarpo, dizia-se pomposamente - Senhor donatário de Carvalho.

Na História de D. José I, diz o Snr. Soriano que ignorava se se dava a existência de vínculo na casa de Atouguia. Com toda a certeza existia.

Em 28 de Novembro de 1689 passou o senado de Coimbra carta de nomeação do conde de Atouguia, D. Jerónimo de Ataide, para administrador do morgado e albergaria da Vila de Carvalho, cuja administração vagara pelo falecimento de seu pai D. Luís d'Ataíde. A carta é passada por Gonçalo Morais da Serra, escrivão e juiz e vereadores a quem a nomeação pertencia pela instituição do vínculo. (Veja Índice cronológico dos pergaminhos e forais existentes no Arquivo Municipal de Coimbra, pag. 72 e 73). 

Já o pai do conde de Oeiras quisera espoliar deste morgadio de Carvalho os Ataídes como ao senhor da Teixeira do morgadio de Montalvão.(3)

O conde de Atouguia padeceu a morte afrontosa que sabem no dia 13 de Janeiro, e a 19 de Fevereiro Sebastião José de Carvalho - já ministro quando o conde de Atouguia foi nomeado administrador do vinculo em 1756 - era chamado à posse do vínculo do conde garrotado trinta e seis dias antes.

Encabeçado no morgadio, para que depois nunca mais saísse de sua casa, esbulhou o senado do direito que lhe assistia de o nomear, conforme a disposição do instituidor. 

A carta régia de 9 de Janeiro de 1770 diz ... «para que, regular e perpetuamente, na forma da lei do reino, continue nos descendentes legítimos do dito conde de Oeiras em cuja linha presentemente está, etc.». 

A abjecta adulação, se não foi imposta violência do senado de Coimbra, foi assim galardoada pelo sucessor do conde d'Atouguia.

Em Março de 1759 ordenou ele que picassem as armas dos Ataídes e esculpissem as suas nos padrões do morgadio.

Este vínculo rendia aos senhores de Atouguia 590 mil reis, muito pouco em relação ao que podia render, se o morgado obrigasse os foreiros; mas o conde de Oeiras para ordenhar a vaca até ela dar o sangue, obteve em 1767 um alvará que lhe concedia a faculdade de nomear um ministro de letras por ele pago para juiz privativo da cobrança dos foros e rações do morgado de Carvalho, que os rendeiros lhe devessem na forma do foral e antigo costume. 

Imaginem quanto este amigo do povo faria render o vinculo!

E o mais é que o conde de Oeiras gozava-se do morgadio do senhor da Teixeira e ria-se das certidões dos linhagistas. O marquês do Montebelo induzia Sebastião José de Carvalho a que se fizesse genealogista; e ele, contando o caso ao beneditino de S. José Queiroz, sua criatura e depois sua vítima, dizia que respondera ao marquês: «Não, senhor, porque ficarei pior que alfaiate ou pedreiro; porque a estes homens se dá crédito em juízo quando são chamados para louvados, e das certidões de genealogias nenhum caso fazem os ministros." 

Queria dizer que os desembargadores riam das certidões genealógicas e sentenciavam a favor dos poderosos que as apresentavam. Cínico e impudentissimo biltre! 

in Camilo Castelo Branco, Perfil do Marquês de Pombal. 3.ª edição. Companhia Portuguesa Editora, Lda.  Porto, 1932. Página 33 e seguintes.

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(1) Resultado da pesquisa Google /Modo IA em 19/07/2026, 18h55

(2) Sebastião da Mata-Escura foi um clérigo (arcediago) português, amplamente citado em biografias históricas e sátiras da época como um dos antepassados remotos (quinto avô) de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. A figura de Sebastião da Mata-Escura ganhou notoriedade histórica devido aos ataques satíricos feitos pela alta nobreza portuguesa, que tentava desqualificar as origens familiares do poderoso ministro do rei D. José I. Segundo relatos biográficos analisados por historiadores e biógrafos (como Camilo Castelo Branco e Mário Domingues), Sebastião da Mata-Escura envolveu-se com Marta Fernandes, descrita como uma mulher negra e possivelmente escrava.  Os opositores políticos e os afetados pelas reformas do Marquês de Pombal utilizavam esta ascendência africana distante e o nascimento ilegítimo na linhagem para o ridicularizar e rotular como "mestiço". Apesar do coro de críticas que visavam amesquinhar o ministro, os registos visuais e retratos oficiais do Marquês de Pombal (como o célebre quadro de Louis-Michel van Loo) mostram-no com traços e fenótipo tipicamente euro-caucasianos. A Sátira Popular. Após a queda e morte do estadista, circulavam em Lisboa versos satíricos populares que faziam alusão direta a este antepassado para atacar o legado pombalino:

"Torna, torna marquês à Mata Escura / Solar do quinto avô, o arcediago, / Que da mãe Marta, por seu negro afago / Em preto fez cair tua ventura..."

Embora parte da historiografia contemporânea aponte para a falta de provas documentais irrefutáveis sobre a veracidade desta linhagem exata, a menção a Sebastião da Mata-Escura permaneceu como um marco da violenta disputa de classes e propaganda racial que dividiu a corte portuguesa no século XVIII. In pesquisa Google /Modo IA em 19/07/2026, 19h03

(3) O Morgadio de Montalvão foi um importante vínculo senhorial e propriedade cuja disputa envolveu a poderosa família do Marquês de Pombal no século XVIII. O Morgadio e a sua respetiva Quinta despertaram forte cobiça. O avô do Marquês de Pombal tentou apropriar-se dele sem sucesso, mas a disputa foi renovada pelo próprio Sebastião José de Carvalho e Melo antes de 1750. Devido a um processo judicial de defesa da posse do morgadio, o advogado e conselheiro da Casa da Suplicação Gonçalo Cristóvão e o seu advogado Francisco Xavier Teixeira de Mendonça foram perseguidos. Este último foi preso e degredado para Angola em 1756 por oposição ao futuro Marquês.  Após a execução do Conde de Atouguia em 1759 (no âmbito do Processo dos Távoras) e a posterior consolidação de poder do Marquês de Pombal, o rei D. José acabou por fazer a doação da propriedade aos Condes da Redinha em 1776, mantendo a sua natureza de vínculo. Historicamente, o Morgadio e a Quinta de Montalvão estavam associados à zona de Lisboa (Olivais), existindo registos da sua administração por figuras próximas à corte e da sua exploração agrícola. ibidem




17 julho, 2026

António José de Almeida e o Feriado Municipal: uma escolha (pouco) consensual


A deliberação, em 1977, no sentido de estabelecer o dia 17 de Julho como Feriado Municipal, sempre foi de algum modo contestada, apesar da aprovação por unanimidade na Assembleia Municipal. 

