27 maio, 2026

Américo Henriques Almeida Coimbra (1933-2026)


    AMÉRICO COIMBRA 1933-2026

Do seguinte modo (em Julho de 2009) o periódico penacovense “Nova Esperança” introduzia a entrevista, a duas páginas,  a Américo Coimbra, recentemente falecido:

"Natural de Penacova, nasceu em Hombres, descendente da família de António José de Almeida. É naquela aldeia que passa actualmente a maior parte dos fins-de-semana e uma parte das férias. "Américo Coimbra, um jovem bonito, educado, de sorriso cativante, de boa figura e que um dia, o seu amigo, o produtor Francisco de Castro, convidou para fazer um filme e que depressa se tornou um verdadeiro galã dos cinemas. Estreou-se nas "Pupilas do Senhor Reitor" sob a direcção de Perdigão Queiroga, em 1961. Aquele primeiro encontro no mundo do cinema acabaria por revelar-se decisivo nos anos vindouros e passou a ser assediado para outros filmes, quer em Portugal, quer no estrangeiro" 

A Academia Portuguesa de Cinema (com data de 18 de Maio) emitiu uma nota de pesar (que a seguir transcrevemos) na qual é traçada uma síntese da sua vida e obra: 

Américo Coimbra (1933–2026)

A Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Américo Coimbra, ator e produtor ligado a uma geração marcante do cinema português das décadas de 1960 e 1970, período em que se afirmou como um dos grandes galãs do cinema nacional e um dos rostos mais populares do grande ecrã português.

Nascido em Lisboa, a 4 de março de 1933, Américo Coimbra iniciou a sua carreira cinematográfica muito jovem, destacando-se em filmes como As Pupilas do Senhor Reitor (1961), de Perdigão Queiroga, O Parque das Ilusões (1963), A Canção da Saudade (1964), Pão, Amor e Totobola (1965),  entre outras produções que marcaram o cinema popular português da época.

A sua carreira incluiu também participações em produções internacionais e no cinema espanhol, em títulos como El próximo otoño (1963), de Antxon Eceiza, Operación Goldman (1966), de Antonio Isasi-Isasmendi, Fin de semana con la muerte (1966), de Julio Coll, e Os 5 Avisos de Satanás (1970), de José Luis Merino, reforçando a presença de atores portugueses em coproduções europeias desse período. Participou ainda na coprodução luso-brasileira O Pagador de Promessas, associando o seu percurso artístico a um momento importante da circulação internacional do cinema em língua portuguesa.

Para além do trabalho como ator, desenvolveu atividade como produtor cinematográfico, colaborando em vários projetos entre Portugal e Espanha numa fase de crescimento e internacionalização do setor audiovisual português.

Figura muito reconhecida pelo público português durante os anos 60 e 70, Américo Coimbra acabaria por se afastar prematuramente da vida artística, mantendo, ainda assim, o seu nome associado a uma geração de intérpretes que marcou uma época do cinema nacional.

A Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas condolências à família, amigos e a todos os que com ele trabalharam e privaram.

Voltando à entrevista do Nova Esperança, destacamos a parte que se refere à sua íntima relação com a localidade de Hombres e, no fundo, com S. Pedro de Alva e o concelho de Penacova: 

Repórter: A ligação da família Coimbra a Hombres é já histórica. A colaboração com a comunidade é mais do que uma tradição?

Américo Coimbra:  Essa colaboração já vem do tempo dos meus bisavos que cu não conheci, mas os meus avós conheci perfeitamente e dos meus pais que a casa é já ali (em Hombres), que hoje não é minha. Fiz uma casa ao lado nova para mim e venho para cá desde que nasci. O meu pai estava em Lisboa e vinha cá regularmente em finais de Agosto visitar os meus avós. Ele  era caçador e a caça abria no dia 1de Setembro (há muitos anos).Eu vinha sempre com ele nos meus tempos de escola, e como naquela altura as férias de verão eram de três meses eu vinha para casa dos meus tios já em Julho.  Primeiro é uma grande tradição e paixão aqui pela aldeia de Hombres, por isso é que fiz a casa com piscina. A casa foi feita para passar aqui uns tempos com as minhas três filhas, são todas licenciadas. A casa e a piscina é uma forma de reunir a família, porque hoje em dia a moda é a praia, e assim com a piscina sempre vêm para cá também. Portanto é esta paixão e tradição pela aldeia, o meu pai nasceu aqui, ia a pé para escola em São Pedro Alva, muito antes de1930. Só mais tarde foi feita a escola, onde hoje é a associação. Embora não tenha bem a certeza, o imóvel para instalar a escola foi doado por um tio do meu pai, por isso é que o edifício foi baptizado de "Henrique Coimbra", o meu pai é Henrique Coimbra, e eu sou Américo Henriques Almeida Coimbra. Portanto as minhas raízes estão todas aqui, e inclusive diziam os meus pais  que eu fui concebido na aldeia de Hombres, na altura da época de caça. E eu tenho muito  prazer nisso e honra de ter nascido aqui. A minha mãe, é duma família também da zona, do Vale da Vinha e do Silveirinho, porque somos da família do António José de Almeida, por isso é que eu sou Almeida também, e o meu avô materno é José Almeida Cruz. E foi assim que fui habituado a vir para cá e agora que o Campeonato está acabar, eu venho passar aqui uns dias com muito gosto, à festa, em Agosto e todos os meses em geral aos fins de semana. Neste momento estou reformado, e haja saúde para vir cá muitas vezes. 

Na respectiva página do Facebook (18 de Maio às 22:30) a Associação de Melhoramentos, Cultura, Turismo e Progresso de Hombres manifestou a sua mágoa e enalteceu as qualidades deste seu conterrâneo, agora falecido: 


Hombres hoje ficou mais pobre

O Senhor Américo Coimbra foi uma pessoa sempre disponível para ajudar, dedicada à sua querida aldeia de Hombres e à nossa associação, contribuindo com generosidade e amizade sempre que foi necessário. A sua presença, o seu espírito solidário e a sua bondade ficarão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. Não deixava ninguém indiferente. Neste momento de profunda tristeza, queremos deixar à família as nossas mais sinceras condolências, desejando muita força e serenidade para enfrentar esta perda tão dolorosa. Que encontrem conforto nas muitas recordações bonitas e no enorme respeito e carinho que ele conquistou junto da comunidade. Sr. Américo Coimbra, ficará para sempre nos nossos corações. 

Por sua vez, Diana Martins deixou o seguinte comentário nas redes sociais: “Para além da marca que deixou no cinema, o Sr. Américo Coimbra marcou profundamente todos os que tiveram o privilégio de se cruzar com ele. Falo pela nossa aldeia de Hombres, terra das suas raízes, onde será sempre lembrado como um homem de uma bondade rara, sempre pronto a ajudar o seu povo. Tinha um amor imenso por esta terra e por esta gente, que hoje chora a sua partida com enorme tristeza. O seu legado humano será eterno."

O funeral teve lugar no dia 20 de Maio. Os seus restos mortais repousam no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Paz à sua Alma.

