03 fevereiro, 2026

Crónicas do Avô Luís (7): Visitar Museus é reviver a História

 



Visitar Museus é reviver a História

Nesta minha Crónica, relevo a importância de todos nós levarmos os nossos netos aos Museus.

A museologia em Portugal não é, ainda, uma realidade muito abrangente, nem muito “descentralizada”, mas começa a evoluir.

Um fim-de-semana destes estive com a Família em São João da Madeira. Terra conhecida pela indústria dos sapatos e, também, antigamente, da chapelaria. É verdade que o uso de chapéu foi sendo descontinuado no formato do vestuário e, hoje, quase inexiste.

Em 1992, eu fui Director de um Curso de Formação de Gestores de PME’s, justamente daquela região. Acredito que, hoje em dia, muitos dos gestores destas indústrias terão frequentado esse curso, financiado pela então CEE (através do Fundo Social Europeu).

Nessa altura ainda existia a Fábrica de Chapéus detida pela Empresa Industrial de Chapelaria, Lda, fundada em 1914, por António José de Oliveira Antunes. Era a maior Fábrica de Chapéus da Península Ibérica, que encerrou em 1995.

A nossa Família, incluindo os mais jovens, assistiu - entusiasmada - às explicações da nossa “cicerone” e, para além do apreço pela exposição fotográfica (rica e contextualizada), admirou-se muito com as evidências do trabalho de crianças.

E era exactamente aqui que eu queria chegar!

Não há tanto tempo assim desde que acabou o trabalho infantil em Portugal.

Leiam, por favor, o “extracto” que retirei de um trabalho * publicado pela DGERT, do Ministério do Trabalho, onde estiveram - e estão - amigo(a)s meus muito dedicados a esta causa:

PETI - Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil; ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho; PIEC - Programa para a Inclusão e Cidadania

O PETI – Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil, foi criado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 37/2004, de 20 de Março, tendo sucedido ao Plano para Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil (PEETI), e prosseguia, designadamente, os seguintes objectivos:

• Dinamizava e coordenava acções de divulgação e de informação sobre a promoção e protecção dos direitos dos menores junto dos pais e encarregados de educação, dos estabelecimentos de educação e de ensino, dos empregadores e da opinião pública em geral, com vista à prevenção da exploração do trabalho infantil;

• Estabelecia acordos de cooperação institucional com outras entidades, designadamente as autarquias locais, sempre que o diagnóstico das necessidades das crianças e dos jovens em risco justificava a execução de acções conjuntas para a prevenção da exploração do trabalho infantil;

• Desenvolvia acções específicas de prevenção da exploração de trabalho infantil nas formas consideradas intoleráveis pela Convenção n.º 182 da OIT;

• Divulgava as medidas educativas e formativas promovidas, realizadas ou apoiadas pelos organismos dos Ministérios da Educação, do Trabalho e da Solidariedade Social, nomeadamente os Programas Integrados de Educação e Formação (PIEF), em todas as regiões onde o diagnóstico de necessidades dascrianças e jovens em risco o justificava.

Os destinatários do programa eram: menores em situação de abandono escolar sem terem concluído a escolaridade obrigatória; menores em risco de inserção precoce no mercado de trabalho; menores em situação de exploração efectiva do trabalho infantil; menores vítimas das piores formas de exploração.

No entanto, e por força do artigo 2º do Decreto-Lei n.º 229/2009, de 14 de Setembro, as atribuições do Programa para a Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil, na parte relativa à prevenção e combate ao trabalho infantil passaram a ser asseguradas pela ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, a quem também cabe a inspecção das condições do trabalho. 

Sabidas, assim, as causas que enquadraram a chaga do Trabalho Infantil, necessário se torna concluir que, se em 2009, o Estado foi obrigado a endossar à ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) a prevenção é porque, nessa data (há pouco mais de 15 anos) a exploração das Crianças através do Trabalho Infantil, ainda era exercida por portugueses sem escrúpulos.

Vou mesmo mais longe, afirmando que ainda hoje existirá, especialmente exercido no contexto familiar, em desenvolvimento de trabalho sub-contratado, feito na casa de família do sub-contratado.

Só queria que tivessem vistos os netos parados em frente das fotografia, atónitos, apontando para as Crianças.