Antes do 25 de Abril, o dia 24 de Junho chegou a ser o feriado concelhio. Desconhecemos quando tal se verificou, mas uma notícia / aviso, publicada no Notícias de Penacova de 18 de Junho de 1932, refere textualmente: “Por ser o dia de feriado municipal estarão fechadas, no dia de S. João, as repartições públicas desta vila.”

A instituição do feriado a 17 de Julho, dia do nascimento de António José de Almeida, levou o Notícias de Penacova de 8 Julho 1977 a entrevistar o Presidente da Câmara, Dr. Artur Coimbra. Na mesma altura, também uma crónica do NP, assinada por JOCAR, enaltece os motivos da escolha. O autor formula votos para que a data se mantenha por muito tempo… Bastaram apenas quatro anos para o assunto voltar a ser discutido e ser mesmo colocada a hipótese de alterar a data para 8 de Setembro. Desconhecemos o desfecho dessa tentativa, mas tudo indica que a ideia não vingou, ao ponto de dia 17 de Julho se manter até hoje como feriado municipal de Penacova, homenageando António José de Almeida, nascido há precisamente 160 anos.

Transcrevemos de seguida: 

1 -  entrevista, em 1977, ao Dr. Artur Coimbra, que explica os motivos da escolha; 2 - crónica assinada por “Jocar” apoiando a deliberação;  3 -artigo sobre as movimentações em 1981 no sentido de alterar a data e o nome 


ENTREVISTA A ARTUR COIMBRA EM 1977


Em sessão realizada em 28-5-77, ficou deliberado que o feriado Municipal fosse o dia do aniversário de nascimento do Dr. António José de Almeida. N. P. entendeu ouvir a pessoa mais indicada para explicar as razões que levou a C. M. a que o dia 17 de Julho fosse o Feriado Municipal. Assim, N. P. trocou impressões com a mais alta individualidade municipal, Dr. Artur Manuel Sales Guedes Coimbra, presidente da Câmara, que amavelmente se dispôs a responder às perguntas que lhe dirigimos. Agradecendo a disponibilidade com que fomos recebidos, aqui deixamos à consideração dos prezados leitores as suas palavras.

N. P. - Sr. Presidente, pode-nos dizer quais as vantagens da existência dum feriado municipal?

Dr. Artur - O feriado municipal está revisto na lei que atribui a todos os concelhos o direito a terem o feriado municipal e convida mesmo os municípios a fazê-lo. As vantagens para mim é restaurar uma velha tradição que já existia ao tempo da monarquia e tem o seu auge durante a 1.ª República. Vantagens existem de facto em alguns concelhos onde existem dias festivos que a população em geral guardava mas que não havia condições legais para serem extensivos aos funcionários, comércio e indústria. Esta determinação visa sobretudo criar condições de igualdade para todos os trabalhadores nesses dias que os municípios entendam ser positiva.

N. P. - Que razões levaram à escolha do dia 17 de Julho para o feriado? Houve a preocupação de auscultar o Povo do concelho?

Dr. Artur - As razões que levaram a C. M. a propor o dia 17 de Julho, foram frutos de uma análise de todas as restantes datas possíveis. Dessas análises terem parecido indicar esta data como a mais capaz, não só de reunir um concelto geral como também mais capaz de realçar um importante factor histórico da luta em Portugal pela República e pela Democracia. Foram consideradas outras datas como o dia de São João, o dia de Nossa Senhora do Monte Alto, mas que foram postas de parte por determinadas circunstâncias de que essas datas são dias Santos para a Igreja Católica e que sendo um feriado uma data histórica ou política, entende-se não fazer coincidir dois poderes. Encarou-se ainda a data de atribuição do farol por D. Sancho ao concelho de Penacova, mas foi impossível conseguir descobrir a data em que se processou o acontecimento. Estudou-se também a data como historicamente a parte decisiva da batalha do Buçaco, parte da qual se desenrolou no nosso concelho, mas da batalha é atribuída exactamente ao Buçaco, julgou-se que assim diria muito mais respeito ao concelho da Mealhada que ao nosso próprio concelho. Chegou-se, assim, à data 17 de Julho que representa o aniversário de nascimento de António José de Almeida, que foi o mais ilustre Penacovense no processo politico que desde a monarquia tem procurado instaurar e consolidar a República e a Democracia em Portugal. Orador brilhante e político esclarecido, foi um homem ouvido e respeitado àquem e além fronteiras, admirado e considerado por todas as correntes de opiniões que tinham e têm por base a instauração de um regime republicano e democrático. A sua eleição para Presidente da República foi o voto de admiração e confiança que então lhe deu o Povo Português. A proposta da C. M. para que o dia 17 de Julho fosse data do feriado municipal, visa ser uma homenagem do Povo deste concelho, sem dúvida, democrático e republicano à mais alta figura de sempre. Visa ainda um chamar de atenção a todos os Penacovenses para essa época histórica reavivando o nome do Dr. António José de Almeida no espírito de cada um de nós e no conhecimento de todos aqueles a quem não foram dadas possibilidades de pelo menos terem estudado um pouco de História de Portugal. De facto, a C. M. não o quis decidir sem ouvir o Povo do concelho e por isso, ouviu-o através do seu órgão Municipal mais representativo, como é uso em Democracia, a Assembleia Municipal. Para minha própria satisfação e desta Câmara a que tenho a honra de presidir, a Assembleia Municipal, onde estão representadas todas as correntes políticas mais significativas deste concelho, aprovou por unanimidade, o dia 17 de Julho.

N. P. - Qual o programa para a celebração do primeiro aniversário?

Dr. Artur - Desde já, a C. M. não pode adiantar o programa da celebração do 1.° aniversário, pois que ainda se encontra em fase de estudo e diligência. Entretanto enquanto todos nós não tomamos conhecimento deste feriado Municipal e nos vamos habituando a ele, acontece que quis o caso que este ano coincidisse com um Domingo, o que facilitará também a sua celebração.

 NP 8 Julho 1977


Vai o Concelho de Penacova, dentro de breves dias, mais propriamente no dia 17 de Julho, comemorar o seu primeiro feriado municipal.

