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24 outubro, 2026

Notas para a história do Museu e do Moinho Vitorino Nemésio


O Moinho Vitorino Nemésio, honroso cartão de visita de Penacova

Jornal Nova Esperança,  Julho 1980 

A partir do dia 15 de Junho – II Dia do Turista de Penacova - que decorreu com um brilhantismo extraordinário - o concelho ficou enriquecido com mais um honroso cartaz turístico: o Moinho Vitorino Nemésio. 

Distinguido dentre o aglomerado de moinhos da Portela de Oliveira, este moinho faz parte do

Património municipal pois a Família do grande homem das Letras concedeu à Câmara Municipal de Penacova o privilégio da oferta de um dos moinhos comprados pelo Professor Nemésio, a qual se comprometeu reconstruí-lo na traça original.

Assim ficou no nosso concelho a marca de um homem extraordinário tanto no aspecto humano como no aspecto pedagógico e no literário. Uma frase muito citada deste eminente Professor relativamente a Penacova foi a seguinte: «Penacova é luz e penedia com o quer que seja de pirenaico trazido às proporções da ternura e da rusticidade portuguesa». É, na verdade, uma síntese maravilhosa do panorama natural de Penacova.


Recuperação dos Moinhos da Portela de Oliveira

Nova Esperança, 24/1/85

Como já tem sido noticiado, o Instituto Português do Património Cultural pelo grande interesse demonstrado pelo seu presidente, Dr. Henrique Gouveia, comprou dois moinhos na Portela de Oliveira que, em conjunto com mais dois moinhos adquiridos pela Câmara Municipal, vão servir para aquele Instituto poder ali instalar um museu regional.

Para o efeito, dispõe já de mil contos que irá aplicar numa primeira fase, na reconstrução dos moinhos na sua traça original. Entretanto, a Casa-Moinho Arantes e Oliveira, propriedade da C. M., está lastimavelmente abandonada, há mais de 2 anos, segundo parece já que ladrões sem consciência - porque também os há com alguma - fizeram o favor a si mesmos de arrancar banheiras, lavatórios, lava-louças, torneiras, mosaicos, azulejos, partir portas e janelas; enfim, estragar por prazer e malvadez. Para obviar a estes inconvenientes, após o restauro a efectuar pela C. M., na casa ficará a residir um guarda. Oxalá apareça alguém interessado.


Abriu ao público o Museu do Moinho Vitorino Nemésio na Portela de Oliveira

Prof. José Hermano Saraiva apadrinha museu do moinho

                                                    Nova Esperança, 2000

No dia 31 de Março, na Serra da Portela de Oliveira (Penacova), com vista para a mata nacional do Buçaco (ao fundo), abriu ao público o Museu Moinho Vitorino Nemésio. 

Esta obra pretende revelar aos visitantes um pedaço da história da moagem dos cereais, mantendo assim viva a história dos moinhos de vento e de água, enquanto que ao mesmo tempo presta homenagem aos moleiros e ao escritor açoriano.

Na inauguração deste Museu, o concelho de Penacova recebeu a visita do historiador José Hermano Saraiva, sendo um prezado amigo de Penacova considerando-a uma das mais bonitas vilas do País. Valorizou a nossa paisagem e o rico espólio daquele novo espaço museológico.

Aqui encontrou mós com mais de 400 anos e muitos utensílios para a fazedura da farinha, realçando a grande originalidade e grande importância desta iniciativa desta Câmara Municipai, que adquire o poder de mostrar aos turistas e visitantes coisas absolutamente preciosas da cultura.

O Museu é composto por seis salas - "Sala dos Moinhos de Portugal, Sala Vitorino Nemésio, Sala dos Moinhos de vento, Sala dos Moinhos de Água, Taleigas e Arreios do Burro ou Cavalo, Sala dos Carretos, Carretões e Dobadouras e Sala das Entrosgas"- com os objectos mais característicos do mundo da molinologia. Pelas paredes estão espalhadas fotografias de moinhos e moleiros do concelho em plena laboração.

O moinho onde nasceu o museu foi adquirido nos anos 80 e pertenceu ao Ex-ministro Arantes de Oliveira. Posteriormente através do programa Leader a Câmara conseguiu os seus objectivos, criando ainda um parque de merendas, uma cafetaria e uns balneários, num conjunto harmonioso para lazer e descontracção, junto da natureza.

