sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Penacova e a República na Imprensa Local

Obra de 183 páginas, 25 x 15

"Penacova e a República na Imprensa Local" será apresentado pelo Prof. Doutor Luís Reis Torgal, autor do seu prefácio. O lançamento do livro, da autoria de David Almeida,  terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Penacova / Centro Cultural, pelas 10H30, do dia 5 de Outubro.

" O republicanismo em Penacova não nasceu no dia 5 de Outubro, ou melhor, no dia 6, quando nesta vila foi conhecida a notícia. De facto, o ideário republicano vinha germinando há alguns anos, quer por acção de homens formados na academia coimbrã, médicos, juristas, professores, quer por influência de emigrantes regressados do Brasil e comerciantes penacovenses estabelecidos no concelho e também na cidade do Porto."
In  Introdução
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Revisitar o passado em Dia Mundial do Turismo


Conforme estava anunciado, o Dia Mundial do Turismo foi assinalado em Penacova com uma visita guiada aos pontos principais da vila, através de uma recriação do início do século XX que esteve a cargo dos grupos folclóricos de Penacova, Chelo e São Pedro de Alva. O serão foi animado e bastante participado.
A iniciar o percurso foi escutado, junto à Igreja, o discurso de Simões de Castro, proferido em 30 de Maio de 1908 quando o Penedo da Cheira passou a designar-se por Penedo do Castro. Seguiu-se uma visita à Igreja Matriz, onde além de se apreciarem os aspectos históricos e arquitectónicos, se ouviram antigos cânticos ao Santíssimo Sacramento.
Junto ao Chafariz que ostenta a data de 1909 (chafariz que desde o momento em que Joaquim Leitão o ofereceu à Câmara e foi implantado no Largo Alberto Leitão, mudou de lugar diversas vezes),  um casal de namorados  e mulheres que ali vão encher os cântaros recriam um ambiente há muitos anos desaparecido. Ali perto não faltou a figura do barbeiro, homem que geralmente era enfermeiro e dentista.
O grupo de figurantes e público seguiu para a Casa da Freira onde foi encenado um serão sobre a ancestral confecção de palitos em Lorvão. À volta do Cruzeiro assiste-se ao "tirar de um cobranto" e mais acima os romeiros detêm-se junto à Capela de N. Sª da Guia (cuja frontaria se encontra hoje integrada no Hotel. Neste local terá existido a antiga Igreja Matriz que tinha a fachada principal voltada a nascente. Uma vez em ruinas, parte da estrutura deu lugar à capela, voltada a poente, aproveitando restos das antigas paredes. Naquele monte existiu também o cemitério antigo, até finais do século XIX, dando depois lugar ao da Eirinha.
A visita prossegue e eis-nos no Mirante Emídio da Silva. Ao lado do presidente da Câmara em exercício em 1908 (Dr. José Albino Ferreira , padre sem paróquia e notário) ouvimos o discurso  de Manuel Emídio da Silva, proferido naquele local em 31 de Maio de 1908. Memórias bem retratadas no Jornal de Penacova que descreve ao pormenor a inauguração do Mirante.
De regresso ao Terreiro é feita uma referência a Raul Lino e à sua obra – a Pérgola -  e à Sociedade de Propaganda de Portugal.
A terminar, a satisfação pelo êxito da iniciativa.  Usaram da palavra a Vereadora da Cultura, Fernanda Veiga e o Presidente da Câmara, Humberto Oliveira.

David Almeida

5 de Outubro: homenagem a António José de Almeida e lançamento da obra Penacova e a República na Imprensa Local

Fonte: Câmara Municipal
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Friúmes: entre o Rio e a Montanha - a dinâmica das suas Gentes