Feriado muito controverso, pois há muitos anos existia já um feriado municipal - o 24 de Junho – mas que a poeira do tempo apagou não se vislumbrando hoje como, quando e quem decretou esse dia feriado, quando, como e quem terminou com ele. Isso são factos a analisar por quem sobre tal matéria for entendido.

O facto real é que a Assembleia Municipal, como das suas primeiras deliberações no exercício do seu poder local, decretou o 17 de Julho como feriado! E como a Assembleia Municipal foi eleita pelo povo e representa o povo, há que aceitar esta deliberação e o principal é que exista o dia do concelho.

Neste ano aparece-nos este dia num Domingo, para arrelia dos funcionários e trabalhadores da função pública, mas com inteiro regozijo da entidade patronal e do lavrador que assim não vê um dia perdido no trabalho.

Não sabemos ainda qual seja o programa comemorativo para este dia mas certamente pela falta de tempo, porque a sua criação foi muito recente, não haverá tempo para grandes festejos pelo que se presume que certamente ligeira cerimónia assinalará este dia, para no próximo ano algo se fazer de maior interesse até turístico.

E desta feita acabam as confusões do feriado pois sabemos que ainda recentemente uma grande empresa a trabalhar neste concelho pretendeu dar o dia 24 de Junho como feriado.

Controverso ou não, com festa ou sem festa, a verdade é só uma: o dia17 de Julho é feriado no concelho de Penacova. Mais uma homenagem é feita ao grande português que foi António Jose de Almeida. Esperamos que este feriado ficará para sempre e que outros ventos não venham num futuro longínquo ou breve, alterar novamente esta data.

 JOCAR / NP 1977


A mudança da data do feriado municipal de Penacova do dia 17 de Julho, em honra do insigne republicano Dr. António José de Almeida, para o dia 8 de Setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, é facto aceleradamente aceite pela maioria do povo deste concelho que, quer queiram ou não certos políticos, ainda tem fé para saber escolher Deus como salvador rejeitando os falsos profetas dos nossos dias, cujas obras são palavras, verborreia hipócrita que a realidade desmente.

Não se trata de desprezar o valor de um homem cuja vida e obra a história já glorificou, mas pretende-se atender aos sentimentos religiosos de um Povo que também sabe o que quer. Respeitar estes sentimentos é respeitar o próprio Povo.

E é assim que o assunto vai ser submetido à apreciação das Assembleias de Freguesia do Concelho que, até 31 de Dezembro de 1981, deverão comunicar à Câmara Municipal as suas deliberações conforme proposta dos vereadores do PSD, na sessão da Câmara de 21-10-1981.

Na verdade, o feriado do dia 17 de Julho só serve para os funcionários públicos, comércio e indústria porque as pessoas que vivem da agricultura, e são-no na maioria, neste concelho, não são beneficiados porque não têm qualquer interesse profundo em guardar um dia que, para eles, não tem verdadeiro significado político nem social.

O diploma legal que regulamenta o estabelecimento dos feriados municipais tem pouco que ver com os sentimentos profundos do Povo Português. Foi a demagogia, a febre materialista enfiar carapuças a quem as recusa usar. O povo isto, o povo aquilo. Tretas... tretas!

E. S.  |  Nova Esperança, nº23 Nov. 1981

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SOBRE ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA, ver https://penacovaonline2.blogspot.com/search?q=ant%C3%B3nio+jos%C3%A9




05 julho, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (1): em curso a formalização desta pretensão

Fonte da imagem: Patrimónios de Penacova
de Leitão Couto e David Almeida

Subscrito pelas Deputadas e Deputados, Pedro Coimbra, Pedro Delgado Alves, Rosa Isabel Cruz, Marina Gonçalves e Rui Santos, com data de 16 de Abril do ano em curso, o Projeto de Lei n.º 574/XVII/ 1.ª foi apresentado na Assembleia da República tendo como propósito a " Elevação de Carvalho à categoria de vila".

O documento (que pode ser acedido AQUI ) fundamenta a pretensão e na parte introdutória, que se relaciona com a "Exposição de motivos", podemos ler o seguinte: 

"A Lei n.º 24/2024, de 20 de fevereiro, veio aprovar o novo regime jurídico de atribuição de categoria de vila ou cidade às povoações, colmatando uma lacuna com mais de uma década. Para além de proceder à atualização dos critérios de elevação a vila e cidades em função das modificações registadas desde a aprovação do último regime jurídico sobre a matéria, ainda nos anos 80 do século XX, procedeu também à introdução no seu artigo 5.º de um critério adicional de reconhecimento da titularidade histórica da categoria de vila “a todas as povoações que sejam ou tenham sido sede de concelho, nomeadamente em virtude da demonstração da concessão de Carta de Foral e da existência de estrutura administrativa relevante”. Ora, essa é precisamente a situação em que se encontra Carvalho, atual freguesia do concelho de Penacova (distrito de Coimbra), que foi sede de concelho desde a outorga do Foral manuelino em 8 de junho de 1514, assim tendo permanecido até às reformas administrativas do século XIX, quando foi extinto pelo Decreto de 6 de novembro de 1836 e integrado no concelho de Penacova."

 


De acordo com notícia do "Penacova Actual" a Junta e a Assembleia de Freguesia de Carvalho aprovaram pareceres favoráveis e posteriormente  a Câmara Municipal de Penacova "também se associou-se ao processo, reconhecendo a relevância histórica da pretensão." Por sua vez, a Assembleia  Municipal aprovou por unanimidade e aclamação a proposta.

O Penacova Online, que ao longo dos 19 anos de existência tem feito referências à história de Carvalho, irá durante os próximos tempos trazer aos leitores mais alguns dados históricos e culturais, caídos no esquecimento, sobre esta freguesia.

02 julho, 2026

Crónicas do Avô Luís (12): os "Dias da Criança"



O dia 1 de Junho passado, foi celebrado como o Dia Internacional da Criança, uma vez que, nesse dia, em 1925, como tal foi proclamado em Genebra, na Suíça, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança.

Todavia,

A ONU considera o dia 20 de Novembro, como o Dia Mundial da Criança, coincidindo com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959 e, também, com a Convenção dos Direitos da Criança, em 1989!

No entanto,

Esse Dia é díspar, consoante os Países…

É mesmo fruto de uma enorme confusão na Europa, em África, nas Américas, na Ásia e na  Oceania, tal celebração.

