domingo, 29 de novembro de 2015

VIOLENTA EXPLOSÃO JUNTO À CATRAIA DOS POÇOS

Tempos de guerra, tempos de guerrilha. A região entre Ponte da Mucela e Catraia dos Poços acaba de viver momentos de grande tensão. Mais uma vez na história, estas terras são palco de lutas e de perseguições semeando o terror. Agora já não são os invasores Franceses. Também com laivos de grande violência, agora a luta é fraticida. 


Vindo de Abrantes chega à Ponte da Mucela, num dia de Agosto,  um comboio de 20 carros carregados de pólvora com destino ao norte, talvez Viseu ou Lamego. A escoltá-lo vêm 40 “voluntários realistas”. No dia seguinte, dia 5,  logo pela manhã, resolvem fazer uma paragem, na Chamada Eira do Forno, já perto da Cortiça.
A dado momento, um dos “carreiros” que se diz ser um tal José António, da Urgueira, ao passar junto à casa de José Maria de Oliveira, grita: - está ali um malhado!. Era um conhecido  partidário das ideias liberais,  que andava a apanhar fruta nas traseiras da casa. Logo os milicianos se atiram ao pobre homem indefeso bem como  a um outro vizinho. Em seu auxílio surge um grupo de liberais que depois de grande troca de tiros consegue ganhar  aos agressores que eram em bem maior número. Com a situação dominada resolvem desviar o carregamento de pólvora e colocá-lo à disposição  do capitão de Ordenanças do Carapinhal, José Dias Brandão e desse modo ficar em “melhores” mãos. Quando tal intento começava a ser concretizado, eis senão, chega um grupo de outros “voluntários” que vindos do Norte regressavam a Abrantes. Nova escaramuça se trava ali perto dos Poços e os liberais mais uma vez saem de vencida. Só que, pressentindo  que em breve estariam cercados pelas Ordenanças de Penacova e de outros concelhos das redondezas, decidem deitar fogo à pólvora.
Foi então  que junto à Catraia dos Poços, perto da Serra da Sanguinheda,  longe das casas, amontoam a pólvora dos 20 carros de bois e estendem o rastilho. Terá sido Manuel Brandão a acendê-lo. Mas já perto do monte, o pavio apaga-se. Valeu naquele momento a coragem de um penacovense, um dos irmãos Sande, da Carvoeira, antigo Sargento de Caçadores 8.  De rastos aproximou- se perigosamente do monte de pólvora e reacendeu o rastilho, fazendo explodir toda aquela quantidade de explosivos. Imagine-se o estrondo que se fez sentir por terras da Casconha!
Escusado será dizer que não demorou muito para que as tropas (guerrilhas) de Arganil chegassem e perseguissem tudo o que era “liberal”. Muitos destes atravessam o Mondego indo refugiar-se na zona dos Fornos e Alcarraques, já perto de Coimbra. Outros ficaram pela zona do conflito, sendo a maioria imediatamente presa. António Joaquim (ou António do Arrabalde, como era conhecido) ainda se refugiou na toca de um castanheiro, mas de nada lhe valeu.
Às “guerrilhas“ de Arganil juntaram-se as Guerrilhas e Ordenanças de 22 concelhos da região. Também a Infantaria e Cavalaria de Coimbra entraram em campo. Não custa pois imaginar as perseguições, os incêndios, os saques, as prisões (muita gente de Farinha Podre) que sofreram todos os simpatizantes da causa liberal.
Mas a vingança não se ficou por aí, nem sequer pelo abarrotar das cadeias de Mortágua e Arganil. É que os fuzilamentos que se seguiram não foram nem um nem dois: foram sete. Os nomes estão gravados num Mausoléu que existe em Viseu. Pessoas da Carvoeira, da Cruz do Soito...
Foram eles: António Homem de Figueiredo, da Cruz do Soito; António Joaquim, da Várzea de Candosa; Padre António da Maya, natural da Cruz do Soito, pároco encomendado de Covelo de Ázere (que estava inocente, entre outros); Francisco Homem da Cunha e o irmão Guilherme Nunes da Silva, da Cortiça, filhos de Bernardo Homem.Também da Cortiça, José Maria de Oliveira. Por último, naturais da Carvoeira, os irmãos Francisco de Sande Sarmento e Felizberto de Sande. Fuzilados por topas pertencentes às Milícias de Santarém, no Terreiro do Rossio de Santo António, em Viseu, no dia 21 de Março de 1833.
A inscrição existente no referido Mausoléu recorda a  “execranda tirania daquele tempo” e exalta a coragem destes “mártires da liberdade”.  Penacovenses... perpetuados em Viseu... ignorados em Penacova...
NOTA: Voltaremos ao assunto, não só para referir a extensa lista com os nomes de pessoas desta região  que estiveram nas cadeias, mas também para situar este episódio conhecido por “Queima da Pólvora” no conjunto da Guerra Civil que opôs liberais e absolutistas, que semeou o ódio entre “malhados” e “corcundas”...


