21 julho, 2026

Dia do Município: dia de memória, dia de gratidão, dia de compromisso

Celebrámos no dia 17 de Julho o Dia do Município. Feriado Municipal em homenagem ao penacovense ilustre António José de Almeida (Vale da Vinha, 17 de Julho de 1866 – Lisboa, 31 de Outubro de 1929). A sessão solene iniciou-se com a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal de Penacova, Dr. Mauro Carpinteiro. No seu discurso, além de evocar o exemplo de cidadania daquele nosso distinto conterrâneo, questionou as exigências de ser cidadão, cidadão de Penacova, e apelou à reflexão sobre o que é “amar” um concelho, o que é “amar” esta nossa terra. Na parte final do seu discurso, formulou votos para que “este 17 de julho seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.” 

Dado que estamos, no nosso entender, perante um discurso que se afastou da habitual factualidade da política partidária e se centrou nos valores da cidadania activa, que a todos deve congregar, solicitámos ao Dr. Mauro Carpinteiro que nos facultasse o texto e nos autorizasse a publicar o mesmo, de modo a partilhar com os leitores do Penacova Online e de muitos outros penacovenses que não estiveram presentes nas cerimónias do Feriado Municipal. Aqui fica a transcrição, omitindo, naturalmente, a parte inicial das saudações protocolares. 

“Celebramos hoje o Dia do Município de Penacova. Mas o Dia do nosso Município não pode ser apenas uma data especial no calendário. Não pode ser uma mera solenidade, um feriado diferente por ser só nosso. 

O Dia do Município é, antes de tudo, um dia de memória. Um dia de gratidão. E um dia de compromisso. Memória daqueles que nos antecederam. Gratidão por tudo quanto recebemos deles. Compromisso perante aquilo que temos a responsabilidade de preservar, melhorar e transmitir às gerações seguintes.

Celebramos o nosso Município no dia 17 de julho porque foi neste dia, no ano de 1866, que nasceu, em Vale da Vinha, na freguesia de São Pedro de Alva, António José de Almeida. De uma pequena povoação do nosso concelho partiu um homem que haveria de se tornar um médico de mérito, um tribuno brilhante, um dirigente político inspirador, um cidadão pleno e do mundo, um governante e Presidente da República Portuguesa com o nome inscrito a letras douradas na história de Portugal.

A distância entre Vale da Vinha e a Presidência da República não se mede por tudo o que separa uma pequena aldeia das beiras do mais alto cargo da nação. Mede-se em vontade e trabalho. Em visão com “o longe” como horizonte. Em inconformismo. Em querer o mundo. Em perseverança. Em convicção inabalável. Em elevado espírito de serviço público.

António José de Almeida viveu um dos períodos mais intensos, exigentes e instáveis da história política portuguesa. Num tempo marcado por grandes divisões, soube afirmar-se como homem de firmeza de convicções, mas também como homem de diálogo, procurando unir, aproximar e construir pontes.

Foi um extraordinário orador, mas não fez da palavra um ornamento. Fez da palavra um poderoso instrumento de intervenção cívica, para despertar consciências, apontar caminhos, defender aquilo que acreditava ser o melhor para Portugal.

Foi médico, mas não limitou o seu olhar à doença individual. Procurou compreender e tratar, com notável ativismo cívico, as fragilidades da sociedade do seu tempo.

Foi político, mas não concebeu a política como simples exercício de poder.

Entendeu-a como um compromisso com a mudança do destino coletivo dos portugueses, e com a democracia. Sim. Porque quando a Primeira República cedeu nos valores e princípios democráticos, António José de Almeida foi uma voz firme e audível na defesa intransigente da democracia.

É esse superior exemplo de cidadania que hoje evocamos. Não apenas o cidadão que ocupou os mais altos cargos do Estado, mas o homem que acreditou que ninguém deve permanecer indiferente ao tempo e aos desafios da comunidade em que vive. O cidadão não é um espetador. Não é alguém que se limita a observar, a comentar ou a esperar que outros resolvam. O cidadão participa. Intervém. Cuida. Luta por aquilo em que acredita. Assume responsabilidades. E serve.

A melhor forma de homenagearmos António José de Almeida não é deixá-lo imobilizado numa estátua, encerrado nos livros de história ou reduzido ao nome de praças ou ruas (e são tantas… em praticamente todas as cidades do país…). A melhor forma de o homenagearmos é trazermos o seu exemplo para o presente. É perguntarmos o que exige de nós, hoje, a cidadania. O que significa, no nosso tempo, servir a comunidade? O que significa cuidar da terra onde vivemos? O que significa amar Penacova?

José Tolentino Mendonça, poeta e pensador de que tanto gosto e que verdadeiramente me inspira, colocou-nos, no título de uma das suas obras, uma pergunta tão simples quanto exigente: «O que é amar um país?» Nessa obra interpela-nos com perguntas, cuja profundidade merecem reflexão que não cabe no tempo desta nossa sessão solene.

Mas hoje, aqui, podemos e devemos trazer essa pergunta até à nossa realidade local: O que é amar um concelho? O que é amar Penacova?

Amar uma terra não é apenas recordar aquilo que ela foi ou contemplar o que ela é. Não é dizer, por hábito ou por orgulho, que a nossa terra é a mais bonita de todas. Não é exibi-la como o sítio onde há isto ou há aquilo ... Não é proclamar um sentimento sem consequências.

O amor por uma terra não pode ser apenas uma declaração. Tem de ser uma prática. 

Amar uma terra é conhecê-la. É escutá-la. É compreender as suas fragilidades e reconhecer as suas potencialidades. É cuidar daquilo que nos foi deixado e confiado pela natureza e pelos nossos antepassados. É não desistir das pessoas. De todas e cada uma das pessoas que partilham connosco este espaço humano. 

É trabalhar para que aqueles que cá vivem possam viver melhor, para que os que partiram sintam vontade de regressar e para que outros possam escolher Penacova como a sua casa.

Penacova não é uma abstração. Penacova é uma terra moldada pelas águas, pelas serras e pelo trabalho das suas gentes. É uma identidade profundamente tocada pelos caprichos da natureza, que neste território é tão marcadamente dura quanto bela; e pelas gentes que venceram essa dureza e souberam integrar essa beleza.

A nossa identidade tem a marca do Mondego e do Alva. Das suas águas, das suas margens e das suas ínsuas.Tem a marca dos valeiros onde as ribeiras moviam as rodas e rodízios das azenhas, alimentavam as levadas e regavam as “novidades” da terra, verde e fresco alimento das nossas gentes. O Mondego foi sustento. Foi caminho. Foi ligação ao mundo. Nas suas águas avançavam as barcas serranas, conduzidas por homens que domavam o rio, as correntes, as pedras e os perigos. Transportavam lenha e carqueja. Transportavam mercadorias. Transportavam a roupa que as lavadeiras recolhiam, lavavam nas águas e faziam regressar, limpa, às casas das senhoras de Coimbra. Traziam e levavam o pulsar árduo da vida.

O rio não era apenas paisagem. Era estrada. Era trabalho. Era alimento. Era vida.


A nossa identidade vem dos sarreiros, que deixavam as suas aldeias e calcorreavam terras distantes, em cada região vinícola de Portugal, entrando nas adegas e nos tonéis para extrair o sarro. Homens de trabalho duro, habituados à distância, ao esforço e à ausência. Partiam porque era necessário. Regressavam porque aqui estava a sua casa. Levavam consigo a força da resistência a estas serranias e traziam de volta o sustento das suas famílias.

Vem das lavadeiras. Mulheres de uma força tantas vezes silenciosa. Mulheres que enfrentavam o frio das águas, o peso da roupa e a dureza dos dias. Mulheres que, com as mãos mergulhadas no rio, coloriam as margens do rio e a vida. 

