Meu Rio de Prata
Decorreu no dia 29 de Setembro de 2012 a apresentação do livro Meu Rio de Prata, tendo como autor Ulisses Baptista. . A sessão teve lugar na Biblioteca Municipal de Penacova. A Vereadora da Cultura, Fernanda Veiga, deu as boas vindas aos presentes e Carina Quintas da Costa (colega de curso do autor) fez a apresentação da obra, considerando que se trata de um trabalho muito bem conseguido, "muito belo, muito leve e suave" sobre Penacova.
Trata-se de uma obra poética (composta por estrofes de quatro versos, num total de cento e oitenta e três), forma de expressão literária preferida do autor, que além do enquadramento histórico e etnográfico traduz uma grande sensibilidade ambiental..
A ameaça de construção da Mini-Hídrica (em cujo processo de contestação se envolveu) terá sido, em grande medida, uma das motivações para a sua publicação, conforme referiu Ulisses Baptista.
In Blogue Penacova Online
"Meu Rio de Prata" é um livro que fala de Penacova e do rio Mondego. Duma forma acessível, tenta também dar a conhecer o impacto humano no rio que banha Penacova, desde há longos anos até à actualidade; e transpirando de musicalidade, relata alguns dos costumes das suas gentes e das suas paisagens bucólicas.
O autor, in página do Facebook
Meu Rio de Prata |Ulisses Baptista | Data de Lançamento: setembro de 2012 |Editor: Chiado Books | Coleção: Prazeres Poéticos | Páginas:55 | ISBN:9789896977498
Regresso às Origens
Em 2021, publicou, no site de poemas “Poesia Fã Clube”, a obra Regresso às Origens, onde a temática do Rio Mondego continua presente, reunindo um conjunto de cinquenta e um poemas onde se cruzam recordações de infância, preocupações ambientais e sentimentos perante a Vida e a Natureza.
ULISSES BAPTISTA
Natural da Carvoeira, onde nasceu em 1972, ali viveu a infância e parte da sua juventude. Em Viseu, na Escola Superior de Tecnologia, se licenciou em Engenharia do Ambiente. Vive actualmente no concelho de Oliveira de Azeméis.
Meu Rio de Prata foi a sua primeira obra editada. Ulisses Baptista também publicou textos em prosa e em verso na página do Facebook “Carvoeira, terra amiga”, por si criada e administrada. Um espaço (neste momento desactivado) que teve como conteúdo marcante, além das “histórias e das “lendas” da aldeia, a referência a “factos sobre a Carvoeira, seus lugares e suas gentes”. Aquando da tentativa de ser construída perto do Caneiro uma mini-hídrica escreveu no "Penacova Actual" o texto de intervenção “Trinta anos de atentados”.
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Do Meu Rio de Prata (organizado em 4 partes: I – Um início indecifrável; II – A Idade Média; III – A Idade Moderna; IV – A Idade Contemporânea), deixamos aos leitores as seguintes passagens:
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Mas o caminho das águas,
que era feito todo o ano,
era, lembrando as mágoas,
árduo, falso e desumano;
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Com barcaças de madeira,
cobertas de negro pez,
em bico à proa e na traseira
mastro ao meio do “convés”;
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Compridas, com vinte jardas,
e largas, como três passos,
podiam com mil arrobas,
sem perdas nem embaraços;
85
A vara eram deslocadas,
e, quando possível, à vela;
nas correntes, governadas
por barqueiros de farpela.
86
Entre a Raiva e a Figueira,
e com pouco que estorvasse,
barco, barca ou bateira,
navegavam com classe.
87
Rio abaixo, rio acima,
as barcas, ditas serranas,
transportavam grande rima
de coisas nada mundanas.
88
Os barqueiros, que eram tanto
zeladores de bens, com brio,
tinham que sofrer o canto
das lavadeiras do rio:
89
– Olha, Zézito, olha o leme,
senão vais à pedra aguda!
Mas um barqueiro não treme,
nem tem sequer quem lhe acuda.
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E alguns deles se perderam,
por via de tanta agrura;
mas, pelo menos, conheceram
gente, fama e aventura.
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Rio outrora navegável,
o Bazófias, o Mondego,
era um sonho adorável
para soerguer o ego.