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Links com interesse: 

Entrevista RTP 2009 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/americo-coimbra/

Estreia de "As Pupilas do Senhor Reitor" no São João, 1960.https://www.facebook.com/watch/?v=267406898318741

Uma crónica sobre cinema português https://apaladewalsh.com/.../americo-o-bonitao-que.../












25 maio, 2026

Penacova na publicação "Comment visiter le Portugal" - década de 40



Na década de quarenta a Casa de Portugal em Paris publicou um pequeno livro sobre Portugal, onde Penacova não foi esquecida, inclusivamente com uma interessante fotografia panorâmica:

PENACOVA

 … vale a pena fazer uma pequena estada, uma visita a Penacova, pequena vila situada numa colina ao longo do Rio Mondego. 

É um passeio agradável, seguindo as curvas do rio onde se sucedem panoramas que nos surpreendem e de onde se podem ver seis ou sete picos montanhosos que se tornam azuis até ao horizonte. 

Do mirante de Penacova, a vista é de uma beleza indescritível. 

Este passeio pode ser estendido ao antigo convento de Lorvão que está construído num vale de Penacova.

24 maio, 2026

XXIII Aniversário do Coral Divo Canto



No dia 16 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal de Penacova, realizou-se o espectáculo  “Corpo que Canta, Voz que Dança”, assinalando o 23.º Aniversário do Coro Divo Canto.

Uma noite onde diferentes expressões artísticas - música, dança, capoeira e teatro - se encontraram  no mesmo palco. Actuações onde se cruzaram voz, movimento, ritmo e interpretação. 

Um encontro entre grupos locais que partilham a mesma paixão pela arte: Coral Divo Canto, Yolo Dance Crew – Escola de Dança da Mocidade FC, Capoeira Roda Viva – Grupo de Capoeira de Alunos da EBA e Grupo de Teatro da Escola de Artes de Penacova. 

Na página da DIVO CANTO ASSOCIAÇÃO podemos ler que se tratou de “uma noite inesquecível”, de “um espectáculo que ficará para sempre na nossa memória”. A Associação deixa também diversos agradecimentos: “ao maravilhoso público que esgotou a sala e nos acompanhou com tanto carinho e entusiasmo (…) convosco esta celebração ganhou ainda mais sentido.” Agradeceu  também a todos os grupos convidados  por terem partilhado “o seu talento e contribuído para uma noite tão especial.” Finalmente, deixou público “um agradecimento muito especial a todas as entidades, patrocinadores e parceiros que apoiaram este evento e tornaram possível esta comemoração”. 

22 maio, 2026

A quem pertence a capela de Nossa Senhora da Guia? Uma polémica de 1935

"A capela que lá no alto, no morro do castelo, um dia foi erguida, tem tradições e Nossa Senhora da Guia tem muitíssimos devotos. 

Como estamos em maré de melhoramentos, em pouco tempo todo aquele morro foi modificado. Tem hoje um aspecto completamente diferente. Tema estrada e tem também as magníficas obras do Preventório e Hospital da Misericórdia.

É destes dois utilíssimos organismos que nos vamos ocupar. Há tempos, foi feita uma escritura entre a Santa Casa da Misericórdia e a Junta Geral do Distrito de Coimbra. Presidiu a essa escritura o desejo de bem-fazer de parte a parte. Ser útil.

Para não sermos muito longos não podemos aqui narrar, ponto por ponto, as cláusulas desse documento. Unicamente queremos lembrar o seguinte: segundo diz a mesma escritura, a capela que se encaixa, ou por outra, que ficou encaixada no Preventório, ficou pertencendo à Misericórdia de Penacova e por isso acessível ao público. Acontece porém agora, que, obras de muros se fizeram vedando todo o edifício que pertence à Junta Geral do Distrito: lá ficou dentro também a nossa capela e a imagem de Nossa Senhora da Guia.

Acontece também que a chave da capela não está nas mãos de quem devia estar. A chave devia estar nas mãos da mesa da Misericórdia de Penacova, embora se dessem como era de toda a justiça, facilidades de comunicação do interior do Preventório para a capela.

Sucede também que agora foi construído um portão de ferro, vedando assim ao público ainda mais a entrada para a capela onde muito crente deseja ir fazer as suas orações.

Estamos de acordo com a necessidade de outra capela ser construída, mas em quanto isso não for realidade, não há o direito de vedar ao público um direito que lhe pertence. O seu, a seu dono. À Misericórdia o que é da Misericórdia.


in Notícias de Penacova, nº135, ano III, 5 Janeiro 1935


13 maio, 2026

Só em 1953 foi possível um automóvel ir ao Roxo

Vista actual do Roxo

Não imaginam as novas gerações como as nossas aldeias viviam isoladas de algum progresso que, apesar de tudo, ia chegando a Portugal. Até muito tarde as populações não dispunham de água canalizada no domicílio (muitas vezes nem um chafariz existia), de luz eléctrica e de acessibilidades rodoviárias. E não falamos de inícios do século XX. Por exemplo, só há setenta e poucos anos, a estrada para o Roxo permitiu a passagem de um veículo a motor. Reza a história que o primeiro automóvel que foi a esta aldeia (no dia 8 de Novembro de 1953, data da festa anual) foi o do Sr. Franklim, natural do Caneiro e abastado emigrante no Brasil. 

O Notícias de Penacova (28.11.1953) deu conta da “imensa satisfação” com que aquela povoação viu chegar uma camioneta e depois o primeiro automóvel, acontecimento que pouco antes estava “longe dos seus sonhos doirados.” 

Transcrevemos a notícia:

DO RÔXO: OS NOSSOS CAMINHOS

Foi com imensa satisfação que vimos chegar ao nosso querido lugar uma camioneta. Sim, podemos dizê-lo que foi com satisfação, porque nunca se esperava ver nesta terra, tão longe dos seus sonhos doirados, um carro motorizado.

Imagem ilustrativa dos automóveis daquele tempo

Porém, com o auxílio do povo do Roxo e com a ajuda do sr. António Pais Martins, construtor da nossa escola, que aqui vem com a sua camioneta no transporte de materiais, vimos nesta povoação, no dia da nossa festa anual realizada no dia 8 do corrente mês, um automóvel conduzido pelo seu proprietário sr. Franklim Marques Lopes, do vizinho lugar do Caneiro. Este senhor, que foi alvo das maiores atenções por parte do povo roxense, veio ensinar o caminho a outros que porventura estejam com medo de vir até este lugar.

Assim, como o sr. Franklim, outros podem vir para admirar o quanto é maravilhoso este nosso querido cantinho de onde se avista um dos mais deslumbrantes panoramas. Pedimos, por isso, a todos os motoristas que se esforcem por visitar a nossa panorâmica terra, visto que, quando uma camioneta com 6.500 quilos de carga aqui pode conduzir-se, muito melhor o poderá fazer qualquer outro veículo de menos tonelagem. E não perderão o seu tempo porque ficarão encantados com as vistas desta linda serra e satisfeitos com os puríssimos ares que neste alto se respiram.