Vem das nossas singulares paliteiras. Herdeiras do saber delicado das monjas cistercienses de Lorvão, mulheres de mãos pacientes e habilidosas, que transformavam pequenos pedaços de madeira em delicadas obras de minúcia, enquanto criavam filhos e netos no aconchego das raspas. Um trabalho aparentemente simples, mas feito de persistência e de arte.

O que somos também vem de moleiros, que subiam as serras em busca do vento e desciam aos valeiros para aproveitar a força das águas. As velas dos moinhos a procurar o sopro certo. Os rodízios e rodas de azenha tocadas à força de águas que os nossos antepassados tão bem souberam conduzir por represas e levadas. Moía-se o milho. Moía-se o centeio. Fazia-se a farinha. Para a micha quente, a sair do forno, repartida pela família, com aquele cheiro e sabor que parece que trazemos agarrado à alma, e nos persegue como apelo de saber e respeito pela labuta do moleiro e pelas mãos doces que amassam e benzem o pão.

Penacova é o nosso chão. Das hortas. Dos socalcos. Dos rendilhados de montes. De vales caprichosamente encaixados. Dos miradouros e panoramas imensos. Do toque dos sinos das capelas. Da lampreia, da chanfana, dos míscaros, da doçaria do Mosteiro de Lorvão. Das vozes que se ouviam de um lado ao outro das povoações.

Não vos falo, com isto, de uma gravura retrospetiva da nossa terra. Falo-vos do que nos diz quem somos. Somos o que recebemos de homens e mulheres cujos nomes talvez já não conheçamos, mas cuja vida permanece nas nossas paisagens, nas nossas tradições, nas nossas instituições e na forma como habitamos esta terra. Foram eles que abriram caminhos. Que levantaram casas. Que cultivaram os campos. Que construíram capelas e igrejas, escolas, sedes de associações e caminhos. Que criaram filarmónicas, ranchos, irmandades, comissões de melhoramentos e de festas, clubes e associações. Foram eles que transformaram um território numa comunidade.

Por isso, quando falamos de Penacova, não falamos apenas de uma geografia. Falamos de uma herança humana. Falamos de um modo de estar. Falamos de uma comunidade que, geração após geração, soube ultrapassar dificuldades e procurar novas possibilidades.

Essa história continua a ser escrita no presente. Continua a ser escrita por todos os penacovenses que aqui vivem, trabalham, estudam, investem e cuidam das suas famílias. Por aqueles que permanecem ligados à agricultura, à floresta, ao comércio, à indústria, ao turismo e aos serviços. Pelos professores que formam as novas gerações. Pelos profissionais de saúde, que nos cuidam. Pelos bombeiros e agentes de proteção civil que nos protegem. Pelos trabalhadores das instituições sociais que acompanham os mais frágeis. Pelos empresários que assumem riscos e criam emprego. Pelos dirigentes associativos que oferecem gratuitamente o seu tempo, para manter vivas as nossas associações e dinamizarem as nossas aldeias. Pelos músicos, artistas, artesãos e agentes culturais que mantêm viva a alma das nossas comunidades. Pelos jovens que estudam, criam e ousam imaginar um futuro fora dos lugares comuns.

Continua também a ser escrita pelos que nasceram nesta terra e hoje se distinguem além das fronteiras do nosso concelho. Em várias partes do mundo e em várias áreas. Na comunicação social, na ciência, na cultura, como altos quadros de empresas, no desporto, e nas mais diversas áreas da vida pública. Tantos e tantos, uns mais conhecidos outros mais discretos, que levam o nome de Penacova pelo país e pelo mundo. (Seria justo referir cada um, o que só por receio de omissões graves não faço.)

Seja qual for o percurso e a circunstância das nossas vidas, viajam pedaços de Penacova com cada um de nós. Na singular forma de falar de cada uma das nossas aldeias (temos esta particularidade digna de estudo: aldeias a escassos dois, três quilómetros, têm formas de falar completamente diferentes… cerradas… que nós rapidamente associamos à origem de cada um…) Na recordação dos banhos no Mondego e no Alva. No cheiro do pão acabado de cozer. Nas procissões e bailaricos das festas das nossas aldeias… 

Mas o amor a Penacova não pertence apenas a quem aqui nasceu. Pertence também a quem aqui escolheu viver. A quem aqui criou família. A quem aqui trabalha. A quem chegou e passou a cuidar desta terra como sua.

Uma comunidade não pode fechar-se sobre a sua memória. Tem de ser capaz de acolher novas pessoas, novas vivências e novas ideias. A identidade não é uma muralha. É uma casa. Uma casa com raízes profundas, mas com a porta aberta.

Amar Penacova é, por isso, cuidar da nossa terra com o esmero e atenção com que cuidamos o que faz parte de nós mesmos. É ajudar a preservar as florestas e prevenir os incêndios. É conservar o património, não apenas como recordação do passado, mas como recurso vivo para o futuro.

Os rios e ribeiras não podem ser apenas cenário. Os moinhos não podem ser futuras ruínas. As aldeias não podem ser apenas nomes num mapa. As nossas tradições não podem ser apenas fotografias antigas.

Amar Penacova é apoiar o comércio e a produção locais. É participar nas associações. É valorizar as nossas escolas. É acompanhar os mais velhos e escutar a sua memória. É receber bem quem nos visita. É respeitar o espaço público. É cuidar da rua, da aldeia e da freguesia como extensão da nossa própria casa.

Amar Penacova é participar. É estar presente quando é necessário. É apresentar propostas onde elas podem e devem ser apresentadas. É colaborar. É votar.

É exigir aos responsáveis públicos, mas é também perguntar o que cada um de nós pode fazer. Nenhuma comunidade se transforma apenas pela ação dos seus órgãos políticos. 

Muito tem sido feito pelo nosso concelho nos últimos anos, ao nível de infraestruturas, na educação, cultura… . Vivemos hoje um período de investimento sem paralelo na nossa história: novo hotel Vila Galé, forte investimento na melhoria do parque escolar, nos centros de saúde, nas acessibilidades, nas infraestruturas turísticas…Somos hoje um concelho que atrai e é notado. Mas nenhum presidente, nenhum executivo, nenhuma assembleia e nenhuma instituição, por melhores que sejam e por mais que façam, substituem a responsabilidade dos cidadãos, de cada um dos que aqui habita. Uma terra será sempre aquilo que os seus habitantes estiverem dispostos a fazer por ela.

É certo que nós, eleitos locais, temos uma responsabilidade acrescida, que, este ano, em que comemoramos 50 anos de poder local democrático, tem de ser sublinhada e mencionada de forma especial. No caso da Assembleia Municipal, que aqui represento, é a casa dos cidadãos e a representação da pluralidade do nosso concelho. É o lugar onde se encontram e debatem diferentes sensibilidades, diferentes projetos e diferentes visões sobre o futuro do nosso concelho. É a representação de todos, por excelência. Temos o desafio de dignificar e valorizar o papel deste órgão deliberativo municipal. De o elevar e fazer reconhecer pelos cidadãos. 

Agora, aos 50 anos de poder local democrático, e aqui, vale a pena sublinhar o que é essencial para que este valioso legado do 25 de abril de 74 se preserve: Ser eleito local é fiscalizar sem destruir, governar sem arrogância, fazer oposição sem ressentimento, defender convicções sem humilhar quem pensa de forma diferente. É procurar a convergência sem abdicar da identidade de cada um. A democracia precisa do desacordo. Mas não precisa da hostilidade. Precisa de debate. Mas de debate digno, elevado, informado e construtivo.

O amor a uma terra não se demonstra eliminando as diferenças. Demonstra-se impedindo que as diferenças nos façam esquecer aquilo que temos em comum. E aquilo que temos em comum é maior do que tudo quanto nos separa. Temos em comum esta nossa terra e o permanente desafio do seu desenvolvimento. E temos em comum a responsabilidade pelo seu futuro de Penacova.