Festa da Freguesia - 24 de Setembro


A Freguesia de Friúmes encontra-se entre o rio e a montanha, entre a água e o vento.
Ladeada por 2 rios, Mondego e Alva, na margem esquerda possui um espaço de lazer, Vale da Chã, composta por: areal, caneiro, roda (doida), bar, mesas pic-nic, vegetação impar entre amieiros e freixos, tudo para poder disfrutar das águas calmas e amenas características deste rio.
Na montanha: Serra da Atalhada, existe uma cordilheira de 24 moinhos de vento, agora quase todos reconstruídos, uns transformados para habitação (quarto, casa banho) os quais podem ser alugados para disfrutar de um fim de semana na natureza; outros fidedignamente transformados em museu, para assim poder transmitir aos mais novos o que era um moinho de vento e para que servia. Existem infraestruturas de apoio como: restaurante, bar, posto de turismo e uma eira antiga (em fase de conclusão), espaço para autocaravanas. Vistas impares de perder de vista, tanto para a serra da estrela como para a serra do bussaco.
Outros pontos de interesse a visitar: Igreja matriz, capela N.S.Conceição, Fontanário de Miro, Zagalho e Carregal, ruínas fornos da cal no Zagalho e Vale do Tronco, velha mina abandonada chamada “Toca da Moura”
Artesanato Típico: Tecelagem do linho, latoaria, tamancaria, barcas serranas em madeira, rodas doidas de rio, moinhos vento, azenhas, colchas de trapos, entre outros.
Gastronomia: Lampreia, folar doce, chanfana e peixe do rio.
António Fernandes

Conjunto de imagens sobre o complexo de Moinhos de Vento da Serra da Atalhada e dos recantos fluviais de que dispõe a freguesia. Também fotografias de uma actividade desportiva: o ténis.

sábado, 24 de setembro de 2011

Está a decorrer em Penacova o VI Encontro de Associações Juvenis do Distrito de Coimbra

O 6º Encontro de Associações Juvenis do Distrito de Coimbra, ´Move-te: Ideias em movimento´, teve  início ontem em Penacova.
Estimular a capacidade empreendedora dos jovens, promover projectos de cidadania activa e divulgar projectos e actividades associativas, são os objectivos do evento
“Vai ser um fim-de-semana onde vai ser proporcionado aos dirigentes associativos juvenis do distrito o contacto com projectos empreendedores e inovadores, quer na área social quer na área empresarial. Vão ser apresentados casos de sucesso, por parte de alguns dirigentes associativos e jovens empresários”, sublinha a Federação das Associações Juvenis Distrito Coimbra, que promove o encontro.
No 6º EAJDC os participantes vão ter acesso a uma acção de divulgação do Programa ´Juventude em Acção´, onde de uma forma muito prática, vão conhecer alguns projectos Europeus, realizados no âmbito deste programa.
Programa do Encontro:
Sexta-feira, 23 de Setembro
20h00 – Recepção/credenciação dos participantes – Centro Cultural;
21h00 – Jantar (Piscinas Municipais
22h00 – Sessão de Boas Vindas – Centro Cultural;
22h30 - Dinâmica de Recepção aos participantes;
23h00 – Animação Nocturna;
Sábado, 24 de Setembro
10h00 – Sessão de Abertura do Encontro Distrital
10h45 – Apresentação do Programa Juventude em Acção
13h00 – Almoço (Piscinas Municipais);
14h00 – Workshop “Empreendedorismo Jovem”
“Empreende quê?”
15h00 – Empreendedorismo Social vs Empreendedorismo Económico
16h00 – Empreendedorismo – Necessidade vs Vocação
Coffee Break
17h – Casos de sucesso – Associações Juvenis do Distrito e Jovens empresários
 Apresentação do Software SGA (Sistema Gestão de Associações);
 Apresentação do projecto GET-IT;
 Apresentação de projecto pela Casa de Angola;
 Apresentação de projecto da “Soltar os Sentidos”
20h30 – Jantar (Piscinas Municipais);
22h15 – Animação;
 Domingo, 26 de Setembro
11h00 – Sessão de encerramento do 6º EAJDC;
13h00 – Almoço (Piscinas Municipais);