É com o maior contentamento, pois, que agradecemos aos roxenses que deram, não todos, um dia de trabalho no conserto dos nossos caminhos, e, em especial, ao sr. António Pais Martins que concorreu para o resto das despesas para tão útil melhoramento, embora este fosse para sua utilidade.

NP 28.11.53


12 maio, 2026

As raízes penacovenses da pianista e compositora Leonor Leitão-Cadete

Leonor Leitão-Cadete aos 18 anos, em 1947

Leonor Caldeira Leitão Tavares Cadete (conhecida artisticamente como Leonor Leitão-Cadete) é uma prestigiada pianista, compositora e pedagoga que nasceu em Alpiarça em 4 de Dezembro de 1929, mas tem ligações próximas a Penacova. Sobrinha do Dr. Amílcar Leitão e esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão (que foram donos da Quinta da Ribeira e da Casa da Freira). Curiosamente, em 1950 deu um recital de piano na Casa do Repouso (1), cuja receita reverteu para as obras da Residência Paroquial, então em fase de construção.  Ao longo da sua carreira, destacou-se pelos improvisos ao piano e pelo seu trabalho com coros e em contexto de música sacra. Apesar da sua idade, continua muito activa, inclusivamente nas redes sociais. Ver aqui a sua página no Facebook. Em 2017 a RTP emitiu um tributo a Leonor Cadete (veja AQUI). Trata-se de uma pequena biografia elaborada por Helena Ramos.

Leonor Leitão-Cadete 


Na TV, com Cristina Ferreira, em 2023

Em 2022 no programa televisivo CASA FELIZ

“A sua obra de composição é vasta, em particular os improvisos, sendo de referir o duplo CD de piano, intitulado Imagens da Minha Vida (2003). Tem muitas outras obras para piano, obras orquestrais e algumas para bailado, para além de obras corais e de música sacra. A este propósito são de destacar Fátima Revisitada em Música (Roma Editora -2008) e À Memória do Beato João Paulo II (Paulinas Editora – 2011).

Para além de intérprete e compositora, Leonor Leitão-Cadete foi autora de vários programas na Rádio Televisão Portuguesa, “Os jovens e a música”, “Caixinha de Música” e “Folhas Soltas”, onde se revela o seu talento como pedagoga. Também na RTP realizou 32 programas de improvisação ao piano em directo.

Foi em Alpiarça que começou a leccionar piano aos dezanove anos, a cerca de quarenta alunos, que se apresentavam regularmente em audições públicas. Também em Alpiarça, foi presidente da Pró-Arte, organizando concertos mensais, dando ela própria o concerto inaugural, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, Raul Neves, e do Director do Conservatório Nacional, Ivo Cruz.

Como professora, assumiria, ainda, a Presidência da Comissão Instaladora da Escola de Música do Conservatório Nacional. Fundou e foi Directora do Conservatório Regional de Tomar.

Por convite de Veríssimo Serrão, fez um projecto pioneiro para a criação de uma Escola Superior de Música no Instituto Politécnico de Santarém.

Participou na Estruturação do Ensino Artístico na Educação, nomeada pelo então Secretário de Estado da Reforma Educativa, Carrilho Ribeiro, elaborando um documento onde constavam as linhas fundamentais para o desenvolvimento das Artes em Portugal, dando, ainda, apoio pedagógico àquele gabinete.

Foi também Directora Pedagógica e Artística da Escola de Música Nossa Senhora do Cabo de Linda-a-Velha, Professora Convidada do Curso Superior de Piano do Conservatório Regional de Coimbra, Conselheira da Escola de Música de Santarém.

Isabel Baltazar, 2012 (in https://www.meloteca.com/portfolio-item/leonor-leitao-cadete/ )

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(1) Recital de piano

No dia 31, houve na Casa de Repouso um recital de Piano, dado pela menina Leonor Caldeira Leitão. Trata-se duma artista de nome, filha de Penacova, que já algumas vezes tem estado na Emissora. Foi pena que Penacova em peso, não fosse ouvir uma artista, que faz o que quer nas teclas do piano, ou tocando autores clássicos ou improvisando. Entre os assistentes, vimos e cumprimentamos, o sr. Dr. Amílcar Coimbra Leitão, notário em Santarém, e sua esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão, tios da artista; o Dr. Augusto C. Leitão; o Dr. Joaquim C. Leitão e o sr. Oliveira Cabral e sua esposa D. Estefânia Cabreira. O produto do recital 425$00, reverteu a favor da residência Paroquial. 

In Notícias de Penacova, 9 Set 1950

09 maio, 2026

Do castelo de Penacova, nada?

Silhueta do actual cruzeiro. Contexto ficcionado.

Encontram-se por esse Portugal além numerosos restos de famosos castelos mais ou menos gloriosos na história portuguesa. Do castelo de Penacova, nada. Restara dele unicamente o nome, mais nada.

Era meu pensamento que os materiais dele deveriam ter sido incorporados na alvenaria da capela da Senhora da Guia e nas paredes do cemitério que durante séculos esteve a servir de coroa ao lindo e interessante cone hoje plantado de oliveiras até quase ao cimo.

Um dia porém comecei a olhar mais atentamente para a base do Cruzeiro do fundo da vila e quando notei que cada pedra tinha a sua sigla e que aquelas que a não apresentavam exteriormente é porque voltadas para o interior estavam escondidas na alvenaria, fiquei então convencido que estavam ali finalmente ao menos algumas das venerandas relíquias do castelo de Penacova.

Esse pensamento cheguei  a comunicar ao sr. Professor Nunes numas das tardes em que ali nos encontramos e em que chamei a sua atenção para as siglas.

Quando no domingo passado, o notável arqueólogo P.e António Nogueira Gonçalves, conservador do Museu Machado de Castro, esteve nesta terra, a fazer o inventário dos monumentos e objectos artísticos do distrito de Coimbra, ao passar por ali, e deitando os olhos para aquelas  pedras reconheceu-as logo. Eram os restos do antigo castelo. 

Senti uma enorme alegria por ouvir a confirmação do mestre. E aquilo que eu estava para afirmar com certo receio, venho agora apontá-lo ao respeito dos penacovenses, porque o mestre falou. Não há engano.

Outras pedras certamente do mesmo castelo roqueiro* se encontram ao cimo da ladeira da fonte e talvez os próprios degraus da estrada para peões que passando em fronte da casa do sr. António Cabral leva à dita fonte da Costa do Sol.

Esta pedra lavrada deve ter descido da serra da Atalhada, porque é idêntica àquela com que se fazem as mós para a farinha de segunda, bem como as galgas e pesos para os lagares destas redondezas. É a novidade histórica que hoje trazemos à curiosidade de quantos ainda amam e veneram os elementos que nos legou a tradição dos séculos. Um fragmentozinho da história de Penacova.

