O meu nome é Constituição
O meu nome é Constituição
Da República Portuguesa
E o meu sobrenome Paciência
Para com os que não me querem
De certeza
Nasci hoje
Há cinquenta anos atrás
E sou mesmo muito jovem
Quando comparada
Com outras anteriores de tez
audaz
A idade só significa maturidade
Sou fruto de um trabalho consistente
De um grupo de Portugueses
Com muito discernimento
E de consciência na mente
Para encontrar um consenso
Agora dizem que já estou velha
Que, de vez em quando, me dá
telha
Que não estou adaptada
Muito menos actualizada
E eu acho isso bem natural
Sou um Documento casuístico
E devia sê-lo mais generalista
Mas deram-me regras para mudar
Para me poder adaptar
Aos tempos que o tempo tem
Regras, nunca imposição de ninguém
O meu papel nesta Sociedade
doente
Ainda é ter bem presente
Que não se apoia o dissidente
Mas sim o Povo
Aquele que me quis, de novo
O tempo do obscurantismo
Já se foi, não vai voltar mais
Porque a “paralisia” é dura
E a Democracia custa muito
Talvez, até demais
O Povo reivindicou-me nas ruas
Exigiu-me nas urnas de voto
Para integrar com sã sabedoria
Normas contra o Estado Novo
… sem vida em Democracia!
Luís Pais Amante
Casa Azul
Nos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

