05 junho, 2026

Barragem da Aguieira é candidata às 𝐍𝐨𝐯𝐚𝐬 𝟕 𝐌𝐚𝐫𝐚𝐯𝐢𝐥𝐡𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥

O anúncio dos 147 finalistas e o início da votação popular teve lugar no dia 29 de Maio, num evento que decorreu no Palácio Nacional de Queluz. 

A Barragem da Aguieira (categoria Grandes Obras*), a Universidade de Coimbra, o Museu Nacional de Conímbriga, em Condeixa-a-Nova, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (Coimbra), o Museu do Azeite – Bobadela (Oliveira do Hospital) e a Mata Nacional do Bussaco são os sete representantes da Região Metropolitana de Coimbra (RM Coimbra-CIM) na lista finalista das  Cada maravilha tem um número de telefone atribuído, sendo cada chamada equivalente a um voto.

"A edição de 2026 assinala o regresso das 7 Maravilhas de Portugal®, vinte anos após a primeira edição, e pretende celebrar a multiplicidade histórica, cultural, arquitetónica e identitária do país. O concurso está organizado em 7 categorias: Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Século XX, Século XXI e Turismo.

As Novas 7 Maravilhas de Portugal®, projeto nacional regressa em 2026 para eleger por voto popular os mais notáveis exemplos do património construído português.

Com o património como tema central, esta nova edição volta a colocar os portugueses no centro da decisão, celebrando a diversidade histórica, cultural e arquitetónica do país.

O desafio e evidenciar o reconhecimento desse património e eleger o que de melhor Portugal tem, enfatizando o património histórico, o património religioso, as grandes obras emblemáticas do desenvolvimento do país, as grandes correntes de arquitetura que atravessam a vivência dos portugueses ate aos dias de hoje e celebrar também algumas das obras que mais contribuem para a riqueza turística do pais, hoje a maior força económica de Portugal.

Portugal caracteriza-se por grandes obras de valor histórico inequívoco, mas também por um progresso que acelerou nas últimas décadas e que se evidencia por exemplos de arquitetura moderna e contemporânea hoje presentes em todo o território nacional. A função prestada por estas obras a sociedade, o seu valor artístico, arquitetonico e cultural serão critérios igualmente a ter em conta neste concurso e nas respetivas candidaturas.

As Novas 7 Maravilhas de Portugal® organizam-se em sete categorias - Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Seculo XX, Seculo XXI e Turismo - assegurando uma leitura transversal e representativa do património construído ao longo dos séculos.

Fonte: Regulamento do Concurso [consultado 22:36 _05/06/2026]

https://7maravilhas.pt/regulamento

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*GRANDES OBRAS

Nesta categoria integram-se os patrimónios classificados ou reconhecidos como obras estruturantes de engenharia e serviço público, concebidas para assegurar a mobilidade, o abastecimento, a energia, a conectividade e o desenvolvimento territorial. São abrangidas infraestruturas de transporte - como pontes, viadutos, túneis, estações ferroviárias, estações fluviais, estações de metro, elevadores, teleféricos, portos e aeroportos – bem como sistemas de energia e barragens. Incluem-se, igualmente, obras que, pela sua dimensão técnica, relevância estratégica ou impacto sócio- económico, contribuíram de forma determinante para a transformação do território, a coesão regional e a melhoria da qualidade de vida das populações.

ver Fonte

SABER +


EXCERTO DE COMUNICAÇÃO DE LUCIANO LOURENÇO, NO IV COLÓQUIO IBÈRICO DE GEOGRAFIA (Coimbra, 22 a 25 de Setembro de 1986

APROVEITAMENTO HIDRÁULICO DO VALE DO MONDEGO

[...] A albufeira da Aguieira, destina-se essencialmente à regularização dos caudais a ela afluentes, ao amortecimento das pontas de cheia e ao armazenamento da água para a rega no Baixo Mondego.

A albufeira das Fronhas serve fundamentalmente para controlar as cheias do rio Alva e para, através de um túnel, permitir desviar as afluências deste rio para a albufeira da Aguieira. A albufeira da Raiva constitui o contra embalse da central reversível de pé de barragem, instalada no escalão da Aguieira.


2.1 - Aproveitamento hidroeléctrico da Aguieira

FONTE: DIÁRIO AS BEIRAS

A barragem da Aguieira localiza-se a cerca de 35 km a montante de Coimbra. Possui 89 m (2) de altura máxima acima das fundações e cerca de 400 m de desenvolvimento total no coroamento, situado à cota 126,65, que comporta uma via rodoviária com sete metros de faixa de rodagem e respectivos passeios.

 Cria uma albufeira que inunda uma área de 2 000 ha e tem capacidade para 450 milhões de metros cúbicos, dos quais 243 constituem volume útil. Entre as cotas 117,50 e 126,00 comporta 150 milhões de metros cúbicos, volume com que se domina completamente a cheia centenária (tem a ponta a 2 500 m3/s), com a descarga máxima de 600 m3/s e a cheia milenária (ponta a 3 500 m3/s), com a descarga máxima de 200 m3/s.

Para ser possível dominar as cheias, a água deve manter-se na albufeira, de Inverno, à cota de 117,5. Nos meses de Abril e Maio, pode encher-se até à cota 125,0, atingindo-se a cota máxima de 126,0 nos meses de Junho, Julho e Agosto. Esta curva de segurança contra cheias, termina baixando até meados dOutubro para a cota 125,0 e, a partir desta altura, progressivamente, até à cota 117,5.

A barragem foi construída no período compreendido entre 1972 e 1982. É do tipo de abóbadas múltiplas e compõem-se de três abóbadas de dupla curvatura - a central com 90 m de vão - apoiadas nas margens e em dois contrafortes localizados no leito do rio. A espessura mínima da abóbada é de 4,5 m, no fecho e a máxima é de 8 m, na base. Sobre eles estão instalados dois descarregadores de cheias com a capacidade de vazão de 1 000 m3/s cada. A descarga faz-se por meio de saltos de ski de jacto, orientando para o centro do rio.

Além destes dois descarregadores principais de superfície, existe uma descarga de fundo cuja capacidade de vazão é de 180 m3/s.

A central, do tipo pé de barragem, ocupa parte do espaço delimitado pela abóbada central e pelos contrafortes, tem a fundação a mais de 30 m abaixo do leito do rio e está equipada com três grupos reversíveis. Em turbinamento, a potência máxima fornecida pela central, para as cotas normais de exploração de albufeira, é da ordem dos 270 MW, a que corresponde um caudal de cerca de 450 m3/s. Com a albufeira à cota máxima (126,0) a potência máxima poderá atnigir os 321 MW com o caudal turbinado de 525 m3/s.

O funcionamento reversível destes grupos permite bombar para a barragem da Aguieira, do embalse criado pela barragem da Raiva, um caudal médio de cerca de 3× 140 m3/s, absorvendo cada motor uma potência de aproximadamente 94 MW. Não considerando a bombagem, a energia produtível em ano médio, na Aguieira, ronda os 260 GWh.

Nas áreas inundadas pela albufeira submergiram algumas povoações e pontes. Entre elas destacam-se a povoação de Foz Dão, na confluência deste rio com o Mondego e as pontes sobre o rio Mondego, junto daquela localidade, e sobre o rio Criz, afluente do Dão entre Santa Comba Dão e Mortágua.