MANUEL DO FREIXO

Notícias de Penacova, 25 Set 1958

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*NR: Castelos roqueiros: estruturas amuralhadas defensivas surgidas em Portugal, em zonas dominantes e habitualmente rochosas, construídos por iniciativa das populações para defesa da ameaça constante do inimigo. Sem poder central definido, serviam por isso como refúgio dos povoadores.

VEJA  OUTROS TEXTOS SOBRE O CASTELO neste blogue, pesquisando "castelo"

08 maio, 2026

"Os barqueiros da minha terra"

 


Festa do Barqueiro (Miro) - 2015


OS BARQUEIROS


Quando das janelas do altaneiro Seminário de Coimbra, (...) eu via passar, ao lado do Laranjal, ou lá em cima, em frente da Lapa dos Esteios, os barqueiros do meu concelho, lá bem mais perto da minha aldeia sertaneja, eu consolava-me de os ver e teria vontade de por eles mandar um beijo à minha mãe e um abraço a meu pai...

Habituei-me pois desde pequeno a amar os barqueiros da minha terra, como me diziam os meus companheiros de estudo. Mas a minha estima, a minha admiração e simpatia por eles, tem crescido com os anos, e até com o conhecimento cada vez mais perfeito que eu tenho deles se me perguntassem as razões que eu tenho, de boa mente as enumeraria.

São três as mais fortes razões porque respeito, estimo e admiro os barqueiros, nomeadamente os barqueiros de Penacova. Ao vê-los passar, curvados sobre as suas varas fincadas no fundo do rio, e a extremidade apoiada sobre o coração, com as pernas descobertas, tostadas pela aragem fria, retesadas nos bordos da barca a impulsionarem-na contra a corrente da água, na direcção da sua terra, lembro-me dos nossos argonautas de quinhentos a accionar os remos e as velas dos galeões das descobertas que tornaram tão grande o nosso Portugal!

Habituei-me a associar no meu pensamento estes denodados lutadores de hoje com os antigos, que lá foram mar em fora, a quem não amedrontaram as lendas do Mar Tenebroso...

Eu respeito e admiro os barqueiros, porque ainda são eles que melhor conservam a sua personalidade e o seu amor à família. Raro perdem o norte à sua casa, aos seus deveres de pais, à sua honra de maridos ou de filhos ou de irmãos.

São os barqueiros de além do rio, que ao domingo, formam uma barreira ao arco cruzeiro da igreja matriz e são os primeiros a receber a saudação do seu pároco, na missa paroquial. Ainda são eles que dão a maior percentagem aos sacramentos da Santa Igreja na quaresma.

- "Quando nós chegamos à curva do rio, na Rebordosa, e vemos a torre da nossa igreja, rezamos ao Santíssimo; e em perigos e trabalhos que passamos é que prometemos servir o Santíssimo». É frequente ouvirmos estas palavras da boca desses rudes trabalhadores do rio quando eles se vão inscrever na lista dos Irmãos.

E não tenho por isso razão para estimar e respeitar os nossos barqueiros do Mondego?


MANUEL DO FREIXO (Padre Manuel Marques)
In Notícias de Penacova , 2 Fev 1946

05 maio, 2026

Estatuto de Utilidade Pública atribuído à Associação Cultural Divo Canto

Na qualidade de associado, recebemos a seguinte comunicação, com a qual nos congratulamos:

"A Associação Cultural Divo Canto, de Penacova, obteve o Estatuto de Utilidade Pública, por Despacho do Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, publicado no Diário da República, em 30/04/2026.

O processo de candidatura foi iniciado em 2024, com a elaboração de um extenso dossier com o resumo da sua atividade nos últimos dez anos, onde se destacam as cerca de 120 atuações musicais, os intercâmbios culturais com mais de 80 grupos e associações e parcerias com 70 entidades públicas, privadas, do setor social, bombeiros e da igreja.

Para a aprovação da candidatura terá contribuído a avaliação feita ao “trabalho de relevante qualidade,” que a Associação Cultural Divo Canto e o seu grupo coral desenvolvem “na área da cultura, na criação musical, no ensino da música e na sua divulgação, quer seja em Portugal ou no estrangeiro, proporcionando experiências impactantes aos seus públicos, contribuindo para o seu prestígio, bem como para a elevação do concelho de Penacova”, referido no parecer favorável da Câmara Municipal de Penacova à atribuição do estatuto de utilidade pública.

Mas também porque “o Coral Divo Canto se assume como um agente cultural que contribui continuada e vincadamente para o desenvolvimento, promoção e enriquecimento cultural e artístico de Penacova, estabelecendo parcerias com diversas entidades públicas e privadas, que contribuem para uma acrescida afirmação e notoriedade pública cultural e regional.”, de acordo com o mesmo parecer;

Ou ainda porque “através dos intercâmbios culturais, o Coral Divo Canto tem trazido a Penacova variados grupos corais, portugueses e estrangeiros, contribuindo também para a valorização do nosso território e para a sua promoção turística”, para continuar a citar o parecer da Câmara Municipal de Penacova.

A Associação Cultural Divo Canto e o seu grupo coral agradecem às mais de 70 entidades, públicas, privadas, do setor social, dos bombeiros e da igreja, que têm colaborado connosco nas mais de 150 atuações musicais nos últimos 12 anos, e aos mais de 80 grupos e associações com quem tivemos intercâmbios culturais, pela sua contribuição na conquista do Estatuto de Utilidade Pública.

Um agradecimento especial para todos os nossos associados e para o público que nos tem acompanhado e apoiado ao longo dos anos."

-- oOo --

O Despacho n.º 5651/2026, (emitido pela Presidência do Conselho de Ministros - Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e publicado no Diário da República n.º 84/2026, Série II de 2026-04-30) atribui o estatuto de utilidade pública à Associação Cultural Divo Canto, que desenvolve a sua atividade no âmbito da cultura, ensino e educação. 


Despacho n.º 5651/2026

Atribuição do estatuto de utilidade pública

A Associação Cultural Divo Canto, pessoa coletiva de direito privado n.º 513382909, constituída por escritura pública de 26 de janeiro de 2015, desenvolve a sua atividade no âmbito da cultura, ensino e educação.

A Associação desenvolve a sua atividade em articulação com entidades da administração local, nomeadamente com o Município de Penacova e com as Juntas de Freguesia de Carvalho, de Lorvão, de Penacova, de Sazes do Lorvão, da União das Freguesias de Friúmes e Paradela, da União das Freguesias de Oliveira do Mondego e Travanca do Mondego e da União das Freguesias de Vila Cova de Alva e Anseriz. A Associação Cultural Divo Canto colabora ainda com diversas entidades privadas.

Verificando que se encontram preenchidos todos os pressupostos e requisitos legais, (…)  atribuo o estatuto de utilidade pública à Associação Cultural Divo Canto, nos termos da Lei-Quadro do Estatuto de Utilidade Pública, aprovada pela Lei n.º 36/2021, de 14 de junho. Nos termos do n.º 1 do artigo 18.º daquela lei-quadro, o estatuto de utilidade pública é atribuído pelo prazo de dez anos a partir da publicação deste despacho.

24 de abril de 2026. - O Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Tiago Meneses Moutinho Macieirinha.