Fazem tanto mal às Crianças em todo o lado, que é preciso “exibir” um dia para fazer de conta que existem reais preocupações com o tema.

Eu tenho para mim que os DIAS DA CRIANÇA são todos os dias do ano.

É todos os dias que as devemos tratar bem!

São elas o nosso futuro colectivo…

E também acredito que esta “bagunça” da dispersão das datas comemorativas só fragiliza tudo o que está relacionado com as Crianças do mundo.

Sabemos de experiência feita que a não uniformização é sempre motivo da retirada de concentração para os objectivos que importam defender!

Vejamos:

1. O que se passa a nível interno com as questões da paternidade e das obrigações decorrentes da progenitura, não é vergonhoso?

2. ⁠não é, também, vergonhoso o que se passa com a tutela dos menores?

3. ⁠e os filhos dos emigrantes sem as suas situações regularizadas, não estão absolutamente entregues à burocracia reinante?

4. ⁠e o que justifica a morosidade deprimente da adoção em Portugal?

5. ⁠não é verdade que tudo isto se estende à generalidade dos países ditos civilizados?

Se respondermos afirmativamente às questões colocadas, o que podemos concluir é que a Criança é mal tratada todos, mas todos os dias, independentemente do local onde nascem ou vivem.

Assumindo-se, apesar de tudo, que existem Crianças felizes e bem tratadas; …mas cada vez menos.

Mas há muito pior:

1. As Crianças têm servido de “carne para canhão” e mortas aos milhões por esse mundo fora;

2. As Crianças têm sido “mortas à fome” principalmente em África;

3. As Crianças têm sido vítimas das “fugas” em massa, por esse mundo fora, sem que sejam dotadas de alimentação, saúde, habitação e educação;

4. ⁠As Crianças, agora, já são “roubadas” como “espólio de guerra”, como está a acontecer na Ucrânia e na Palestina;

5. ⁠As Crianças também estão a ser separadas à força das suas Famílias, nos EUA;

6. E, agora, até são postas como soldados nas guerras…

Já nada, nem ninguém parece poder combater tais flagelos.

A defesa de todos estes ataques às Crianças ou é feita todos os dias da nossa vida, ou a regeneração da Sociedade lactu sensu considerada não vai, pura e simplesmente acontecer.

E são duas as consequências que eu vejo em tudo isto:

a). O Mundo envelhece a uma velocidade estonteante, sem regeneração suficiente, até que acabará…;

b). O Mundo está a criar Seres enraivecidos que se lançarão em aventuras, aventuras essas que o levarão ao mesmo fim…!

Temos -as Pessoas lúcidas que não se conformam com tudo isto- de exigir um caminho diferente; um estatuto maior e efectivo para as Crianças do Mundo; uma punição efectiva para todas as pessoas (mais animais) que não tenham respeito pelas Crianças…

Uma abordagem diferente, dura, implacável, a todos quantos se dedicam -quase impunemente- à pedofilia!

Outra das formas tristes de atentar contra as Crianças!

As Entidades (nacionais e internacionais) têm de ser postas em sentido, como soi dizer-se.

Unamo-nos, pois, nessas tarefas de combate, considerando que os Dias Todos do Ano, devem ser dedicados às Crianças!

Ao seu bem-estar; à sua educação e à sua vida saudável.

Já não dá para serem SÓ as instituições ligadas à Igreja, aos Missionários e aos Voluntários a tratar de assunto tão determinante num futuro próximo…

Luís Pais Amante


29 junho, 2026

Histórias de Penacova (4): almas do outro mundo, assalto à capoeira e prisão de mulher de virtude...

𝔸𝕝𝕞𝕒𝕤 𝕕𝕠 𝕠𝕦𝕥𝕣𝕠 𝕞𝕦𝕟𝕕𝕠...

(1952)

Há nesta freguesia [Oliveira do Mondego] quem acredite em almas do outro mundo; nos princípios da semana finda passou-se nesta localidade um caso interessante.

Certo individuo muito crente em almas do outro mundo, a altas horas da noite ouviu por cima do telhado de sua casa certo ruido com o qual ficou aterrorizado (e era para isso);com grande espanto acordou sua esposa dizendo-lhe que a tal alma penada andava, por cima do telhado partindo-lhe as telhas. 

O caso foi presenciado pelos vizinhos que acorreram curiosos para verem a tal alma, afinal verificaram que uma cabra dum vizinho tinha fugido do curral, subindo com dois filhos para cima do telhado, pregando tamanho susto ao pobre homem, que ia fazendo dar trabalho à esposa e gastar mais em sabão... 

𝕭𝖆𝖗𝖗𝖎𝖌𝖆𝖉𝖆 𝖉𝖊 𝖗𝖆𝖕𝖔𝖘𝖆 ... 

(anos 30)

Foi o caso que numa das noites deste Maio pardo, uma matreira raposa ou mais, vieram à capoeira do Hospital da Misericórdia desta vila e levaram nada menos de seis belíssimas galinhas.

No dia seguinte, pelas pesquisas a que se procedeu, verificou-se que havia sangue e destroços mortais das mesmas, espalhados pelos olival do Mondego.

Velhaca ou velhacas! Nós nem sardinha e ela, ou elas, seis boas galinhas ! Não há direito!

E além de todas as perdas e desgostos e contratempos e tantas penas e «penas», de hoje para o futuro já se não pode trautear aquela cantiga dos recrutas, ao ouvirem tocar a doentes:

Quem quiser galinha

Vá para o hospital

Mas coma poucochinha

Que lhe pode fazer mal.


A bruxa do Travasso 

(1930)

Pela autoridade administrativa deste concelho foi presa no lugar do Travasso, a «bruxa» Delfina de Jesus, também ali conhecida por «A Santa dos Olivais», o cliente António Couceiro, do mesmo lugar, e o pai da «mulher de virtude», Joaquim Lopes Padilha, conivente nos seus bruxedos.

A Delfina de Jesus celebrava missa numa ampla sala da sua residência, onde lodos os dias se reuniam dezenas de pessoas daquele e outros lugares, na prática do rezas e cânticos religiosos. Dizia-se enviada de Deus e que a pessoa que a prendesse ficaria negra como carvão, afirmando também curar todas as doenças.

