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03 maio, 2026

Os Reparos de Vasco Vizeu (1946) e o velho Coreto do Terreiro


REPAROS *

"Sobre o nosso Largo do Terreiro, de que falei no meu último «rabisco», muito há ali a fazer para que tudo fique nos seus lugares arrumadinho com aspecto de quem sabe ter a sua casa em ordem, aprazível, atraente, pois que além de ser a entrada principal da nossa linda vila, é, como já se disse, a nossa sala de visitas, o nosso salão de festas, o nosso jardim de verão e inverno, o ponto obrigatório de reunião; é ali que estão as nossas Câmaras (velha e nova), todas as repartições públicas, o correio, algum comércio, pensões e o único café que possuímos e que por sinal melhorou ultimamente bastante com a transformação que sofreu, ficando comum bom aspecto moderno, mais amplo, asseado e que, para compensação do seu arrendatário, tem tido farta concorrência não só dos nossos hóspedes aristas como pelos naturais; e ainda bem, porque assim, e a seu tempo, pode melhorar muito mais, como sei ser essa a boa intenção do seu explorador.

Existe no referido Terreiro o coreto da nossa música, a colectividade mais velha da nossa terra e que só pela sua velhice ela nos impõe um certo respeito e gratidão mas também porque hoje faz parte da benemérita associação dos Bombeiros Voluntários Penacovenses, colectividade de que muito podem esperar, se todos nós olharmos para ela com amor e carinho que bem merece. 

Pois esse coreto, apesar de não ser obra de arte, e de, valha a verdade, estar em regular estado de conservação, e de ser absolutamente preciso, 𝖉𝖊𝖛𝖊 𝖉𝖊𝖘𝖆𝖕𝖆𝖗𝖊𝖈𝖊𝖗 𝖉𝖊 𝖔𝖓𝖉𝖊 𝖊𝖘𝖙á. Se alguma vez ali ficou bem, hoje, de forma alguma o está, porque além de afogar a bifurcação do Largo com o ramal que vai para Santo António, corta a meio aquele bocadinho de Avenida que, da nova Câmara, segue para cima. No entanto, antes ali que em parte nenhuma.

Mas onde ficaria bem o coreto? Na verdade é um assunto para pensar maduramente. Eu, sem que ninguém me encomendasse o sermão, mas sim pelo amor à nossa terra, já o visionei em diversos lugares e confesso que só num me parece ficar bem. E por coincidência há até uma árvore (um acer) que ali, um pouco abaixo do meio da Pérgola, está a morrer como a querer dar lugar ao coreto, sem que seja preciso estragar absolutamente nada do que lá existe. Ficaria ali bem e até resguardado dos ventos de Entre Penedos, sempre os mais desagradáveis, e até com a vantagem de se poder dar ali uns festivais com entradas pagas, para fins de Beneficência ou melhoramentos da terra, vedando o jardim da Pérgola.

Também se poderia transformar o seu aspecto, aproveitando as colunas e grades e substituindo o telhado por uma forma de caramanchão moderno e no sentido da ramada da Pérgola, que, com trepadeiras, roseiras e outras plantas próprias para cobertura, formaria como que um lindo bouquet de flores. E não julguem que isto ficaria muito dispendioso, porque aproveitando todos os materiais do coreto, o dispêndio é relativo, compensando bem o benefício que fazia ao nosso Largo do Terreiro.

VASCO VIZEU 

Notícias de Penacova, 1946

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* Escrevia o Notícias de Penacova em 1946: "Reparos" - Costumam ser lidos com bastante interesse e atenção os artigos publicados neste semanário, sob a designação genérica «Reparos», da autoria do sr. Vasco Vizeu, a quem, por isso, enviamos os nossos cumprimentos.

* sugerimos, igualmente, a leitura deste "post" sobre o Terreiro.