-- oOo --

O Estatuto de Utilidade Pública é um reconhecimento oficial dado pelo Estado a pessoas coletivas privadas sem fins lucrativos (como associações ou fundações) que cooperam com a administração central ou local para fins de interesse comum.

Principais Benefícios e Utilidades:

Vantagens Fiscais e Mecenato: Acesso a isenções de impostos e atração de financiamento, pois pessoas/empresas podem deduzir donativos no IRS/IRC.

Apoios Financeiros Públicos: Aptidão para receber subsídios, subvenções e celebrar convénios com a administração central ou local.

Reconhecimento e Credibilidade: Prestígio institucional ao ser reconhecida como entidade que persegue fins de interesse geral.

Uso da Menção EUP: Direito a utilizar a designação "Pessoa Coletiva com Estatuto de Utilidade Pública" ou "EUP".

04 maio, 2026

Cemitério da Eirinha veio substituir o "quintalejo indecente", a "nesga de terra murada" do Monte da Sª da Guia

                                          Cemitério da eirinha actualmente 

Em 1902,  A Folha de Penacova fazia referência à urgente necessidade de concluir as obras do novo cemitério. O velho cemitério da Sr.ª da Guia, além de pequeno, apresentava "tristes e desgraçadas condições". A Câmara em sessão extraordinária deliberou continuar com as obras na Eirinha. 

"A câmara municipal deste concelho reuniu em sessão extraordinária no dia dois deste mês. Alguma coisa de anormal e urgente fez sair do rotineiríssimo preceito das sessõezinhas aos sábados, só de oito em oito dias, a actual vereação, que tem homens metódicos como aqueles que o são. Certamente que sim. Tal reunião teve por fim deliberar sobre duas coisas de extrema necessidade. Uma de essas coisas é a continuação das obras do novo cemitério desta vila. A outra é a reparação de algumas ruas não só de Penacova mas ainda de Lorvão, S. Pedro d'Alva e Paradela da Cortiça.

A continuação das obras do novo cemitério desta vila é uma necessidade que se impõe a tudo mais. Todos sabemos em que tristes e desgraçadas condições se encontra o antigo cemitério, essa nesga de terra murada, esse quintalejo indecente, que mais se assemelha a uma estrumeira que a um cemitério. 

É uma vergonha. 

Aquilo que ali está, está ali a indicar aos que visitam esta terra a grande falta de respeito que aqui há pelos mortos. 

Simplesmente vergonhoso.

Ora, nesta o noutras mais coisas locais, parece efectivamente que não passou por Penacova o século XIX, o século des luzes.

Penacova, porém, e quem sabe se por qualquer influência do seu nome fatídico, ficou de pé na cova, muda e extática, ante o desenrolar grandioso desse século que se assinalou brilhantemente por manifestações superiores do saber humano e não menos pela compreensão dos deveres sociais ou psíquicos, continuando ainda hoje a comunicar-se com Coimbra por intermédio do um traço de união que se chama as diligências do Albino!...

É tempo de despertar. O extraordinário da sessão extraordinária com que a câmara municipal reuniu no dia dois deste mês, já representa alguma coisa, mas ainda não é tudo.  Mãos à obra."

A FOLHA DE PENACOVA 

24 de Abril de 1902






Crónicas do Avô Luís (10) - Aprender nos Museus: O Museu Vitorino Nemésio


Penso ser difícil alguém não conhecer Vitorino Nemésio. Açoriano, nascido na Praia da Vitória, Ilha Terceira (poeta, ensaísta, romancista, cronista) académico que deu aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Enquanto Escritor, realça-se pela Obra Mau Tempo no Canal, onde retrata o espaço geográfico entre as Ilhas do Pico e do Faial e as suas vicissitudes.

E ligado a Penacova escreveu: Viagens ao Pé da Porta; Retrato do Semeador e partes do Guia de Portugal.

Nasceu em 1901 e faleceu em 1978.

Numa época da sua vida, Vitorino Nemésio apaixonou-se por Penacova, a minha Terra, e adquiriu ali um Moinho, na Portela de Oliveira, moinho esse onde hoje (com adaptações) se situa o Moinho Museu Vitorino Nemésio!

Enquanto proprietário do Moinho, o Intelectual inspirou-se, sendo-lhe atribuída a mensagem de que: “Em Penacova o vento moveu mós e mentes”!

Que moveu as mós, nós sabemos, mas as mentes, naquele tempo, nem mudavam muito, nem pouco: faziam o que lhes ordenavam de Lisboa!

Ao que consta, inspirava-se no recato amplo da paisagem da Portela de Oliveira, para escrever! A Portela de Oliveira (que tem uma fabulosa vista) é um ex-libris local -que começou a ficar bem composto, mas que ainda está por explorar- que tem capacidades enormes para fazer, por exemplo, um Festival anual de referência…

Após a sua morte, muito se deve ao ex-Presidente da Câmara Municipal (O Médico Dr. Leitão Couto) que, como pioneiro na matéria, deu ação à valorização do Património Local (até Nacional) do conjunto dos Moinhos, incluindo os de Penacova -que, para além dos da Portela de Oliveira e de Paradela de Lorvão, tem, ainda, os de Gavinhos e Arroteia e das Serras da Atalhada, Aveleira e Roxo!

Como disse um visitante: “… A zona envolvente é top. Com moinhos recuperados, alguns de alojamento local, percursos pedestres e paisagens espectaculares”. Ou outro: “… dotado de uma vista de 360 graus de tirar o fôlego e de um museu todo ele renovado aos tons do modernismo, torna-se facilmente uma experiência aliciante.”

No seu interior o Museu dá acesso a todas as peças de todos os tipos de Moinhos e das fainas conexas, bem como às suas legendas e explicações de como as peças encaixam na análise histórica da evolução alimentar.

Existe em permanência - no horário normal - um(a) Guia que explica tudo o que é necessário saber.

Os moinhos em geral - e os de Penacova em particular - estão muito ligados “ao ciclo do pão” uma vez que eram as suas pesadas mós que produziam a farinha, esmagando os grãos da aveia, da cevada, do trigo e do milho.

O que, nestes locais de vida pobre, eram fundamentais para matar a fome.

Estive na inauguração deste Moinho/Museu ou Museu/Moinho, como queiramos, no dia 25 de Fevereiro de 2016 - sendo Presidente do Município Humberto Oliveira, que me convidou - tendo aí conhecido o meu Amigo David Almeida, Director do Blogue Penacova OnLine, onde hoje são publicadas as Crónicas do Avô Luís e outros textos que ele ilustra de modo exemplar.

E quero salientar, aqui, que a museologia portuguesa tem uma certa tendência para empolar as situações, incluindo as locais: grandes obras; grandes somas de dinheiros envolvidas; grandes -por vezes insustentáveis- manutenções, nalguns casos, até, sem existência dos respectivos planos, para não se “assustarem” os orçamentos, como me dizem amigos expert’s em museologia, por exemplo referindo os meios promotores das acessibilidades que, se bem repararmos, se encontram cheios de ferrugens, ou inoperacionais, quando existem.

