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04 maio, 2026

Cemitério da Eirinha veio substituir o "quintalejo indecente", a "nesga de terra murada" do Monte da Sª da Guia


Em 1902,  A Folha de Penacova fazia referência à urgente necessidade de concluir as obras do novo cemitério. O velho cemitério da Sr.ª da Guia, além de pequeno, apresentava "tristes e desgraçadas condições". A Câmara em sessão extraordinária deliberou continuar com as obras na Eirinha. 

"A câmara municipal deste concelho reuniu em sessão extraordinária no dia dois deste mês. Alguma coisa de anormal e urgente fez sair do rotineiríssimo preceito das sessõezinhas aos sábados, só de oito em oito dias, a actual vereação, que tem homens metódicos como aqueles que o são. Certamente que sim. Tal reunião teve por fim deliberar sobre duas coisas de extrema necessidade. Uma de essas coisas é a continuação das obras do novo cemitério desta vila. A outra é a reparação de algumas ruas não só de Penacova mas ainda de Lorvão, S. Pedro d'Alva e Paradela da Cortiça.

A continuação das obras do novo cemitério desta vila é uma necessidade que se impõe a tudo mais. Todos sabemos em que tristes e desgraçadas condições se encontra o antigo cemitério, essa nesga de terra murada, esse quintalejo indecente, que mais se assemelha a uma estrumeira que a um cemitério. 

É uma vergonha. 

Aquilo que ali está, está ali a indicar aos que visitam esta terra a grande falta de respeito que aqui há pelos mortos. 

Simplesmente vergonhoso.

Ora, nesta o noutras mais coisas locais, parece efectivamente que não passou por Penacova o século XIX, o século des luzes.

Penacova, porém, e quem sabe se por qualquer influência do seu nome fatídico, ficou de pé na cova, muda e extática, ante o desenrolar grandioso desse século que se assinalou brilhantemente por manifestações superiores do saber humano e não menos pela compreensão dos deveres sacieis o psíquicos, continuando ainda hoje a comunicar-se com Coimbra por intermédio do um traço de união que se chama as diligências do Albino!...

É tempo de despertar. O extraordinário da sessão extraordinária com que a câmara municipal reuniu no dia dois deste mês, já representa alguma coisa, mas ainda não é tudo.  Mãos à obra."

A FOLHA DE PENACOVA 

24 de Abril de 1902