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13 junho, 2026

Lugares, monumentos e sítios de Penacova (14): a(s) Pérgola(s) de 1918 e 1948

 


No início do século XX, a Sociedade de Propaganda de Portugal inscreveu Penacova no conjunto das 17 localidades portuguesas dignas de serem visitadas. O triângulo Coimbra-Penacova-Luso/Bussaco foi, nos primórdios do turismo no nosso país, um dos circuitos mais divulgados por aquela Sociedade.

Em 1916, aquando da vinda de Raul Lino a Penacova, para o arranque do projecto da Pérgola, a Sociedade tinha uma Delegação local, presidida pelo Conselheiro Luís Duarte Sereno. Mais tarde surgirá a Sociedade de Propaganda e Defesa de Penacova. Pretendia-se a promoção turística da vila, num tempo em que à mesma acorria já um número significativo de "aristas". 

Reconhecendo Penacova como “região caracteristicamente de turismo pelas belezas naturais que encaixilham o Mondego e pelos horizontes que do largo da povoação se desfrutam”, a Sociedade de Propaganda de Portugal decidiu mandar construir na vila uma Pérgola (ou latada).

Refere o Relatório de 1916 que aquela Sociedade,  pelos motivos enunciados e por “constituir um centro de turismo de certa importância”, decidira “aformosear o largo” com a construção de uma Pérgola projectada pelo “distinto arquitecto Raul Lino”. 

Luís Duarte Sereno, em entrevista ao Jornal de Penacova,  no mês de Março de 1917, deu conta do andamento do projecto. Apesar de ter sublinhado que o custo da obra (que terá rondado quinhentos escudos) se devia à Sociedade de Propaganda de Portugal, fez questão de realçar “a mais dedicada cooperação” por parte da Câmara. Na ocasião, anunciou para início do mês de Abril o arranque das obras e apontou o dia 31 de Maio para a inauguração, conforme seria desejo de Emídio da Silva. Note-se que nesse dia se assinalariam 10 anos da inauguração do Mirante. Este calendário não se cumpriu e as obras só acabariam por ser concluídas em Dezembro de 1918.

Saliente-se que esta obra de 1918 não incluiu a pérgola que podemos observar hoje a oeste do edifício da Câmara, construída junto da antiga Pensão Vizeu. Esta “Pérgola de Cima”  é muito posterior, apesar de se inspirar na outra construção desenhada pelo arquitecto Raul Lino.

Uma notícia do jornal “Notícias de Penacova” de 27 de Março de 1948 dá conta do seguinte:

A SEGUNDA PÉRGOLA - Estão montadas as vigas em cimento armado da nova Pérgola junto à Pensão Vizeu, a qual parece ficar mais desafogada e de mais pé direito do que a primeira.

Continuam os trabalhos agora com mais intensidade na intenção certamente de já proporcionar aos turistas do próximo Verão os confortos e regalos que se gozam na Pérgola junto do Café Turismo, cujo piso acaba de ser modificado e suavizado com saibro batido.”

Desconhecemos se de facto foi inaugurada antes do Verão de 1948, mas certamente tê-lo-á sido por aquela altura. Um outro pormenor que a notícia nos revela: o piso da Pérgola Raul Lino em 1948 foi melhorado com saibro compactado. Nada de calçada, que só chegará mais tarde…

23 março, 2023

Lugares, monumentos e sítios de Penacova (13): Capela de S. João

Capela de S. João, 2023

A capela de S. João, na vila de Penacova, datada de finais do século XVI, integra-se no tipo de arquitectura Maneirista / Barroca.

Com uma planta longitudinal simples, apresenta telhado de duas águas, nave, capela-mor e alpendre.

O alpendre tem 3 arcos, tendo o do lado da estrada sido aberto aquando da abertura do arruamento contíguo ;

O espaço interior tem cobertura de madeira, sendo iluminado por quatro frestas, duas nas paredes laterais e duas na frontaria. Umas apresentam molduras barrocas da segunda metade do séc. XVIII e outras são de remate contracurvado.

A fachada principal, que está voltada a Sul, pode ser descrita como “de pano único entre cunhais apilastrados e empena triangular, rasgada ao centro por um arco de volta inteira.”

A porta de entrada é rectangular. A verga tem a inscrição “S. SEBASTIANVS / 1581”, depreendendo-se que originariamente era dedicada àquele Santo, cuja imagem, em pedra, marca presença no retábulo maneirista, também daquela rocha.