Daí salientar a simplicidade culta deste Museu icónico, que se “encaixa” em absoluto com o nosso passado, não tão distante assim.

Por isso Vos peço:

- levem as Crianças a este Museu Vitorino Nemésio. Visitem uma das Terras mais belas de Portugal: Penacova. Se não optarem por tomar a refeição num dos Restaurantes locais - o que recomendaria - levem um lanche e passem por cá um dia, uma manhã ou uma tarde feliz!

A Portela de Oliveira está inserida no espaço técnico/tático da Batalha do Bussaco, aquando das 3as Invasões Francesas (Ou Guerra Peninsular).

O que me leva a deambular, poetando, se me permitem:


A PORTELA


É de “Oliveira” por algum motivo

Fica na Beira, num lugar cativo

De beleza natural e sem igual…


Tem Moinhos (muitos)

Velas a rodar

Mós a circular


E tem um Museu

Que ensina História

Esquecida no Tempo


Num local de paisagem

estonteante

Num cimo de Serra bela

Que faz o Ser pensante


O que terá dito, na pena, a Napoleão

O seu Marechal Massena

Aquando da invasão?


Ter-lhe-à feito parar o coração?


E terá sido essa simples distração

(A olhar pra paisagem ali à mão)

Que pôs os Franceses a andarem

De St António do Cântaro para fora

Serra acima e Serra abaixo

Para, em Guerra, não mais voltarem?


Luís Pais Amante

Casa Azul


03 maio, 2026

Os Reparos de Vasco Vizeu (1946) e o velho Coreto do Terreiro


REPAROS *

"Sobre o nosso Largo do Terreiro, de que falei no meu último «rabisco», muito há ali a fazer para que tudo fique nos seus lugares arrumadinho com aspecto de quem sabe ter a sua casa em ordem, aprazível, atraente, pois que além de ser a entrada principal da nossa linda vila, é, como já se disse, a nossa sala de visitas, o nosso salão de festas, o nosso jardim de verão e inverno, o ponto obrigatório de reunião; é ali que estão as nossas Câmaras (velha e nova), todas as repartições públicas, o correio, algum comércio, pensões e o único café que possuímos e que por sinal melhorou ultimamente bastante com a transformação que sofreu, ficando comum bom aspecto moderno, mais amplo, asseado e que, para compensação do seu arrendatário, tem tido farta concorrência não só dos nossos hóspedes aristas como pelos naturais; e ainda bem, porque assim, e a seu tempo, pode melhorar muito mais, como sei ser essa a boa intenção do seu explorador.

Existe no referido Terreiro o coreto da nossa música, a colectividade mais velha da nossa terra e que só pela sua velhice ela nos impõe um certo respeito e gratidão mas também porque hoje faz parte da benemérita associação dos Bombeiros Voluntários Penacovenses, colectividade de que muito podem esperar, se todos nós olharmos para ela com amor e carinho que bem merece. 

Pois esse coreto, apesar de não ser obra de arte, e de, valha a verdade, estar em regular estado de conservação, e de ser absolutamente preciso, 𝖉𝖊𝖛𝖊 𝖉𝖊𝖘𝖆𝖕𝖆𝖗𝖊𝖈𝖊𝖗 𝖉𝖊 𝖔𝖓𝖉𝖊 𝖊𝖘𝖙á. Se alguma vez ali ficou bem, hoje, de forma alguma o está, porque além de afogar a bifurcação do Largo com o ramal que vai para Santo António, corta a meio aquele bocadinho de Avenida que, da nova Câmara, segue para cima. No entanto, antes ali que em parte nenhuma.

Mas onde ficaria bem o coreto? Na verdade é um assunto para pensar maduramente. Eu, sem que ninguém me encomendasse o sermão, mas sim pelo amor à nossa terra, já o visionei em diversos lugares e confesso que só num me parece ficar bem. E por coincidência há até uma árvore (um acer) que ali, um pouco abaixo do meio da Pérgola, está a morrer como a querer dar lugar ao coreto, sem que seja preciso estragar absolutamente nada do que lá existe. Ficaria ali bem e até resguardado dos ventos de Entre Penedos, sempre os mais desagradáveis, e até com a vantagem de se poder dar ali uns festivais com entradas pagas, para fins de Beneficência ou melhoramentos da terra, vedando o jardim da Pérgola.

Também se poderia transformar o seu aspecto, aproveitando as colunas e grades e substituindo o telhado por uma forma de caramanchão moderno e no sentido da ramada da Pérgola, que, com trepadeiras, roseiras e outras plantas próprias para cobertura, formaria como que um lindo bouquet de flores. E não julguem que isto ficaria muito dispendioso, porque aproveitando todos os materiais do coreto, o dispêndio é relativo, compensando bem o benefício que fazia ao nosso Largo do Terreiro.

VASCO VIZEU 

Notícias de Penacova, 1946

_______________________

* Escrevia o Notícias de Penacova em 1946: "Reparos" - Costumam ser lidos com bastante interesse e atenção os artigos publicados neste semanário, sob a designação genérica «Reparos», da autoria do sr. Vasco Vizeu, a quem, por isso, enviamos os nossos cumprimentos.

* sugerimos, igualmente, a leitura deste "post" sobre o Terreiro.


29 abril, 2026

Notas para a história do Memorial aos Soldados Mortos na 1ª Grande Guerra


MEMORIAL INAUGURADO EM 29 DE JULHO DE 1934

Sempre terá chamado a atenção dos penacovenses e daqueles que nos visitam o Memorial que se encontra ao fundo da Pérgola Raúl Lino. Pintada recentemente  a parede ao redor, em tonalidade ocre,  o bloco  que serve de suporte à inscrição, continua, no entanto, a reclamar algum restauro, problema para o qual já em 1999 Martins da Costa alertou, numa das suas crónicas no Jornal de Penacova. Para este pintor, esta é, aliás "uma das peças artísticas mais bonitas que a vila possui".  E acrescentava o Mestre: "Ao chamarmos a atenção dos penacovenses, que superintendem na autarquia, para este monumento, queremos fazer aqui uma chamada de atenção para e seu estado, actual e futuro, de conservação. É que o monumento foi construído em pedra que, pelo seu grau de fragilidade, pode de um momento para o outro sofrer ruína irreparável (o que em parte já está a acontecer)." 

Este memorial padece de um lapso que nunca foi corrigido: Manuel Alves, soldado que serviu em França, não tombou, felizmente, em combate, ao contrário do que se possa pensar, ao ver ali o seu nome. Quem de facto morreu, quando prestava serviço militar na mesma época, em Moçambique, foi o seu irmão António Alves, cujo nome não figura na lista de combatentes gravada na pedra. Sobre este equívoco, Óscar Trindade, neto de um dos visados, publicou há dias na sua página do Facebook uma interessante poesia. (1)

Mas passemos ao relato da inauguração do memorial. Não estando datado, muito poucas pessoas saberão que foi descerrado no dia 29 de Julho de 1934, no mesmo dia da inauguração do Preventório e do Hospital da Misericórdia.