Quando ali chegou a autoridade administrativa, acompanhada de uma força da Guarda N. Republicana, alguns habitantes daquela povoação completamente sugestionados, pretenderam resistir, insubordinando-se, chegando a locar a sineta da capela a rebate. Mas ao verem a disposição da força armada os homens abandonaram o lugar, ficando apenas as mulheres.

Os presos seguiram para a cadeia de Coimbra onde aguardarão que sejam remetidos a juízo.

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FONTE: Jornais de Penacova


24 junho, 2026

Uma visão [pouco idílica] da vila ...



(...) As ruas de Penacova, que triste vergonha! O visitante de Penacova pela primeira vez cai nestas paragens, vindo em auto do Luso ou de Coimbra, por estradas intransitáveis, depois duma tragédia de alguns quilómetros de encontrões aos parceiros e de gritar centenas de vezes - é isto turismo? 

Chega ao Terreiro, põe o pé em terra e fica boquiaberto... Aparece-lhe um garoto, sujo, maltrapilho, andrajoso, que se aproxima do carro, à laia de cicerone, a quem ele pergunta: 

- Olha lá, rapaz, que palácio é este?

- Este? É a Casa do Povo - que era, mas já não é - e que vai ser agora a casa da Cambra.

O visitante puxou duas fumaças, arrebitou o nariz e comentou: 

- Deve ser rico, este concelho!...

- Olha lá, meu rapaz, onde é o Preventório ?

- O Prumentório? E' acolá naquela ponta.

- E o caminho para lá?

- Por aí.

E o nosso visitante toma seu caminho por ruas sujas e tortuosas, fazendo prodígios de equilíbrio para não quebrar as pernas ou as costelas nos buracos que se escancaram na sua passagem, por ruas cujo leito mais parece pulmão de tísico em último grau, do que ruas duma vila do século XX, cantada e admirada por tantos poetas e artistas...

O nosso visitante sente-se nauseado, enjoado e resolve um passeio pelos arrabaldes, onde o Criador espalhou tantas belezas que os homens não sabem aproveitar. Vai a pé e toma pela Costa do Frio e que se lhe depara? Lixo e mais lixo, um cheiro nauseabundo.

Vai para a Costa do Sol, lixo. Sobe para os lados da Cheira, mais lixo . Foge para os lados de S. João e ainda mais lixo ... 

E o visitante aborrecido, quase indignado, grita nervosamente: 

- Então nesta terra de tantas belezas, onde tanta gente se julga superior, não há quem olhe e mande remover estas porcarias?

E então já colérico, retoma o auto, acelera precipitadamente e deita a fugir murmurando entre dentes: 

- Que vila, tão linda por fora, tão suja por dentro ...

Texto do NP de 1 de Outubro de 1938, assinado por "JAP"


16 junho, 2026

Ó da Roda! … paisagens sonoras e visuais de outros tempos



O texto que se transcreve é a introdução de uma das crónicas de João Augusto Simões Barreto (1877-1933) no Jornal de Penacova, intituladas “Regionalismo - Bairrismo. Penacova progressiva - O passado, o presente e o futuro”, publicadas em 1929. Pelo realismo da descrição e pelo curioso “retrato” que faz duma época, achamos pertinente voltar a ler este excerto:

“Debruçado sobre as grades da Pérgola, eu olhava o vale do Mondego, um fio de água, quase parada, que o verde negro dos pinheirais dos montes tornava sombria.

No remanso do Reconquinho as lavadeiras cantavam em coro, batendo o compasso com a roupa sobre as pedras.

Mais adiante, no caneiro da Várzea, a roda desandava devagar, gemendo cantando, toda aureolada do brilho das gotas de água que tombavam dos púcaros de barro negro. Um barco descia o rio lentamente, reflectindo na água quieta o seu perfil esguio de graciosas linhas curvas. 

Ó da roda! Ó da roda !

Abre-se a comporta do caneiro e a água represa precipita-se em cascata luminosa pela abertura. O barco segue veloz a corrente, empinando a ré, a que o leme dá a forma de um cutelo.

Depois tudo recai em silêncio, ouvindo-se apenas o gemer lamentoso e soluçado da roda do caneiro.

Em frente do Penedo da Carvoeira, duas raparigas atravessam o rio, mergulhando os pés na água baixa do rio e erguendo as saias mais do que seria preciso.

Ao cimo, na minha frente, o sol poente doira a penedia escura de formas caprichosas. Em baixo, um automóvel risca de negro a estrada branca e sinuosa levantando um turbilhão de poeira: O dia esteve quente, abafadiço. Só agora, perto da noite, começa a soprar o vento fresco do norte. A temperatura agora está deliciosa.”

15 junho, 2026

Histórias de Penacova (3): A Mina de Prata que afinal deu em nada...




A história correu de boca em boca e de jornal em jornal. Noutros periódicos foi notícia. Por hoje ficamos pelo Diário de Coimbra, de 16 de Abril de 1934, cujo texto transcrevemos integralmente:

"Há dias, um operário de escavações encontrou subitamente um rico veio minério, quando trabalhava numa mina de água* que anda a ser explorada pela Câmara de Penacova.

Na honrada Ignorância de tal achado, o humilde e honesto trabalhador participou o estranho caso a quem de direito - que vem a ser às respectivas autoridades camarárias. Estas, por sua vez, e como lhe competia a sua situação de zeladores do município que representam mandaram colher as necessárias amostras dos minérios encontrados ao abandono. 

Perante a incógnita que se levantara do solo, foram ouvidos os técnicos e consultados os entendidos. Todos se pronunciaram em que a escondida mina era rica de prata e de mais outros minérios.

A boa nova correu veloz por toda a parte. E' que depois de falarem os sabedores e os especializados mais ninguém poderia opor duvidas e ficar a esmoer incredulidades. Tanto não era licito a quem destas coisas não percebe patavina.

Grande mal foi este. Como se tratava de minas, e de mais a mais de prata, logo uns certos cavalhelros viram ali «uma rica mina, - gíria de dizer-se de negócio entre mãos, que deixa muito dinheiro com pouco dispêndio de trabalho ...

Negócio graúdo a dar à vontade para cinco. Eis porque de repente cinco indivíduos - todos honrados, pelo visto - se peitaram em sociedade sem cotas, com o intuito de enriquecerem em pouco tempo, negociando a prata alheia ... E não olharam a mais nada, senão aos seus premeditados interesses.