Outras povoações que ficaram submersas foram: Breda, Senhor da Ribeira, Alambique e Barca de Asnabrava, totalizando 105 habitações e 315 desalojados.

Modificações sensíveis sofreu também a rede rodoviária. Construíram-se 10 pontes e 27,5 km de novas estradas. Protegeram-se, ainda, alguns troços das vias férreas da Beira Alta e do Dão.

Alterações climáticas são também já perceptíveis, nomeadamente o aumento da humidade do ar e parecem ter como consequência, entre outras, a diminuição da graduação do teor alcoólico do vinho produzido na região, mas que estudos concretos ainda não permitiram confirmar.

Por outro lado as novas potencialidades criadas pela albufeira, levaram ao despertar do turismo na região, que rapidamente projectou a criação de unidades hoteleiras, destinadas ao alojamento dos amantes de desportos aquáticos (motonáutica, vela, regatas, «wind-surf» ... ).

(2) Os valores e outras características técnicas referentes aos aproveitamentos hidroeléctricos foram gentilmente cedidos pelo Eng.° Edgar Fritz Dolgner. Director da Barragem da Aguieira, a quem expressamos o nosso agradecimento.


2.2. Aproveitamento hidroeléctrico da Raiva

Situa-se dez quilómetros a jusante da Aguieira e destina-se à criação do embalse para a bombagem da água turbinada na Agueira e, ainda, a modular os caudais a fornecer para a rega a jusante.

A barragem, do tipo gravidade, tem uma altura de 34 m acima das fundações e pode inundar uma área de 230 ha. A albufeira tem a capacidade total de 24 milhões de metros cúbicos, dos quais 13 milhões constituem volume útil, tanto para o turbinamento dos grupos da Raiva como para a bombagem dosgrupos da Aguieira (fig. 3).

Este aproveitamento foi construído de 1975 a 1982 e comporta uma barragem com dois descarregadores de superfície, capazes de descarregar um caudal de 2 × 1000 m3/s, com a albufeira à cota de 60,0. Possui ainda uma comporta de fundo capaz de descarregar um caudal máximo de 47 m3/s.

Incorporada na barragem encontra-se uma central com dois grupos bolbo, com uma potência total de 26 MVA, para um caudal turbinado de 160 m3/s. A energia potencial, em ano médio, deverá ser aproximadamente de 50 GWh.

Estas obras (Aguieira-Raiva) ocuparam cerca de 1400 trabalhadores, 200 dos quais pertencentes aos quadros da EDP.  Actualmente, no referente à produção de energia estão ocupados cerca de 90 postos de trabalho.

2.3. Barragem e túnel das Fronhas

A barragem das Fronhas, no rio Alva, e o túnel de derivação Fronhas /Aguieira contribuem para a regularização das cheias daquele afluente da margem esquerda, que tinham um peso significativo nas cheias do Mondego e para aumentar em cerca de 310 milhões de metros cúbicos as afluências, em ano médio, à albufeira da Aguieira, levando a um acréscimo de produção de energia eléctrica, nos aproveitamentos hidroeléctricos da Aguieira e a Raiva, de cerca de 50 GWh, também em ano médio.

A barragem rígida, de betão, de uma abóbada de dupla curvatura com directriz parabólica e encontros de gravidade nas margens, tem uma altura máxima acima da fundação de 62 metros. O coroamento desenvolve-se por 250 m à cota de 140. As espessuras máxima e mínima no fecho, são respectivamente de 9 e 4 metros. A espessura máxima é de 15,47 metros.

Está equipada com duas descargas de fundo e duas de meio fundo, com uma capacidade total de vazão de 500 m3/s. A capacidade total da albufeira é de 89 milhões de metros cúbicos.

O túnel de derivação Fronhas-Aguieira, tem um comprimento total de 8200 m. As cotas de galerias são: na boca de entrada (Fronhas), 117 m e, na boca de saída (Aguieira), 112 m." [...]

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Sabia que também existe um DIA DAS BARRAGENS?

“Locais únicos na Região de Coimbra”: o Guia onde Penacova não podia faltar...


A Comunidade Intermunicipal - Região de Coimbra publicou em Março de 2025 o Guia “Locais únicos na Região de Coimbra”. Com uma tiragem de 5000 exemplares, pode também ser consultado AQUI. Relativamente ao nosso concelho, são apresentados os seguintes “temas”: Alecrim e Alfazema / p.125; Mondego de caiaque / p.126; À vela na serra / p.127; Moer o grão para cozer o pão /p. 128; Bussaco virtual / p.129 e Livraria do Mondego / p.130.

Refere o texto introdutório:

“A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM Região de Coimbra) reúne 19 municípios da Região Centro de Portugal, que é a herdeira natural da histórica província das Beiras e da Beira Litoral, sua sucedânea.

Estes 19 municípios revelam grande diversidade sociocultural e geomorfológica, entretecendo graciosamente urbanidade e paisagem, ambientes modernos e cenários de ruralidade, cultura erudita e tradições populares, ritualidades espirituais e costumes profanos, numa notável matriz territorial que mostra uma identidade plural e multifacetada, com múltiplas camadas a descobrir pelo  visitante.

Esta região ecoa séculos de intercâmbios de ideias e influências das várias civilizações que por aqui andaram, na constante migração natural humana, desde a presença castreja à civilização romana, do aflorar da Nacionalidade portuguesa até ao culminar da modernidade. A esta grande riqueza civilizacional junta-se a grande diversidade geográfica do território. É possivel alternar entre montanhas, planicies e o oceano, com grande variedade paisagística entre serranias, florestas, vastas áreas agricolas, dinâmicas cidades e areais banhados pelo mar.

As serras do Açor, da Estrela e da Lousã, a nascente da região, zonas de transição para o interior do país, estão cobertas de florestas e pontilhadas de rochedos bravios, onde Aldeias do Xisto, Aldeias Históricas de Portugal e Aldeias de Montanha contam histórias sobre modos de vida ancestrais e longos trilhos adentram pelas densas florestas.

A bacia hidrográfica do Rio Mondego, o maior rio que nasce e desagua em Portugal, modelou férteis planícies de aluvião, aproveitadas para a produção agrícola, como para a rizicultura em diversos concelhos do Baixo Mondego, ou para a produção de sal marinho ao chegar ao estuário. Delimitando o território a poente, o rio desagua no Atlântico e as praias alimentam a economia turística.

A riqueza patrimonial da região leva a que algumas destas joias permaneçam discretas, aguardando um olhar atento e curioso.

Este guia pretende revelar114 desses locais e experiências únicas, proporcionando um percurso alternativo e mais profundo pelo território. O desafio é ir além dos circuitos turísticos convencionais, descobrir o ÚNICO, num contacto mais direto com a identidade local e singular do território.

