terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

CARTAS BRASILEIRAS: O NARIZ DE VAN GOGH

Cores primárias, secundárias, terciárias, complementares, são denominações para classificar as cores. Há outras tantas: podem ser quentes e frias. Pouco sei sobre as cores, pouco sei sobre elas, mas são tão belas! Do mesmo modo como me disse um amigo, de vinho e mulher pouco entendo mas gosto!
Para um artista, sabê-las é imprescindível, para melhor distribuí-las na tela no momento da criação, e assim chamar a atenção para o tema principal, dar destaques, oferecer contrastes, suavizar, dar força e equilíbrio. Não basta distribuir sobre a paleta vários montinhos de tinta e tentar combinações, poderá acontecer de serem todas cores complementares, que se misturadas resultarão em cinzas e preto.
            Dizem que, em suas alucinações, Vincent Van Gogh cheira os montinhos de tinta, comia, na tentativa de descobrir o gosto do amarelo, o sabor do vermelho, que paladar teria o azul, para assim poder melhor utilizá-las! Ficava ele intrigado com o que se passava na mistura do azul com o amarelo na formação do verde. Com tanta a ansiedade, para entender as cores, era capaz de beber solvente com bocados de tintas, queria compreender a interação que se dava entre elas. Que ninguém faça isso; mera loucura,  loucura do genial Van Gogh.
            E, como de gênio e louco todo mundo tem um pouco, vou dar minhas pinceladas do jeito que “malemá” eu sei, escrevendo (malemá, mais ou menos, expressão usada no Vale do Ribeira, SP, Brasil, região onde nasceu meu pai).
            Como o negro é a ausência de cores, posso dizer que meu deu “um negro”, ausentei-me de escrever prá lá de um mês para o blog.
CLIQUE NA IMAGEM

E, como cantou Frank Sinatra, “Let me tray again” (Paul Anka/Cahn e Caravelli):Deixe-me tentar novamente/ pense em tudo o que tínhamos antes/ deixe-me tentar mais uma vez / podemos ter tudo/ você e eu novamente/Apenas perdoe-me ou eu vou morrer/por favor, deixe-me tentar novamente”.
            Do mesmo Paul Anka, o Senhor Olhos Azuis, cantou MyWay, que pode ser ouvida e vista no YouTube.

My Way (clique no link acima)
            Meu abraço ao David, retomando o blog, o que é muito bom para Penacova.

Paulo T J Santos – ptjsantos@bol.com.br

Nota:
Obrigado Paulo. O regresso dos seus textos é também enriquecedor para o blogue e para os seus leitores.

Encontrada há 100 anos a “pedra curiosa” da Livraria do Mondego

Na obra Patrimónios de Penacova – apontamentos para a sua valorização e divulgação, de J. Leitão Couto e David Almeida (e também no livro Penacova, o Mondego e a Lampreia, de Carlos Fonseca e Fernando Correia) refere-se um pormenor, que entre outros,  atesta a importância geológica da “Livraria do Mondego”. Nestas obras são apresentadas imagens da lage de grandes dimensões colectada na zona em 1915.  Esta “pedra” encontra-se exposta no  Museu Mineralógico de Coimbra.  Segundo a legenda “trata-se de um icnofóssil de trilobite semiplicata do Período do Ordovícico da Era Paleozóica.” Nos finais do séc. XIX o prestigiado geólogo Nery Delgado fez importantes estudos nesta região e elaborou mesmo a célebre  Carta Geológica do Buçaco. 
"Bilobites – Vila Nova - Penacova" - assim
identificada no Museu Mineralógico
da Universidade de Coimbra
Naquele ano de 1915, segundo notícia do Jornal de Penacova, quando decorriam as obras da Estrada Real n.º 48 na zona de "Entre-Penedos" foi descoberta “uma pedra curiosíssima com desenhos em alto relevo, que não obstante serem irregulares, são de traço uniforme, de largura aproximada de seis centímetros, em forma de cordão (…) os desenhos ou antes cordões entrecruzam-se, sobrepondo-se no ponto de contacto. A pedra que conseguiu arrancar-se mas fragmentada, mede cerca de 3 metros de comprimento por um e meio de largo e de 20 a 30 cm de espessura.”

Ora, é esta "pedra curiosa" que ainda hoje se pode observar  no Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra com a indicação "Bilobites – Vila Nova - Penacova".Na altura, o lente de Geologia, Anselmo Ferraz, mandou remover a placa para o museu daquela cidade – diz o referido jornal - para estudo e posterior exposição. Junto do painel de grandes dimensões podemos ler ainda  a seguinte informação: "Cruziana sp. – Marcas da locomoção produziadas pelo movimento de trilobites sobre sedimentos pouco estabilizados. As trilobites deslocavam-se rastejando semi-enterradas no sedimento com ajuda de apêndices locomotores. Pensa-se que estas marcas poderão estar também relacionadas com os métodos de alimentação utilizados pelas trilobites".

Como escreveu Carlos Neto de Carvalho, estudioso destes temas, trata-se de  "janelas temporais" dum mundo "perdido" há cerca de 500 milhões de anos. A propósito, refira-se que o jornalista penacovense, Álvaro Coimbra, o entrevistou aquando da produção de uma reportagem para a Antena1 sobre o Geopark Naturtejo, que inclui o núcleo de Penha Garcia.
Por falar em Álvaro Coimbra,  o local conhecido por “Entre Penedos”, resultante do corte do Penedo João Freire, foi tema do post de em 10 de março de 2014, precisamente no seu blogue “Livraria do Mondego”.

Já o sugerimos na obra acima referida: seria motivo de interesse local e de enriquecimento turístico da zona se uma réplica do original estivesse exposta em Penacova – mais precisamente no local onde há 100 anos foi encontrada. Já só falamos em réplica, partindo do princípio de que dificilmente o original regressaria à origem. 

Até porque cremos  que esta ideia não terá sido ponderada no projeto de preservação do Património Natural da Livraria do Mondego, candidato ao Programa LEADER ADELO, que vai permitir avançar com as obras relativamente às quais em 19 de Novembro passado  foi assinada  a consignação da empreitada. Conforme refere o site da Câmara, “esta empreitada [no valor de 46.473,14 euros] vai permitir preservar, valorizar, dinamizar e promover o território e nomeadamente aquele núcleo geológico, promovendo as acessibilidades a pontos fulcrais que permitam devolver este espaço de excelência natural às populações locais e visitantes”.
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