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Martins da Costa: 10 anos depois da sua morte

A primeira página de
O Jornal de Penacova
 [24 de Abril de 2005] 
Foi em 13 de Abril de 2005 que o pintor João Martins da Costa faleceu na capital da Beira Alta. Não em Penacova, onde desde os anos setenta viveu, ali na Costa do Sol, e onde foi professor. Picasso lhe chamavam carinhosamente os seus alunos.
Nascera em Coimbra em 28 de Junho de 1921 mas os seus pais eram penacovenses: José da Costa e Cacilda Martins. O seu avô materno fora industrial de latoaria na vila e o paterno, Abílio Costa, tinha sido proprietário de um veículo que servia de diligência entre a cidade dos estudantes e Penacova.
auto-retrato
Frequentou o curso superior de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto, onde foi discípulo de Dórdio Gomes e de Joaquim Lopes. Premiado diversas vezes naquele estabelecimento artístico, concluiu o curso em 1947 com a classificação de 18 valores.
Em comentário a uma referência que o Penacova Online fez em 2012, escreveram Óscar Trindade e António Luís, respectivamente:
 “O Prof. Martins da Costa, foi meu professor de desenho. Um grande homem, algo austero mas também amigo. Sua esposa, Prof ª. Rosa, também me deu aulas de desenho. Recordo o dia em que ela me convidou para ir a sua casa e me mostrou as obras de arte do prof. Martins. Fiquei encantado com as pinturas expostas numa sala, que penso ter sido o seu atelier. Como é (ou era) habitual na nossa terra, a arte é (ou era) pouco valorizada e nada se fez, então, para que o espólio deste professor / artista ficasse em Penacova. Ao ler a crónica pode-se concluir que este SENHOR era um artista multifacetado, tendo em conta a sua arte na pintura e nas letras.”
“Um dos melhores professores que tive na minha passagem pelas escolas de Penacova... Martins da Costa não era mais um "carneiro". Pensava com a sua cabeça e quase sempre muito bem!”
Obra dos anos 60

E em 2014, escrevia também Álvaro Coimbra no seu blogue Livraria do Mondego “O artista, o pintor, deixou uma obra extraordinária. O seu traço sensível e, ao mesmo tempo, firme e exato viajou por cidades como Florença, Porto, Londres, mas na última etapa da sua vida escolheu este cantinho. Pintou-o de vários ângulos, com um olhar muito próprio e deu-o a conhecer ao mundo. Penacova está em dívida para com ele, mas esse reconhecimento deve estar à altura da sua obra.” 