O guia organiza as propostas de visita de acordo com diferentes categorias, agrupando as entradas nos tópicos Natural, Espiritual, Patrimonial, Participar e Outros, permitindo ao visitante estruturar o seu percurso conforme os seus interesses. O tópico Natural refere-se a locais naturais, de interesse ambiental ou geológico; o tópico Espiritual apresenta experiências relacionadas com o sagrado, o religioso e o divino, juntando elementos edificados e experiências religiosas; o tópico Patrimonial refere-se a uma eventual obra do Homem que reúna riqueza patrimonial e monumental; o tópico Participar é um convite para que o visitante faça e experimente atividades únicas da região; e o tópico Outros é utilizado para entradas mais difíceis de categorizar.

Assim, mais do que uma cuidada seleção de lugares, este é um convite para explorar o território da Região de Coimbra com maior profundidade, valorizando a sua autenticidade e diversidade dos Locais Únicos que aqui poderá encontrar.”

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FICHA TÉCNICA 

Propriedade: Comunidade Intermunicipal - Região de Coimbra; Produção: foge comigo! Ana Sousa, Armando Carvalho, Fernando Romão, Miguel Ferreira, Rafael Vieira; Revisão: Diogo Carvalho; Tradução: Maria José Oliveira; Design gráfico e paginação: Rui Henrique TEIXO estúdio-oficina; Ilustração: Hugo Oliveira Impressão: GM-Oficina de Artes Graficas; Tiragem: 5000 exemplares;  ISBN: 978-989-35386-3-0; Depósito legal: 544432/25; 1ª edição: Março 2025 

03 junho, 2026

História(s) que se repete(m)...

Transcrição:

A VOZ DE S. PEDRO DE ALVA | 1928

Não pode ser! Venha um médico

Lavra grande descontentamento no povo desta região pelo facto de não ter sido nomeado, interinamente, um médico para este partido, enquanto estiver de licença o Sr. Dr. José Maria Viegas Pimentel. Juntamos o nosso protesto no dos descontentes, pois não se admite que numa área como a deste partido, se esteja sem médico 15 dias.

Quem necessitar dos seus serviços, ou tem de morrer, ou tem que esperar que vão chamar um a Penacova, Coimbra, Arganil, Tábua ou Santa Comba Dão. Quando o médico, por este processo chegar a casa do doente, já este tem batido a bota ...

Porque é que a Câmara não providenciou a tempo de não faltar médico a substituir o nosso? Nilo deve ser por escassez, pois na sede do concelho há dois activos clínicos e um aposentado.

Esperamos que a Câmara não se demorará a colocar em S. Pedro de Alva um médico enquanto durar a ausência do Sr. Dr. Pimentel.

Ficamos esperando.


U. F. São Pedro de Alva e São Paio de Mondego | 2026

INFORMAÇÃO À POPULAÇÃO:

Não existindo profissionais suficientes para garantir um funcionamento seguro e continuo das extensões de saúde do concelho, à semelhança do ano anterior e durante o período estival, estas irão encerrar de forma rotativa. A extensão de saúde de S. Pedro de Alva encerrará, segundo comunicação da USF de Penacova, nos seguintes períodos: - 15/06/2026 a 19/06/2026; - 20/07/2026 a 31/07/2026

Não pode a autarquia proceder à substituição do pessoal administrativo que se encontra ou de férias ou ausentes por doença, atendendo a que a ULS não permite o acesso às plataformas com as quais opera, de caráter altamente reservado.

A Junta de Freguesia manifesta a sua profunda solidariedade para com toda a população, face à preocupação gerada, reconhecendo a importância deste serviço para o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos. Acompanhamos com apreensão esta situação, que poderá afetar especialmente os mais idosos e os utentes com maior dificuldade de acesso a cuidados médicos. 

Tendo já manifestado o nosso descontentamento junto das entidades competentes, reafirmamos o nosso compromisso em defender os interesses da comunidade, apelando às entidades competentes que procurem soluções que garantam a continuidade dos serviços de saúde de proximidade.

A Junta de Freguesia continua atenta à evolução deste processo, mantendo a população informada

02 junho, 2026

Crónicas do Avô Luís (11): A missão da Juventude


Na Crónica de hoje, vou socorrer-me da voz de um amigo que conheci na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa e me foi apresentado pelo meu Padre/Amigo José Manuel Pereira de Almeida (também Médico).

O Cardeal Patriarca Rui Valério!

Por ocasião da “Benção das Fitas”, na Alameda da Universidade em Lisboa, ele disse:

 - A vós em nome de Portugal digo: Portugal conta convosco!

E, ainda, disse outra coisa interessante:

- A partir de hoje - caros amigos - a vossa vida passa a ser uma missão;

- Não queirais que a vida seja uma competição desenfreada pelo sucesso, mas uma missão!

Eu - que não serei um grande exemplo de Católico (naquela acepção do praticante) - revi-me muito nestas sábias palavras do Rui.

Desde muito cedo que tenho dedicado parte do meu pouco tempo à Juventude e, nesta Crónica, simples, encontra-se um espaço de preocupação, de alerta, de levantamento de problemas reais, de chamada de atenção.

É certo que, muitas vezes, dizem que sou demasiado “contundente”. Mas, na realidade, nunca ninguém disse que baseava a minha análise na mentira.

É a verdade - nua e crua, fria - que me interessa convocar.

Na Verdade, a minha idade - por um lado -, a minha experiência de vida - por outro -, o meu conhecimento acumulado, fazem com que eu direcione para os Jovens muita atenção.

E essa atenção teve início no distante ano de 1972/1973, onde com outros companheiros e companheiras, tomávamos conta de miúdos carenciados e os ensinávamos nos estudos.

Éramos a parte visível de um Movimento de cariz abrangente e matriz católica: A Joaninha.

E éramos jovens felizes num País infeliz e numa terra que lhe seguia as passadas.

Hoje,

Infeliz e até mais acentuadamente, vivemos num País em que a Política é ligeira a pôr a Juventude em competição, quantas vezes fazendo-a esquecer as suas próprias origens…

Sou daqueles que acham que não é preciso atropelar nada, nem ninguém, para se poder ter sucesso.

É preciso é trabalho; muito trabalho!

Correr para o sucesso desenfreado, só cria seres sem interesse por si próprios; seres amorfos na circunstância mais sagrada da Vida: a entrega a um projecto onde sejam os outros os beneficiários, pelo menos, de alguma coisa significativamente visível.

A Missão, vista nesta perspectiva, é aquela meta que a ancestralidade do nosso País merece:

País coeso;

País com dignidade;

País com fraternidade;

País de combate sistemático à desigualdade!

O que, infelizmente, ainda não só não conseguimos alcançar, como tendemos sempre a agravar.

E é por isso, Juventude, que precisamos tanto de Vós!

Agarrem-se à felicidade!

Sintam a vossa utilidade!

Aprendam a desenvolver aquele tipo de criatividade que, no fim do dia, vos faça crer que a vida dos outros (compatriotas) se for melhor, vos traz alegria, vos faz melhores Pessoas e significa realização.

Tudo isso, ainda hoje, faz de mim um Homem realizado…


Luís Pais Amante

30 maio, 2026

10 de Maio de 1963: Ministro das Obras Públicas visita o concelho de Penacova


Em Março passado, Óscar Pereira Trindade brindou-nos, na sua página do Facebook, com uma fotografia a cores, a partir do original a preto e branco, recorrendo à sua perícia nas artes gráficas digitais, onde se vê a Avenida Abel Rodrigues da Costa toda engalanada e repleta de gente, sugerindo algum acontecimento especial na vila. Dado que não estava explícito a que se referia a imagem, os comentários não se fizeram esperar. Para uns, diria respeito à Festa do Corpo de Deus, para outros à Festa da Padroeira, ou mesmo à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Alguém pôs a hipótese de ser a recepção a militares regressados sãos e salvos da Guerra do Ultramar. Perante isso, Óscar Trindade levantou o véu e informou que se tratava da visita de um Ministro em 1963.