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Friúmes: Torneio de Futebol







A Junta de Freguesia de Friúmes realizou no passado dia 17 e 18 de Setembro, o seu 1º Torneio de Futebol Inter Freguesia, onde equipas só da freguesia jogaram entre si, proporcionando excelentes momentos de partilha, convívio e Fair play, entre as várias aldeias participantes.
O Torneio realizou-se no campo de jogos da freguesia em Miro, onde participaram 7 equipas, entre elas: “A capital” de Vale Maior, “Peste e Siga” de Miro, “Os Campeões” de Miro, “Os Friúmenses” de Friúmes, “Sport Clube das Eiras” de Miro, “Os Festeiros” de Miro e Vale do Tronco.
A classificação final foi a seguinte: 1º lugar: “Peste e siga” de Miro, 2º lugar: Vale do Tronco, 3º lugar: “Os Festeiros” de Miro, 4º Lugar: “Sport Clube das Eiras” de Miro, ficando todas as outras em 5º lugar.
Foram distinguidos também: o melhor marcador e melhor guarda-redes, Telmo Nogueira e Nuno Almeida, respectivamente, da equipa “Os Festeiros”.
Este torneio está inserido nas Festas da Freguesia, Festas de S.Mateus, que tem lugar no dia 24 de Setembro do corrente ano.
Pela motivadora adesão e participação é uma iniciativa a repetir e tem já data marcada para o ano que vem, sempre integrada nas Festas da Freguesia.
Um Bem Haja à junta de Freguesia por mais uma iniciativa de sucesso.
Continuam a fazer justiça ao nome: Freguesia de Friúmes, Freguesia em movimento.
António Fernandes


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Bela Adormecida: Oliveira Cabral e o Turismo em Penacova

"A BELA ADORMECIDA"
ARTIGO PUBLICADO NO FRONTAL
DE 16 SET 2011
A Bela Adormecida

O tema do turismo em Penacova já é antigo, como antigos são os contos de fadas. Ao longo dos últimos cem anos não faltou quem enumerasse as potencialidades do nosso concelho, quem avançasse propostas para a sua exploração enquanto fonte de riqueza, quem identificasse constrangimentos, quem apontasse culpados para o seu paradoxal atraso turístico.
Este debate passou muitas vezes pelos jornais locais e regionais. Muito se argumentou e contra-argumentou. Recordamo-nos que por volta de 1952, apareceram artigos que já falavam da velha e gasta crítica de que Penacova andava a dormir – talvez baseada numa teoria que circulava por estes lados, no sentido de se pensar que, certo dia, esta vila teria sido invadida por um "enxame" de moscas tzé-tzé, aquele " repulsivo insecto do sono" .

Em resposta a um editorial intitulado "Penacova não pode adormecer" surge uma reacção assinada por um "Zé Nicolau" defendendo que Penacova podia e devia adormecer, a par de uma outra opinião assinada por um " João Ninguém" que acrescenta: "Penacova não pode adormecer? – é conforme!". E a rematar esta troca de opiniões, surge um artigo de Oliveira Cabral garantindo que "Penacova não adormecerá".

Mas não só de críticas se alimentava a opinião pública penacovense. Já em 1932 Alípio Barbosa Coimbra defendia no artigo "Penacova e o Turismo" que para fixar os turistas havia que "cercá-lo" de comodidades, criando por exemplo um Hotel de Intercâmbio, estabelecendo "entendimentos" com os grandes hoteleiros de Coimbra e do Bussaco. Defendia também um Restaurante de Montanha na zona de Entre-Penedos e a exploração da água das Caldas. Certamente para calar outros articulistas que se limitavam a criticar o marasmo de Penacova – baseado também numa outra teoria que apontava a falta de dinamismo local aos miradouros que seriam um convite ao "quietismo do corpo e ao sonho da alma", gerando nas pessoas "o pasmo" e o "sonambulismo" de que parecia enfermarem - avança de imediato com a proposta da criação de uma Comissão de Melhoramentos. Propõe para presidente honorário Manuel Emídio da Silva e sugere depois os nomes do Dr. Sales Guedes, de José Leitão, Armando Leitão, Mário Barbosa e Dr. Alberto de Castro.