Pelo que devo incentivar as Famílias a visitarem a museologia portuguesa, porque estas visitas promovem o enriquecimento da civilidade.

… e é de pequenino que se torce o pepino!

Ou já não será?

Luís Pais Amante



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* CADERNOS DE EMPREGO E RELAÇÕES DE TRABALHO Nº 09 | TRABALHO INFANTIL: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS MEDIA | Autoria: Joana de Negrier Almeida e Macedo | © Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho / Ministério da Economia e do Emprego  | Janeiro de 2012 | ISBN: 978-972-8312-58-9


31 janeiro, 2026

Autores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (7): Paulo Cunha Dinis


Paulo Cunha Dinis nasceu em 1972 e pertence a uma família de S. Pedro de Alva.  Fez os primeiros estudos em Penacova.  Reparte a sua vida entre Lisboa e Hombres. Escreveu algumas crónicas no jornal Nova Esperança. Depois de vários trabalhos publicados, vai lançar em breve, no Festival Literário de Penacova, um novo livro À Beira do Tempo – Contos da Terra e da Gente.


ENSAIO SOBRE A PRAÇA

Da contracapa:

" (...) Este livro faz parte de um retrato de sentimentos, objetivando incursões na compartimentação das limitações coletivas. Por outro lado, transfere uma mensagem de beleza sincrética, presente na mostra de uma escrita comentada das representações sociais, num estudo sobre as personagens… que traçaram os seus próprios caminhos. No próprio espaço em que nasceu este ensaio, não parece surpreendente a outorga da temporalidade como campo de referência da conciliação entre elementos de racionalização, subjetivação e de recomposição, num processo - não de romantismo da consolação - mas da circularidade própria dos fenómenos sociais. Mais do que um mero esboço, o autor traça na verdade uma caracterização sistemática do Homem, através de tantas figuras, de inúmeros fragmentos indivisíveis entre o visual e o escrito, em trajetórias, por vezes, de grande complexidade. Esta obra não trata de dramatizações como em Tamerlanto ou em Bajazet. E já não se compraz com um cenário extravagante. Mas com o que as palavras compõem, isto é, a triangulação de coloridos do ambiente social.(...) "

Bernardo de Mello Bandeira

Texto igualmente publicado in  https://www.amazon.com


PAULO CUNHA DINIS

Mestre em Estudos Políticos de Área – vertente Relações Internacionais no Cáucaso do Sul, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, com a dissertação “A Geórgia e a Política Externa Russa. Uma análise do Cáucaso à luz da Teoria da Regionalização”; Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa. Principais Áreas de Investigação: Política Externa Russa; Regionalismo Caucasiano; Diplomacia; Diásporas dos Estados ex-soviéticos; Defesa; Relações Internacionais.

Participação em Projectos: Estudo sobre a População do Concelho de Penacova de 1970 a 2011 apoiado pela Fundação Mário da Cunha Brito, Câmara Municipal de Penacova e Junta de Freguesia de São Pedro de Alva.

Publicações: “Ensaio sobre a Praça”, Editora Lugar da Palavra, publicado em 2010; “Lapsos de Tempo”, Editora Papiro, publicado em 2008.

Fonte: https://www.observatoriopolitico.pt/

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Ensaio sobre a Praça / Paulo Cunha. - Rio Tinto: Lugar da Palavra Editora, 2010. - 51 p.  ISBN 978-989-825-533-4

Lapsos de tempo / Paulo Cunha. - Porto : Papiro, 2008. - 72, [6] p. ; 23 cm. - ISBN 978-989-636-210-2

Penacova: visto pela demografia / Paulo Cunha Dinis, Filipa de Castro Henriques. – 1ª ed. – Rio Tinto :Lugar da Palavra Editora, 2015. – 115 p. : il. ; 21 cm.  – ISBN 978-989-731-098-0


26 janeiro, 2026

Autores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (6): António M. T. Catela


Foi apresentado no dia 13 de Outubro de 2012, no auditório do Centro Cultural de Penacova o livro de António Catela, Tudo num Momento

Contou com a presença do Presidente da Câmara, Humberto Oliveira e a Vereadora da Cultura, Fernanda Veiga, bem os ex-presidentes do Município, Estácio Flórido e Maurício Marques. Presentes  também muitos amigos e familiares do autor. 

