04 maio, 2026

Crónicas do Avô Luís (10) - Aprender nos Museus: O Museu Vitorino Nemésio


Penso ser difícil alguém não conhecer Vitorino Nemésio. Açoriano, nascido na Praia da Vitória, Ilha Terceira (poeta, ensaísta, romancista, cronista) académico que deu aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Enquanto Escritor, realça-se pela Obra Mau Tempo no Canal, onde retrata o espaço geográfico entre as Ilhas do Pico e do Faial e as suas vicissitudes.

E ligado a Penacova escreveu: Viagens ao Pé da Porta; Retrato do Semeador e partes do Guia de Portugal.

Nasceu em 1901 e faleceu em 1978.

Numa época da sua vida, Vitorino Nemésio apaixonou-se por Penacova, a minha Terra, e adquiriu ali um Moinho, na Portela de Oliveira, moinho esse onde hoje (com adaptações) se situa o Moinho Museu Vitorino Nemésio!

Enquanto proprietário do Moinho, o Intelectual inspirou-se, sendo-lhe atribuída a mensagem de que: “Em Penacova o vento moveu mós e mentes”!

Que moveu as mós, nós sabemos, mas as mentes, naquele tempo, nem mudavam muito, nem pouco: faziam o que lhes ordenavam de Lisboa!

Ao que consta, inspirava-se no recato amplo da paisagem da Portela de Oliveira, para escrever! A Portela de Oliveira (que tem uma fabulosa vista) é um ex-libris local -que começou a ficar bem composto, mas que ainda está por explorar- que tem capacidades enormes para fazer, por exemplo, um Festival anual de referência…

Após a sua morte, muito se deve ao ex-Presidente da Câmara Municipal (O Médico Dr. Leitão Couto) que, como pioneiro na matéria, deu ação à valorização do Património Local (até Nacional) do conjunto dos Moinhos, incluindo os de Penacova -que, para além dos da Portela de Oliveira e de Paradela de Lorvão, tem, ainda, os de Gavinhos e Arroteia e das Serras da Atalhada, Aveleira e Roxo!

Como disse um visitante: “… A zona envolvente é top. Com moinhos recuperados, alguns de alojamento local, percursos pedestres e paisagens espectaculares”. Ou outro: “… dotado de uma vista de 360 graus de tirar o fôlego e de um museu todo ele renovado aos tons do modernismo, torna-se facilmente uma experiência aliciante.”

No seu interior o Museu dá acesso a todas as peças de todos os tipos de Moinhos e das fainas conexas, bem como às suas legendas e explicações de como as peças encaixam na análise histórica da evolução alimentar.

Existe em permanência - no horário normal - um(a) Guia que explica tudo o que é necessário saber.

Os moinhos em geral - e os de Penacova em particular - estão muito ligados “ao ciclo do pão” uma vez que eram as suas pesadas mós que produziam a farinha, esmagando os grãos da aveia, da cevada, do trigo e do milho.

O que, nestes locais de vida pobre, eram fundamentais para matar a fome.

Estive na inauguração deste Moinho/Museu ou Museu/Moinho, como queiramos, no dia 25 de Fevereiro de 2016 - sendo Presidente do Município Humberto Oliveira, que me convidou - tendo aí conhecido o meu Amigo David Almeida, Director do Blogue Penacova OnLine, onde hoje são publicadas as Crónicas do Avô Luís e outros textos que ele ilustra de modo exemplar.

E quero salientar, aqui, que a museologia portuguesa tem uma certa tendência para empolar as situações, incluindo as locais: grandes obras; grandes somas de dinheiros envolvidas; grandes -por vezes insustentáveis- manutenções, nalguns casos, até, sem existência dos respectivos planos, para não se “assustarem” os orçamentos, como me dizem amigos expert’s em museologia, por exemplo referindo os meios promotores das acessibilidades que, se bem repararmos, se encontram cheios de ferrugens, ou inoperacionais, quando existem.

Daí salientar a simplicidade culta deste Museu icónico, que se “encaixa” em absoluto com o nosso passado, não tão distante assim.

Por isso Vos peço:

- levem as Crianças a este Museu Vitorino Nemésio. Visitem uma das Terras mais belas de Portugal: Penacova. Se não optarem por tomar a refeição num dos Restaurantes locais - o que recomendaria - levem um lanche e passem por cá um dia, uma manhã ou uma tarde feliz!

A Portela de Oliveira está inserida no espaço técnico/tático da Batalha do Bussaco, aquando das 3as Invasões Francesas (Ou Guerra Peninsular).

O que me leva a deambular, poetando, se me permitem:


A PORTELA


É de “Oliveira” por algum motivo

Fica na Beira, num lugar cativo

De beleza natural e sem igual…


Tem Moinhos (muitos)

Velas a rodar

Mós a circular


E tem um Museu

Que ensina História

Esquecida no Tempo


Num local de paisagem

estonteante

Num cimo de Serra bela

Que faz o Ser pensante


O que terá dito, na pena, a Napoleão

O seu Marechal Massena

Aquando da invasão?


Ter-lhe-à feito parar o coração?


E terá sido essa simples distração

(A olhar pra paisagem ali à mão)

Que pôs os Franceses a andarem

De St António do Cântaro para fora

Serra acima e Serra abaixo

Para, em Guerra, não mais voltarem?


Luís Pais Amante

Casa Azul


Sem comentários:

Enviar um comentário