De propostas e de reparos se vai mantendo o debate. Em 1956, é ainda António dos Santos Fonseca que, também no periódico local, escreve que "os penacovenses defendem os seus interesses colectivos au ralenti", convencidos que basta ao turista ficar "todo o dia a ver dormitar o Mondego." Também pela mesma altura, será Vasco Viseu a dizer que nesta terra " falta coesão, união", existindo, pelo contrário, uma super-abundância de política anti-progressiva". António Fonseca recorda ainda a criação de uma Comissão de Melhoramentos que, nos tempos da presidência de José Albino Ferreira, sonhou com um "Hotel Regional" no Penedo do Castro e com a construção de um espaço para concertos, récitas e jogos nas proximidades do mesmo. "Lunáticos" foi o que lhes terão chamado – lamenta-se. Projectos que foram sendo alvitrados, como o caso da piscina no final dos anos quarenta. A ideia teve vários apoios, houve mesmo uma subscrição pública que recolheu algum dinheiro. Em 1953 a Comissão presidida pelo Dr. António Amaral decide avançar, anuncia-se que o Engº Rui Castro Pita iria fazer a planta e os cálculos e que as obras iam mesmo começar no dia 15 de Setembro. No entanto, o assunto morreu à nascença, tendo-se concluído que a falta de água era um motivo para desistir da ideia. Mas em 1957, segundo confidencia Oliveira Cabral, na mente de Alípio Barbosa Ribeiro, presidente da Câmara, (neto de Alípio Barbosa Coimbra) ainda estaria a construção da mesma por detrás do Café Turismo. Outra obra que ainda hoje é motivo de debate é o velho "Ténis" ou " Parque Municipal". Em 1940, com pompa e circunstância, estando presentes "distintos tenistas do Porto" foi inaugurado o campo de ténis, construído sobre uns velhos paredões que ali existiam e que eram os vestígios de um outro sonho não concretizado: a construção de um Teatro. A prática do ténis pouco sucesso terá tido e mais tarde com o forte apoio financeiro de Abel Rodrigues da Costa, este espaço passa a ser conhecido também como "Parque Municipal" e ganha outra forma.

Piscina, campo de jogos, ringue de patinagem, cinema ao ar livre, parque infantil "com espelho de água", baloiços, montanha russa, praia fluvial, são propostas feitas no editorial "O Futuro de Penacova" (1952) no sentido de atrair "gente nova". A nível geral, outros melhoramentos vinham sendo sugeridos e alguns concretizados. Em 1953 preconiza-se um Miradouro para o ponto mais alto da Serra da Abarqueira, junto do marco geodésico. Para a zona que vai de Entre-Penedos até ao Reconquinho aponta-se a criação de uma zona de pesca à linha.

Um dos grandes constrangimentos foi, a dado momento, o abastecimento de água. É que, como alguém escreveu, se os turistas ao chegar se deparam "com rajadas de poeira" e com a "desolação das plantas secas" fazem como os cucos: "ao verem os restolhos vão-se embora…".

A "nova era" sonhada com a construção do Preventório nos anos trinta, afinal, não tinha modificado muita coisa. Assim, no Notícias de Penacova (1949) surge a troca de argumentos à volta de títulos como "Penacova, a Linda?", "Penacova, a Triste?" Aí se fala duma "Penacova de Sombras em Pé", de um " marasmo esmagador", de um "piano que ninguém toca", de um "turismo em agonia" e, no meio de outras críticas, procura-se atingir o Grupo dos Amigos de Penacova e a Sociedade de Recreio e Propaganda (de que falaremos futuramente). Muito se foi fazendo mas verificamos que esta tensão ainda hoje perdura. Este sentimento de inconformismo e de procura de bodes expiatórios prevalece em muitos dos debates sobre Turismo. Na polémica que refirimos atrás, entram articulistas anónimos (um "Assinante da Vila", um "Amigo de Penacova") e Oliveira Cabral, que tal como em 1952 dá a cara e expressa a sua opinião. E também, como sempre, com o seu espírito conciliador, propõe: "Penacova, a Linda? Penacova, a triste? Como queiram, mas propomos também uma designação com a qual ninguém poderá susceptibilizar-se, porque não será fácil desmenti-la: Penacova, a Bela Adormecida! "

David Almeida
in Frontal de
 16 de Setembro

KARATECAS PENACOVENSES INICIAM ÉPOCA 2011/2012

Foi na Praia Fluvial do Roconquinho em Penacova, que no passado dia 18 de Setembro, os atletas do Clube Karate Penacova, iniciaram a nova época desportiva 2011/2012.