E' certo que o trabalhador - este, coitado, ficou de fora da tal sociedade - era pago pela Câmara, o os próprios terrenos fertilizados de minérios são pertença da mesma soberana entidade. Mas isto em nada influi para a ganância de arranjar prata às mãos cheias e de graça. O que é preciso é chegar a nababo com pouco ou nenhum esforço. Conjecturas grandiosas que levaram o Sr. presidente da Comissão Administrativa, o tesoureiro da Câmara, de mistura com mais três outros que tais indivíduos, a constituírem-se  em donos, mandões e senhores de tudo aquilo, por intermédio da sociedade anónima, feita para explorações de conta própria.

O abuso é comentado com áspera acrimónia, dada a extorsão de dinheiros e de direitos que representa para a edilidade de Penacova. Não há munícipe que não esbraveje suas cóleras contra tal excesso de autoridade destes amigos do povo. E os protestos andam no ar assoprados por todos.

Fiados não sabemos em que, os cinco componentes deste grandioso “achado” a tudo e a todos fazem ouvidos moucos. Nada os incomoda e perturba. Nem a voz do povo, que neste assunto é bem a voz de Deus, nem a voz intima da consciência em rebates de sinceridade, que o diabo tenta empolgar definitivamente. E tanto os azedos comentários os não incomodam que estes mesmos cinco cavalheiros societários já registaram em seu nome o grande e precioso “achado”. E o registo fez-se na Secretaria da Câmara da mesma Câmara a que pertence o terreno onde o minério foi descoberto, em que o sr. tesoureiro é empregado e o outro seu sócio exerce funções de presidente.

Ate aqui tudo tem sido bem encaminhado pela esperteza interesseira de todos. Mas o sr. Governador Civil do Distrito, a quem cabe dizer a última palavra, vai por certo pronunciar-se. E o seu despacho de pronuncia, disso estamos convencidos, e fazer entrar na alçada da Câmara o que à mesma Câmara pertence de direito e de facto. E' que o lema de sua Exa. consiste em obrigar a governar com honestidade e probidade todos os que estão directamente sob as suas ordens. Ao seu carácter íntegro não o seduzem e corrompem achados deste ou de qualquer outro quilate ... " fim de citação

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* que segundo se sabe seria no cimo da Cheira.

13 junho, 2026

Lugares, monumentos e sítios de Penacova (14): a(s) Pérgola(s) de 1918 e 1948

 


No início do século XX, a Sociedade de Propaganda de Portugal inscreveu Penacova no conjunto das 17 localidades portuguesas dignas de serem visitadas. O triângulo Coimbra-Penacova-Luso/Bussaco foi, nos primórdios do turismo no nosso país, um dos circuitos mais divulgados por aquela Sociedade.

Em 1916, aquando da vinda de Raul Lino a Penacova, para o arranque do projecto da Pérgola, a Sociedade tinha uma Delegação local, presidida pelo Conselheiro Luís Duarte Sereno. Mais tarde surgirá a Sociedade de Propaganda e Defesa de Penacova. Pretendia-se a promoção turística da vila, num tempo em que à mesma acorria já um número significativo de "aristas". 

Reconhecendo Penacova como “região caracteristicamente de turismo pelas belezas naturais que encaixilham o Mondego e pelos horizontes que do largo da povoação se desfrutam”, a Sociedade de Propaganda de Portugal decidiu mandar construir na vila uma Pérgola (ou latada).

Refere o Relatório de 1916 que aquela Sociedade,  pelos motivos enunciados e por “constituir um centro de turismo de certa importância”, decidira “aformosear o largo” com a construção de uma Pérgola projectada pelo “distinto arquitecto Raul Lino”. 

Luís Duarte Sereno, em entrevista ao Jornal de Penacova,  no mês de Março de 1917, deu conta do andamento do projecto. Apesar de ter sublinhado que o custo da obra (que terá rondado quinhentos escudos) se devia à Sociedade de Propaganda de Portugal, fez questão de realçar “a mais dedicada cooperação” por parte da Câmara. Na ocasião, anunciou para início do mês de Abril o arranque das obras e apontou o dia 31 de Maio para a inauguração, conforme seria desejo de Emídio da Silva. Note-se que nesse dia se assinalariam 10 anos da inauguração do Mirante. Este calendário não se cumpriu e as obras só acabariam por ser concluídas em Dezembro de 1918.

Saliente-se que esta obra de 1918 não incluiu a pérgola que podemos observar hoje a oeste do edifício da Câmara, construída junto da antiga Pensão Vizeu. Esta “Pérgola de Cima”  é muito posterior, apesar de se inspirar na outra construção desenhada pelo arquitecto Raul Lino.

Uma notícia do jornal “Notícias de Penacova” de 27 de Março de 1948 dá conta do seguinte:

A SEGUNDA PÉRGOLA - Estão montadas as vigas em cimento armado da nova Pérgola junto à Pensão Vizeu, a qual parece ficar mais desafogada e de mais pé direito do que a primeira.

Continuam os trabalhos agora com mais intensidade na intenção certamente de já proporcionar aos turistas do próximo Verão os confortos e regalos que se gozam na Pérgola junto do Café Turismo, cujo piso acaba de ser modificado e suavizado com saibro batido.”

Desconhecemos se de facto foi inaugurada antes do Verão de 1948, mas certamente tê-lo-á sido por aquela altura. Um outro pormenor que a notícia nos revela: o piso da Pérgola Raul Lino em 1948 foi melhorado com saibro compactado. Nada de calçada, que só chegará mais tarde…

12 junho, 2026

𝑫𝒂 𝑴𝒊𝒏𝒉𝒂 𝑱𝒂𝒏𝒆𝒍𝒂... 𝑨𝒄𝒐𝒏𝒕𝒆𝒄𝒆: livro de Luís Amante apresentado na Feira do Livro de Lisboa



No dia 10 de Junho, pelas 16 horas, no Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa, 
teve lugar o lançamento do livro Da Minha Janela ... Acontece, uma edição da 
 “Calçada das Letras”, tendo como autor Luís Pais Amante.  
Foi transmitido em directo pela Casa do Concelho de Penacova, através do Facebook

A iniciar a sessão, foi apresentado um vídeo com a interpretação, por Rodrigo Carvalho *, maestro penacovense, do poema “Saudade em Tempo / Letra para um Fado de Coimbra”. 

Luís Pais Amante referiu que mais do que se tratar de apresentar um livro, o momento era um “modo de trazer Penacova ao Mundo”, isto é, dando-a a conhecer através deste evento. Manifestou o grande prazer de poder contar com a presença de “pessoas que já não via há 50 anos”, bem como de alguns colegas da escola primária e de muitos amigos.