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

CARTAS BRASILEIRAS: Hopalong Cassidy

O tema da insegurança, tão actual,  na crónica de PAULO SANTOS:

Quem passa dos 50 anos sabe de quem estou falando. Para os mais novos eu explico. Trata-se de um herói dos filmes de faroeste. Era estrelado por William Boyd. O cavalo branco era Topper. As produções da série foram feitas até 1948. Todavia, como naquela época havia demora na distribuição dos filmes, quando a série chegou à minha cidade, eu já tinha idade para ir ao cinema assistir às vesperais dominicais. Tom Mix foi um herói mais antigo, do tempo de minha mãe. Da minha época de menino: Rocky Lane, Roy Rogers, Gene Autry, Durango Kid, Zorro, Tarzan, e o mais moderninho, Batman.
E o que todos tinham em comum? Eram defensores da lei. Eram os baluartes do bem. No fim da história, sempre o bem vencia o mal. Os heróis partiam, empinando seus cavalos, Tarzan “viajando” pelos cipós, gritando: Uauauuu!
Na verdade, não era uma despedida. Era apenas um até logo, como que dissessem: precisando estarei aqui. Contem comigo! Os bandidos fugiam deles como o diabo foge da cruz. Não havia dúvidas em saber quem era quem. Os mais fracos contavam com protetores corajosos, que os defendiam contra os bandidos, gananciosos e corruptos. E hoje? Todo mundo acuado *, quase que entrincheirado. Os foras da lei já não têm mais medo de nada. O crime sempre compensa.
Vivemos momentos perigosos. Violência de todo tipo. Violência dos bandidos, dos políticos bandidos, dos corruptos, dos sonegadores, e apaniguados. A violência da miséria, da fome, do desemprego. As drogas, o álcool, o trânsito.  Violência nas ruas, nas escolas, nas famílias. É o desamor, o egoísmo, a ganância. Sem uma mudança completa no comportamento de todos, nem mesmo contanto com todos os heróis para nos ajudar seremos salvos. E o pior, já não contamos com Hopalong Cassidy, que era só chamar.

P.T.Juvenal Santos - ptjsantos@bol.com.br

acuar: perseguir; cercar a caça; encurralar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Conhecer melhor a empresa “Águas das Caldas de Penacova”

Numa das pesquisas que vamos fazendo sobre assuntos relacionados com Penacova, "cruzámo-nos" com um trabalho académico de Carlos Daniel Simões Gonçalo sobre esta empresa de engarrafamento de água mineral natural. Trata-se de um relatório de estágio (que decorreu de Janeiro a Julho de 2013), apresentado ao Departamento de Engenharia Química e Biológica (ISEC) para a obtenção do grau de Mestre em Processos Químicos e Biológicos.

Destacamos o capítulo que faz a apresentação da empresa, não deixando, contudo, de registar, quer a hiperligação para o texto integral do referido relatório, quer para o site da empresa “Água das Caldas de Penacova, S.A.”