Num dia inteiramente dedicado à prática de Karate Shukokai e a alguns pequenos mergulhos, consequência do desgaste físico acumulado do treino, todos os atletas de acordo com a sua faixa etária e dos recursos espaciais existentes (Campo de Futebol Praia) tiveram a oportunidade de executar técnicas kata, defesa pessoal, técnica base, projecções, e ainda luta corpo a corpo, num domínio mas dedicado à vertente marcial do Karate.
         Os atletas com mais de 16 anos treinaram no período da manhã das 10:00 às 12:00, e à tarde das 16:00 às 17:30, por sua vez, os atletas mais novos com menos de 12 anos, treinaram das 14:00 às 15:00, enquanto que os Karatecas entre os 12 e 16 anos inclusive treinaram das 15:00 às 16:00.

    Entre as 12:00 e as 14:00 decorreu um breve almoço convívio entre atletas, familiares, amigos e treinador, em que a confraternização e momentos de um verdadeiro convívio saudável entre todos foram bastante evidentes.

         A direcção do Clube Karate Penacova informa ainda todos os interessados que os treinos da nova época desportiva 2011/2012 já começaram no Pavilhão Gimnodesportivo de Penacova, obedecendo aos seguintes horários: Quartas e Sextas – Feiras das 20:00 às 21:00 para os menores de 12 anos, e das 21:00 às 22:00, para maiores de 12 anos.
Para mais informações visite o nosso blogue: www.karatepenacova.bloguespot.com, ou contacte-nos, via e-mail para clube_skdp@hotmail.com.

domingo, 18 de setembro de 2011

Turistas, aristas e excursionistas

O triângulo Coimbra-Penacova-Bussaco foi, nos primórdios do turismo no nosso país, um dos circuitos mais divulgados pela Sociedade de Propaganda de Portugal. A conclusão da estrada que liga Penacova ao Luso, a "estrada dos Emídios", assim designada porque à história da sua construção ficaram ligados quer Emídio Navarro, quer Emídio da Silva, permitiu que a Penacova afluissem muitos mais visitantes, vindos de "trem" ou de automóvel.