Como o subtítulo do livro sugere - do blog ao livro -  esta publicação (edição de autor) engloba uma selecção dos textos que desde 2007 foram sendo publicados no blogue com o mesmo nome. 

De acordo com o autor, esta obra vem "concretizar um sonho de menino nunca cumprido". A escrita, e em especial a escrita romântica, sempre foi a sua paixão. 

Conforme se pode ler no Prefácio e numa das Notas Introdutórias "recorrendo a pinceladas de cores fortes e expressivas, fala do amor, da amizade, das relações, dos valores, de si próprio, da família e das (des)ilusões". Por outras palavras, o livro remete para "o melhor e o pior do quotidiano; os valores éticos, morais ou a falta deles; os sentimentos nobres, puros e belos que habitam o ser humano e, acima de tudo, a beleza de uma alma sonhadora" levando-nos a "questionar os nossos próprios sentimentos e a nossa forma de ser e de estar neste mundo." 

Para o autor, este livro pretende "ser um tributo ao amor", a esse sentimento que "mais faz sofrer e alegrar o mundo", que "enlouquece, que faz chorar, que magoa, mas que também faz sorrir e sonhar".

In Blogue Penacova Online, 15 de Outubro de 2012

ANTÓNIO MANUEL TEIXEIRA CATELA

António Manuel Teixeira Catela, "nasceu na Maternidade da Sagrada Família na cidade de Luanda, em Angola, em 1961! Ano em que começou a Guerra do Ex-Ultramar, ou melhor a revolta que iria dar início à independência de Angola." 

Frequentou o 5º ano geral de eletricidade. Estudou em algumas províncias de Angola, mais tarde na Lousã e terminando na Escola Avelar Brotero, em Coimbra. 

"Desde miúdo, que sempre se inclinou para a área das letras mas, por motivos vários, acabou por entrar num curso tecnológico, onde as suas melhores notas. nas diversas cadeiras, foram sempre as Línguas e a História de Portugal. Sempre gostou muito de escrever e dedica muito do seu tempo à escrita romântica, área onde se sente melhor."

É casado e tem duas filhas. Reside em S. Paio de Mondego, no concelho de Penacova, onde é Presidente da Junta de Freguesia, há 26 anos. Lado a lado com este cargo, tem desempenhado funções diversas na área do associativismo, em várias Associações do concelho. A nível profissional desempenhou várias funções, entre as quais se destaca a de electricista e a de agente de segurança. Actualmente é encarregado geral de equipamento, numa Associação de Desenvolvimento Regional, sendo responsável por todo o parque de máquinas. 

"Esteve também durante toda a sua vida, ligado à religião que não renega, tendo sido inclusive catequista. Pertence ainda hoje à Fábrica da Igreja da sua Paróquia e a uma Irmandade." 

"Não sendo escritor na verdadeira acepção da palavra, acaba por publicar este primeiro livro que é um tributo ao amor, às pessoas simples e humildes e uma forma de provar a si próprio que, "tudo é possível quando o homem sonha"! 

Fonte: "Biografia", publicada na badana do livro


"SONHADOR - Hoje, de olhar cansado, rugas marcadas, um rosto temperado pelo tempo, cabelos grisalhos, pelos a surgirem, dia após dia, onde não os desejamos e a desaparecerem para sempre de onde os queríamos, barriga proeminente, curvatura nas costas, à semelhança do corcunda de Notre Dame, vai assistindo ao seu "declinar", impávido e sereno, o rapaz bonito, de cabelos aos caracóis, que nem o vento movia. 

A cerveja esfregada, todas as manhãs, nos caracóis, na inexistência de gel, permitia que os mesmos não se estragassem. De olhos esverdeados brilhantes, que, ainda hoje, mantêm a sua cor ao sol e mudam para castanho ao luar, este rapaz, metido a "engatatão", muito tímido, que pedia namoro por bilhete e não conseguia "levar uma tampa" num baile, por isso não pedia às moças para dançar, foi, no fundo, sempre um romântico. Falava com a lua, com as estrelas e escrevia-lhes quadras, poemas que lançava no ar sem preocupações de métrica, no tempo em que as calças de que mais gostava, a mãe lavava à noite e, quantas vezes, ainda as vestia meia molhadas, no outro dia pela manhã. 