Infografia inserta no documento em referência
Em 1972, o médico-hidrológico, Dr. Amaro de Almeida concluiu que as águas das Caldas de Penacova possuem propriedades terapêuticas, podendo ser utilizadas no tratamento de doenças de pele, do aparelho digestivo e do aparelho urinário: “Não é radioactiva. A sua leveza, como hipossalina e a presença de anidrido carbónico, conferem-lhe o seu lugar como água de mesa, sem desvantagens, ao lado de muitas outras de grande valor comercial”. Já em 1971, o Instituto Superior Técnico refere no Boletim de Análise nº 31999 de 21 de Julho “Água muito hipossalina com reacção ácida que lhe é conferida pelo apreciável teor de anidrido carbónico livre. Como consequência da sua baixa mineralização, deve possuir propriedades terapêuticas inerentes a este tipo de água”.
De acordo com a classificação do Instituto de Hidrologia de Lisboa a água das Caldas de Penacova apresenta uma natureza hipossalina, com reacção ácida e macia, silicatada (Águas das Caldas de Penacova, S.A., 2011).
A empresa Águas das Caldas de Penacova, S.A. dedica-se ao engarrafamento de água mineral natural e localiza-se no concelho de Penacova.
A região caracteriza-se por uma topografia muito acidentada de que se destaca a Serra do Buçaco, entre o Luso e Penacova, situando-se as Caldas de Penacova num dos extremos da serra e o Luso no outro extremo.
O Aquífero de Água Mineral Natural da Serra do Buçaco, com circulação profunda, apresenta dois locais de extracção, um no Luso e outro nas Caldas de Penacova, sendo constituída por rochas quartzíticas muito pouco solúveis, que conferem à água uma mineralização muito baixa.
A empresa foi fundada em 1991, mas só em 1997 lhe foi atribuída a concessão de exploração de água mineral natural pelo contrato de concessão nº HM-22, celebrado em 2 de Junho de 1997, para uma área de aproximadamente 67 hectares, publicado no Diário da República, III Série, nº 162, de 16 de Julho do mesmo ano, culminando um longo processo, em que controlos físico-químicos e microbiológicos realizados em laboratórios acreditados revelaram que as características de água mineral natural hipossalina, com reacção ácida e macia eram estáveis e aptas à exploração.
A concessão da licença de exploração é da responsabilidade da Direcção Geral de Energia e Geologia. A Direcção Técnica da Águas das Caldas de Penacova, S.A. tem a responsabilidade de dar resposta às exigências desta entidade licenciadora, bem como garantir o acompanhamento da estabilidade físico-química e microbiológica da água.
Em Abril de 1999 inicia a sua actividade com uma área coberta de 2000 m2 e um total de 27 colaboradores produzindo 6.400.000 litros/ano.
A 6 de Dezembro de 1999, mediante proposta fundamentada da empresa, foi fixado o Perímetro de Protecção desta concessão (Portª nº 1060/99) e a 7 de Março de 2000 foi publicada, no jornal Oficial das Comunidades Europeias, a lista das Águas Minerais Naturais reconhecidas por Portugal, a qual inclui as Caldas de Penacova.
Tendo como actividade principal o engarrafamento de água mineral natural, inicialmente também se dedicou à produção própria de embalagens em politereftalato de etileno (PET), numa primeira fase com máquinas integradas (injecção e sopro), estando desde 2006 a proceder à sua substituição por sopradoras.
Actualmente, a fábrica de engarrafamento ocupa uma área de 8000 m2, dos quais 3000 m2 são afectos ao estabelecimento industrial e 5000 m2 destinados ao armazém e serviços de apoio, emprega 50 trabalhadores e está equipada com linhas individuais para embalagens de 33 cL, 50 cL, 1,5 L e 5L.
Com a preocupação de assegurar a qualidade do produto e a garantia de saúde pública a Águas das Caldas de Penacova, S.A. tem desde do início a funcionar nas suas instalações um laboratório onde são realizadas diariamente análises microbiológicas de monitorização e acompanhamento de todo o processo fabril. Também é efectuado um controlo analítico no Laboratório do Instituto Superior Técnico, desde 24 de Março de 1994, com uma periodicidade mensal até 23 de Maio de 1995 e actualmente com uma periodicidade trimestral, o qual permite evidenciar a estabilidade do perfil físico-químico da água.
Evidenciando o cuidado em atribuir e respeitar os requisitos do produto, a empresa certificou o seu Sistema de Gestão da Segurança Alimentar (SGSA), segundo os referenciais NP EN ISO 22000:2005 e IFS – International Featured Standards no ano de 2009.

No ano de 2011 procedeu ao engarrafamento de 143.569.990 litros de água, o que representa um crescimento de aproximadamente 8% em relação a 2010, contrariando o comportamento do mercado das águas em Portugal em 2011, pois segundo os resultados apresentados pela Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente (APIAM), observaram uma retracção de 2,87 %. A retracção do mercado de água em Portugal no actual panorama de crise levou a empresa a uma intensificação no mercado internacional com a exportação para África (Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde), Macau,Estados Unidos da Améria e sobretudo para a Europa (Espanha, Alemanha e Suíça). 

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sábado, 7 de novembro de 2015

O último representante dos velhos filhos da Casconha que deram a esta terra brasões de honra, fidalguia e trabalho



 José António de Almeida: “O último representante dos velhos filhos da Casconha que deram a esta terra brasões de honra, fidalguia e trabalho”.
Alípio Barbosa Coimbra, 
no funeral de José António de Almeida
nos primeiros dias de Novembro de 1901

SAIBA MAIS 
SOBRE ESTE PENACOVENSE ILUSTRE
AQUI

[Excerto de testemunho de Artur Leitão que foi Vereador com o Presidente José A. de Almeida]