As homenagens que vamos prestar nesta sessão - a empresas, a funcionários municipais e a dois antigos Presidentes da Câmara, independentemente da razão de ser e do valor de cada reconhecimento, que é muito, visam precisamente assinalar bons exemplos no cumprimento do que nos une, que é querer e fazer o melhor pela nossa terra.

Ao homenagear as empresas estamos a reconhecer o mérito e a incentivar  homens e mulheres que todos os dias lutam e trabalham para gerar emprego e riqueza no nosso concelho. Ao reconhecer a longevidade do vínculo dos funcionários municipais, estamos a valorizar a dedicação e lealdade ao serviço público autárquico. Ao homenagear dois antigos Presidente da Câmara Municipal – Maurício Marques e Humberto Oliveira - celebramos duas vidas ao serviço da causa pública e o papel preponderante do poder local para o desenvolvimento do nosso concelho, simbolicamente neste ano em que comemoramos os 50 anos do poder local democrático.

Uma homenagem pública é, acima de tudo, uma forma de gratidão. É a comunidade a dizer: Reconhecemos o vosso esforço. Agradecemos o vosso contributo. E desejamos que o vosso exemplo inspire outros.

António José de Almeida mostrou-nos que de Vale da Vinha se podia chegar à mais alta magistratura da Nação. Os sarreiros mostraram-nos que era possível percorrer terras distantes sem perder a ligação à terra de origem. Os barqueiros ensinaram-nos a enfrentar as correntes. As paliteiras ensinaram-nos a atenção e a delicadeza. Os moleiros ensinaram-nos a procurar na força da natureza a energia para a vida. Somos o resultado do que recebemos e nos moldou enquanto comunidade. Mas cada geração recebeu a nossa terra com muito para fazer. Muito por cumprir.

Nós, que aqui estamos, não somos diferentes. Penacova continua a ser uma obra inacabada. Uma obra que não pertence a um presidente, a um executivo, a uma assembleia, a um partido ou a uma geração. Pertence a todos.

Não basta dizer que somos de Penacova. É preciso que nos reconheçam autenticamente daqui na forma como demonstramos dedicação ao que é de todos. Na forma como trabalhamos nas nossas coletividades. Na forma como cuidamos uns dos outros. Na forma como tratamos do nosso património cultural e natural. Na forma como participamos e exercemos a cidadania. Na forma como nos soubermos unir em torno do objetivo maior, que é tornar o nosso concelho sempre melhor.

Amar Penacova é isto.

E é entregar este nosso Concelho aos que vierem depois de nós mais valorizado, mais desenvolvido, mais bonito, mais vivo, mais notado e atrativo.

Que este 17 de julho não seja apenas a celebração do nascimento de um grande penacovense e mais um feriado municipal. Que seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.

Que o exemplo de António José de Almeida nos recorde que nenhuma origem é demasiado pequena para uma grande ambição de serviço.

Que a memória dos nossos antepassados nos recorde que nenhuma dificuldade é maior do que a vontade de ir mais além.

E que o amor por Penacova se revele, não apenas nas palavras que hoje pronunciamos, mas nas atitudes e nas ações que praticamos todos os dias. Viva Penacova! Viva Portugal!


EMPRESAS GAZELA, PME LIDER E PME EXCELÊNCIA: MUNICÍPIO HOMENAGEOU COM VOTO DE LOUVOR

 


Crédito das fotos: Município de Penacova / Facebook

O Município de Penacova homenageou, com um Voto de Louvor, as Empresas sedeadas no concelho de Penacova que foram distinguidas com o Estatuto PME Líder e PME Excelência. Duas empresas Gazela foram igualmente reconhecidas na Sessão Solene do Dia do Município. Estes galardões referem-se ao desempenho destas empresas no ano fiscal 2025.

Vejamos o que significam estes estatutos, atribuídos pelo IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação, I. P.).  O estatuto PME Líder é um selo de reputação que distingue o mérito das PME (Pequenas e Médias Empresas) nacionais com desempenhos superiores. É atribuído tendo por base as melhores notações de rating e indicadores económico-financeiros.

Por sua vez, as PME Líder que apresentem os melhores desempenhos são anualmente distinguidas com o estatuto de PME Excelência, um selo de reputação que facilita o desenvolvimento dos seus negócios. O conceito de empresa «gazela» corresponde a empresas jovens (com idade igual ou inferior a cinco anos no início do período de observação) e com elevados ritmos de crescimento, sustentados ao longo do tempo. Com base na consulta de dados de acesso público da plataforma RACIUS (https://www.racius.com/) deixamos aqui alguns elementos sobre cada uma das empresas em causa:



Empresas GAZELA 

Aleatory Concept, Lda

Morada: Estrela d’Alva 3360-223 São Paio de Mondego

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social € 50.000,00Atividade Fabricação de carvão (vegetal e animal) e produtos associados; Transformação de madeiras e seus derivados (incluindo serração); transformação e comercialização, por grosso, de resíduos florestais com fins energéticos, sua importação e exportação e ainda produção e comercialização de pelletes.

Acerca da Empresa A empresa Aleatory Concept tem 8 anos, tendo sido constituída em 13/10/2017. CAE: 20142 - Carvão 16101 - Serração de madeira 16291 - Outras obras de madeira - fabricantes  38322 - Valorização de resíduos não metálicos

Liderpanóplia - Transportes e alugueres unipessoal, Lda

Morada: Rua da Castanheira, S/N - Silveirinho 3360-310 Travanca do Mondego

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 300.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrém, aluguer de veículos automóveis pesados e ligeiros, comércio de outros veículos automóveis, comércio a retalho de peças e acessórios para veículos automóveis.  A empresa Liderpanóplia Transportes e Alugueres tem 5 anos, tendo sido constituída em 04/08/2020. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias 45110 - Automóveis ligeiros77110 - Automóveis 77120 – Camiões


Empresas PME Líder e PM Excelência 

(por ordem aleatória)

Verbos & Conceitos, Lda

Morada - Rua Principal, Nº 6, Casal de Santo Amaro 3360-180 Penacova

Forma Jurídica - Sociedade por Quotas Capital Social - € 40.000,00Atividade - Exploração de bar, café e restaurante. Acerca da Empresa - A empresa Verbos e Conceitos tem 7 anos, tendo sido constituída em 22/03/2019. CAE:  56302 – Bares  56101 - Restaurantes tradicionais  56301 - Cafés

Martins & Gomes, Lda

Morada: Vale da Sobreira, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 125.000,00.  Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. A empresa já foi conhecida no passado como TRANSPORTES MARTINS E GOMES, LDA e, mais recentemente, como TRANSPORTES MARTINS & GOMES LDA.  CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Águas das Caldas de Penacova, SA

Morada: Mata das Caldas 3360-192 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima; Capital Social € 2.500.000,00. Atividade: No âmbito de Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente. CAE: 11071 - Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente.

Leitão do Aires, SA

Morada: Zona Industrial, Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 20.000,00.  Atividade: Actividades de restauração. A empresa Leitão do Aires tem 16 anos, tendo sido constituída em 14/12/2009. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Restaurantes tradicionais. CAE: 56101 - Restaurantes tradicionais.