Tempos em que era vulgar uma vinda de Coimbra a pé e em que a chegada a casa, cansado mas feliz por ter vivido mais um dia, era o mais importante. 

Não esqueço o deitar no beliche, que chiava por todos os lados, ali bem juntinho ao rio. Jamais adormecia sem um beijo da mãe e envolvia-me em sonhos, que me traziam novas aventuras  para o dia seguinte. Sempre fui um romântico, um sonhador!

Terça-feira, 27 de Outubro de 2009"

Texto publicado na contracapa do livro


REGISTO NA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL




24 janeiro, 2026

Lembremos...





Lembremos


Lembremos Carlos Paredes
E o trinar das suas Guitarras
Que nos ensinou a escutar

Recordemos
O Ser humilde que ele foi
Muito grande em Liberdade
Sem nunca esquecer a Cidade
De Coimbra

[… Paredes de Coimbra são
Guitarras de cá também
Violas a acompanhá-las
O manter do Fado vão …]

Acordemos
E juntemos com ovações
Os cantares com vocação
Mesmo que sejam Baladas

Antecipemos
Que as gerações vão manter
Com saudade as Guitarras
Que nos tocam o coração



Luís Pais Amante
Casa Azul

Em homenagem a Carlos Paredes.

Recorte de jornal satírico: "Há muitos anos que isto aconteceu em Lorvão..."


O ZÉ, sucessor do jornal O Xuão – semanário de caricaturas e humorístico, publicou-se em Lisboa  entre 1 de Novembro de 1910 e 1 de Março de 1919. Trocado no título o invocativo de João (Xuão) Franco pelo do Zé Povinho, o jornal era o mesmo, feito pelas mesmas pessoas: Estêvão de Carvalho (1881-1935), diretor e editor, Ricardo de Sousa, administrador e Silva e Sousa, caricaturista.

Numa época de exacerbado anticlericalismo, “O Zé” lembrou-se de publicar, em Fevereiro de 1912, sob o título “É padre e basta…” uma história que se terá passado em terras de Lorvão. 

Conta o jornal satírico-homorístico:

“Há muitos anos que isto aconteceu em Lorvão, próximo de Penacova. Havia lá um padre que desde a sua chegada àquela localidade notou a beleza de uma sua devota. Fez todos os possíveis para se aproximar dela o mais assiduamente que podia ser e um belo dia confessou-lhe o que sentia por ela. A mulher, primeiro zangou-se, mais tarde sorriu-se, até que por fim já trocava impressões com o cura.

O padreca estava todo enlevado pela conquista feminina que tinha feito, mas o que ele não imaginava por vislumbres sequer era que a mulher antes do último sorriso tinha contado tudo ao marido lá em casa e por conselho deste é que ela tinha continuado com tanta familiaridade… O carola caguinchas estava todo baboso e estava ansioso pelo momento feliz de estar a sós com ela… O momento desejado apresentou-se e o papa-hóstias do inferno já todo se inchava de prazer, de uma satisfação desmedida que o forçava.

Na povoação já havia mais pessoas que tinham notado a anormalidade do padre e essas pessoas espreitaram-lhes os passos até que ficaram sabendo o motivo daquele seu novo modo de ser. Inteirados do que conseguiram saber foram contar ao marido da devota cobiçada que se pôs a sorrir quando lhe expuseram o facto que pra ele não era segredo. Contou tudo aos indivíduos que se lhe dirigiram, depois de lhes agradecer a boa intenção com que o procuravam e combinou-se fazer-lhe uma partida.

Estavam no Carnaval e o marido da devota fez-se saído da terra para dar ocasião a que o engole partículas entrasse em sua casa… Assim aconteceu por antecipada combinação feita pelo padre e pela crente e sabida pelo marido pseudo-ofendido. Os amigos deste último também entravam como actores na peça que se ia representar e por isso estavam a postos por trás dum muro que pertencia ao quintal da casa onde morava a mulher traidora… O marido saiu de casa e com a sua saída chegou a noite, que na sua escuridão ocultava o vulto do padre. A beata, a medo, abriu a porta ao padre-cura e este, todo jubiloso, entrou na alcova conjugal.