O retábulo que tem dois nichos entre três pilastras e as imagens de São Sebastião, como referimos, e também em pedra, a de São João Baptista, em tamanho maior que a do outro Santo.
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Fontes: 
Inventário Artístico de Portugal
Direção-Geral do Património Cultural









23 janeiro, 2023

Lugares, monumentos e sítios de Penacova (12): Capela de Santo António


A capela de Santo António situa-se a Sul da vila, implantada em terreno de acentuada inclinação, envolvido por amplo adro, parcialmente cercado por baixo muro, com um coreto octogonal em alvenaria de onde se podem apreciar excelentes panorâmicas sobre o Mondego.

Trata-se de uma construção do séc. XVII (com planta longitudinal, simples, com coberturas diferenciadas) enquadrável no tipo de arquitectura maneirista vernácula, apesar de ter sofrido algumas modificações. Fachada principal com alpendre com seis colunas toscanas (quatro na frente e uma a meio de cada lado) em cantaria e pavimento com seixos. 

 No chão da capela-mor existe uma campa, com evidentes sinais de desgaste, tendo uma faixa envolvente decorada e brasão sumido. Apresenta os seguintes dizeres:

 ESTA SEPVLTURA HE DE / MANOEL.DE PAIVA.NATV / RAL.DE COINBRA.../ FES QVATRO.FILHOS BO(NS) / LETERADOS E (HV(M) DELES. (F)OI / IOÃO.DE PAIVA PRIOR DESTA / IGREIA.LHE.MANDOV.FAZER /ESTA SEPVLTVRA.FALECEO / A 21.DE DEZEMBRO.DE.1621. 

 O retábulo secundário é dos sécs. XVII/XVIII, com esculturas de Santo António e S. Francisco, do mesmo período. O púlpito é cilíndrico e, numa mísula, vê-se um Anjo da Anunciação, de pedra, do séc. XVI, manuelino; numa outra, uma Virgem de madeira, dos XVII/XVIII. 

A capela é detentora de um cálice de prata sem ornatos, onde, no listel de base, se lê: “ESTE CALIX HE DA IRMANDADE DE SANTO ANTONIO FOI FEITO ERA D. 1664 a.” 

 Fontes: "Inventário Artístico de Portugal", vol IV, 1953 e Plano Director Municipal



07 setembro, 2022

Lugares, monumentos e sítios de Penacova (8): Mont'Alto



No dia 8 de Setembro, data da grande Romaria, o “Dia das Sete Senhoras” ou de Nossa Senhora da Natividade, muitas famílias rumavam (e rumam ainda hoje) ao Mont’Alto, movidos pela Fé, mas também pelo Convívio. Tudo convida a estender a toalha e partilhar os deliciosos comes e bebes que neste dia não faltam. 

No livro “Coimbra e Região” (1987) Nelson Correia Borges faz referência a esta “capelinha” que “é um encanto na sua singeleza de ermidinha bem portuguesa”.  A Romaria da Senhora do Mont’Alto era uma das mais concorridas da região. As "Informações Paroquiais" de 1721 referem que os moradores da Vila do Botão e de S. João de Figueira (de Lorvão), vinham todos os anos em procissão (…) em cumprimento de “um voto antiquíssimo” trazendo as ofertas em tabuleiros. 

Aquele documento do séc. XVIII fala também da existência na encosta do monte de umas “pedras redondas” que tinham propriedade milagrosas.

O local está também associado à Batalha do Bussaco, dado que o general inglês Arthur Wellesley, Duque de Wellington, terá mandado colocar algumas peças de artilharia junto à capela, ponto estratégico militar.

Do alto do monte, quando os eucaliptos ainda não dominavam as encostas, gozava-se dum soberbo panorama sobre o vale do Mondego.  

Em 1994 foi projectada a construção, no recinto da capela, de um miradouro de 10 metros de altura, encimado por um cruzeiro, obra que certamente permitiria admirar a vastidão da paisagem circundante. Ainda chegou a ser lançada uma campanha de angariação de fundos, mas a iniciativa não foi avante. Quem sabe...não fosse, afinal, má ideia construir uns passadiços ao longo da encosta, retomando a ideia dos antigos carreiros,  culminando com um miradouro acima da copa das árvores circundantes...






20 abril, 2012

Noite Cultural em Lorvão



No âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Câmara Municipal de Penacova e o Grupo Etnográfico de Lorvão, com o poio da Associação Pró Defesa do Mosteiro de Lorvão, a Filarmónica Boa Vontade Lorvanense e a Junta de Freguesia de Lorvão, organizam, no dia 21 de Abril, pelas 21.00h, Uma Noite em Busca do Património de Lorvão, visita guiada e encenada ao património da vila de Lorvão.