Seguiu-se a declamação, por uma das responsáveis da editora, de dois poemas:  “Eu sou a minha mãe” e “Tu (Ana) és o meu Natal”.

Também o neto do autor, André, leu uma das crónicas “E como o Fundo da Vila renasce!”, tendo chamado ao palco o Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra, para receber um exemplar autografado e usar da palavra.

“É um gosto estar aqui na Feira do Livro de Lisboa no meio desta magnífica plateia”, afirmou Álvaro Coimbra. Salientou a presença de “muitos rostos da nossa cultura local”, designadamente David Almeida, “investigador”, Óscar Trindade, “pintor, cujos trabalhos vale a pena ir acompanhando” e Rodrigo Carvalho “um excelente Maestro”. Figuras “que quiseram hoje estar ao lado do Luís Amante no lançamento deste livro.” 

Referiu ainda a proximidade com o Autor, quer desde os tempos em viveram paredes meias no chamado “Fundo da Vila”, quer no acompanhamento dos seus “livros de poesia que falam da sua paixão” por Penacova. Agradeceu a presença de todos, bem como a “dádiva” literária, naquele dia especial, 10 de Junho, Dia de Camões e da Língua Portuguesa”. Terminou deixando um repto e um convite a “quem não conhece Penacova”, para  “num fim-de-semana sair da Capital e ir até ao Centro” para ver que de facto “Penacova é um sítio incomparável e de uma beleza única”. 




Luís Pais Amante prosseguiu na condução da sessão. Referiu e agradeceu algumas das colaborações na “construção” do livro: David Almeida, "do Blogue Penacova Online”, Óscar Trindade, “um penacovense de gema que publica também muita coisa” do que o Autor escreve, Paulo Rodrigues, “que gere o Penacova Acontece”, onde escreve igualmente.  Referiu ainda Manuelita Sampaio, que habitualmente se responsabiliza pelo design das obras que têm sido editadas.  Salientou ainda a presença de “outras pessoas amigas” como Ricardo Simões, de Penacova, e esposa. 

O Autor destacou um aspecto que lhe é muito peculiar: “vamos desenvolvendo a poesia fazendo-o com o coração”. Entende mesmo que “é mais bonito ‘poetar’ com o coração do que levar muito tempo a escrever um poema”.  

Anunciou, de seguida, a Apresentação, propriamente dita, acentuando que sendo o livro escrito por si e sendo a “Janela”, metade sua e metade da “Senhora Professora Doutora Ana Marques Lito”, seria justo que fosse ela a fazer o Prefácio do Livro e a respectiva apresentação. 

Ana Marques Lito seguiu de perto os tópicos que ficam registados no Prefácio (de que abaixo destacaremos alguns excertos).  

Terminada a apresentação, Ricardo Coelho, elemento do Coral Divo Canto,  declamou “Sou pobre, porque trabalho!” . A concluir a sessão foi projectado um vídeo alusivo ao poema “Remoçar na Praia”, com voz de Ricardo Coelho e imagem e edição de Óscar Trindade.

Após o evento, que decorreu no Auditório Lusíadas, teve lugar uma sessão de autógrafos no pavilhão da distribuidora Letras em Marcha, que representa várias editoras como a Calçada das Letras. 

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Posteriormente, nas redes sociais, Luís Pais Amante deixou a seguinte mensagem:

Caros Penacovenses, Amigos e Seguidores,

Foi com enorme orgulho que recebi uma plateia repleta de gente (dentro e nas alas de fora) no Auditório Sul (Principal) a assistirem -com entusiasmo e carinho - ao Lançamento do meu Livro nº 10, “Da minha janela…Acontece”!

E é aqui que fica bem agradecer todas as colaborações recebidas (David Almeida, Óscar Pereira Trindade, Paulo Rodrigues). O Diseur de serviço foi o Ricardo Coelho. O Compositor Intérprete do Fado de Coimbra em que se transformou o Poema “Saudade em Tempo” foi o Maestro Rodrigo Carvalho. A preparação para a edição esteve a cargo de Filipe Amante. A Apresentação esteve a cargo de Ana Marques Lito. A Obra foi dedicada “A Penacova e às suas gentes” e recebida pelo Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra. Uma palavra final para a intervenção do neto André Amante, que me deixou orgulhoso. E uma nota de realce para Rogério Marcelo, da Casa do Concelho, que transmitiu o Evento em directo. O meu coração ficou cheio! A nossa Penacova elevou-se no Dia de Portugal!

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* Escreveu, a propósito, Rodrigo Carvalho nas redes sociais: 

“A  partir de um poema de Lpa Poeta nasceu uma melodia à qual juntei a minha voz, e que ganhou depois corpo e novas cores com o baixo do Ni Ferreirinha, a guitarra do Hugo Gamboias e o piano do Gustavo Martins. O Luís Serrano fez a magia de captar tudo isto com a habitual subtileza e eficácia e o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra tiveram a generosidade de cederem a sua sede para a realização da gravação.

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EXCERTOS DO PREFÁCIO 

(subtítulos nossos)


[O TÍTULO DA OBRA: DA MINHA JANELA ... ACONTECE {POESIA E PENSAMENTO}, CONVOCA A FORÇA TELÚRICA DA TERRA ORIGINÁRIA]

Para ficar assinalado dentro de cada leitor - e na memória de Penacova – o título da obra: Da minha janela ... Acontece {poesia e pensamento}, convoca a força telúrica da terra originária e fundante do autor que, com a sua beleza deslumbrante e invulgar, sob o brilho das águas do Rio Mondego, lhe oferecem a lucidez sábia de poetizar e refletir o que acontece dentro e fora do si-mesmo. 

[SAGACIDADE E A CAPACIDADE POÉTICA; TÍTULOS ANTERIORES PARTICIPAÇÕES EM EVENTOS CULTURAIS; MENSAGEM DA OBRA]

Ao publicar aqui, aos 72 anos, estes 72 poemas, segue um padrão que se mantem desde os seus 62 anos, quando publicou 62 poemas, em Conexões.

Quando, muitas vezes, privilegia a publicação primeira da sua poesia, em plataformas digitais, está a antecipar a perpetuação virtual do que considera o seu legado; divulgar e enaltecer Penacova e as suas gentes!

