Mostrar mensagens com a etiqueta ilustres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ilustres. Mostrar todas as mensagens

27 maio, 2026

Américo Henriques Almeida Coimbra (1933-2026)


    AMÉRICO COIMBRA 1933-2026

Do seguinte modo (em Julho de 2009) o periódico penacovense “Nova Esperança” introduzia a entrevista, a duas páginas,  a Américo Coimbra, recentemente falecido:

"Natural de Penacova, nasceu em Hombres, descendente da família de António José de Almeida. É naquela aldeia que passa actualmente a maior parte dos fins-de-semana e uma parte das férias. "Américo Coimbra, um jovem bonito, educado, de sorriso cativante, de boa figura e que um dia, o seu amigo, o produtor Francisco de Castro, convidou para fazer um filme e que depressa se tornou um verdadeiro galã dos cinemas. Estreou-se nas "Pupilas do Senhor Reitor" sob a direcção de Perdigão Queiroga, em 1961. Aquele primeiro encontro no mundo do cinema acabaria por revelar-se decisivo nos anos vindouros e passou a ser assediado para outros filmes, quer em Portugal, quer no estrangeiro" 

A Academia Portuguesa de Cinema (com data de 18 de Maio) emitiu uma nota de pesar (que a seguir transcrevemos) na qual é traçada uma síntese da sua vida e obra: 

Américo Coimbra (1933–2026)

A Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Américo Coimbra, ator e produtor ligado a uma geração marcante do cinema português das décadas de 1960 e 1970, período em que se afirmou como um dos grandes galãs do cinema nacional e um dos rostos mais populares do grande ecrã português.

Nascido em Lisboa, a 4 de março de 1933, Américo Coimbra iniciou a sua carreira cinematográfica muito jovem, destacando-se em filmes como As Pupilas do Senhor Reitor (1961), de Perdigão Queiroga, O Parque das Ilusões (1963), A Canção da Saudade (1964), Pão, Amor e Totobola (1965),  entre outras produções que marcaram o cinema popular português da época.

A sua carreira incluiu também participações em produções internacionais e no cinema espanhol, em títulos como El próximo otoño (1963), de Antxon Eceiza, Operación Goldman (1966), de Antonio Isasi-Isasmendi, Fin de semana con la muerte (1966), de Julio Coll, e Os 5 Avisos de Satanás (1970), de José Luis Merino, reforçando a presença de atores portugueses em coproduções europeias desse período. Participou ainda na coprodução luso-brasileira O Pagador de Promessas, associando o seu percurso artístico a um momento importante da circulação internacional do cinema em língua portuguesa.

Para além do trabalho como ator, desenvolveu atividade como produtor cinematográfico, colaborando em vários projetos entre Portugal e Espanha numa fase de crescimento e internacionalização do setor audiovisual português.

Figura muito reconhecida pelo público português durante os anos 60 e 70, Américo Coimbra acabaria por se afastar prematuramente da vida artística, mantendo, ainda assim, o seu nome associado a uma geração de intérpretes que marcou uma época do cinema nacional.

A Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas condolências à família, amigos e a todos os que com ele trabalharam e privaram.

Voltando à entrevista do Nova Esperança, destacamos a parte que se refere à sua íntima relação com a localidade de Hombres e, no fundo, com S. Pedro de Alva e o concelho de Penacova: 

Repórter: A ligação da família Coimbra a Hombres é já histórica. A colaboração com a comunidade é mais do que uma tradição?

Américo Coimbra:  Essa colaboração já vem do tempo dos meus bisavos que cu não conheci, mas os meus avós conheci perfeitamente e dos meus pais que a casa é já ali (em Hombres), que hoje não é minha. Fiz uma casa ao lado nova para mim e venho para cá desde que nasci. O meu pai estava em Lisboa e vinha cá regularmente em finais de Agosto visitar os meus avós. Ele  era caçador e a caça abria no dia 1de Setembro (há muitos anos).Eu vinha sempre com ele nos meus tempos de escola, e como naquela altura as férias de verão eram de três meses eu vinha para casa dos meus tios já em Julho.  Primeiro é uma grande tradição e paixão aqui pela aldeia de Hombres, por isso é que fiz a casa com piscina. A casa foi feita para passar aqui uns tempos com as minhas três filhas, são todas licenciadas. A casa e a piscina é uma forma de reunir a família, porque hoje em dia a moda é a praia, e assim com a piscina sempre vêm para cá também. Portanto é esta paixão e tradição pela aldeia, o meu pai nasceu aqui, ia a pé para escola em São Pedro Alva, muito antes de1930. Só mais tarde foi feita a escola, onde hoje é a associação. Embora não tenha bem a certeza, o imóvel para instalar a escola foi doado por um tio do meu pai, por isso é que o edifício foi baptizado de "Henrique Coimbra", o meu pai é Henrique Coimbra, e eu sou Américo Henriques Almeida Coimbra. Portanto as minhas raízes estão todas aqui, e inclusive diziam os meus pais  que eu fui concebido na aldeia de Hombres, na altura da época de caça. E eu tenho muito  prazer nisso e honra de ter nascido aqui. A minha mãe, é duma família também da zona, do Vale da Vinha e do Silveirinho, porque somos da família do António José de Almeida, por isso é que eu sou Almeida também, e o meu avô materno é José Almeida Cruz. E foi assim que fui habituado a vir para cá e agora que o Campeonato está acabar, eu venho passar aqui uns dias com muito gosto, à festa, em Agosto e todos os meses em geral aos fins de semana. Neste momento estou reformado, e haja saúde para vir cá muitas vezes. 