Na verdade, no dia 10 de Maio de 1963 o Ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira, visitou o  Penacova. A reportagem em filme (sem som) consta dos arquivos da RTP. O jornal concelhio, na sua edição de 18 de Maio, deu grande destaque às verdadeiras “Horas de Júbilo para o concelho de Penacova”.

É parte das notícias, com o título “BREVE REPORTAGEM”, sobre o evento que a seguir se transcreve. A sua leitura permite-nos recuar 62 anos no tempo e conhecer, de algum modo, não só a ambiência da visita, mas igualmente o vasto leque de obras inauguradas na ocasião. Cremos que vale a pena ler…

“Cerca das 12 horas uma boa representação do concelho de Penacova presidida pelo Sr. Dr. Álvaro Barbosa Ribeiro, acompanhava o Ex. mo Sr. Governador Civil de Coimbra, o Ex.mo Sr. Presidente da Junta da Província da Beira Litoral, Entidades Militares, Deputados da Nação, Presidentes da União Nacional do distrito e do concelho, e outras personalidades de destaque, esperava e recebia em efusiva saudação o Ex.mo Sr. Eng." Arantes e Oliveira que a convite do Ex.mo Sr. Eng.° Horácio de Moura e Ex.mo Sr. Dr. Álvaro Barbosa Ribeiro vinha visitar o concelho de Penacova.

Apresentados os cumprimentos uma interminável fila de automóveis se dirige a Penacova. Nas povoações do Caneiro, Rebordosa, Granja do Rio e Roconquinho era já Sua Excelência recebido com entusiasmo pelo povo que marginava a estrada e pelas crianças das escolas que lançavam flores para os carros.

Em Penacova o Largo do Terreiro foi pequeno para conter os carros e a multidão de povo que se juntou. Em tribuna armada em frente aos Paços do Concelho é que foi recebido o ilustríssimo visitante com a sua comitiva. Deu as boas-vindas o Sr. Presidente da Câmara que lhe expôs o que tinha realizado neste lapso de tempo da sua administração com as importâncias dispendidas e indicou seu plano do futuro, confiado nos auxílios do Ministério das Obras Públicas e do Governo Civil. Transmitiu ainda a S. Ex. o Ministro o desejo do concelho de Penacova de ver dentro em breve erguida a barragem no sitio do Aguieira. O Sr. Presidente da Câmara foi frequentemente interrompido com vivas e palmas pela numerosa assistência que assim desejava reforçar as suas afirmações.

Falou depois o Sr. Presidente da União Nacional concelhia que igualmente fol várias vezes interrompido com palmas e vivas a Salazar, ao Sr. Presidente da República, ao Sr. Ministro das Obras Públicas. Agradeceu o Sr. Ministro as saudações recebidas e felicitou o Sr. Presidente da Câmara pela obra realizada que até adjectivou de milagrosa por tão grande em tão pouco tempo e com tão poucos recursos. Prometeu continuar a ajudar, na medida das disponibilidades do erário público, da melhor boa vontade.

Fol depois inaugurado o ramal de Santo António, ultimamente empedrado e alcatroado. Extra programa fol S. Exa. ver o mau estado da estrada da Rebordosa a Lorvão, Sernelha, cuja đespesa de reparação excede as possibilidades municipais, seguindo depois para Figueira de Lorvão onde inaugurou a estrada de ligação da igreja à povoação, calçada da povoação e fontenário.

Na Portela da Fonte grande multidão de gente esperava o Sr. Ministro e demais entidades para assistir à inauguração do esplêndido edifício escolar, de três salas. Por incumbência de S. Ex. fol o Sr. Governador Civil que cortou a fita simbólica. Oferecia a tesoura uma filhinha dum dos membros da Câmara, aluna da escola, e outra aluna oferecia ao Sr. Ministro um ramo de cravos brancos. Visitada uma das salas, onde havia fotografias dos edifícios do posto escolar da Mata do Maxial e escola de Monte Redondo, simbolicamente ali inaugurados também, subiram a uma tribuna o Sr. Ministro, o Sr. Governador Civil, o Sr. Director Escolar e o Professor da escola. Este fez uma breve saudação aos visitantes agradecendo a honra da visita e os melhoramentos, em nome da freguesia. Expôs em breves palavras as necessidades - nomeadamente a reparação das estradas - e as aspirações dos povos da freguesia. Pediu que transmitisse ao Venerando Chefe do Estado e ao Sr. Prof. Doutor Oliveira Salazar o preito de gratidão por tudo quanto têm feito em seu benefício.

Ao passar por Telhado, em direcção à Portela de Oliveira, onde o almoço esperava, e eram bem horas, fol o Sr. Eng. Arantes e Oliveira vitoriado, pois aquela povoação goza de ruas alcatroadas e de um chafariz que abastece e embeleza a povoação. Foi calorosa e simpática a manifestação de carinho.

O ALMOÇO

Num cenário de sonho decorreu o merecido almoço. Forneceu-o a pastelaria Império que se esmera em bem servir. Mas o sonho era a linda paisagem que do local se desfruta. Embora sob nuvens, por vezes carregadas, a nitidez da vista de toda a Beira Alta era surpreendente. Só os corutos da Estrela, do Caramulo e da Lousã se não viam. Dois moinhos dos do pelotão que culmina a serra velejavam, realçando mais a beleza do cenário. No seu brinde, o Sr. Presidente da Câmara ofereceu ao Sr. Eng. Arantes e Oliveira um dos moinhos, tornando-o deste modo proprietário, no concelho de Penacova. Estrondosa salva de palmas coroou a lembrança do Sr. Presidente da Câmara.

VISITA AO ALTO CONCELHO

O tempo urgia. Os automóveis em marcha forçada dirigiram-se à Raiva onde foi inaugurada um fontenário e a luz eléctrica da povoação de Paredes e do Lavradio. Seguiu depois para Laborins onde as ruas, o ramal de acesso, a escola e a luz foram inaugurados.

Depois foi S. Pedro de Alva, onde, com a comparticipação do grande benemérito, não só da região, mas do concelho, sr. Comendador Eng. Maurício de Brito se têm feito surgir obras de vulto. Na Fundação «Mário da Cunha Brito» e após a visita às obras de fornecimento de água, foi pela Comissão Administrativa oferecido um aperitivo aos visitantes, que seguidamente visitaram o local da captação de águas para as povoações da Casconha, passando pelo local da Aguieira onde técnicos têm feito estudos para averiguar a solidez do terreno destinado às fundições da barragem. Estes, ali presentes, deram ao Sr. Ministro as melhores informações.