 José António Diogo Construções Unipessoal, Lda

Morada: Rua da Capela, Nº 4, Póvoa 3360-025 Carvalho

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 34.000,00. Atividade: Construção civil, reabilitação e obras públicas de edifícios e outras estruturas (incluindo estruturas metálicas); compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Compra, venda, aluguer de equipamento de construção e demolição com operador; gestão de equipamento destinado à atividade da construção civil e obras públicas; escavações, demolições e terraplanagens. Comércio a retalho de materiais relacionados com as atividades, bem como um vasto conjunto de outras actividades. A empresa José António Diogo tem 14 anos, tendo sido constituída em 02/01/2012. CAE: 43120 - Preparação dos locais de construção   47523 - Material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares

Fozvias Unipessoal, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Edf. Admin., Sala Nº 6 - Sazes de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social: € 260.000,00; Atividade: Construção Civil e obras públicas; compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim; comércio e aluguer de equipamentos para a construção; transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem; exploração florestal; atividades dos serviços relacionados com a silvicultura e exploração florestal; comércio por grosso de madeira em bruto e de produtos derivados. A empresa Fozvias tem 16 anos, tendo sido constituída em 11/06/2010. A empresa já foi conhecida no passado como TRIBALFLOWER - UNIPESSOAL LDA. CAE::43120 - Preparação dos locais de construção   2200 - Exploração florestal 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Fernando Silva e Carvalho Lda

Morada: Seixo 3360-031 Seixo - Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: (Código de Actividade Económica): 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Transportes Ilha do Mondego Unipessoal, Lda

Morada: Rua Prof. Leonel Henriques Gonçalves, Nº 2, Parada 3360-252 São Pedro de Alva

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 125.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem. Compra e venda de materiais de construção. Compra e venda de madeiras para celulose. Prestação de serviços de máquinas rectroescavadoras. A empresa Transportes Ilha do Mondego tem 8 anos, tendo sido constituída em 15/01/2018. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Reninstal Unipessoal, Lda

Morada: Rua Cabo das Relvas, S/N, Lorvão 3360-110 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social € 116.500,00. Atividade: Construção civil e obras públicas; Compra, venda e permuta de bens imóveis e reverenda dos adquiridos para esse fim, incluindo a reabilitação de edifícios, arranjos exteriores, instalação elétrica, esgotos, gás, canalizações e climatizações; Instalação de energias renováveis. Prestação de serviços na área de telecomunicações. Comércio, importação e exportação de equipamentos e produtos relacionados com a atividade. Reparação e manutenção de produtos metálicos. Outras instalações em construções. Comércio por grosso de móveis para uso doméstico, carpetes, tapetes e artigos de iluminação. Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos. Comércio a retalho de eletrodomésticos, em estabelecimentos especializados. Atividades relacionadas com sistemas de segurança. A empresa Reninstal tem 11 anos, tendo sido constituída em 06/10/2014. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  41200 - Construção de edifícios 43221 - Instalação de canalizações 43222 - Instalação de climatização.

R2P - Reciclagem e peças, SA

Morada: Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social: € 50.000,00. Atividade: Valorização de resíduos metálicos, comércio e desmantelamento de bens e veículos usados e em fim de vida ( camiões, automóveis, máquinas e outro equipamento) e prestação de serviços de pronto-socorro. A empresa R2P - Reciclagem e Peças, S.A tem 14 anos, tendo sido constituída em 24/01/2012. CAE: 38321 - Valorização de resíduos metálicos

Placolás - Comércio de Pladur e Gesso, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Apartado 124, 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 150.000,00. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Pinturas Vitor Pisco, Lda

Morada:  Rua do Malhão, Nº 10 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Pintura e colocação de vidros. CAE: 43340 - Pintura e colocação de vidros

Paulo Alexandre Construções, Lda

Morada: Rua Municipal, Carapinheira da Serra 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 10.000,00. Atividade: Construção e remodelação de edifícios, residenciais e não residenciais. Trabalhos especializados de construção designadamente instalações elétricas, de canalização e de climatização, estucagem, montagem de trabalhos de carpintaria e caixilharia, revestimento de pavimentos e de paredes, pintura, colocação de vidros e de coberturas, demolição de edifícios e de outras construções e preparação de locais de construção. Comércio e aluguer de equipamentos para construção. Elaboração de projetos de arquitetura, engenharia, certificação energética, pareceres técnicos, consultadoria e fiscalização. Compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Arrendamento e exploração de bens imóveis próprios ou alheios. A empresa Paulo Alexandre, Construções tem 7 anos, tendo sido constituída em 28/09/2018. CAE: 41200 - Construção de edifícios  43110 – Demolição  43120 - Preparação dos locais de construção

Macop - Materiais de construção, SA

Morada: Penamac Parque, Nº 10, 12 e 14 3360-187 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 2.170.000,00. Atividade: Comercialização de materiais de construção civil; Comércio por grosso de materiais de construção; Comércio a retalho de material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares, em estabelecimentos especializados; Projetos de climatização e irrigação; Venda de eletricidade; Consultoria económica, financeira e serviços de gestão e formação; Estudos de mercado; Publicidade e marketing; Gestão de marcas próprias. Comercialização de sistemas automáticos e dispositivos autónomos de deteção de incêndio e de deteção de gases; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de fumo; comercialização de sistemas de extinção por água; comercialização de sistemas de extinção automática por agentes distintos da água e água nebulizada; comercialização de sinalização de segurança; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de poluição de ar; comercialização de iluminação de emergência. CAE: 46732 - Materiais de construção (excepto madeira) e equipamento sanitário.

Fernandes e Henriques, Lda

Morada: Ferradosa 3360-186 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 2.300.000,00. Atividade: No âmbito de Azeite, óleos e gorduras alimentares. A empresa já foi conhecida no passado como FERNANDA E HENRIQUE, LDA. CAE: 46332 - Azeite, óleos e gorduras alimentares

Construções Rodrigues e Filho, Lda

Morada: Edifício Penedo Raso, Lote 2, Nº 10, R/C Esq. 3360-173 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social € 131.000,00. Atividade: No âmbito de outras obras de engenharia civil. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES RODRIGUES E FILHOS, LDA. CAE: 42990 - Outras obras de engenharia civil

Construções Luís Pereira & Alves,Lda

Morada: Agrelo 3020-923 Fornos

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 100.000,00. Atividade: No âmbito de Construção de edifícios. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Begal - Soc Comercial e Industrial de Palitos e Derivados de Madeira, Lda

Morada: Lorvão 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 11.500.000,00. Atividade: No âmbito de outro comércio por grosso de bens de consumo. CAE: 46494 - Outro comércio por grosso de bens de consumo

Antunes & Filhos, Lda

Morada: Lomba do Airo, Sazes do Lorvão 3360-293 Sazes do Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 125.000,00. Atividade: No âmbito de Exploração florestal. CAE: 2200 - Exploração florestal

Veiga Lopes, SA

Morada: Urbanização Valbom, Lote Nº 6, Cave Direita, Carapinheira da Serra 3360-101 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 150.200,00. Atividade: Construção civil e obras públicas, compra e venda de imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim, comércio a retalho e por grosso de materiais de construção e serviços de silvicultura. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES VEIGA LOPES, LDA. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Trilhos energéticos, Soluções Sustentáveis Unipessoal, Lda

Morada: Rua Principal, 64 - B, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 5.000,00. Atividade:  Atividades de gestão, monitorização e fiscalização de obras, coordenação de projetos, avaliações de ruído, certificação energética, e ambiental. Comércio, importação, exportação, montagem, instalação, reparação e manutenção de sistemas de aquecimento e arrefecimento, seus componentes e acessórios. Instalação, reparação e manutenção de painéis solares térmicos e painéis solares fotovoltaicos e de outros sistemas de energias renováveis. Instalação, reparação e manutenção de aerogeradores / turbinas eólicas. Prestação de serviços na área da certificação energética de edifícios, bem como na área dos ensaios e análises técnicas de materiais, utilizados na construção civil. Prestação de serviços e auditorias nas áreas de qualidade, ambiente e segurança. Formação profissional. Análises de águas residuais e de águas para consumo humano. Construção Instalações Eléctricas, Comércio a retalho por correspondência ou via Internet. Comércio por grosso e a retalho de veículos automóveis ligeiros, novos e usados. Atividades de arrendamento e exploração de bens imobiliários próprios ou arrendados, nomeadamente, edifícios residenciais e não residenciais, incluindo espaços e instalações industriais, comerciais e de terrenos. A empresa Trilhos Energéticos tem 12 anos, tendo sido constituída em 30/10/2013. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Instalação eléctrica. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  43221 - Instalação de canalizações   47910 - Comércio a retalho por correspondência ou via Internet.