A inauguração oficial realizar-se-á no Encontro Nacional de Molinologia, a realizar a 6 e 7 de Outubro, apesar de se manter aberto ao público, de Terça-feira a Domingo entre as 11 e as 12 horas e das 15 às 17 horas.

O Prof. José Hermano Saraiva gravou um dos seus programas "Horizontes da Memória", no concelho numa estadia de 2 dias, tendo visitado o Mosteiro de Lorvão, os Fornos de Cal e a própria Serra da Portela de Oliveira, e baseando-se na figura histórica de António José de Almeida, Presidente da República. Esta reportagem poderá ser vista na RTP no dia 14 de Maio


PROCESSO DE REMODELAÇÃO E MUSEALIZAÇÃO 2015

FONTES: Turismo Centro Portugal | www.tripadvisor.pt | visitregiaodecoimbra.pt | www.cm-penacova.pt |TUR4all | Facebook•Mondego-Bussaco | CCDRC | penacovabyheart.com | Penaparque |Facebook•Teresa Reis

Com o objectivo de preservar a história dos moinhos de vento e água e a memória dos seus moleiros, o município de Penacova realizou, ao longo do ano de 2015, obras de remodelação e musealização do Museu do Moinho Vitorino Nemésio. 

Na abertura ao público, realizada no dia 25 de fevereiro de 2016, Humberto Oliveira, presidente do Município de Penacova sublinhou que este projeto surgiu no sentido de "recuperar um edifício com elevada relevância histórica e cultural para o concelho, consolidando o esforço de recuperação, dotando-o de zonas apropriadas à exposição de todo o espólio ali existente, bem como à sua conservação." O edifício surge, desta forma, de "cara lavada", proporcionando, a todos quanto os visitam, um impacto extremamente positivo, já que alia firmemente a modernidade à tradição.

O Museu do Moinho Vitorino Nemésio passou por um grande processo de remodelação e musealização ao longo do ano de 2015, tendo reaberto ao público com uma "cara lavada" em fevereiro de 2016.

Esta grande intervenção promovida pela Câmara Municipal de Penacova teve como principais pilares: modernidade aliada à tradição; reabilitação do edifício e  criação de novas dinâmicas.

Após as obras de remodelação e musealização, a exposição do Museu do Moinho Vitorino Nemésio passou a focar-se na preservação viva e interativa da história molinológica e na ligação do escritor à região.

As principais mudanças e dinâmicas implementadas na exposição incluem:

• Zonas expositivas modernas e organizadas: O espaço interior foi dotado de áreas apropriadas e com melhores condições de conservação para acolher e valorizar todo o espólio etnográfico existente.

• Didática dos moinhos de vento e de água: A exposição foi reestruturada para explicar detalhadamente, de forma visual e pedagógica, o funcionamento dos sistemas tradicionais de moagem locais (tanto pela força do vento como da água).

• Homenagem à memória dos moleiros: Foi criada uma narrativa expositiva que resgata a identidade, o quotidiano e as memórias da antiga e histórica atividade dos moleiros da região.

• A vivência de Vitorino Nemésio: O museu reforçou os conteúdos que ligam o escritor (que foi proprietário de três moinhos em Penacova e presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Moinhos) ao património natural do concelho, que lhe serviu frequentemente de inspiração literária.

• Experiência exterior integrada: Como complemento à exposição interna, os visitantes passaram a ter um acesso facilitado e contextualizado aos moinhos tradicionais recuperados e funcionais no exterior (onde se realizam pequenas visitas guiadas explicativas).

• Expansão temática posterior: Adicionalmente às mudanças estruturais originais, em 2024 o museu inaugurou uma nova sala dedicada aos "Itinerários Napoleónicos", inserindo a história local na Rede Temática das Invasões Francesas em Portugal.

Vitorino Nemésio foi proprietário de três moinhos tradicionais no concelho de Penacova, localizados no complexo molinológico da Portela de Oliveira. O escritor e académico açoriano apaixonou-se pelo património serrano da região e usava estes espaços como um refúgio criativo. O seu amigo e poeta David Mourão-Ferreira apelidou-o carinhosamente de "incansável moleiro das palavras" devido ao tempo que passava ali a inspirar-se e a escrever após as suas aulas na universidade.