Era quase noite. Não estava no programa a inauguração do ramal, chafariz e lavadouro de Palheiros, na freguesia de Sazes. E então os carros aceleraram ainda mais. Lá estava ao lado da estrada o povo da Espinheira, o de Midões, o de Sazes, o de Contenças. Os Palheiros ficaram desvanecidos, muito justamente, com tal deferência. Falou o Sr. Dr. Henrique Simões, ilustre deputado da Nação, o Sr. Presidente da Câmara e por fim o Sr. Ministro que assim terminava a sua visita ao concelho de Penacova e de onde nos pareceu sair visivelmente satisfeito."

NOTAS

Deram-nos a honra da sua visita além das personagens já citadas, o Presidente da Junta do Distrito, Prof. Dr. Bissaia Barreto, o Presidente da Câmara de Coimbra, Dr. Moura Relvas, os deputados Rev.° Dr. Pinto Carneiro, Dr. Santos Bessa, os Presidentes de quase todos os outros Municípios do distrito, delegado do I. N. T. P., Eng. Leopoldo de Almeida, Eng. Costa Alemão, Eng. Pereira de Lemos, o sr. Major Soito Graça, e Major Ferro, Capitão Leite, Mons. Cónego Abílio Costa, Prof. Mário Nogueira Gonçalves, Director do Distrito Escolar de Coimbra e Dr. Proença de Figueiredo, Director Geral do Ensino Técnico, Sr. Prof. Paulo Proença de Figueiredo, Director Escolar de Santarém e outras individualidades de que não nos foi possível tomar nota.

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Seguem-se alguns fotogramas extraídos do filme da RTP:


                                                                   CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR













29 maio, 2026

Notas para a história dos Bombeiros: a sessão solene inaugural de finais de 1929

Monumento inaugurado na rotunda em frente ao quartel em 2025

Foi no  dia 24 de Fevereiro de 1930 que foi celebrada a escritura pública da constituição da  Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova, tendo como sócios fundadores António Esteves Amaral Viseu, Gualter Pereira Viseu, Alípio Carvalho, Alípio da Costa Miguel, Álvaro Alberto Santos, Álvaro Martins Coimbra, António Casimíro Guedes Pessoa, António da Costa, António Joaquim Pinto, Augusto Luís, Evaristo Joaquim Pinto, Joaquim Correia Almeida Leitão, Joaquim Luís, José Alberto de Almeida, José Augusto Pimentel.

Apesar de só em 1930 ser formalmente constituída, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova já tinha começado a germinar alguns anos antes, tendo como principal mentor António Casimiro Guedes Pessoa. Na memória dos penacovenses estava a tragédia de Sernelha que vitimara 7 crianças e um mais recente fogo na residência do padre António Pinto, pároco de Penacova.  

Escreveu António Casimiro em 1928, num artigo no "Jornal de Penacova": 

“[...] A organização de uma Corporação de Bombeiros já de há muito se vinha impondo como necessidade máxima e urgente [...] Tomei a iniciativa de por mãos à obra e logo de princípio tive a felicidade estimulante de encontrar decidido auxílio e franco apoio dos Srs. Drs.  Daniel da Silva e José Albino Ferreira, ou seja, das Câmaras de suas presidências [...] Recrutei, satisfeito, um punhado de rapazes valentes e creio ter organizado um grupo que não recuará em frente do perigo. Dezoito penacovenses de verdade, firmes e dedicados até ao sacrifício. Já temos 12 capacetes; 6 cintos completos com espias, mosquetões e machadas; um depósito de zinco para 2000 litros de água e 6 baldes e 6 cântaros também de zinco. Vão agora ser construídas as escadas indispensáveis e adquiridos os machados de bico, e, pouco a pouco, havemos de chegar ao fim cantando vitória[...] 

Pouco referida na história dos Bombeiros, recorde-se que a “inauguração festiva” da Corporação antecedeu alguns meses a formalização notarial. Há notícia de uma sessão solene que teve lugar nos Paços do Concelho no Outono de 1929. Nota que de seguida se transcreve do jornal “A Voz de São Pedro de Alva”:  

Bombeiros Voluntários 

No dia 23 p. p. [ Agosto] festejou Penacova, com grande aparato, a inauguração festiva da sua benemérita corporação de bombeiros voluntários, que é composta de um comandante, dezassete bombeiros efectivos e dezassete auxiliares.

Pelas 12 horas, realizou-se na sala do Tribunal Judicial, no edifício da Câmara Municipal deste concelho, uma sessão solene que decorreu brilhantemente e teve uma assistência muito distinta e numerosa. Presidiu o Snr. José de Gouveia Leitão, presidente da Comissão Administrativa da Câmara e Administrador do Concelho, ocupando os lugares de honra a Ex.ma Sra. D. Sara Sales Guedes e o Sr. António Casimiro Guedes Pessoa, comandante dos Bombeiros Voluntários de Penacova. 

A cerimónia constituiu uma imponente consagração pública da benemérita corporação dos Bombeiros Voluntários, cujos fins altruístas e humanitários foram devidamente exaltados através de improvisados discursos feitos pelos Srs. José Leitão, Padre Pinto, Dr. Sales Guedes, Dr. Luiz Sereno, Dr. Alberto de Castro Pita e António Casimiro, todos salientando o nobre e humanitário sacrifício dos Bombeiros, exemplo de perfeito heroísmo e de pura abnegação. 

O Sr. António Casimiro Guedes Pessoa, em documento público firmado com a as assinaturas de sua Ex.ma esposa D. Izaura Pessoa, entregou à Câmara Municipal a dependência da sua casa de habitação, onde fez instalar o quartel dos Bombeiros Voluntários.

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P.S: Em Março de 1930 o jornal "A Voz de S. Pedro de Alva" publicou a seguinte notícia: 

"Bombeiros Voluntários de Penacova - Esta benemérita e altruísta instituição, que um grupo gentil de penacovenses levou a efeito, com o fim que esta, e todas as suas congéneres têm em vista praticar o bem e defender a vida e os haveres do seu semelhante - procedeu no dia 16 de Março findo, à eleição dos seus corpos gerentes e administrativos, tendo sido eleitos os seguintes senhores e dístintas senhoras: 

Dr. Sales Guedes, muito digno facultativo naquela vila, que ficou com a Presidência; D. Sara Sales Guedes, Vice-Presidente; António Joaquim Pinto, 1.° Secretário e Alípio da Costa Miguel, 2.° Secretário. 

A Direcção ficou assim composta: José de Gouveia Leitão, Presidente; D. Maria José Leitão, Vice-Presidente; Evaristo Joaquim Pinto, Tesoureiro; Mário Lopes Barra, 1.° Secretário; Álvaro Alberto dos Santos, 2.° Secretário; Vogal nato, Inspector Comandante; Vogal, Gualter Pereira Vizeu. 

Conselho fiscal - Presidente, P.e António Pinto; Relator, Filipe Mendes da Cunha; Vogal, Alípio de Carvalho."

Um ano depois, em Março de 1931* foram eleitos: 

ASSEMBLEIA GERAL- Presidente, Dr. Manuel Ferreira Sales Guedes; Vice-Presidente, Joaquim Correia d' Almeida Leitão; 1.° Secretário, António Joaquim Pinto; 2º Secretário, Álvaro Alberto dos Santos; Vogal, Gualter Pereira Vizeu.