20 julho, 2026

Município pretende criar Roteiro dos Pintores Júlio Pomar, Júlio Resende, Nadir Afonso e Martins da Costa. Mural sobre Martins da Costa é outra iniciativa em perspectiva.


"A Travessia", de Pedro Charters de Azevedo, obra vencedora do Escalão D 

Fonte: 

O Presidente da Câmara, usando da palavra na Sessão de Entrega dos Prémios do Concurso de Pintura Martins da Costa, anunciou a criação de um Roteiro Cultural à volta de alguns dos pintores que se integraram no designado grupo “Os Independentes”, incluindo João Martins da Costa.

Álvaro Coimbra, que representava igualmente a Família do Pintor, que habitualmente marca presença, mas que, por motivos de saúde, não se deslocou a Penacova,  começou por manifestar um grande gosto por “ver que há cada vez mais participação neste prémio de pintura Martins da Costa”. 

Sublinhou, de seguida, algumas notas sobre o pintor, do qual foi aluno em Penacova: “Martins da Costa não nasceu aqui, mas apaixonou-se por Penacova. Na década de setenta refugiou-se aqui, construindo a sua casa virada para o vale do rio Mondego. Utilizou parte da casa como atelier, foi pintando o vale, a paisagem, tudo o que o rodeava e, ao mesmo tempo, era professor na escola secundária”, recordando que enquanto professor do liceu “era muito exigente, muito rigoroso, mas também ensinava a sermos criteriosos e rigorosos na técnica que íamos aplicando”.

“Martins da Costa não necessita de grandes apresentações – referiu – dado que se trata de  “um dos pintores mais conhecidos do século XX,  do inicio do século XX, fez parte do Movimento os Independentes, com uma série de nomes famosos da pintura portuguesa como Júlio Pomar, Júlio Resende e Nadir Afonso. 

O presidente da Câmara prosseguiu anunciando uma intenção: “tentar concretizar num futuro próximo um roteiro cultural que integre estes nomes incluindo Martins da Costa.” Adiantou igualmente:  “quem sabe, um dia, a colecção dele esteja mais visível ao grande público na nossa Casa das Artes Martins da Costa, no Largo Alberto Leitão.” 

“Nós queremos também, em breve, ter um mural, não executado por Martins da Costa, mas por alguém que reproduza uma obra “ do pintor.  

Na sessão, usou também da palavra, a Directora do Agrupamento de escolas de Penacova, Cristina Simões.  

“O contributo dado pelo Agrupamento de Escolas de Penacova tem sido peça importante no estímulo à participação dos mais jovens.”- refere a nota divulgada pelo Município. 

De acordo com a mesma nota “o Prémio de Pintura, instituído anualmente pela Câmara Municipal para perpetuar a obra do pintor João Martins da Costa” teve os seguintes vencedores:

Escalão A – Alunos Ensino Superior Artístico e Artistas Plásticos em Geral
Vencedora - Joana Ribeiro; Menções Honrosas - Maria Teresa Miraldo e Beatriz Alves Marques. 
Escalão B - Alunos do Ensino Secundário do Curso de Artes Visuais
Vencedora - Camylle Palheiros; Menções Honrosas - Inês Marques,  Miguel Fonseca, Isabela Madeira de Sousa 
Escalão C - Alunos do 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos)
Vencedor - Evellyn Sophia Mendes Lopes; Menções Honrosas - Rebeca Câmara e Ricardo Teodoro
Escalão D – Público em Geral
Vencedor - Pedro Charters de Azevedo;  Menção Honrosa - Hélder Carvalho dos Santos


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Partilhamos de seguida um conjunto de fotos publicadas na página do Município no Facebook: 



















19 julho, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (2): o Morgadio e a usurpação de Sebastião José criticada por Camilo

 


“O Perfil do Marquês de Pombal é uma obra biográfica e ensaística escrita por Camilo Castelo Branco, na qual o autor traça um retrato profundamente crítico, satírico e desmistificador de Sebastião José de Carvalho e Melo. Longe de aderir à corrente de glorificação do estadista, Camilo descreve o Marquês como um déspota cruel, vaidoso e um "homem feroz". (1)

Em 1882, Camilo Castelo Branco respondeu ao clima de celebração do centenário da morte do Marquês de Pombal com um ensaio biográfico que mostrou o homem cruel por trás do estadista visionário. Em https://www.e-cultura.pt/artigo/29671 podemos ler, igualmente, que esta obra de Camilo “mostra o lado negro de Sebastião José de Carvalho e Melo”. Na página 63 e seguintes, Camilo aborda o Caso do Morgadio de Carvalho

Transcrevemos, em grafia actualizada: 

“Este homem quando encontrava o administrador dum vínculo a estorvar-lhe a usurpação, matava-o juridicamente. 

Na casa de Ataídes estava o morgadio de Carvalho. Sebastião José, o descendente do padre Sebastião da Mata-Escura (2), dizia descender do instituidor D. Bartolomeu Domingues, e nessa qualidade impôs que o senado de Coimbra o encabeçasse no morgadio vago por morte do conde de Atouguia, justiçado em 13 de Janeiro de 1759. 

E depois como viram na carta requisitória para a prisão de José Policarpo, dizia-se pomposamente - Senhor donatário de Carvalho.

Na História de D. José I, diz o Snr. Soriano que ignorava se se dava a existência de vínculo na casa de Atouguia. Com toda a certeza existia.

Em 28 de Novembro de 1689 passou o senado de Coimbra carta de nomeação do conde de Atouguia, D. Jerónimo de Ataide, para administrador do morgado e albergaria da Vila de Carvalho, cuja administração vagara pelo falecimento de seu pai D. Luís d'Ataíde. A carta é passada por Gonçalo Morais da Serra, escrivão e juiz e vereadores a quem a nomeação pertencia pela instituição do vínculo. (Veja Índice cronológico dos pergaminhos e forais existentes no Arquivo Municipal de Coimbra, pag. 72 e 73). 

Já o pai do conde de Oeiras quisera espoliar deste morgadio de Carvalho os Ataídes como ao senhor da Teixeira do morgadio de Montalvão.(3)

O conde de Atouguia padeceu a morte afrontosa que sabem no dia 13 de Janeiro, e a 19 de Fevereiro Sebastião José de Carvalho - já ministro quando o conde de Atouguia foi nomeado administrador do vinculo em 1756 - era chamado à posse do vínculo do conde garrotado trinta e seis dias antes.

Encabeçado no morgadio, para que depois nunca mais saísse de sua casa, esbulhou o senado do direito que lhe assistia de o nomear, conforme a disposição do instituidor. 

A carta régia de 9 de Janeiro de 1770 diz ... «para que, regular e perpetuamente, na forma da lei do reino, continue nos descendentes legítimos do dito conde de Oeiras em cuja linha presentemente está, etc.». 

A abjecta adulação, se não foi imposta violência do senado de Coimbra, foi assim galardoada pelo sucessor do conde d'Atouguia.

Em Março de 1759 ordenou ele que picassem as armas dos Ataídes e esculpissem as suas nos padrões do morgadio.

Este vínculo rendia aos senhores de Atouguia 590 mil reis, muito pouco em relação ao que podia render, se o morgado obrigasse os foreiros; mas o conde de Oeiras para ordenhar a vaca até ela dar o sangue, obteve em 1767 um alvará que lhe concedia a faculdade de nomear um ministro de letras por ele pago para juiz privativo da cobrança dos foros e rações do morgado de Carvalho, que os rendeiros lhe devessem na forma do foral e antigo costume. 