Na respectiva página do Facebook (18 de Maio às 22:30) a Associação de Melhoramentos, Cultura, Turismo e Progresso de Hombres manifestou a sua mágoa e enalteceu as qualidades deste seu conterrâneo, agora falecido: 


Hombres hoje ficou mais pobre

O Senhor Américo Coimbra foi uma pessoa sempre disponível para ajudar, dedicada à sua querida aldeia de Hombres e à nossa associação, contribuindo com generosidade e amizade sempre que foi necessário. A sua presença, o seu espírito solidário e a sua bondade ficarão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. Não deixava ninguém indiferente. Neste momento de profunda tristeza, queremos deixar à família as nossas mais sinceras condolências, desejando muita força e serenidade para enfrentar esta perda tão dolorosa. Que encontrem conforto nas muitas recordações bonitas e no enorme respeito e carinho que ele conquistou junto da comunidade. Sr. Américo Coimbra, ficará para sempre nos nossos corações. 

Por sua vez, Diana Martins deixou o seguinte comentário nas redes sociais: “Para além da marca que deixou no cinema, o Sr. Américo Coimbra marcou profundamente todos os que tiveram o privilégio de se cruzar com ele. Falo pela nossa aldeia de Hombres, terra das suas raízes, onde será sempre lembrado como um homem de uma bondade rara, sempre pronto a ajudar o seu povo. Tinha um amor imenso por esta terra e por esta gente, que hoje chora a sua partida com enorme tristeza. O seu legado humano será eterno."

O funeral teve lugar no dia 20 de Maio. Os seus restos mortais repousam no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Paz à sua Alma.

________

Links com interesse: 

Entrevista RTP 2009 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/americo-coimbra/

Estreia de "As Pupilas do Senhor Reitor" no São João, 1960.https://www.facebook.com/watch/?v=267406898318741

Uma crónica sobre cinema português https://apaladewalsh.com/.../americo-o-bonitao-que.../












12 maio, 2026

As raízes penacovenses da pianista e compositora Leonor Leitão-Cadete

Leonor Leitão-Cadete aos 18 anos, em 1947

Leonor Caldeira Leitão Tavares Cadete (conhecida artisticamente como Leonor Leitão-Cadete) é uma prestigiada pianista, compositora e pedagoga que nasceu em Alpiarça em 4 de Dezembro de 1929, mas tem ligações próximas a Penacova. Sobrinha do Dr. Amílcar Leitão e esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão (que foram donos da Quinta da Ribeira e da Casa da Freira). Curiosamente, em 1950 deu um recital de piano na Casa do Repouso (1), cuja receita reverteu para as obras da Residência Paroquial, então em fase de construção.  Ao longo da sua carreira, destacou-se pelos improvisos ao piano e pelo seu trabalho com coros e em contexto de música sacra. Apesar da sua idade, continua muito activa, inclusivamente nas redes sociais. Ver aqui a sua página no Facebook. Em 2017 a RTP emitiu um tributo a Leonor Cadete (veja AQUI). Trata-se de uma pequena biografia elaborada por Helena Ramos.

Leonor Leitão-Cadete 


Na TV, com Cristina Ferreira, em 2023

Em 2022 no programa televisivo CASA FELIZ

“A sua obra de composição é vasta, em particular os improvisos, sendo de referir o duplo CD de piano, intitulado Imagens da Minha Vida (2003). Tem muitas outras obras para piano, obras orquestrais e algumas para bailado, para além de obras corais e de música sacra. A este propósito são de destacar Fátima Revisitada em Música (Roma Editora -2008) e À Memória do Beato João Paulo II (Paulinas Editora – 2011).

Para além de intérprete e compositora, Leonor Leitão-Cadete foi autora de vários programas na Rádio Televisão Portuguesa, “Os jovens e a música”, “Caixinha de Música” e “Folhas Soltas”, onde se revela o seu talento como pedagoga. Também na RTP realizou 32 programas de improvisação ao piano em directo.

Foi em Alpiarça que começou a leccionar piano aos dezanove anos, a cerca de quarenta alunos, que se apresentavam regularmente em audições públicas. Também em Alpiarça, foi presidente da Pró-Arte, organizando concertos mensais, dando ela própria o concerto inaugural, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, Raul Neves, e do Director do Conservatório Nacional, Ivo Cruz.

Como professora, assumiria, ainda, a Presidência da Comissão Instaladora da Escola de Música do Conservatório Nacional. Fundou e foi Directora do Conservatório Regional de Tomar.