DIRECÇÃO - Presidente, José de Gouveia Leitão; Vice-Presidente, Fernando d'Almeida; Secretário, Mário Lopes Barra; Tesoureiro, Evaristo Joaquim Pinto.

CONSELHO FISCAL - Presidente, Padre António Pinto; Relator, Filipe Mendes da Cunha; Vogal, Alípio Carvalho.

* Cf " A Voz de S. Pedro de Alva"


27 maio, 2026

António Alves: o nome que falta no Memorial da Pérgola



Por diversas vezes, e em variados contextos, temos vindo a falar dos nomes dos irmãos Manuel Alves e António Alves, combatentes da Guerra 1914-1918. O primeiro regressou com vida, mas o segundo ficou sepultado em terras longínquas. Por um incompreensível lapso, o nome que consta no Memorial da Pérgola é o do Manuel e não o do António. 

A morte deste foi noticiada com destaque no Jornal de Penacova, defendendo-se aí  que “o seu nome e a sua memória sejam por nós religiosamente amados, como o nome e a memória de quantos conterrâneos nos ficaram já, nos areais adustos da África ou nas planícies da Flandres”, devendo, pois, ser enumerado "no rol glorioso dos nossos mortos." Transcrevemos essa notícia: 

Pela Pátria: os nossos mortos

“À administração deste concelho acaba de ser comunicada a triste notícia do falecimento de mais um soldado deste concelho que fizera parte da expedição a Moçambique: António Alves, soldado n° 89 da 3ª companhia de infantaria n.°123. Era natural dos Palheiros, freguesia de Sazes, filho de António Alves e de Maria das Neves.

Faleceu na Beira, província de Moçambique, pelas 7 horas do dia 23 de Março do ano corrente. Nem ao menos a nossa dor e a nossa saudade podem ser minoradas pelo orgulho de esse nosso infeliz conterrâneo ter, como outros heroicos soldados deste concelho, morrido em combate, ajudando, com o sacrifício da sua generosa mocidade, o triunfo da causa da Liberdade e do Direito em que Portugal está empenhado.

António Alves morreu afogado quando tomava banho no mar - assim reza laconicamente a comunicação a este respeito recebida na administração deste concelho. Nem por isso, todavia, a sua memória deve deixar de merecer de todos nós, seus conterrâneos, quando não de todos os portugueses, o tributo da nossa ardente saudade, da nossa comovida veneração. Foi um soldado que o dever levou para o campo da batalha, na África longínqua, e que ali, embora por um estúpido desastre, encontrou a morte. Tanto basta para que o enumeremos no rol glorioso dos nossos mortos nesta guerra maldita, para que o seu nome e a sua memória sejam por nós religiosamente amados, como o nome e a memória de quantos conterrâneos nos ficaram já, nos areais adustos da África ou nas planícies da Flandres.

Dois irmãos de António Alves, José e Manuel Alves, estão também a combater pela Pátria, estes em França. Que estes voltem ao menos, que com eles possam seus Pais, em dias de paz, chorar a dor e a saudade do filho que ficou na África!

À família do soldado António Alves enviamos as nossas profundas condolências.”

NP 25 Maio de 1918


Américo Henriques Almeida Coimbra (1933-2026)


    AMÉRICO COIMBRA 1933-2026

Do seguinte modo (em Julho de 2009) o periódico penacovense “Nova Esperança” introduzia a entrevista, a duas páginas,  a Américo Coimbra, recentemente falecido:

"Natural de Penacova, nasceu em Hombres, descendente da família de António José de Almeida. É naquela aldeia que passa actualmente a maior parte dos fins-de-semana e uma parte das férias. "Américo Coimbra, um jovem bonito, educado, de sorriso cativante, de boa figura e que um dia, o seu amigo, o produtor Francisco de Castro, convidou para fazer um filme e que depressa se tornou um verdadeiro galã dos cinemas. Estreou-se nas "Pupilas do Senhor Reitor" sob a direcção de Perdigão Queiroga, em 1961. Aquele primeiro encontro no mundo do cinema acabaria por revelar-se decisivo nos anos vindouros e passou a ser assediado para outros filmes, quer em Portugal, quer no estrangeiro" 

A Academia Portuguesa de Cinema (com data de 18 de Maio) emitiu uma nota de pesar (que a seguir transcrevemos) na qual é traçada uma síntese da sua vida e obra: 

Américo Coimbra (1933–2026)

A Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Américo Coimbra, ator e produtor ligado a uma geração marcante do cinema português das décadas de 1960 e 1970, período em que se afirmou como um dos grandes galãs do cinema nacional e um dos rostos mais populares do grande ecrã português.

Nascido em Lisboa, a 4 de março de 1933, Américo Coimbra iniciou a sua carreira cinematográfica muito jovem, destacando-se em filmes como As Pupilas do Senhor Reitor (1961), de Perdigão Queiroga, O Parque das Ilusões (1963), A Canção da Saudade (1964), Pão, Amor e Totobola (1965),  entre outras produções que marcaram o cinema popular português da época.

A sua carreira incluiu também participações em produções internacionais e no cinema espanhol, em títulos como El próximo otoño (1963), de Antxon Eceiza, Operación Goldman (1966), de Antonio Isasi-Isasmendi, Fin de semana con la muerte (1966), de Julio Coll, e Os 5 Avisos de Satanás (1970), de José Luis Merino, reforçando a presença de atores portugueses em coproduções europeias desse período. Participou ainda na coprodução luso-brasileira O Pagador de Promessas, associando o seu percurso artístico a um momento importante da circulação internacional do cinema em língua portuguesa.

Para além do trabalho como ator, desenvolveu atividade como produtor cinematográfico, colaborando em vários projetos entre Portugal e Espanha numa fase de crescimento e internacionalização do setor audiovisual português.

Figura muito reconhecida pelo público português durante os anos 60 e 70, Américo Coimbra acabaria por se afastar prematuramente da vida artística, mantendo, ainda assim, o seu nome associado a uma geração de intérpretes que marcou uma época do cinema nacional.

A Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas condolências à família, amigos e a todos os que com ele trabalharam e privaram.

Voltando à entrevista do Nova Esperança, destacamos a parte que se refere à sua íntima relação com a localidade de Hombres e, no fundo, com S. Pedro de Alva e o concelho de Penacova: 

Repórter: A ligação da família Coimbra a Hombres é já histórica. A colaboração com a comunidade é mais do que uma tradição?