Imaginem quanto este amigo do povo faria render o vinculo!

E o mais é que o conde de Oeiras gozava-se do morgadio do senhor da Teixeira e ria-se das certidões dos linhagistas. O marquês do Montebelo induzia Sebastião José de Carvalho a que se fizesse genealogista; e ele, contando o caso ao beneditino de S. José Queiroz, sua criatura e depois sua vítima, dizia que respondera ao marquês: «Não, senhor, porque ficarei pior que alfaiate ou pedreiro; porque a estes homens se dá crédito em juízo quando são chamados para louvados, e das certidões de genealogias nenhum caso fazem os ministros." 

Queria dizer que os desembargadores riam das certidões genealógicas e sentenciavam a favor dos poderosos que as apresentavam. Cínico e impudentissimo biltre! 

in Camilo Castelo Branco, Perfil do Marquês de Pombal. 3.ª edição. Companhia Portuguesa Editora, Lda.  Porto, 1932. Página 33 e seguintes.

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(1) Resultado da pesquisa Google /Modo IA em 19/07/2026, 18h55

(2) Sebastião da Mata-Escura foi um clérigo (arcediago) português, amplamente citado em biografias históricas e sátiras da época como um dos antepassados remotos (quinto avô) de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. A figura de Sebastião da Mata-Escura ganhou notoriedade histórica devido aos ataques satíricos feitos pela alta nobreza portuguesa, que tentava desqualificar as origens familiares do poderoso ministro do rei D. José I. Segundo relatos biográficos analisados por historiadores e biógrafos (como Camilo Castelo Branco e Mário Domingues), Sebastião da Mata-Escura envolveu-se com Marta Fernandes, descrita como uma mulher negra e possivelmente escrava.  Os opositores políticos e os afetados pelas reformas do Marquês de Pombal utilizavam esta ascendência africana distante e o nascimento ilegítimo na linhagem para o ridicularizar e rotular como "mestiço". Apesar do coro de críticas que visavam amesquinhar o ministro, os registos visuais e retratos oficiais do Marquês de Pombal (como o célebre quadro de Louis-Michel van Loo) mostram-no com traços e fenótipo tipicamente euro-caucasianos. A Sátira Popular. Após a queda e morte do estadista, circulavam em Lisboa versos satíricos populares que faziam alusão direta a este antepassado para atacar o legado pombalino:

"Torna, torna marquês à Mata Escura / Solar do quinto avô, o arcediago, / Que da mãe Marta, por seu negro afago / Em preto fez cair tua ventura..."

Embora parte da historiografia contemporânea aponte para a falta de provas documentais irrefutáveis sobre a veracidade desta linhagem exata, a menção a Sebastião da Mata-Escura permaneceu como um marco da violenta disputa de classes e propaganda racial que dividiu a corte portuguesa no século XVIII. In pesquisa Google /Modo IA em 19/07/2026, 19h03

(3) O Morgadio de Montalvão foi um importante vínculo senhorial e propriedade cuja disputa envolveu a poderosa família do Marquês de Pombal no século XVIII. O Morgadio e a sua respetiva Quinta despertaram forte cobiça. O avô do Marquês de Pombal tentou apropriar-se dele sem sucesso, mas a disputa foi renovada pelo próprio Sebastião José de Carvalho e Melo antes de 1750. Devido a um processo judicial de defesa da posse do morgadio, o advogado e conselheiro da Casa da Suplicação Gonçalo Cristóvão e o seu advogado Francisco Xavier Teixeira de Mendonça foram perseguidos. Este último foi preso e degredado para Angola em 1756 por oposição ao futuro Marquês.  Após a execução do Conde de Atouguia em 1759 (no âmbito do Processo dos Távoras) e a posterior consolidação de poder do Marquês de Pombal, o rei D. José acabou por fazer a doação da propriedade aos Condes da Redinha em 1776, mantendo a sua natureza de vínculo. Historicamente, o Morgadio e a Quinta de Montalvão estavam associados à zona de Lisboa (Olivais), existindo registos da sua administração por figuras próximas à corte e da sua exploração agrícola. ibidem




17 julho, 2026

António José de Almeida e o Feriado Municipal: uma escolha (pouco) consensual


A deliberação, em 1977, no sentido de estabelecer o dia 17 de Julho como Feriado Municipal, sempre foi de algum modo contestada, apesar da aprovação por unanimidade na Assembleia Municipal. 

Antes do 25 de Abril, o dia 24 de Junho chegou a ser o feriado concelhio. Desconhecemos quando tal se verificou, mas uma notícia / aviso, publicada no Notícias de Penacova de 18 de Junho de 1932, refere textualmente: “Por ser o dia de feriado municipal estarão fechadas, no dia de S. João, as repartições públicas desta vila.”

A instituição do feriado a 17 de Julho, dia do nascimento de António José de Almeida, levou o Notícias de Penacova de 8 Julho 1977 a entrevistar o Presidente da Câmara, Dr. Artur Coimbra. Na mesma altura, também uma crónica do NP, assinada por JOCAR, enaltece os motivos da escolha. O autor formula votos para que a data se mantenha por muito tempo… Bastaram apenas quatro anos para o assunto voltar a ser discutido e ser mesmo colocada a hipótese de alterar a data para 8 de Setembro. Desconhecemos o desfecho dessa tentativa, mas tudo indica que a ideia não vingou, ao ponto de dia 17 de Julho se manter até hoje como feriado municipal de Penacova, homenageando António José de Almeida, nascido há precisamente 160 anos.

Transcrevemos de seguida: 

1 -  entrevista, em 1977, ao Dr. Artur Coimbra, que explica os motivos da escolha; 2 - crónica assinada por “Jocar” apoiando a deliberação;  3 -artigo sobre as movimentações em 1981 no sentido de alterar a data e o nome 


ENTREVISTA A ARTUR COIMBRA EM 1977


Em sessão realizada em 28-5-77, ficou deliberado que o feriado Municipal fosse o dia do aniversário de nascimento do Dr. António José de Almeida. N. P. entendeu ouvir a pessoa mais indicada para explicar as razões que levou a C. M. a que o dia 17 de Julho fosse o Feriado Municipal. Assim, N. P. trocou impressões com a mais alta individualidade municipal, Dr. Artur Manuel Sales Guedes Coimbra, presidente da Câmara, que amavelmente se dispôs a responder às perguntas que lhe dirigimos. Agradecendo a disponibilidade com que fomos recebidos, aqui deixamos à consideração dos prezados leitores as suas palavras.

N. P. - Sr. Presidente, pode-nos dizer quais as vantagens da existência dum feriado municipal?

Dr. Artur - O feriado municipal está revisto na lei que atribui a todos os concelhos o direito a terem o feriado municipal e convida mesmo os municípios a fazê-lo. As vantagens para mim é restaurar uma velha tradição que já existia ao tempo da monarquia e tem o seu auge durante a 1.ª República. Vantagens existem de facto em alguns concelhos onde existem dias festivos que a população em geral guardava mas que não havia condições legais para serem extensivos aos funcionários, comércio e indústria. Esta determinação visa sobretudo criar condições de igualdade para todos os trabalhadores nesses dias que os municípios entendam ser positiva.

N. P. - Que razões levaram à escolha do dia 17 de Julho para o feriado? Houve a preocupação de auscultar o Povo do concelho?

