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09 fevereiro, 2026

Cemitério da Carvoeira: depois da derrocada de 1942 o perigo espreita de novo



Quando, no início dos anos quarenta, se procedia à construção da estrada nacional junto ao cemitério da Carvoeira, aconteceu o que já na altura se temia. Nos finais de Novembro de 1942, a um sábado, deu-se a derrocada. Imagina-se a consternação das populações e o movimento de pessoas, naquele fim de semana,  em direcção ao local.  De imediato, conta a imprensa da época “o empreiteiro enterrou na parte oposta do cemitério os restos mortais que estavam no entulho”. Lamentou-se que o traçado da estrada tivesse sido aquele, colocando em risco a estabilidade do cemitério. 

Em 12 de Dezembro, há notícia de que haviam começado as obras de construção “de um muro de encosto à rampa”, apesar de se continuarem a verificar alguns desmoronamentos. A pedra para tal fim foi arrancada nas traseiras do cemitério.  “O povo não queria mudança do local”, pois “há mais de 40 anos se faziam ali enterros”. Assim, foi possível a ampliação do mesmo para aquele lado. 

Finalmente, em Fevereiro de 1943, quando as obras estariam perto de serem concluídas, o articulista do jornal escreveu: “uma vez terminado o muro de suporte, cremos que ficará obra segura e o cemitério firme”.

Ora, lamentavelmente, como refere o Edital da Câmara com data de 9 de Fevereiro, assinado pelos Presidentes da Câmara e da Junta, os recentes “eventos atmosféricos severos”  que atingiram o nosso país, “agravaram substancialmente as condições de utilização, em segurança” daquele cemitério, impedindo a “realização de novos enterros” e vedando mesmo o acesso de pessoas aos talhões mais críticos.

Oxalá a situação se resolva sem qualquer derrocada. Aqui fica este apontamento, não para alarmar, mas no sentido de recordar outros momentos difíceis que foram superados e que ecoam ainda na memória colectiva das gentes de Penacova.