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26 julho, 2026

Polémica recente nas redes sociais: Que é feito dos projectos para a Casa de António José de Almeida?

Não fossem as contundentes críticas  e mesmo algumas insinuações à volta dos projectos que têm vindo a ser anunciados para a recuperação do edifício onde nasceu António José de Almeida, com vista à criação de um Museu ou Centro Interpretativo, não faríamos eco da publicação no Facebook da responsabilidade do Movimento "Avançar por Mondalva" e respectivos comentários. Se por um lado, revela que o assunto não está esquecido, por outro, traz ao de cima possíveis mal entendidos sobre o que já foi realizado e igualmente sobre o que foi sendo prometido, no calor das campanhas eleitorais ou não, bem como as opiniões (pró e contra) sobre o investimento dos dinheiros públicos na preservação do passado nacional. 

Podemos ler,  naquela página do Facebook (15 de Julho), entre outras afirmações, as seguintes:

"A poucos dias da comemoração dos 160 anos do nascimento do mais ilustre penacovense, continuamos sem avanços significativos no que respeita à criação de um museu, centro interpretativo, casa museu ou outra valência que honre o maior estadista nascido no nosso concelho. O reforço da nossa identidade constrói-se, acima de tudo, com a preservação da memória e com a devida homenagem àqueles que contribuíram para o desenvolvimento e engrandecimento da nossa história. Por essa razão, é com profunda indignação que condenamos a aparente inércia institucional em relação à criação do espaço de interesse histórico dedicado ao nosso conterrâneo António José de Almeida.(...)

Os comentários não se fizeram esperar. Do conjunto várias dezenas (até à data de hoje) transcrevemos apenas os mais significativos:

João Oliveira: A cultura representa a imagem de um povo. E nunca deve ser o parente pobre da sociedade. Distribuir o dinheiro público de forma equilibrada e equitativa valorizando o seu património deve ser uma prioridade.

João Azadinho: Em setembro de 2025 dizia-se: “eles falaram…nós fizemos!” 

Avançar Por Mondalva: João Azadinho, Obrigado por teres ido ao baú. É sempre bom relembrar. Abraço!

Vera Cordeiro: João Azadinho que péssimo hábito de ir coscuvilhar publicações e textos antigos!! 

Avançar Por Mondalva: Vera Cordeiro temos de ter cuidado com as promessas que fazemos em tempos de campanha.

(...)

Lpa Poeta: Boa tarde, pode até acontecer que eu esteja enganado…e, se assim for, peço desculpa! Mas, à época em que o PS estava à frente dos destinos do Concelho, misturou-se [o como e o porquê e o para quê é que não sei] o Democrata António José de Almeida, com o pouco democrata (para não dizer fascista) António Oliveira Salazar. Salvo erro - ou omissão ou palermice - essa mistura foi entregue a uma qualquer entidade ali de Coimbra, de quem decide por vias pouco perceptíveis, mais ligadas a “lojas”. E algumas pessoas que, agora, estão a levantar esta questão, sabem bem disso…Deixemo-nos de fazer  de parvos os Penacovenses! Espero que expliquem bem tudo o que se está a querer esconder…tão oportunistamente!

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, agradecemos o seu contributo, no entanto, é recomendável não nos desviarmos do objetivo da nossa publicação . Abraço!

Lpa Poeta: E qual é o objetivo?

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, colocar esta prioridade (há muito identificada e sucessivamente adiada) na agenda política dos nossos "representantes". Essa é a verdadeira razão desta publicação. Abraço!

Lpa Poeta: Muito bem! E eu até acho que deve estar mesmo na AGENDA. De todos…Mas que se aproveite para “ir ao fundo da questão”, o que incomoda muita gente, garantidamente. Falo tranquilo; sem rancor nem idade para o ter; mas por gostar da nossa Terra! E por me meter uma enorme confusão que quem teve oportunidade de resolver, “chute pró lado”. Bom trabalho e desculpem o “desvio”.

Paulo Amaral: Até o Presidente da República Manuel de Arriaga tem uma casa bem preservada na Ilha do Pico... Penacova das festas (bem) e Penacova anti - cultural ( mal)... dou explicações se... e a quem for preciso...)

(...)

António Paulo Figueiredo: O projecto de um roteiro incluindo a Casa de Aristides Sousa Mendes, Afonso Costa e… (não lembro) como está actualmente? O prédio é municipal, documentação estará disponível pela família ...

(...)

Marília Alves: Avançar Por Mondalva,  agradeço também aos responsáveis por esta página, e pela pertinência do assunto. Um povo que não honra as suas origens, é um povo sem memória e sem história!