O marido bateu à porta… e o padre em lugar de vestir a sua camisa, vestiu por engano a da mulher e não pôde vestir mais nada. Como não pudesse sair pela porta da rua serviu-se da porta traseira, a do quintal, e ao saltar o muro os outros homens que o esperavam correram após o padre, gritando: - Cerquem! Cerquem a alma do outro mundo! Realmente com aquela camisa tão grande de mulher parecia um fantasma…

O padre teve a sorte de chegar a sua casa depois de ter apanhado com um cacete pelas pernas… Assim é que em todas as aldeias haviam de proceder contra os padres insolentes, mas tendo o maior cuidado possível em lhes aplicar bem as doses de cacete, porque aquela gente sagrada, como são do céu, não lhes dói nada!

20 janeiro, 2026

As obras dos pintores/douradores de Farinha Podre na Sé e na Diocese de Viseu


Nos estudos relativos às obras de talha dourada e policromada (período Barroco) destinadas às igrejas e capelas da diocese de Viseu, são identificados alguns artistas e artífices intervenientes neste tipo de obras.

Nesta diocese, as oficinas locais de talha, existentes na primeira metade do século XVIII, não eram suficientes para dar resposta à procura. Assim, os artistas, na sua maioria, eram oriundos de outras regiões do país, desde concelhos mais próximos, como Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Penacova, até outros do norte do país.

“A deslocação de alguns destes artistas para a diocese de Viseu não se confinou à sua contratação para uma única empreitada, acabando alguns deles por prolongar a sua permanência neste espaço geográfico para corresponderem as sucessivas obras que foram arrematando. Um dos exemplos que nos merece especial destaque é o dos mestres pintores/douradores Manuel de Miranda Pereira e José de Miranda Pereira, pai e filho respectivamente, oriundos de Farinha Podre, concelho de Penacova, que entre 1732 e 1753 adjudicaram várias obras de pintura e douramento no espaço diocesano”, sublinha Maria de Fátima Eusébio, especialista em património e actual directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja.

 
Neste quadro, apresentado na publicação acima destacada, mais concretamente na comunicação de Maria de Fátima Eusébio “A mobilidade espacial e estética do entalhador Manuel Vieira da Silva” podemos verificar, em pormenor, as obras executadas por Manuel de Miranda Pereira e José de Miranda Pereira.

 

O site da Direcção Geral do Património Cultural, ao referir o conjunto arquitectónico e artístico da Sé de Viseu, menciona, no conjunto dos diversos artistas, os “pintores-douradores” de Farinha Podre, José de Miranda Pereira  e Manuel de Miranda Pereira (séc. XVIII).

Fala-se do “douramento dos retábulos de Nossa Senhora do Rosário e Santa Ana, por Manuel de Miranda Pereira e Baltazar Pinto da Mota bem como a assinatura (28 de Dezembro de 1733) do “contrato para a douragem do retábulo principal com o dourador José de Miranda Pereira, morador em Farinha Podre, em Penacova”. Também que “os frontais dos altares de Nossa Senhora do Rosário e Santa Ana” foram “dourados” por Manuel de Miranda Pereira e Baltasar Pinto da Mota.

Igreja de S. Pedro - Oliveira do Conde
 

19 janeiro, 2026

"Trezena do Glorioso S. António de Lisboa, para o uso dos Irmãos da Irmandade do mesmo Santo da Vila de Penacova "


As Irmandades e Confrarias, associações de fiéis, nasceram na Idade Média com o objectivo de promoverem o culto religioso público do seu santo padroeiro (orago) e de prestarem auxílio aos seus irmãos nas cerimónias fúnebres e em situações difíceis.

No século XVIII, em Portugal, as irmandades eram associações de leigos de grande importância social, religiosa e económica.

Um dos seus principais objectivos era congregar fiéis em torno da devoção a um santo padroeiro. Organizavam festas religiosas, missas e sufrágios pelas almas dos irmãos falecidos.

O "Inventário Artístico de Portugal", vol IV, 1953, refere que a capela de Santo António (Penacova)  é detentora de um cálice de prata, onde, no listel de base, se lê: “ESTE CALIX HE DA IRMANDADE DE SANTO ANTONIO FOI FEITO ERA D. 1664 a.” 