Dr. Artur - As razões que levaram a C. M. a propor o dia 17 de Julho, foram frutos de uma análise de todas as restantes datas possíveis. Dessas análises terem parecido indicar esta data como a mais capaz, não só de reunir um concelto geral como também mais capaz de realçar um importante factor histórico da luta em Portugal pela República e pela Democracia. Foram consideradas outras datas como o dia de São João, o dia de Nossa Senhora do Monte Alto, mas que foram postas de parte por determinadas circunstâncias de que essas datas são dias Santos para a Igreja Católica e que sendo um feriado uma data histórica ou política, entende-se não fazer coincidir dois poderes. Encarou-se ainda a data de atribuição do farol por D. Sancho ao concelho de Penacova, mas foi impossível conseguir descobrir a data em que se processou o acontecimento. Estudou-se também a data como historicamente a parte decisiva da batalha do Buçaco, parte da qual se desenrolou no nosso concelho, mas da batalha é atribuída exactamente ao Buçaco, julgou-se que assim diria muito mais respeito ao concelho da Mealhada que ao nosso próprio concelho. Chegou-se, assim, à data 17 de Julho que representa o aniversário de nascimento de António José de Almeida, que foi o mais ilustre Penacovense no processo politico que desde a monarquia tem procurado instaurar e consolidar a República e a Democracia em Portugal. Orador brilhante e político esclarecido, foi um homem ouvido e respeitado àquem e além fronteiras, admirado e considerado por todas as correntes de opiniões que tinham e têm por base a instauração de um regime republicano e democrático. A sua eleição para Presidente da República foi o voto de admiração e confiança que então lhe deu o Povo Português. A proposta da C. M. para que o dia 17 de Julho fosse data do feriado municipal, visa ser uma homenagem do Povo deste concelho, sem dúvida, democrático e republicano à mais alta figura de sempre. Visa ainda um chamar de atenção a todos os Penacovenses para essa época histórica reavivando o nome do Dr. António José de Almeida no espírito de cada um de nós e no conhecimento de todos aqueles a quem não foram dadas possibilidades de pelo menos terem estudado um pouco de História de Portugal. De facto, a C. M. não o quis decidir sem ouvir o Povo do concelho e por isso, ouviu-o através do seu órgão Municipal mais representativo, como é uso em Democracia, a Assembleia Municipal. Para minha própria satisfação e desta Câmara a que tenho a honra de presidir, a Assembleia Municipal, onde estão representadas todas as correntes políticas mais significativas deste concelho, aprovou por unanimidade, o dia 17 de Julho.

N. P. - Qual o programa para a celebração do primeiro aniversário?

Dr. Artur - Desde já, a C. M. não pode adiantar o programa da celebração do 1.° aniversário, pois que ainda se encontra em fase de estudo e diligência. Entretanto enquanto todos nós não tomamos conhecimento deste feriado Municipal e nos vamos habituando a ele, acontece que quis o caso que este ano coincidisse com um Domingo, o que facilitará também a sua celebração.

 NP 8 Julho 1977


Vai o Concelho de Penacova, dentro de breves dias, mais propriamente no dia 17 de Julho, comemorar o seu primeiro feriado municipal.

Feriado muito controverso, pois há muitos anos existia já um feriado municipal - o 24 de Junho – mas que a poeira do tempo apagou não se vislumbrando hoje como, quando e quem decretou esse dia feriado, quando, como e quem terminou com ele. Isso são factos a analisar por quem sobre tal matéria for entendido.

O facto real é que a Assembleia Municipal, como das suas primeiras deliberações no exercício do seu poder local, decretou o 17 de Julho como feriado! E como a Assembleia Municipal foi eleita pelo povo e representa o povo, há que aceitar esta deliberação e o principal é que exista o dia do concelho.

Neste ano aparece-nos este dia num Domingo, para arrelia dos funcionários e trabalhadores da função pública, mas com inteiro regozijo da entidade patronal e do lavrador que assim não vê um dia perdido no trabalho.

Não sabemos ainda qual seja o programa comemorativo para este dia mas certamente pela falta de tempo, porque a sua criação foi muito recente, não haverá tempo para grandes festejos pelo que se presume que certamente ligeira cerimónia assinalará este dia, para no próximo ano algo se fazer de maior interesse até turístico.

E desta feita acabam as confusões do feriado pois sabemos que ainda recentemente uma grande empresa a trabalhar neste concelho pretendeu dar o dia 24 de Junho como feriado.

Controverso ou não, com festa ou sem festa, a verdade é só uma: o dia17 de Julho é feriado no concelho de Penacova. Mais uma homenagem é feita ao grande português que foi António Jose de Almeida. Esperamos que este feriado ficará para sempre e que outros ventos não venham num futuro longínquo ou breve, alterar novamente esta data.

 JOCAR / NP 1977


A mudança da data do feriado municipal de Penacova do dia 17 de Julho, em honra do insigne republicano Dr. António José de Almeida, para o dia 8 de Setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, é facto aceleradamente aceite pela maioria do povo deste concelho que, quer queiram ou não certos políticos, ainda tem fé para saber escolher Deus como salvador rejeitando os falsos profetas dos nossos dias, cujas obras são palavras, verborreia hipócrita que a realidade desmente.

Não se trata de desprezar o valor de um homem cuja vida e obra a história já glorificou, mas pretende-se atender aos sentimentos religiosos de um Povo que também sabe o que quer. Respeitar estes sentimentos é respeitar o próprio Povo.

E é assim que o assunto vai ser submetido à apreciação das Assembleias de Freguesia do Concelho que, até 31 de Dezembro de 1981, deverão comunicar à Câmara Municipal as suas deliberações conforme proposta dos vereadores do PSD, na sessão da Câmara de 21-10-1981.

Na verdade, o feriado do dia 17 de Julho só serve para os funcionários públicos, comércio e indústria porque as pessoas que vivem da agricultura, e são-no na maioria, neste concelho, não são beneficiados porque não têm qualquer interesse profundo em guardar um dia que, para eles, não tem verdadeiro significado político nem social.

O diploma legal que regulamenta o estabelecimento dos feriados municipais tem pouco que ver com os sentimentos profundos do Povo Português. Foi a demagogia, a febre materialista enfiar carapuças a quem as recusa usar. O povo isto, o povo aquilo. Tretas... tretas!

E. S.  |  Nova Esperança, nº23 Nov. 1981

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SOBRE ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA, ver https://penacovaonline2.blogspot.com/search?q=ant%C3%B3nio+jos%C3%A9




05 julho, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (1): em curso a formalização desta pretensão

Fonte da imagem: Patrimónios de Penacova
de Leitão Couto e David Almeida

Subscrito pelas Deputadas e Deputados, Pedro Coimbra, Pedro Delgado Alves, Rosa Isabel Cruz, Marina Gonçalves e Rui Santos, com data de 16 de Abril do ano em curso, o Projeto de Lei n.º 574/XVII/ 1.ª foi apresentado na Assembleia da República tendo como propósito a " Elevação de Carvalho à categoria de vila".

O documento (que pode ser acedido AQUI ) fundamenta a pretensão e na parte introdutória, que se relaciona com a "Exposição de motivos", podemos ler o seguinte: 

"A Lei n.º 24/2024, de 20 de fevereiro, veio aprovar o novo regime jurídico de atribuição de categoria de vila ou cidade às povoações, colmatando uma lacuna com mais de uma década. Para além de proceder à atualização dos critérios de elevação a vila e cidades em função das modificações registadas desde a aprovação do último regime jurídico sobre a matéria, ainda nos anos 80 do século XX, procedeu também à introdução no seu artigo 5.º de um critério adicional de reconhecimento da titularidade histórica da categoria de vila “a todas as povoações que sejam ou tenham sido sede de concelho, nomeadamente em virtude da demonstração da concessão de Carta de Foral e da existência de estrutura administrativa relevante”. Ora, essa é precisamente a situação em que se encontra Carvalho, atual freguesia do concelho de Penacova (distrito de Coimbra), que foi sede de concelho desde a outorga do Foral manuelino em 8 de junho de 1514, assim tendo permanecido até às reformas administrativas do século XIX, quando foi extinto pelo Decreto de 6 de novembro de 1836 e integrado no concelho de Penacova."