Marília Alves: António Paulo Figueiredo, a casa Aristides de Sousa Mendes foi recuperada e a Casa Museu foi inaugurada no dia 15 de julho de 2024. Um orgulho para todos nós portugueses e residentes na zona. As verbas vieram da UE para a autarquia de Carregal do Sal. O anterior executivo dessa edilidade demonstrou resistência, mas a força do povo que se juntou em torno dessa nobre causa pesou mais. A recuperação da casa de António José de Almeida, nosso conterrâneo, não deve ficar no esquecimento. Há que insistir junto do poder político. Um importante legado a deixar às gerações vindouras. Se se formar um movimento de cidadãos nesse sentido, eu estou disponível para colaborar.

(...)

Santos Costa: Lá vamos nós desembolsar mais uns trocos, para fazer umas obras que em nada nos acrescentam valor... E assim vamos continuando neste país do faz de conta, onde parece importar mais preservar o passado, que organizar o futuro.

Avançar Por Mondalva: Santos Costa, claro que acrescenta valor!?!? Compreendemos perfeitamente a sua perspetiva e a exigência de que o investimento público traga valor real para o dia a dia das comunidades. Acreditamos, no entanto, que preservar a nossa identidade e património não significa esquecer o amanhã. Antes pelo contrário, valorizar o nosso território e a nossa história é uma das formas de atrair dinamismo, turismo e investimento que beneficiem a economia local. Agradecemos o seu comentário e a partilha da sua opinião!

(...)

Santos Costa: Avançar Por Mondalva, são opiniões. Eu, sinceramente não acredito nesse ponto de vista, (pelo menos falando neste caso), mas se o país todo se virar a gastar para preservar o passado, que nada nos acrescenta, vai deixar dívida para pagar no futuro, e o dinheiro não cresce nas árvores, sai do esforço de quem trabalha, e muitas vezes não sobra para fazer obras na própria casa porque é preciso fazer obras nas casas de ex-presidentes, (ou figuras idênticas), que até depois de mortos nos dão despesa...

(...)

Conceição Sandão Oliveira: Santos Costa, nada tem a ver com os herdeiros, esse edifício foi comprado pelo Município, no mandato do Dr. Humberto Oliveira, e foi nesse mandato que o telhado foi todo restaurado, se nada fosse feito, provavelmente hoje estaria no chão.

Sergio Silveiro: Até que decidam o que fazer com aquele espaço irei mantendo limpo do lado de frente a minha casa. Já é um bom contributo.

António Paulo Figueiredo: Santos Costa, sem passado não há futuro! Um dos males actuais é terem sido esquecidos os passados.

Tiago Engenheiro:Tanto onde investir no concelho, mas realmente o que faz falta para o bem estar de todos era mesmo um museu.

Adegas Maria: O mal é o dinheiro ser pouco. Não chega para tudo.

Avançar Por Mondalva: Adegas Maria, sim, os recursos são escassos, mas esta é uma prioridade antiga e legítima. No entanto, esta intervenção responde a uma prioridade há muito identificada e sucessivamente adiada. Esperamos contribuir para colocar esta necessidade na agenda política dos nossos representantes.

Adegas Maria: Avançar Por Mondalva, concordo que já podia ter sido feito alguma coisa. Pouco a pouco já estaria em outro estado.

António Ribeiro Nito: Força alto concelho...

Avançar Por Mondalva: António Ribeiro Nito, tem de ser. Temos de assumir as nossas responsabilidades locais senão ficamos por aqui esquecidos.  Abraço!

Mauricio De Almeida: Excelente notícia! Conservar a história e a família e de melhor! Admirado que o interesse de muitos e pouco.

(...) 

Vasco Morais: Até me dava vontade de esclarecer alguns comentários mas não o vou fazer. Dá-me muito trabalho! Na verdade Penacova tem o que merece!

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[Consultado em 26/07/2026 18:40]

Veja aqui transcrição completa


22 julho, 2019

Centro Interpretativo da Primeira República e Casa Museu em Vale da Vinha

João Paulo Avelãs Nunes, do CEIS20, apresentando as linhas embrionárias do projecto

No contexto da celebração do feriado municipal – 17 de Julho – foi apresentado, ainda em fase muito embrionária, na presença do Presidente da República, o projecto de criação de um Centro de Interpretação da I República e Núcleo Museológico em torno da figura de António José de Almeida.