Na década de 1980, os herdeiros do escritor doaram um dos moinhos à Câmara Municipal de Penacova. A autarquia recuperou-o integralmente, devolvendo-lhe a funcionalidade tradicional de moagem. É este moinho histórico e totalmente funcional que hoje trabalha em estreita articulação e pode ser visitado junto ao Museu do Moinho Vitorino Nemésio.

O facto de Nemésio ter escolhido Penacova para possuir moinhos não foi um acaso. O concelho orgulha-se de ter um dos maiores núcleos molinológicos do país, e o escritor chegou mesmo a exercer o cargo de Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Moinhos, dedicando grande parte da sua vida à defesa destas estruturas ancestrais.

27 junho, 2025

Moinhos portugueses na emissão filatélica de 1971

 


Emissão “Moinhos Portugueses” (1971)

Foram emitidos 10 milhões de selos de $20 castanho-cinzento, castanho e preto, 10 milhões de selos de $50 azul castanho e preto, 10 milhões de selos de 1$00 cinzento castanho e preto, 3 milhões de selos de 2$00 rosa-lilás castanho e preto, 1 milhão de selos de 3$30  castanho-amarelo castanho e preto, e 1milhão de selos de 5$00 verde castanho e preto. Desenhos do pintor Candido Costa Pinto, representando os típicos moinhos - Serrano, do Litoral Beirão,Saloio da Estremadura, de São Miguel (Açores), de Porto Santo (Madeira), do Pico (Açores). Postos em circulação a 24 de Fevereiro de 1971.


MOINHOS 

Engenhos estudados para por em movimento duas pedras (mós), de forma a que entre elas se consiga esmagar (moer) os cereais transformando-os em farinha. Os primeiros foram pequenos moinhos a braços depois ampliados para aproveitamento da força do homem (principalmente escravos e condenados), e mais tarde da força de animais. 

Quando Constantino aboliu a escravidão, apareceram os moinhos-de-água (azenhas), primeiro grande passo para o aproveitamento das forças naturais. São igualmente muito antigos os moinhos-de-vento, que deram entrada na Península Ibérica com as Cruzadas, no Século XI. 

Em 1157 uma doação régia entrega a D. Gualdim Pais “Mestre Absoluto da Ordem do Templo” oito moinhos na ribeira de Alviela, declarando-se que metade do seu rendimento seria propriedade da coroa. No Século XVI existiam em Lisboa 264 atafonas (pequenos moinhos movidos pela força humana ou animal, e azenhas) e nos termos da cidade 300 moinhos. 

O moinho de vento tem a particularidade de captar a energia do vento por meio de velas (de lona na Península e de madeira nos Açores e Norte da Europa) que transmitem o movimento a um eixo ligado à engrenagem que põe em andamento as mós. Com a principal finalidade de proteger e estudar os moinhos, existe em Portugal a “Associação Portuguesa de Amigos dos Moinhos”.

FONTE: Carlos Kullberg  | Selos de Portugal - Álbum IV (1971 / 1978) | Edições Húmus Ldª |  2ª edição (Jan. 2006 


Concelho de Penacova


O Concelho de Penacova possui actualmente um dos maiores núcleos molinológicos do país, encontrando-se espalhados pelos Lugares da Atalhada, Aveleira e Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão e Portela da Oliveira, 19 moinhos de vento em atividade ou em condições de funcionar, bem como 18 azenhas instaladas nos cursos do Mondego e do Alva e nas muitas ribeiras que correm no concelho.
Fonte: http://www.cm-penacova.pt/pt/pages/moinhoseazenhas 

08 fevereiro, 2012

Obrigado Indalécio Simões

"Até que enfim alguém se ocupa de publicar artigos antigos da nossa região. Que grande falta de arquivos temos em Portugal. Sem memória do passado acabamos por perder a nossa alma para não sermos ninguém. Muito obrigado pelo seu trabalho de investigação."
Esta foi uma mensagem que recebemos do senhor Indalécio Simões, penacovense a trabalhar na Universidade de Toulouse  Capitole (França), país onde  vive desde os 10 anos. Regularmente vem a Portugal. Nas suas visitas tem vindo a registar em vídeo alguns momentos da vida cultural e recreativa do nosso concelho. Exemplo disso é este filme sobre os Moinhos da Portela de Oliveira.
Obrigado, e ficamos a aguardar que no youtube publique mais vídeos que nos disse ter para partilhar.