A imprensa local e regional registou aquele dia memorável. O Notícias de Penacova  anunciou o evento ,alguns dias antes, nos seguintes termos:

"No dia 29 do corrente, nesta vila de Penacova - poiso de êxtase e paragem de sonho, altar de maravilhas que nos descobre uma das mais surpreendentes belezas da terra portuguesa terá lugar a inauguração oficial:

Da lápide que contém os nomes gloriosos dos MORTOS da Grande Guerra, naturais do concelho, o nome saudosíssimo e por toda a vida imensamente querido, de aquele que foi dos maiores e melhores amigos da sua terra, militar valente - o grande aviador SANTOS LEITE;

Do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Penacova;

Do abastecimento de água a esta vila e do fornecimento de energia eléctrica para iluminação pública e particular.

Nos Paços do Concelho, na sala do Julgado Municipal, haverá sessão solene, de boas-vindas às entidades oficiais que se dignarem visitar-nos, e será conferida posse á Comissão Política da UNIÃO NACIONAL, ultimamente proposta e nomeada.

A recepção terá lugar no largo Dr. Alberto Leitão, pelas 15 horas, seguindo-se imediatamente a sessão solene a que se faz referência; depois a inauguração da lápide na presença de um representante da heroica plêiade dos Combatentes, e finda esta, nas salas do Casino de Penacova, será servido aos nossos ilustres hóspedes um «Porto de honra».

Seguir-se-á a inauguração do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Penacova.

Para todos estes actos está assegurado o valioso concurso da «Filarmónica Fraternidade Poiarense», que gentilmente se ofereceu à sua congênere de esta vila para, em conjunto, executarem os trechos que estabeleceram e firmaram a sua união e afecto indestrutíveis".

Por sua vez,  A Comarca de Arganil, do dia 31 de Julho, publicou notícia desenvolvida sobre todos aqueles actos solenes, destacando, igualmente,  a "Homenagem aos mortos da Guerra":

"Na frontaria dos Paços do Concelho, realizou-se a seguir - pelas 19 horas - o descerramento da lápida aos mortos da Grande Guerra, cerimonia a que procedeu o sr. Mário Augusto Barbosa dos Santos Leite, aluno do Colégio Militar e filho do saudoso aviador Santos Leite, natural daquele concelho.

Discursou o sr. capitão Cunha Oliveira, presidente da agência da L. C. G. G (Liga dos Combatentes da Grande Guerra ) que produziu algumas palavras de saudade pelos valorosos soldados que tombaram para sempre no campo da honra e do dever, devendo ser recordados como mártires de um ideal de Justiça, no qual, sacrificando-se, evidenciaram as belas virtudes que constituem a alma da Raça. Em palavras bem sentidas, evoca a memória do saudoso e valoroso militar José Barbosa dos Santos Leite, pedindo um minuto de silêncio pela sua alma, o que foi religiosamente respeitado.

O sr. tenente Fernando Oliveira Leite exaltou os sentimentos patrióticos do exército português, frisando que, da hecatombe que tanto mal causou e para que seguiu no cumprimento do dever, nem todos os soldados voltaram, prestando assim a sua homenagem aos que tombaram no campo da batalha.

Digna é de aplauso - diz a câmara daquele concelho, por ter prestado tão justa homenagem, e termina por se referir também à memória do major Santos Leite, espirito arrojado e amigo do seu amigo, que andou na guerra e onde saiu ferido, vindo a encontrar a morte num estúpido desastre.

Como representantes da agência, em Coimbra, da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, compareceram os oradores antecedentes e ainda os srs. Alferes Antônio Leitão e sargento António Bravo, chefe da secretaria daquela corporação, fazendo-se acompanhar do respectivo estandarte.

A lápide tem inscritos os seguintes nomes de soldados mortos na guerra:

Eduardo Pereira Vizeu, de Penacova; João dos Santos, da Carvoeira; António Couceiro, da Ronqueira; Alípio da Cruz, de Riba de Baixo; Domingos Serafim Henriques, de Carregal; António Carvalho, da Rebordosa; Daniel Alves, da Aveleira; Artur Branco e Manuel da Costa, de Cácemes, e Manuel Alves, de Palheiros.

E, destacada, a seguinte inscrição:

Azas gloriosas de Portugal, que tombaram para sempre numa hora fatal do dia 30-11-28 - Major Santos Leite, militar valoroso, penacovense ilustre, amigo dos maiores da sua terra.

_____

(1) 

Elegia aos Dois Irmãos

Ó pedra antiga, fiel guardiã,
dos nomes que o tempo quis lembrar,
por que trocaste, em frio engano,
quem partiu de quem soube voltar?

 

Não foi Manuel Alves, soldado valente,

nas terras de França a combater,

que a morte levou na Grande Guerra —

esse voltou para viver.

 

Também António vestiu a farda,

também à Pátria soube servir;

mas foi nas águas de Moçambique,

na praia da Beira, que o viste partir.

 

Ali, sem glória de campo de batalha,

sem clarim nem voz a anunciar,

foi o mar quem selou o destino

do soldado que não pôde regressar.

 

E contudo, aqui jaz gravado

o nome do que à terra voltou,

enquanto o outro, digno e ausente,

no esquecimento se perdeu.

 

Ó memória, levanta-te firme,

corrige a pedra, desfaz o engano:

dá ao vivo o lugar dos vivos,

e ao morto, enfim, repouso humano.

 

Que a verdade floresça no tempo,

como flor que insiste em nascer —

pois só na justiça do nome

a honra dos dois pode viver. 

 

Óscar Trindade

EM MEMÓRIA DO MEU AVÔ E TIO AVÔ - Soldados na Grande Guerra



26 abril, 2026

Opinião: Serviço Nacional de Saúde é humildade e dedicação




Estive na inauguração das actuações de requalificação levadas a efeito no Centro de Saúde de Penacova.

Esteve presente a Senhora Ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Como as pessoas se recordarão, eu fui muito, muito crítico das intervenções em saúde que os Governos anteriores levaram a efeito, muito especificamente sobre aquelas catadupas de alterações estruturais que, efectivamente, o que pretenderam foi retirar responsabilidades aos Ministros…

E, igualmente, fui muito crítico relativamente a uma ministra em particular, Marta Temido.

Cujo impacto das ineficiências arrogantes estão em apreciação, na sede própria, nomeadamente sobre a questão das vacinas e dos tempos da pandemia.

Penso conhecer relativamente bem a problemática da saúde em Portugal: com um aumento significativo da esperança de vida (que já analisei aqui); com a modificação objectiva (e bem) dos anseios de uma vida diferente, por parte dos novos Profissionais de Saúde e com a pressão significativa do sector privado da saúde, que se enquadra na legitimidade da estrutura concorrencial do nosso Estado de Direito e que tem adesão de mais de 4.000.000 de portugueses beneficiários de seguros de saúde.