De acordo com as palavras de  João Paulo Avelãs Nunes, do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc. XX (CEIS20), a quem coube a apresentação do projecto, o mesmo terá um carácter “transversal a diversas áreas” e pretende-se que seja “não instrumento de conflito mas, pelo contrário,  de consensualização de valores.” Terá uma vertente de formação cívica, “sem um discurso, uma mensagem ou moral pré-definida, mas com carácter aberto, facilitador do debate de ideias.”

O futuro Centro de Interpretação e Núcleo Museológico, a instalar em Vale da Vinha,  constará de um piso térreo, reservado para a instalação de valências técnicas e de um 2º piso, correspondendo ao espaço nobre da antiga casa. No entanto, não  teremos propriamente a reconstituição do espaço familiar, já que ele foi desaparecendo com a degradação do edifício. 
Edifício que vai ser recuperado para instalação do Centro Interpretativo / Casa Museu

Um dos primeiros núcleos de caracterização será a origem de António José de Almeida, a história familiar e local, a ligação à comunidade de origem. Contará  a história  de  António José de Almeida e de Portugal, desde o final do séc. XIX até aos anos trinta do século XX.

Um segundo espaço versará sobre  o início da actividade profissional de António José de Almeida que, neste caso, permitirá  uma ligação ao Império Colonial da época, com uma outra parcela da realidade portuguesa (S. Tomé).

Seguir-se-á  o período em que António José de Almeida foi um dos principais dirigentes do partido republicano, quer na fase de propaganda, quer na conquista do poder politico. A implantação da República, a fase de governação e o papel de António José de Almeida,  a desagregação da Primeira República, a sua substituição por outro tipo de serão outros aspectos a contemplar.

O investigador do CEIS 20 referiu que o Centro de Estudos fora também  convidado para, além deste projeto,  colaborar  noutros mais a criar na região: “uma espécie de rota de museologia em torno das questões políticas em Portugal  desde finais os séc. XIX até ao final do Estado Novo.”

Mais concretamente, núcleos museológicos ligados a personalidades marcantes: “em primeiro lugar, obviamente António José de Almeida, em Penacova;  em segundo lugar,  “não propriamente António de Oliveira Salazar,  mas um Centro de Interpretação  sobre o Estado Novo”, em Santa Comba Dão. Também no concelho de  Carregal do Sal, um Centro de Interpretação sobre o holocausto e Casa Museu Aristides de Sousa Mendes. Numa fase mais atrasada de negociação, Afonso Costa em Seia, irmãos Lacerda, no Caramulo e eventualmente um novo projeto em torno de escritores, incluindo Mortágua e outros locais.  

“Isto permite criar uma rede que pode ter várias entradas. Uma delas e a mais óbvia seria Coimbra não só por ser Património Mundial da UNESCO, mas também através do Portugal dos Pequenitos, um ícone da memória do Estado Novo.” – adiantou João Paulo Avelãs Nunes.

Este conjunto de projectos  envolve não  apenas as câmaras municipais mas também as comunidades intermunicipais. Além disso, “procurar-se-á  criar um Conselho Consultivo que representará  várias entidades, entre elas o Museu da Presidência, e será o garante da qualidade científica, e do rigor intelectual e ético.”

Projectos que implicam recuperação de património, atividade museológica, formação cívica, educação e  turismo: “Teremos não apenas a divulgação cultural e científica, mas também a turística. Em territórios de chamada baixa densidade podem ser uma estrutura muito positiva e significativa.” - afirmou Avelãs Nunes.





05 outubro, 2018

Casa onde nasceu António José de Almeida vai dar lugar a Museu da República

A Câmara Municipal de Penacova assinou hoje um Protocolo de Colaboração com o Centro de Estudos Interdisciplinares Século XX (CEIS 20). A relação com o CEIS20 vem de 2004, com o lançamento da biografia “António José de Almeida e a República”, passando também pelas comemorações do Centenário da Implantação da República (2010) e mais recentemente, pelo programa do Centenário da Pérgula Raúl Lino (2018).
Em 2019 Penacova vai assinalar o centenário
da eleição de António José de Almeida
 para Presidente da República
A parceria hoje formalizada visa dois objetivos: a celebração do centenário da eleição de António José de Almeida para Presidente da República e a elaboração de um projeto de reabilitação urbanística da casa onde em 1866 nasceu aquele estadista e respetiva musealização, no sentido de aí, em Vale da Vinha, freguesia de S. Pedro de Alva, ser criado o “Museu da República António José de Almeida”. 