Este facto, entre outros, atesta a antiguidade desta devoção a Santo António em Penacova. 

Em 1778 a Imprensa da Universidade de Coimbra deu à estampa uma brochura de 55 páginas intitulada “Trezena do Glorioso S. António de Lisboa, para o uso dos Irmãos da Irmandade do mesmo Santo da Vila de Penacova”.  

Uma Trezena é um momento de oração realizado durante treze dias consecutivos (ou em 13 terças-feiras seguidas) uma espécie de novena, só que ao contrário da novena que é rezada em nove dias, é rezada em treze dias, em homenagem a Santo António (por ser o dia treze o seu dia). Neste caso, iniciava-se no dia 1 de Junho com a Exposição do SS (Santíssimo Sacramento) e entoava-se um cântico. Seguia-se uma oração e depois cantava-se um Hino. Incluia igualmente uma meditação, uma ladainha e uma antífona.

Nos restantes dias pontificava a meditação sobre as diversas virtudes (Fé, Esperança, Caridade, Prudência, Temperança, Fortaleza, Justiça, Paciência, Castidade, Humilde, Discrição, Sobriedade).








Capela de Santo António em Penacova

17 janeiro, 2026

O topónimo Penacova em Terras de Santa Cruz


No artigo “A Saudade Portuguesa na Toponímia Brasileira”, escreve  Antenor Nascentes (1886 -1972), filólogo, linguista e lexicógrafo brasileiro, que “os navegadores portugueses, que a partir do século XVI começaram a explorar os mares nunca dantes navegados à procura de novas terras para dilatar a fé e o império, levavam consigo a saudade da terra natal e para mitigá-la, muitas vezes, davam às povoações fundadas nomes dos lugares onde nasceram”. 

“Essa transplantação quase sempre se operou espontaneamente, graças ao concurso dos povoadores anónimos, saudosos da pátria distante” – salienta. 

No entanto, “algumas vezes se deu por influência oficial, com o intuito de fazer desaparecer o topónimo aborígene, como aconteceu no Pará em 1758. O capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado ordenou que se substituíssem por topónimos portugueses os de origem tupi, visando assim dissimular a origem indígena dos povoados em que se transfiguraram os aldeamentos organizados pelos jesuítas”, mal vistos então pelo marquês de Pombal.

Antenor Nascentes não refere uma outra personalidade que terá, em contexto semelhante, conferido um topónimo português a um lugar do Pará.

Referimo-nos a  José de Nápoles Telles de Menezes (c.1747-c.1795),  Governador do Pará no final do século XVIII, filho de Luís Xavier de Nápoles Lemos e Menezes, Senhor do Morgado de Penacova. 

No livro “Belém do Pará sob o domínio português-1616 a 1823” de Jorge Harley, encontramos na pág. 78 a seguinte nota:

    
      "Fundou Tello de Menezes o lugar Penacova abaixo do Igaparé Una, 
povoando-o de aborígenes catequisados e "homens, segundo Baena,
de cor de mista qualidade e mulheres de prazer de fácil colheita no
mesmo sítio em que teve existência a Aldea de nome igual ao referido 
igarapé".
     Tello de Menezes aplicou ao lugar que creara o nome Pena Cóva
recordando a pitoresca vila Pena-Cóva, freguesia do Douro* em Portugal,
de onde talvez fosse filho.

 

O autor refere que Tello de Menezes “talvez” fosse filho de Penacova, desconhecendo que na realidade pertencia à família dos Nápoles, muito influente em Penacova, sendo filho do referido Luís Xavier e de Francisca Macedo. Quer os pais, quer os avós eram, pois, reputados elementos da nobreza beirã (Viseu, Penacova…). 

José de Nápoles, nascido em Viseu, foi Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Tenente de Cavalaria em Almeida. Em 1779 passou a Governador e Capitão Geral do Estado do Grão Pará e Rio Negro. 