A sagacidade e a capacidade poética que o autor apresenta aqui, cumpre já o seu 10° livro. Os títulos anteriores são: Poemas a Recordar, 2012 (edição de autor); Conexões, 2016; Reflexos, 2017; Poesia das Circunstâncias do Tempo, 2018; Participação na Coletânea de Poesia "Conversos", 2019; Penacova [In]Temporal, 2021; Poesia e Pensamento em Tempo de Inquietude, 2021; Liberdade Actual, 2023; Em coautoria comigo o Livro Infantil ilustrado O Clube da Netaria (2024), integrado no nosso projecto Os Contos da Casa Azul, que se vai desenrolando naturalmente.

Nas participações em eventos culturais ligados à poesia, ou não, o autor é requisitado para os integrar, porque se assume e faz declaração própria da sua livre expressão de pensamento desligado de interferências ou interesses alheios.

A mensagem da obra reflete um grito, um alerta à Liberdade individual e coletiva, à Paz, à importância da atitude vigilante face ao modo como vivemos numa sociedade do cansaço de exploração do Homem e do abuso escravizado do desempenho narcísico e profissional sem precedentes, que faz adoecer a alma, isolando o sujeito do devir, aprisionando-o no consumo e nos excessos, num processo de alienação, fora da dádiva do sentir a relação com o Outro – conviver e, de poder nutrir-se dos sentimentos de ligação com o calor emocional de estar  presente no encontro com o olhar do outro. (Byung-Chul Han, 2023).

                          [PARADOXALIDADE DA NOVA ORDEM MUNDIAL]

Luís Pais Amante reflete, portanto, as diversas e diferentes crises e convulsões sociais e politicas, a nível planetário como a guerra da fome e da escravatura humana de (des)humanização crescente, de que somos testemunhas, mas em que o autor-protagonista, insubmisso, grita e denuncia os movimentos das populações parasitas na cidadania, como indiferentes às práticas políticas violentas e tirânicas - posições perversas de imperialismo e fundamentalismos, que impõem e atacam o Outro Diferente, sob o espectro de pseudo-democracia que viola e perverte os Direitos Humanos.

O autor marca bem a paradoxalidade da nova ordem mundial como o impacto de princípios éticos reprováveis e subversivos da era tecnológica e civilizacional de os grandes se apropriarem dos pequenos, o que enuncia a cisão maniqueísta dos tempos impiedosos, do adoecer da democracia como a perspetiva de horizonte sombrio para as gerações vindouras apesar de acreditar na capacidade empreendedora e regeneradora da nossa Juventude.

[COMUNICAR  BEM ALTO O POTENCIAL ESQUECIDO DO SER TRABALHADOR]

Solidarizando-se com as gentes e, sentindo-se autor-actor e protagonista, semelhante e membro do povo português, ao qual exprime a sua lealdade, amigo da alma lusa, dedica grande parte da sua Obra, a dar voz e a comunicar bem alto, ao mundo e aos decisores políticos nacionais e internacionais, o potencial esquecido do ser trabalhador senão escravo, português ou não, com a capacidade inesgotável de resiliência. No nosso pais, apesar dos 50 anos de Democracia, ainda persiste uma certa passividade temperada do embuste da nostalgia e conformismo lusitano, resquícios da democracia tardia; o autor, de um ímpeto pretende honrar os trabalhadores em geral.

[POESIA, OPINIÃO, CRÓNICA, ENSAIO, PROSA]

Luís Pais Amante tem-nos proporcionado realizar imensas viagens interiores, em dois ou mais dos cinco sentidos humanos - com sentimento e sagacidade cujas tonalidades e mensagens se transformam, na escrita, em poesia, opinião, crónica, ensaio, prosa (e nos contos ainda desconhecidos aos leitores), que espelham a sua visão ampla e, em perspectiva de expansão, buscando-se noutros horizontes ... como até na transcendência de si próprio.

[RECONHECIMENTO; PLATAFORMAS DIGITAIS]

Neste sentido a publicação no Livro, aqui apresentado, expressa bem a identidade e o seu orgulho de pertença à vila de Penacova como filho leal, amigo dos conterrâneos (as suas gentes) a quem a obra é dedicada.

Amigo do seu amigo manifesta-se neste gesto de reconhecimento ao Blogue Penacova Online, na pessoa, David Almeida, cujo trabalho tem tido o mérito de sensibilizar e aprofundar o conhecimento histórico e social das gentes e das terras de Penacova, onde agora está a desenvolver a rubrica mensal: As crónicas do avô Luís, em que aborda temáticas diversas com o intuito de sensibilizar as gerações futuras, desde a cidadania, à saúde, educação, habitação e outras.

Concomitantemente, nos poemas que têm sido publicadas e divulgados na página pública do Penacova Acontece, sublinha e incentiva a sua ligação ao Paulo Rodrigues, jovem penacovense dinâmico e empreendedor em projetos e ações locais de mobilização cultural e apoio social.

Sem esquecer, a colaboração anterior com O Penacova Actual, de outro amigo de longa data, Pedro Viseu, também tenho de referir a ligação de proximidade e de vizinhança com Óscar Pereira Trindade, cujo trabalho essencialmente fotográfico e digital no Youtube tanto aprecia e, ainda, com o Blogue Por aqui por ali, por acolí de Ana Ferreira, filha de uma grande amiga de juventude.

Estas plataformas digitais têm fortalecido, aproximado e aprofundado a pertença e a identidade da Vila, como dos muitos cidadãos emigrantes à sua terra originária e, entre os que cá vivem com os que já partiram para outras paragens do território nacional e do estrangeiro.

[SEGUNDO CAPÍTULO: 

PENSAR A VIDA PÚBLICA E PRIVADA DA ACTUALIDADE]

Quanto ao que este Livro nos apresenta, no segundo capítulo, há que evidenciar a expressão coerente de artigos publicados nas plataformas digitais, atrás referidas, sobre o modo de Luís Pais Amante pensar a vida pública e privada da actualidade, em diversas áreas e contextos que são fundamentais - habitação, saúde, educação, política nacional e internacional, igualdade de género, transmissão geracional, juventude e infância, entre outros. Saliento o perfil reflexivo, tanto de indignação como de adaptação ao mundo contemporâneo, para o qual propõe soluções e saídas possíveis descomplicadas para transformar o status quo. Vinca de forma escorreita, a sua particular visão humanista, analítica e ponderada, sem medo de se afirmar e diferenciar com ética.