Em Março de 1982 noticiava o nosso jornal o arranque da 2.° fase das obras; seis anos depois é ainda o N.E. que regista "QUARTEL DOS BOMBEIROS NÃO FOI APROVADO PELO S.N.B.". A "bomba" rebentou e só havia uma solução: procurar um novo terreno e aproveitar as instalações para serviços da Câmara
No entanto, as coisas tiveram outro rumo. A "página teimosa", no dizer do Comandante foi, por fim, virada. O dia 21 de Junho vestiu-se de festa para os Bombeiros, para a Vila, para o Concelho.
Apesar de não serem as instalações sonhadas e exigidas pelo crescente aumento de responsabilidades, a mudança de casa vem, sem dúvida, melhorar a qualidade dos serviços prestados pelos "soldados da paz", por esses "apóstolos de coração magnânimo", como os designou o Rev. P.e Joaquim Ribeiro Jorge ao proceder à benção do edifício.
A inauguração contou com a presença do Secretário de Estado, Dr. Armando Vara e do Governador Civil do Distrito, Dr. Victor Baptista.
Presentes também outras individualidades ligadas aos Bombeiros Portugueses e aos órgãos do poder local a nível concelhio. Muitos foram também os penacovenses que se associaram ao programa oficial da inauguração. A sessão solene, presidida pelo Secretário de Estado, decorreu no salão do novo edifício depois da recepção aos convidados, atribuição de condecorações e benção duma ambulância e do edifício.
Começou por usar da palavra o Comandante dos Bombeiros, Prof. António Simões, dirigindo palavras de agradecimento à actual e às anteriores Direcções, ao executivo Camarário e a todos aqueles que se empenharam na concretização desta obra, não esquecendo o Eng. Leitão, já falecido, que doou o terreno. Em sua memória e à de todos os bombeiros que já não se contam no número dos vivos, propôs que se respeitasse um minuto de silêncio. Não deixou de elencar algumas carências corno sejam a renovação de viaturas e equipamentos, a aquisição de um auto-tanque de maior capacidade e de uma viatura de desencarceramento.
António de Miranda. Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Penacova, ao discursar de seguida, dirigiu também palavras de gratidão e de reconhecimento pelo esforço financeiro da Câmara Municipal. No entanto, "as aspirações nunca se dão por concluídas. O novo quartel "de raiz", é, pois, uma "aspiração da Direcção a que preside" - acentuou. Coube ao Presidente da Assembleia Geral, Arsénio Costa, tornar pública uma missiva do Dr. Jorge Pimentel, Comandante do Quadro Honorário, justificando a sua ausência na cerimónia e endereçando um "louvor ao executivo camarário" em especial "na pessoa do Eng. Estácio".
Jaime Soares, Presidente da Federação Distrital de Coimbra, sublinhou o facto de os Bombeiros constituírem "a emanação directa do carácter bom do povo português, dos seus valores: solidariedade, humanismo, bem-fazer". Frisou ainda que estes não são património de ninguém, muito menos de qualquer ideologia. Acentuando o facto de ter sido exclusivamente financiada pela Câmara a presente obra, não deixou contudo de "se curvar respeitosamente perante o Dr. Armando Vara, reconhecendo que este membro do Governo tem de facto, dado o seu melhor ao serviço da causa dos Bombeiros Portugueses."
"Um autêntico milagre" — caracterizou o Vice-Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses ao usar da palavra - a circunstância de ter sido possível durante tantos anos trabalhar no antigo quartel. As condições materiais são importantes, mas não menos fulcral é a qualidade do factor humano sendo pois necessária uma aposta na formação. tónica aliás presente na maior parte das intervenções.
O Governador Civil de Coimbra, depois de enaltecer o empenhamento da Câmara Municipal, não deixou, contudo, de fazer alusão à comparticipação quer da administração central quer do próprio Governo Civil para equipamentos diversos que ascende a cerca de 17 mil contos, considerando ser a "comparticipação possível" para quem "não cometeu pecado". Recorde-se que a dado passo da sua intervenção havia citado o evangelista S. Lucas, dizendo que "só o pecado redime".
Seguiu-se no uso da palavra o Presidente da Câmara, confessando que as antigas instalações eram motivo de vergonha para o concelho e mesmo pessoalmente e enquanto responsável autárquico. O investimento de cerca de 80 mil contos foi de facto considerável para uma Câmara que recebe do Fundo de Equilíbrio Financeiro, isto é, da administração central, verbas reduzidas —referiu a dado momento da sua alocução. Depois de sublinhar as boas relações mantidas entre a autarquia e as direcções dos bombeiros — tornando possível todo o trabalho desenvolvido — apelou às entidades presentes, designadamente ao Secretário de Estado, que procurasse desbloquear o projecto do novo quartel que vai já um ano se encontra na Comissão de Coordenação da Região Centro.
Em resposta a este pedido, o Dr. Fernando Vara referiu, ao usar da palavra, que tudo dependia da conclusão do processo legislativo em curso relativo às Finanças Locais. Projecto de Lei que, a ser aprovado, atribui às autarquias a responsabilidade pela construção de edifícios para os bombeiros. Depois de fazer alusão a outras medidas de carácter legislativo e de política de prevenção e combate a incêndios, reconheceu a imprescindibilidade do voluntariado na sociedade portuguesa. "Portugal precisa deste voluntariado"— afirmou. Há valores que importa manter. Numa sociedade em que a ideologia do sucesso incute a competição, é necessário fazer compreender que "vale a pena ser solidário"
O programa das "festas" prosseguiu com lanche, noite popular com actuação de Jorge Rocha e baile "abrilhantado" pela Banda FM. Há noite teve ainda lugar um concerto "rock" pelos "Santos e Pecadores".