Por convite de Veríssimo Serrão, fez um projecto pioneiro para a criação de uma Escola Superior de Música no Instituto Politécnico de Santarém.

Participou na Estruturação do Ensino Artístico na Educação, nomeada pelo então Secretário de Estado da Reforma Educativa, Carrilho Ribeiro, elaborando um documento onde constavam as linhas fundamentais para o desenvolvimento das Artes em Portugal, dando, ainda, apoio pedagógico àquele gabinete.

Foi também Directora Pedagógica e Artística da Escola de Música Nossa Senhora do Cabo de Linda-a-Velha, Professora Convidada do Curso Superior de Piano do Conservatório Regional de Coimbra, Conselheira da Escola de Música de Santarém.

Isabel Baltazar, 2012 (in https://www.meloteca.com/portfolio-item/leonor-leitao-cadete/ )

________

(1) Recital de piano

No dia 31, houve na Casa de Repouso um recital de Piano, dado pela menina Leonor Caldeira Leitão. Trata-se duma artista de nome, filha de Penacova, que já algumas vezes tem estado na Emissora. Foi pena que Penacova em peso, não fosse ouvir uma artista, que faz o que quer nas teclas do piano, ou tocando autores clássicos ou improvisando. Entre os assistentes, vimos e cumprimentamos, o sr. Dr. Amílcar Coimbra Leitão, notário em Santarém, e sua esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão, tios da artista; o Dr. Augusto C. Leitão; o Dr. Joaquim C. Leitão e o sr. Oliveira Cabral e sua esposa D. Estefânia Cabreira. O produto do recital 425$00, reverteu a favor da residência Paroquial. 

In Notícias de Penacova, 9 Set 1950

06 novembro, 2023

Governadores civis (2): Fernando Augusto de Andrade Pimentel e Melo (1836-1892)

GOVERNADORES CIVIS NATURAIS DE PENACOVA 
OU AO CONCELHO LIGADOS POR CASAMENTO


Fernando Augusto de Andrade Pimentel e Melo nasceu em Penacova no ano de 1836. Filho do Bacharel Fernando António de Andrade Pimentel e Melo e de Joaquina Emília Augusta de Melo. Casou com Maria Júlia Godinho de Sousa, em S. Miguel de Poiares, a 30 de Agosto de 1866.

Doutorou-se em Medicina em 30 de Julho de 1862. Professor catedrático (1870) na Universidade de Coimbra onde já lecionava desde 1865. Enquanto médico e professor universitário publicou Da albuminúria nas mulheres grávidas (1862) e Instruções contra a Cólera-Morbus (1885).

Foi Director do Hospital dos Coléricos e do Asilo da Mendicidade de Coimbra ou dos Expostos e médico do Seminário Diocesano.

Por ocasião da sua morte o volume XL (1893) de O Instituto refere que Fernando de Mello fora “exímio professor, distintíssimo orador e notável clínico.”

Fernando de Melo distinguiu-se também na política. Foi dirigente do Partido Regenerador em Penacova e Procurador à Junta Geral do Distrito de Coimbra por este concelho (e pelo concelho de Poiares). Teve também notória intervenção política enquanto deputado. Nesse sentido se lhe referiu “O Instituto”:

“Possuía notáveis dotes de orador, tinha a palavra inspirada, fisionomia atraente, ideias elevadas, polidez na dicção e perspicácia no argumentar”.

Na Câmara dos Deputados afirmou (1870) que, apesar de ter a obrigação de defender a nação e de proteger os interesses de todos, tinha de defender em primeiro lugar os interesses daqueles que o “honraram com a sua confiança” não esquecendo o círculo que o elegera.

De 3 de Agosto de 1876 a 22 de Setembro do mesmo ano e de 31 de janeiro de 1878 a 9 de Junho de 1879 esteve à frente do Governo Civil de Coimbra.

O seu nome integra também a lista dos Presidentes da Câmara Municipal de Coimbra, cargo que exerceu de 1874 a 1875. Foi ainda Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra.

Foi agraciado com a Grã-Cruz de Isabel a Católica.

Por influência sua, em 1867 o concelho de Penacova passou a agregar as freguesias de Poiares, Almaça, Cercosa e S. Paio. Só que, passado um mês, na sequência do movimento que ficou conhecido por “Janeirinha”, o despacho de Martens Ferrão foi anulado, não passando tudo de “uma existência de rosas”, na expressão dos progressistas penacovenses, seus rivais na política local.

Quando está na ordem do dia a questão das touradas, recorde-se que já em Julho de 1869 foi apresentado na Câmara dos Deputados um projecto de lei para proibir as corridas de toiros. Tendo como proponente Alves Mateus, o documento era subscrito por 17 deputados, entre os quais Fernando Augusto Andrade Pimentel de Melo.

Fernando de Melo faz parte da toponímia da vila de Penacova desde 1902.

Faleceu, vítima da tuberculose, com apenas 56 anos.