Américo Coimbra:  Essa colaboração já vem do tempo dos meus bisavos que cu não conheci, mas os meus avós conheci perfeitamente e dos meus pais que a casa é já ali (em Hombres), que hoje não é minha. Fiz uma casa ao lado nova para mim e venho para cá desde que nasci. O meu pai estava em Lisboa e vinha cá regularmente em finais de Agosto visitar os meus avós. Ele  era caçador e a caça abria no dia 1de Setembro (há muitos anos).Eu vinha sempre com ele nos meus tempos de escola, e como naquela altura as férias de verão eram de três meses eu vinha para casa dos meus tios já em Julho.  Primeiro é uma grande tradição e paixão aqui pela aldeia de Hombres, por isso é que fiz a casa com piscina. A casa foi feita para passar aqui uns tempos com as minhas três filhas, são todas licenciadas. A casa e a piscina é uma forma de reunir a família, porque hoje em dia a moda é a praia, e assim com a piscina sempre vêm para cá também. Portanto é esta paixão e tradição pela aldeia, o meu pai nasceu aqui, ia a pé para escola em São Pedro Alva, muito antes de1930. Só mais tarde foi feita a escola, onde hoje é a associação. Embora não tenha bem a certeza, o imóvel para instalar a escola foi doado por um tio do meu pai, por isso é que o edifício foi baptizado de "Henrique Coimbra", o meu pai é Henrique Coimbra, e eu sou Américo Henriques Almeida Coimbra. Portanto as minhas raízes estão todas aqui, e inclusive diziam os meus pais  que eu fui concebido na aldeia de Hombres, na altura da época de caça. E eu tenho muito  prazer nisso e honra de ter nascido aqui. A minha mãe, é duma família também da zona, do Vale da Vinha e do Silveirinho, porque somos da família do António José de Almeida, por isso é que eu sou Almeida também, e o meu avô materno é José Almeida Cruz. E foi assim que fui habituado a vir para cá e agora que o Campeonato está acabar, eu venho passar aqui uns dias com muito gosto, à festa, em Agosto e todos os meses em geral aos fins de semana. Neste momento estou reformado, e haja saúde para vir cá muitas vezes. 

Na respectiva página do Facebook (18 de Maio às 22:30) a Associação de Melhoramentos, Cultura, Turismo e Progresso de Hombres manifestou a sua mágoa e enalteceu as qualidades deste seu conterrâneo, agora falecido: 


Hombres hoje ficou mais pobre

O Senhor Américo Coimbra foi uma pessoa sempre disponível para ajudar, dedicada à sua querida aldeia de Hombres e à nossa associação, contribuindo com generosidade e amizade sempre que foi necessário. A sua presença, o seu espírito solidário e a sua bondade ficarão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. Não deixava ninguém indiferente. Neste momento de profunda tristeza, queremos deixar à família as nossas mais sinceras condolências, desejando muita força e serenidade para enfrentar esta perda tão dolorosa. Que encontrem conforto nas muitas recordações bonitas e no enorme respeito e carinho que ele conquistou junto da comunidade. Sr. Américo Coimbra, ficará para sempre nos nossos corações. 

Por sua vez, Diana Martins deixou o seguinte comentário nas redes sociais: “Para além da marca que deixou no cinema, o Sr. Américo Coimbra marcou profundamente todos os que tiveram o privilégio de se cruzar com ele. Falo pela nossa aldeia de Hombres, terra das suas raízes, onde será sempre lembrado como um homem de uma bondade rara, sempre pronto a ajudar o seu povo. Tinha um amor imenso por esta terra e por esta gente, que hoje chora a sua partida com enorme tristeza. O seu legado humano será eterno."

O funeral teve lugar no dia 20 de Maio. Os seus restos mortais repousam no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Paz à sua Alma.

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Links com interesse: 

Entrevista RTP 2009 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/americo-coimbra/

Estreia de "As Pupilas do Senhor Reitor" no São João, 1960.https://www.facebook.com/watch/?v=267406898318741

Uma crónica sobre cinema português https://apaladewalsh.com/.../americo-o-bonitao-que.../












25 maio, 2026

Penacova na publicação "Comment visiter le Portugal" - década de 40



Na década de quarenta a Casa de Portugal em Paris publicou um pequeno livro sobre Portugal, onde Penacova não foi esquecida, inclusivamente com uma interessante fotografia panorâmica:

PENACOVA

 … vale a pena fazer uma pequena estada, uma visita a Penacova, pequena vila situada numa colina ao longo do Rio Mondego. 

É um passeio agradável, seguindo as curvas do rio onde se sucedem panoramas que nos surpreendem e de onde se podem ver seis ou sete picos montanhosos que se tornam azuis até ao horizonte. 

Do mirante de Penacova, a vista é de uma beleza indescritível. 

Este passeio pode ser estendido ao antigo convento de Lorvão que está construído num vale de Penacova.

24 maio, 2026

XXIII Aniversário do Coral Divo Canto



No dia 16 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal de Penacova, realizou-se o espectáculo  “Corpo que Canta, Voz que Dança”, assinalando o 23.º Aniversário do Coro Divo Canto.

Uma noite onde diferentes expressões artísticas - música, dança, capoeira e teatro - se encontraram  no mesmo palco. Actuações onde se cruzaram voz, movimento, ritmo e interpretação. 

Um encontro entre grupos locais que partilham a mesma paixão pela arte: Coral Divo Canto, Yolo Dance Crew – Escola de Dança da Mocidade FC, Capoeira Roda Viva – Grupo de Capoeira de Alunos da EBA e Grupo de Teatro da Escola de Artes de Penacova. 

Na página da DIVO CANTO ASSOCIAÇÃO podemos ler que se tratou de “uma noite inesquecível”, de “um espectáculo que ficará para sempre na nossa memória”. A Associação deixa também diversos agradecimentos: “ao maravilhoso público que esgotou a sala e nos acompanhou com tanto carinho e entusiasmo (…) convosco esta celebração ganhou ainda mais sentido.” Agradeceu  também a todos os grupos convidados  por terem partilhado “o seu talento e contribuído para uma noite tão especial.” Finalmente, deixou público “um agradecimento muito especial a todas as entidades, patrocinadores e parceiros que apoiaram este evento e tornaram possível esta comemoração”. 

22 maio, 2026

A quem pertence a capela de Nossa Senhora da Guia? Uma polémica de 1935

"A capela que lá no alto, no morro do castelo, um dia foi erguida, tem tradições e Nossa Senhora da Guia tem muitíssimos devotos. 

Como estamos em maré de melhoramentos, em pouco tempo todo aquele morro foi modificado. Tem hoje um aspecto completamente diferente. Tema estrada e tem também as magníficas obras do Preventório e Hospital da Misericórdia.

É destes dois utilíssimos organismos que nos vamos ocupar. Há tempos, foi feita uma escritura entre a Santa Casa da Misericórdia e a Junta Geral do Distrito de Coimbra. Presidiu a essa escritura o desejo de bem-fazer de parte a parte. Ser útil.

Para não sermos muito longos não podemos aqui narrar, ponto por ponto, as cláusulas desse documento. Unicamente queremos lembrar o seguinte: segundo diz a mesma escritura, a capela que se encaixa, ou por outra, que ficou encaixada no Preventório, ficou pertencendo à Misericórdia de Penacova e por isso acessível ao público. Acontece porém agora, que, obras de muros se fizeram vedando todo o edifício que pertence à Junta Geral do Distrito: lá ficou dentro também a nossa capela e a imagem de Nossa Senhora da Guia.

Acontece também que a chave da capela não está nas mãos de quem devia estar. A chave devia estar nas mãos da mesa da Misericórdia de Penacova, embora se dessem como era de toda a justiça, facilidades de comunicação do interior do Preventório para a capela.

Sucede também que agora foi construído um portão de ferro, vedando assim ao público ainda mais a entrada para a capela onde muito crente deseja ir fazer as suas orações.