“No dia 26 de fevereiro de 1780, a bordo da charrua “Águia Real e Coração de Jesus” (navio de três mastros e um grande porão, mas de pequena capacidade para armamentos) chega ao Pará o governador e capitão general do Estado do Grão Pará e Rio Negro José de Nápoles Telles de Menezes, acompanhado de membros da Comissão de Demarcação de Limites entre os domínios de Portugal e Espanha.”- escreve Hoje na História

Depois de meritória acção no cargo, acabou por cair em desgraça, afastando-se em 1783. Veio a falecer em Lisboa. Solteiro e sem filhos deixou os bens ao sobrinho Luís Augusto de Nápoles Bourbon de Menezes. 

Mas temos mais referências: os Anais da Biblioteca e Arquivo Público do Pará (1902), ao falarem do Hospício construído pelos Capuchos de Santo  de Santo António, regista que “em torno do hospício grupou-se uma aldeia indígena, a que, em 1782, o governador e capitão general do Pará, José de Nápoles Tello de Menezes pôs a denominação de Penacova, e tentou reanimar, aumentando-lhe o número de habitantes”. 

Outra menção ao lugar “Penacova” aparece-nos na História do Pará (pág. 238 do vol. I) quando são referidas as “Agitações Políticas de 1823 a 1834”, designadamente a “Revolta de Outubro: Prisão do Cónego Batista de Campos”. Refere-se o seguinte: “Arrojados os corpos na lancha do navio, foram levados para a margem do rio, no sítio chamado “Penacova” e aí sepultados em grande vala que para isso se abriu”. 

Ficamos então a saber que existiu em Terras de Vera Cruz uma localidade chamada Penacova. O nome não terá vingado, já que nenhuma das pesquisas que fizemos nos confirmaram a existência deste topónimo nos nossos dias, ao contrário do que acontece, por exemplo, com Coimbra, nome de um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. 

* De 1835 a 1936, a Província do Douro incluía os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra. VER https://audaces.blogs.sapo.pt/2585.html

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QUER SABER MAIS SOBRE TOPÓNIMOS BRASILEIROS DE INFLUÊNCIA PORTUGUESA?


1. Ainda, pela leitura do artigo A SAUDADE PORTUGUESA NA TOPONIMIA BRASILEIRA, de  Antenor Nascentes,  ficamos a conhecer muitos outros exemplos: 

No Amazonas encontram-se: Borba, Silves, Barcelos, Badajoz, S. Paulo de Olivença (Olivença, então portuguesa). No Pará: Alcobaça, Alenquer, Alter do Chão (antigo Borani), Almeirim (antigo Paru), Aveiro, Arraiolos, Bragança, Chaves, Colares, Esposende (antiga Tuaré), Faro, Mazagão, Melgaço (antiga Cuaricuru), Monsaraz, Monte Alegre (antiga Curupatuba), Óbidos (antiga Pauxis), Oeiras (antiga Araticu), Ourém, Portei (antiga Arucará), Porto de Moz, Santarém (antiga Tapajós), Sintra, hoje Maracanã, Soure, Tentúgal, Viseu, Mazagão, antiga Vila Nova de Mazagão. 

No Maranhão: Alcântara, Viana (talvez a do Castelo, que não a do Alentejo),Guimarães, Caxias (igualmente no Estado do Rio de Janeiro,onde foi mudado para Duque de Caxias por ocasião da revisãonda nomenclatura geográfica e no Rio Grande do Sul, onde passou a chamar-se Caxias do Sul.

No Piauí,  estado da região Nordeste: Amarante, Oeiras, Valença (talvez a do Minho), Jerumenha. Jerumenha, alteração de Jurumenha, recebeu de Martius uma incrível etimologia tupi. Oeiras antigamente se chamou Moxa. Quando foi escolhida em 1761 para capital da capitania do Piauí, recebeu do rei D. José I este nome em homenagem ao ministro Sebastião de Carvalho e Melo, conde de Oeiras, mais tarde marquês de Pombal.

O Ceará conta: Sobral, Soure, Crato, Mecejana. Não se pode pôr em dúvida o primeiro. Não há sobreiros no Brasil.

Apesar de reconhecer a existência de uma vila portuguesa com o nome de Mecejana, apesar José de Alencar dá a palavra como de origem tupi e significando "a abandonada". 

O Rio Grande do Norte apresenta Macau e Estremoz.

Alagoas tem apenas Anadia.

Sergipe tem Badajoz.