 


De acordo com notícia do "Penacova Actual" a Junta e a Assembleia de Freguesia de Carvalho aprovaram pareceres favoráveis e posteriormente  a Câmara Municipal de Penacova "também se associou-se ao processo, reconhecendo a relevância histórica da pretensão." Por sua vez, a Assembleia  Municipal aprovou por unanimidade e aclamação a proposta.

O Penacova Online, que ao longo dos 19 anos de existência tem feito referências à história de Carvalho, irá durante os próximos tempos trazer aos leitores mais alguns dados históricos e culturais, caídos no esquecimento, sobre esta freguesia.

02 julho, 2026

Crónicas do Avô Luís (12): os "Dias da Criança"



O dia 1 de Junho passado, foi celebrado como o Dia Internacional da Criança, uma vez que, nesse dia, em 1925, como tal foi proclamado em Genebra, na Suíça, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança.

Todavia,

A ONU considera o dia 20 de Novembro, como o Dia Mundial da Criança, coincidindo com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959 e, também, com a Convenção dos Direitos da Criança, em 1989!

No entanto,

Esse Dia é díspar, consoante os Países…

É mesmo fruto de uma enorme confusão na Europa, em África, nas Américas, na Ásia e na  Oceania, tal celebração.

Fazem tanto mal às Crianças em todo o lado, que é preciso “exibir” um dia para fazer de conta que existem reais preocupações com o tema.

Eu tenho para mim que os DIAS DA CRIANÇA são todos os dias do ano.

É todos os dias que as devemos tratar bem!

São elas o nosso futuro colectivo…

E também acredito que esta “bagunça” da dispersão das datas comemorativas só fragiliza tudo o que está relacionado com as Crianças do mundo.

Sabemos de experiência feita que a não uniformização é sempre motivo da retirada de concentração para os objectivos que importam defender!

Vejamos:

1. O que se passa a nível interno com as questões da paternidade e das obrigações decorrentes da progenitura, não é vergonhoso?

2. ⁠não é, também, vergonhoso o que se passa com a tutela dos menores?

3. ⁠e os filhos dos emigrantes sem as suas situações regularizadas, não estão absolutamente entregues à burocracia reinante?

4. ⁠e o que justifica a morosidade deprimente da adoção em Portugal?

5. ⁠não é verdade que tudo isto se estende à generalidade dos países ditos civilizados?

Se respondermos afirmativamente às questões colocadas, o que podemos concluir é que a Criança é mal tratada todos, mas todos os dias, independentemente do local onde nascem ou vivem.

Assumindo-se, apesar de tudo, que existem Crianças felizes e bem tratadas; …mas cada vez menos.

Mas há muito pior:

1. As Crianças têm servido de “carne para canhão” e mortas aos milhões por esse mundo fora;

2. As Crianças têm sido “mortas à fome” principalmente em África;

3. As Crianças têm sido vítimas das “fugas” em massa, por esse mundo fora, sem que sejam dotadas de alimentação, saúde, habitação e educação;

4. ⁠As Crianças, agora, já são “roubadas” como “espólio de guerra”, como está a acontecer na Ucrânia e na Palestina;

5. ⁠As Crianças também estão a ser separadas à força das suas Famílias, nos EUA;

6. E, agora, até são postas como soldados nas guerras…

Já nada, nem ninguém parece poder combater tais flagelos.

A defesa de todos estes ataques às Crianças ou é feita todos os dias da nossa vida, ou a regeneração da Sociedade lactu sensu considerada não vai, pura e simplesmente acontecer.

E são duas as consequências que eu vejo em tudo isto:

a). O Mundo envelhece a uma velocidade estonteante, sem regeneração suficiente, até que acabará…;

b). O Mundo está a criar Seres enraivecidos que se lançarão em aventuras, aventuras essas que o levarão ao mesmo fim…!

Temos -as Pessoas lúcidas que não se conformam com tudo isto- de exigir um caminho diferente; um estatuto maior e efectivo para as Crianças do Mundo; uma punição efectiva para todas as pessoas (mais animais) que não tenham respeito pelas Crianças…

Uma abordagem diferente, dura, implacável, a todos quantos se dedicam -quase impunemente- à pedofilia!

Outra das formas tristes de atentar contra as Crianças!

As Entidades (nacionais e internacionais) têm de ser postas em sentido, como soi dizer-se.

Unamo-nos, pois, nessas tarefas de combate, considerando que os Dias Todos do Ano, devem ser dedicados às Crianças!

Ao seu bem-estar; à sua educação e à sua vida saudável.

Já não dá para serem SÓ as instituições ligadas à Igreja, aos Missionários e aos Voluntários a tratar de assunto tão determinante num futuro próximo…

Luís Pais Amante


29 junho, 2026

Histórias de Penacova (4): almas do outro mundo, assalto à capoeira e prisão de mulher de virtude...

𝔸𝕝𝕞𝕒𝕤 𝕕𝕠 𝕠𝕦𝕥𝕣𝕠 𝕞𝕦𝕟𝕕𝕠...

(1952)

Há nesta freguesia [Oliveira do Mondego] quem acredite em almas do outro mundo; nos princípios da semana finda passou-se nesta localidade um caso interessante.

Certo individuo muito crente em almas do outro mundo, a altas horas da noite ouviu por cima do telhado de sua casa certo ruido com o qual ficou aterrorizado (e era para isso);com grande espanto acordou sua esposa dizendo-lhe que a tal alma penada andava, por cima do telhado partindo-lhe as telhas. 

O caso foi presenciado pelos vizinhos que acorreram curiosos para verem a tal alma, afinal verificaram que uma cabra dum vizinho tinha fugido do curral, subindo com dois filhos para cima do telhado, pregando tamanho susto ao pobre homem, que ia fazendo dar trabalho à esposa e gastar mais em sabão... 

𝕭𝖆𝖗𝖗𝖎𝖌𝖆𝖉𝖆 𝖉𝖊 𝖗𝖆𝖕𝖔𝖘𝖆 ... 

(anos 30)

Foi o caso que numa das noites deste Maio pardo, uma matreira raposa ou mais, vieram à capoeira do Hospital da Misericórdia desta vila e levaram nada menos de seis belíssimas galinhas.

No dia seguinte, pelas pesquisas a que se procedeu, verificou-se que havia sangue e destroços mortais das mesmas, espalhados pelos olival do Mondego.

Velhaca ou velhacas! Nós nem sardinha e ela, ou elas, seis boas galinhas ! Não há direito!

E além de todas as perdas e desgostos e contratempos e tantas penas e «penas», de hoje para o futuro já se não pode trautear aquela cantiga dos recrutas, ao ouvirem tocar a doentes:

Quem quiser galinha

Vá para o hospital

Mas coma poucochinha

Que lhe pode fazer mal.


A bruxa do Travasso 

(1930)

Pela autoridade administrativa deste concelho foi presa no lugar do Travasso, a «bruxa» Delfina de Jesus, também ali conhecida por «A Santa dos Olivais», o cliente António Couceiro, do mesmo lugar, e o pai da «mulher de virtude», Joaquim Lopes Padilha, conivente nos seus bruxedos.

A Delfina de Jesus celebrava missa numa ampla sala da sua residência, onde lodos os dias se reuniam dezenas de pessoas daquele e outros lugares, na prática do rezas e cânticos religiosos. Dizia-se enviada de Deus e que a pessoa que a prendesse ficaria negra como carvão, afirmando também curar todas as doenças.

Quando ali chegou a autoridade administrativa, acompanhada de uma força da Guarda N. Republicana, alguns habitantes daquela povoação completamente sugestionados, pretenderam resistir, insubordinando-se, chegando a locar a sineta da capela a rebate. Mas ao verem a disposição da força armada os homens abandonaram o lugar, ficando apenas as mulheres.

Os presos seguiram para a cadeia de Coimbra onde aguardarão que sejam remetidos a juízo.

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FONTE: Jornais de Penacova