Estamos de acordo com a necessidade de outra capela ser construída, mas em quanto isso não for realidade, não há o direito de vedar ao público um direito que lhe pertence. O seu, a seu dono. À Misericórdia o que é da Misericórdia.


in Notícias de Penacova, nº135, ano III, 5 Janeiro 1935


13 maio, 2026

Só em 1953 foi possível um automóvel ir ao Roxo

Vista actual do Roxo

Não imaginam as novas gerações como as nossas aldeias viviam isoladas de algum progresso que, apesar de tudo, ia chegando a Portugal. Até muito tarde as populações não dispunham de água canalizada no domicílio (muitas vezes nem um chafariz existia), de luz eléctrica e de acessibilidades rodoviárias. E não falamos de inícios do século XX. Por exemplo, só há setenta e poucos anos, a estrada para o Roxo permitiu a passagem de um veículo a motor. Reza a história que o primeiro automóvel que foi a esta aldeia (no dia 8 de Novembro de 1953, data da festa anual) foi o do Sr. Franklim, natural do Caneiro e abastado emigrante no Brasil. 

O Notícias de Penacova (28.11.1953) deu conta da “imensa satisfação” com que aquela povoação viu chegar uma camioneta e depois o primeiro automóvel, acontecimento que pouco antes estava “longe dos seus sonhos doirados.” 

Transcrevemos a notícia:

DO RÔXO: OS NOSSOS CAMINHOS

Foi com imensa satisfação que vimos chegar ao nosso querido lugar uma camioneta. Sim, podemos dizê-lo que foi com satisfação, porque nunca se esperava ver nesta terra, tão longe dos seus sonhos doirados, um carro motorizado.

Imagem ilustrativa dos automóveis daquele tempo

Porém, com o auxílio do povo do Roxo e com a ajuda do sr. António Pais Martins, construtor da nossa escola, que aqui vem com a sua camioneta no transporte de materiais, vimos nesta povoação, no dia da nossa festa anual realizada no dia 8 do corrente mês, um automóvel conduzido pelo seu proprietário sr. Franklim Marques Lopes, do vizinho lugar do Caneiro. Este senhor, que foi alvo das maiores atenções por parte do povo roxense, veio ensinar o caminho a outros que porventura estejam com medo de vir até este lugar.

Assim, como o sr. Franklim, outros podem vir para admirar o quanto é maravilhoso este nosso querido cantinho de onde se avista um dos mais deslumbrantes panoramas. Pedimos, por isso, a todos os motoristas que se esforcem por visitar a nossa panorâmica terra, visto que, quando uma camioneta com 6.500 quilos de carga aqui pode conduzir-se, muito melhor o poderá fazer qualquer outro veículo de menos tonelagem. E não perderão o seu tempo porque ficarão encantados com as vistas desta linda serra e satisfeitos com os puríssimos ares que neste alto se respiram.

É com o maior contentamento, pois, que agradecemos aos roxenses que deram, não todos, um dia de trabalho no conserto dos nossos caminhos, e, em especial, ao sr. António Pais Martins que concorreu para o resto das despesas para tão útil melhoramento, embora este fosse para sua utilidade.

NP 28.11.53


12 maio, 2026

As raízes penacovenses da pianista e compositora Leonor Leitão-Cadete

Leonor Leitão-Cadete aos 18 anos, em 1947

Leonor Caldeira Leitão Tavares Cadete (conhecida artisticamente como Leonor Leitão-Cadete) é uma prestigiada pianista, compositora e pedagoga que nasceu em Alpiarça em 4 de Dezembro de 1929, mas tem ligações próximas a Penacova. Sobrinha do Dr. Amílcar Leitão e esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão (que foram donos da Quinta da Ribeira e da Casa da Freira). Curiosamente, em 1950 deu um recital de piano na Casa do Repouso (1), cuja receita reverteu para as obras da Residência Paroquial, então em fase de construção.  Ao longo da sua carreira, destacou-se pelos improvisos ao piano e pelo seu trabalho com coros e em contexto de música sacra. Apesar da sua idade, continua muito activa, inclusivamente nas redes sociais. Ver aqui a sua página no Facebook. Em 2017 a RTP emitiu um tributo a Leonor Cadete (veja AQUI). Trata-se de uma pequena biografia elaborada por Helena Ramos.

Leonor Leitão-Cadete 


Na TV, com Cristina Ferreira, em 2023

Em 2022 no programa televisivo CASA FELIZ

“A sua obra de composição é vasta, em particular os improvisos, sendo de referir o duplo CD de piano, intitulado Imagens da Minha Vida (2003). Tem muitas outras obras para piano, obras orquestrais e algumas para bailado, para além de obras corais e de música sacra. A este propósito são de destacar Fátima Revisitada em Música (Roma Editora -2008) e À Memória do Beato João Paulo II (Paulinas Editora – 2011).

Para além de intérprete e compositora, Leonor Leitão-Cadete foi autora de vários programas na Rádio Televisão Portuguesa, “Os jovens e a música”, “Caixinha de Música” e “Folhas Soltas”, onde se revela o seu talento como pedagoga. Também na RTP realizou 32 programas de improvisação ao piano em directo.

Foi em Alpiarça que começou a leccionar piano aos dezanove anos, a cerca de quarenta alunos, que se apresentavam regularmente em audições públicas. Também em Alpiarça, foi presidente da Pró-Arte, organizando concertos mensais, dando ela própria o concerto inaugural, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, Raul Neves, e do Director do Conservatório Nacional, Ivo Cruz.

Como professora, assumiria, ainda, a Presidência da Comissão Instaladora da Escola de Música do Conservatório Nacional. Fundou e foi Directora do Conservatório Regional de Tomar.

Por convite de Veríssimo Serrão, fez um projecto pioneiro para a criação de uma Escola Superior de Música no Instituto Politécnico de Santarém.

Participou na Estruturação do Ensino Artístico na Educação, nomeada pelo então Secretário de Estado da Reforma Educativa, Carrilho Ribeiro, elaborando um documento onde constavam as linhas fundamentais para o desenvolvimento das Artes em Portugal, dando, ainda, apoio pedagógico àquele gabinete.

Foi também Directora Pedagógica e Artística da Escola de Música Nossa Senhora do Cabo de Linda-a-Velha, Professora Convidada do Curso Superior de Piano do Conservatório Regional de Coimbra, Conselheira da Escola de Música de Santarém.

Isabel Baltazar, 2012 (in https://www.meloteca.com/portfolio-item/leonor-leitao-cadete/ )

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(1) Recital de piano

No dia 31, houve na Casa de Repouso um recital de Piano, dado pela menina Leonor Caldeira Leitão. Trata-se duma artista de nome, filha de Penacova, que já algumas vezes tem estado na Emissora. Foi pena que Penacova em peso, não fosse ouvir uma artista, que faz o que quer nas teclas do piano, ou tocando autores clássicos ou improvisando. Entre os assistentes, vimos e cumprimentamos, o sr. Dr. Amílcar Coimbra Leitão, notário em Santarém, e sua esposa D. Maria Fernanda de Melo Leitão, tios da artista; o Dr. Augusto C. Leitão; o Dr. Joaquim C. Leitão e o sr. Oliveira Cabral e sua esposa D. Estefânia Cabreira. O produto do recital 425$00, reverteu a favor da residência Paroquial. 

In Notícias de Penacova, 9 Set 1950