Assim, o protocolo prevê a realização de uma série de conferências ou mesmo de um colóquio em Penacova, organizado pelo CEIS 20 e ainda, um conjunto de sessões de formação para professores e alunos do Agrupamento de Escolas, versando a figura de António José de Almeida e o tema da República. Àquele Centro de Estudos caberá também a apresentação do projeto para o referido Museu. 
Assinatura do Protocolo entre o Município e o CEIS 20
Usando da palavra, o Coordenador do CEIS 20, António Rochette, destacou a importância deste protocolo, não só porque o Centro defende que a Ciência deve ser com e para o cidadão, mas também porque tem a ver com o conceito de res publica e se relaciona com a Escola, com a formação das novas gerações. A criação de uma Casa-Museu da República representa um desafio: a transformação de uma simples casa em museu, num espaço de mais-valia cultural que se venha a enquadrar numa rede de casas museu que existem ou possam existir nestes territórios de baixa densidade. Apesar de só agora se formalizar o protocolo, os estudos para o projeto de arquitetura e musealização já estão a decorrer, revelou. 

António Rochette, depois de considerar António José de Almeida como “uma personagem fundamental” da nossa história de “finais do século XIX e inícios do século XX”, disse que o CEIS 20 se sente “extremamente sensibilizado e honrado com este protocolo”, acrescentando, no entanto, que estas estas palavras só se justificam se de hoje a um ano sensivelmente, puder estar na inauguração daquele Museu. 

Por sua vez, o Presidente do Município, Humberto Oliveira, salientou a importância de “valorizar as nossas figuras, a nossa história e dignificar, o máximo possível, o centenário da eleição de António José de Almeida, como Presidente da República”. Considerou que se trata de uma tarefa que o município, por si só, não conseguirá realizar cabalmente, apelando por isso, ao contributo de outros parceiros, sejam pessoas individuais, sejam instituições. Daí considerar que o “CEIS 20 é o parceiro certo”. 

Recordando que no dia 5 de Outubro de 2014 fora assinada a escritura de aquisição da Casa de Vale da Vinha, disse que “agora é preciso, literalmente, por mãos à obra”. Humberto Oliveira destacou o facto de se tratar de um “projecto fundamental para a coesão territorial do município”, acrescentando economia, conhecimento e atractividade ao território. Tendo em conta a estratégia de valorização de espaços, depois do Museu do Mosteiro de Lorvão e da Casa das Artes no antigo edifício do tribunal em Penacova, a Casa-Museu, na freguesia de S. Pedro de Alva, pode ser considerada a “terceira perna desta trempe”. 

A sessão comemorativa do 5 de Outubro, foi antecedida do hastear da bandeira ao som do Hino Nacional e a tradicional deposição de coroa de flores no busto de António José de Almeida, tendo terminado com um apontamento musical apresentado pela Escola de Artes de Penacova.

Apontamento musical da Escola de Artes de Penacova 

25 maio, 2013

Revista "Ipsis Verbis" dedicada a Personalidades das Beiras publica artigo sobre António José de Almeida

 
Foi lançado ontem, em Oliveira do Hospital, o nº 6 da revista Ipsis Verbis, que vem sendo publicada há alguns anos pela Escola Secundária de Oliveira do Hospital. Este número, com 293 páginas, tem como tema principal "Personalidades" [das Beiras]. Integra 96 artigos escritos por 87 autores. A equipa redactorial é formada pelos professores Luís Filipe Torgal, Célia Lourenço e Francisco Henriques. Uma publicação que se afirmou na Beira-Serra e mesmo no país, pela sua qualidade editorial.
António José de Almeida é uma das personalidades que os responsáveis da revista entenderam incluir. O concelho de Penacova está, assim, representado, tendo na apresentação, sido destacada a necessidade de não deixar "cair" a casa onde António José de Almeida nasceu, sendo também referida a casa de Aristides Sousa Mendes, como outro exemplo de património histórico que se encontra em ruínas e que urge preservar.
Este número tem como temas: Personalidades, Efemérides, Educação e Formação, Reflexões e Ficções de Abril, Por andam os Alunos Crescidos da Nossa Escola, Incursões pela História Local e Vária. Conta com o apoio da Câmara Municipal, da Fundação Belmiro de Azevedo e Caixa de Crédito Agrícola.

03 julho, 2011

Revisitar Vale da Vinha: aqui nasceu António José de Almeida

Pormenor de Vale da Vinha

Frente principal


A placa colocada em 1974 e a "torre" em 2010 



Lapso no mês da sua morte

Aqui, as datas correctas: 17 de Julho e 31 de Outubro

Data de nascimento: 19 de Julho

vista das traseiras do "solar"

 
Outra vista das traseiras

Lápide evocando a viagem de António José de Almeida ao Brasil
na qualidade de Presidente da República
Páteo com a lápide acima referida