Governos que tiveram condições para tratar bem o SNS, os Utentes, as Intalações e os Profissionais, preferiram não o fazer, por estratégia política -e pessoal dos Responsáveis- que agora se encontram “no bem bom dos cargos europeus de conforto”!

Convenceram-se que o Povo ia suportar o que queriam fazer, só por se arrogarem “donos do SNS”…

Mas enganaram-se!

O Povo que admitiam ter cativo percebeu que criar estruturas atrás de estruturas -para colocação sucessiva de afilhados- e a não resolução dos pontos de que acima falei, só podia fazer colapsar o SNS, e correu com eles.

Entrou em cena a Senhora Ministra actual (a que esteve em Penacova, hoje), que tem sido muito criticada por aqueles que levaram o SNS ao ponto em que ele está, como reconhecem Políticos com conhecimentos específicos (alguns ex-ministros da mesma cor política).

As apreciações dos desempenhos políticos devem ser feitos no “tempo da prestação de contas”.

E, até agora, devagarinho, a Senhora Ministra tem vindo a ultrapassar as situações, surpreendentemente, com uma humildade extremamente “fora da caixa ministeriável!

Claro que o terreno continua minado; claro que lhe têm pregado algumas rasteiras; claro que tem falhado nalgumas estratégias.

Mas importa realçar que a tal postura humilde (até serena) que eu hoje constatei (junta a uma simpatia extraordinária, a um FairPlay não usado nas nossas estruturas de Poder e a uma afabilidade natural) indicia que a Senhora Ministra está bem ciente das obrigações que tem e, sobretudo, ciente de que os Utentes e os Profissionais precisam de Pessoas, mesmo de pessoas humildes…

!… Tudo isto porque lhe é reconhecida competência para o cargo que exerce …!

Ademais, conformou a sua intervenção à do Presidente Álvaro Coimbra que defendeu exemplarmente o nosso Concelho, como poderão verificar se  ouvirem  atentos ambas as intervenções. 

Luís Pais Amante



25 abril, 2026

...e Livres Habitamos a Substância do Tempo...


Esta célebre estrofe  pertence ao poema "25 de Abril" de Sophia de Mello Breyner Andresen, escrito para celebrar a Revolução dos Cravos. O poema descreve a madrugada de 25 de abril de 1974 como "o dia inicial inteiro e limpo", simbolizando a emergência da liberdade e o fim da ditadura. 

Sophia de Mello Breyner Andresen (no livro O Nome das Coisas) evoca o nascimento da democracia, onde a "noite e o silêncio" da censura terminam, permitindo que "livres habitemos a substância do tempo".

Em 2024, a cantora Bárbara Tinoco lançou uma canção com o mesmo título, baseada no poema, em celebração dos 50 anos do 25 de Abril. 

O poema é um ícone da literatura portuguesa de resistência e da liberdade conquistada na Revolução.

“Esta é a madrugada que eu esperava /O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a substância do tempo” Fonte: pesquisa em "Modo IA"

E também um poema de Luís Pais Amante:



24 abril, 2026

Recorte de jornal: Tragédia na Barragem da Aguieira



A Barragem da Aguieira e todo o conjunto de obras complementares (barragens, rodovias, pontes) alterou a vida das pessoas, principalmente do Alto Concelho de Penacova, mexeu com as relações sociais e laborais, gerou expectativas de progresso e de desenvolvimento, deixou memórias, umas felizes, outras muito trágicas. 

Em 1978, quando se construía a Ponte do Chamadouro, morreram 5 trabalhadores. No ano seguinte, 1979, outro trágico acidente ocorreu quando os andaimes de uma das torres (tomadas de água) desabaram provocando a morte de mais 4 operários e ferimentos, alguns graves, em outros doze. Faleceram Manuel Esteves Gouveia, de Lisboa, António Costa Pereira, de Travanca do Mondego, e Manuel Rodrigues e Joaquim Novo, de S. Pedro de Alva. Foi em Março de 1978, mais precisamente no dia 6, à tarde.  A história da construção da barragem da Aguieira fica marcada por outras mortes, como a de 1 jovem da Rebordosa. 

Guardamos ainda o “Diário de Coimbra” de 7 de Março de 1979, que noticia o trágico acidente: 

“Quatro mortos e doze feridos - alguns deles com gravidade, mas já livres de perigo - é o balanço de novo desastre ocorrido ontem à tarde nas obras da Barragem da Aguieira. O desprendimento de um andaime colocado a cerca de noventa (90) metros de altura arrastou atrás de si os dezasseis operários que ali trabalhavam e se viram de um momento para o outro envolvidos numa queda espectacular, estatelando-se no solo uns em cima dos outros à mistura com ferros retorcidos e outro material do andaime desprendido.

«Não sabemos como aquilo aconteceu» - dizia-nos ontem na sala de Raios X dos Hospitais da Universidade um dos acidentados, António Jorge Baltasar - que muito a custo nos deu uma ligeira explicação do acidente. «Estávamos a passar material para baixo e de repente aquilo começou a desandar. Não sei mais nada».

O acidente ocorreu por volta das 16 horas e em Coimbra e na região logo se soube que algures ocorrera grave acidente, já que o alarme das várias ambulâncias perspectivava algo de anormal que fazia interrogar quem o ouvia. Dado o modo como ocorreu, logo se pensou tratar-se de um desastre de gravíssimas consequências, pelo que rapidamente foram accionados todos os meios de socorro disponíveis: nada menos que onze corporações de bombeiros, num total superior a vinte viaturas, incluindo algumas particulares. 

Enquanto umas ambulâncias procediam ao transporte dos feridos para os hospitais mais próximos - Coimbra, Penacova, Santa Comba Dão e Viseu - outros bombeiros empenharam-se no retirar dos feridos envolvidos nos materiais do andaime, para o que foi necessário recorrer à utilização de vários maçaricos. Esta tarefa de socorro foi extremamente dificultada pela natureza do local onde os infelizes operários caíram, pelo que só cerca de uma hora depois do acidente era retirado o último ferido, conduzido a toda a velocidade para o hospital mais próximo. Dos dezasseis sinistrados, três chegaram já mortos ao hospital de Penacova, enquanto que um quarto, conduzido para Coimbra, não viria também a resistir aos ferimentos, sucumbindo pelo caminho."



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SABER + SOBRE A BARRAGEM DA AGUIEIRA


A Barragem da Aguieira foi construída nos anos de 1973 a 1981, tendo como principais objectivos a produção e fornecimento de energia hidroeléctrica, a irrigação agrícola e o controlo de cheias, sobretudo na região do Baixo Mondego. 

E uma barragem do tipo “abobadas múltiplas”, em betão. Possui 3 abóbadas de dupla curvatura e 2 contrafortes centrais que constituem, simultaneamente, dois descarregadores de cheia.  Alem destes descarregadores principais de superfície, apresenta ainda uma descarga de fundo. Entre os dois contrafortes encontra-se a central eléctrica.

Imagens da fase de construção da barragem da Aguieira (Fonte: RTP)

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Veja também AQUI, o Penacova Online de 2008