De vários pontos do país, de Lisboa, de Coimbra, chegavam excursionistas que aqui faziam uma paragem e seguiam depois para o Luso-Bussaco. Por vezes as excursões eram recebidas ao som de música e tinham direito a uma recepção oficial. A título de exemplo, recorde-se o passeio do Grupo Musical Recreativo de Coimbra que, ao chegar a Penacova em 1932, transportado em  cinco "camionetas", é surpreendido pela Filarmónica dos Bombeiros e recebido nos Paços do Concelho pelo Secretário da Câmara, António Casimiro Guedes Pessoa. É este ambiente que leva os jornais locais a escrever que "são numerosos os que de passagem para o Luso e Bussaco, vêm apreciar este pequeno retalho da Suiça, que os deixa enamorados por mais demorada visita."
Hemetério Arantes (1854-1932), jornalista, escritor e conferencista de renome, um "arista ocasional" como ele próprio se designa, ao escrever no Notícias de Penacova um artigo intitulado "Turismo e Arismo", distingue o turista do arista. O turista seria aquele que passa "na volta consuetudinária Coimbra-Penacova-Luso" e que desce do veículo, defronte da Pérgola, do Mirante, dos "terraços do Preventório", fica deslumbrado por instantes…mas segue viagem. Pelo contrário, o arista é aquele que "procura, na delícia do ambiente, a estância de repouso, propícia à restauração dos corações cansados e nervos gastos". O primeiro é de sua natureza, efémero, "passa como um meteoro". O segundo, vem para ficar e procura alojamento com "uma cama macia num quarto arejado, alimentação sóbria e saudável".
Sobre a questão do passar e do ficar, Emídio da Silva dirá também, pela mesma altura naquele periódico (inícios da década de trinta) que de nada valem as estradas boas se as "hospedarias" forem más, pois o excursionista passa "como o Ahasverus da lenda, sempre a correr.".
Entretanto, a partir daí, Penacova terá melhorado muita coisa e, de facto, o número de aristas começou a crescer. A imprensa local escreve que Penacova "regurgita de aristas" vindos de Lisboa, Porto e de outros pontos do país, "acossados pelo calor das cidades" para "oxigenarem os seus pulmões e tonificarem os nervos com este magnífico ambiente de verdadeiro sanatório e carinhosa hospitalidade". As três pensões (à época) já são insuficientes e começam a ser alugadas muitas casas particulares.
O termo está na moda e até as notícias de S. Pedro de Alva dão conta de muitos aristas que "vêm aproveitar, no seu repouso, as águas puras e as belezas panorâmicas". Nesta localidade permaneciam também, durante os meses de Verão, quer grupos significativos de jovens da JOC, quer "gaiatos" do Padre Américo.
Não é apenas a imprensa local que procura noticiar todo este fervilhar. Também a Gazeta de Coimbra, em Setembro de 1932, escrevia: "Penacova tem sido este ano muito concorrida por famílias que ali foram passar a época calmosa, sendo também numerosas as excursões que têm vindo à Sintra do Mondego". A completar a informação refere que " a maior parte das famílias que ali têm feito vilegiatura são de Lisboa e, em geral, divertem-se pescando no Mondego, realizando pic-nics, passeando em barcos, reunindo-se na Pérgola e organizando bailes no Club."
O Grupo Musical Recreativo de Coimbra, aquando da memorável visita a Penacova escreveu: Eis ao longe Penacova… / P'ra lá vai o pensamento / É formosa e sempre nova / E terra de encantamento // D'aquele Mirante altivo / E de tamanha grandeza / Fica nosso olhar cativo / De tanta, tanta beleza …
Ecos de tempos distantes em que os "excursionistas" tinham recepções especiais na vila e retribuiam através da poesia. Tempos em os "aristas" escolhiam Penacova para fazer "vilegiatura", outro termo caído em desuso mas que significa muito simplesmente a temporada que se passa fora das grandes cidades, no campo ou na praia. De banhistas não tem Penacova histórias para contar…mas de aristas e excursionistas muitas marcas ficaram nesta " terra de encantamento"
David Almeida
in jornal Frontal
2 Set 2011
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

8 de Setembro: Senhora do Mont' Alto em Penacova

Fotografia recente da Capela

ROMARIA À NOSSA SENHORA DO MONT'ALTO

A 8 de Setembro era tradição ir a pé à Sr.ª do Mont'Alto. Com o cesto do farnel, onde não faltava a broa de milho e a cabaça cheia de bom vinho, lá se iam cantando versos dedicados a Nª Sr.ª: "A Senhora do Mont`Alto / Mandou-me agora chamar / Que tinha o seu manto roto / Que lhe o fosse arremendar".
Actualmente, os penacovenses continuam a ir ao Mont`Alto no dia 8 de Setembro. De manhã, o tempo é de fé, assiste-se à missa e à procissão. À tarde é tempo de farra. No arraial as concertinas e as flautas foram substituídas por instrumentos mais modernos e o baile começa.
in website da Câmara Municipal
Recortes...

1941



sábado, 3 de setembro de 2011

O Centenário do Turismo, Penacova e Emídio da Silva

Interessantíssimo cartaz do Congresso,
autoria de Raul Lino
Apesar de não termos como princípio publicar neste espaço artigos que foram escritos para um determinado jornal, neste caso o FRONTAL, deixamos aos leitores do Penacova Online o seguinte texto:
Decorre este ano o Centenário da Institucionalização do Turismo em Portugal. Como ponto alto da eféméride,  realizou-se  em Lisboa o Congresso do Centenário evocando  o IV Congresso Internacional do Turismo que teve lugar no nosso país em 1911.
Em 1906 havia sido criada a Sociedade de Propaganda de Portugal, também designada por Touring Club. Tinha como fins, entre outros, organizar e divulgar o inventário de todos os monumentos, riquezas artísticas, curiosidades e lugares pitorescos do País; publicar itinerários, guias e roteiros de Portugal; organizar ou auxiliar excursões; promover a concorrência de estrangeiros, e uma maior circulação de nacionais dentro do território.
Aquela associação vinha participando nos Congressos Internacionais de Turismo: em San  Sebastian, 1909, e em Toulouse, em 1910. Daí a decisão de ter lugar no nosso país o IV Congresso. A Sociedade procurou obter junto do Ministério do Fomento os apoios necessários para a organização do evento. O Governo já tencionava criar uma estrutura voltada para este sector e desde há muito a Sociedade de Propaganda o vinha reivindicando. Assim, por ocasião daquele Congresso, foi instituída a primeira organização oficial de turismo – a Repartição de Turismo , integrada na Secretaria Geral do Ministério do Fomento.
Ligado, quer ao Touring Club de Portugal, quer à organização do Congresso, vamos encontrar Manuel Emídio da Silva. Figura bem conhecida da nossa região, em especial de Penacova. A recordar ainda hoje o seu nome, encontramos nesta vila o Mirante (inaugurado em 1908)  e todo um conjunto de intervenções nos periódicos penacovenses.  A imprensa local por várias vezes o apelidou de "Cristóvão Colombo de Penacova". Alguém o considerou como autêntico  "descobridor deste mais surpreendente recanto da beleza de Portugal" e o seu melhor "pregoeiro".
Recordemos que no início do século, a Sociedade de Propaganda de Portugal incluiu Penacova no conjunto das 17 localidades portuguesas que mais mereciam ser visitadas. Emídio da Silva, através do Diário de Notícias, da revista Serões e em muitos outros areópagos onde tinha assento e auditório não se cansou de pugnar pelo desenvolvimento turístico do chamado triângulo Coimbra-Penacova-Bussaco.
Em 1916, aquando da vinda de Raul Lino a Penacova, para o arranque do projecto da Pérgola, a Sociedade tinha uma Delegação local, presidida pelo Conselheiro Luís Duarte Sereno. Mais tarde surgirá a Sociedade de Propaganda e Defesa de Penacova. Pretendia-se a promoção turística da vila, num tempo em que à mesma acorria já um número significativo de "aristas". As famílias "Fonseca" e "Silva" terão sido as primeiras a vir passar o Verão a Penacova. Estaríamos nos anos vinte. António Santos Fonseca, tesoureiro da Administração Geral dos Correios e Combatente na Rotunda em 5 de Outubro de 1910,  e o cunhado Constâncio Silva, pintor paisagista de renome, ficaram de tal modo agradados com a vila  que mandaram construir uma moradia em Santo António. Mais tarde, outro "arista", Manuel de Oliveira Cabral (e esposa Estefânia Cabreira), demandaram Penacova nos tempos de lazer,  legando-nos muito das suas qualidades  artísticas, poéticas e musicais. Oliveira Cabral terá sido, a seguir a Emídio da Silva, um dos maiores arautos deste lugar enquanto estância de repouso.
Por hoje, deixamos aos nossos leitores um excerto de uma carta de Manoel Emygdio da Silva, escrita em Lisboa a 10 de Setembro de 1931, poucos anos antes da sua morte, dirigida ao director do Notícias de Penacova:
"Solicita V. a minha colaboração para o primeiro número do seu jornal, honra que me desvanece e tanto mais por me dizer que igual solicitação fez ao meu erudito e bondoso amigo Dr. Augusto Mendes Simões de Castro, considerando-nos ambos entre os melhores amigos de Penacova, camaradagem e título que me envaidecem também.
Há um quarto de século que venho a Penacova e que desde o primeiro dia tenho sido um entusiástico propagandista das belezas pitorescas desta linda vila. A minha propaganda não tem sido porém tão desinteressada como muita gente crê, pois sou pago de cada vez que volto aqui pelo deslumbramento desta sublime paisagem que me inebria de prazer espiritual! …E sou ainda generosamente gratificado pelo acolhimento carinhoso e pelas distinções que ao mesmo tempo recebo dos Penacovenses entre os quais logrei criar amizades certas e duradouras."
De turismo em Penacova nas primeiras décadas do século XX, de potencialidades naturais e de entraves ao progresso, de propostas concretas apontadas na época para o desenvolvimento deste sector, de "aristas" e também de " excursionistas", falaremos nos próximos números.
 David Almeida,
publicado no jornal Frontal de meados de Agosto de 2011.