A Baía conta: Abrantes, Barcelos, Belmonte, donde era senhor Pedro Álvares Cabral, o descobridor, que tocou em terras baianas em 1500, Alcobaça, Santarém, Trancoso, Olivença (hoje espanhola), Valença.

O Estado do Rio de Janeiro apresenta Arcozelo, uma simples estação ferroviária. Lá existem Valença e Resende, que se prendem a personalidades portuguesas.Valença em homenagem a D. Fernando José de Portugal, marquês de Aguiar, descendente dos nobres de Valença.

A cidade de Resende, foi criada no governo de D. José Luís de Castro, segundo conde de Resende e quinto vice--rei do Brasil, sendo assim chamada em honra dele.

São Paulo apresenta a cidade de Montemor, Paranhos, Nova Louzã, e as estações ferroviárias Lusitânia e Miragaia. Houve uma antiga Queluz.

O Rio Grande do Sul apresenta Alegrete, que não vem de topònimo. Havia no local uma cidade cuja capela os espanhóis incendiaram em 1761. O capitao-general marquês de Alegrete mandou reconstruída e então os habitantes, gratos, deram à localidade o nome do título do marquês.

Mato Grosso apresenta Melgaço.

Finalmente, Minas Gerais possui Cedofeita, que lembra a igrejinha do Porto,  Ericeira que evoca a praia donde partiu para o exílio o rei D. Manuel II. Barbacena, nome de freguesia próxima de Elvas, Queluz (hoje Lafayette), lembrando o palácio real das cercanias de Lisboa, Matozinhos, que possui um santuário que é uma réplica do que existe no Porto, Mariana e S. João del-Rei. Mariana era a vila do Carmo. Passou a ser cidade em 25 de Abril de 1745, recebendo este nome em honra de D. Maria Ana d'Austria, esposa do rei D. João V. S. João del-Rei era o antigo arraial do Rio das Mortes. Perto de S. João dei-Rei fica a antiga vila de S. José do Rio das Mortes, depois S. José del-Rei, hoje Tiradentes, cujo nome se atribui ao príncipe real D. José, mais tarde rei D. José I, filho de D. João V. Feita uma homenagem ao pai, julgaram de bom aviso fazer outra ao filho.

2. Por sua vez, uma simples pesquisa em “modo IA" dá-nos o seguinte:

A toponímia brasileira é rica em nomes portugueses, refletindo a colonização e a devoção, com exemplos como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais (em homenagem às minas portuguesas) e Santa Catarina, além de muitas cidades com nomes de locais e santos de Portugal, como Braga, Coimbra, Aveiro, Lisboa, e Viseu, demonstrando a profunda ligação cultural e histórica entre os dois países, de Norte a Sul do Brasil.

Tipos de Nomes de Origem Portuguesa no Brasil

Nomes de Cidades e Estados:

Grandes Capitais: Rio de Janeiro (inspirado no estuário), São Paulo (dia de São Paulo), Porto Alegre (referência a "porto" e "alegre"), Belo Horizonte (referência à beleza do horizonte).

Nomes de Regiões: Minas Gerais (referência às ricas minas encontradas), Espírito Santo (referência religiosa), Santa Catarina (em homenagem a Santa Catarina de Alexandria).

Nomes de Santos e Devoção:

Grande parte das cidades brasileiras leva nomes de santos católicos, muitos deles venerados em Portugal, como São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Sebastião, Nossa Senhora da Conceição (variando de estado para estado).

Nomes de Lugares e Características Geográficas de Portugal:

Cidades: Coimbra (MG), Braga (PB, SC), Aveiro (AM), Viseu (MG), Lamego (RJ), Évora (PE).

Características Naturais: 

Rio Douro (em homenagem ao rio português), Serra da Mantiqueira (com influência toponímica).

Nomes de Pessoas (Colonizadores e Figuras Históricas):

Muitos lugares recebem nomes de bandeirantes, exploradores e nobres portugueses, como Fernando de Noronha (PE), Ilha de São João (hoje Fernando de Noronha) e nomes de famílias importantes da época. 

A toponímia brasileira é um espelho direto da colonização portuguesa, apresentando mais de 70 cidades com nomes idênticos aos de Portugal. 

Esta herança consolidou-se através da substituição de nomes indígenas por designações lusitanas, especialmente durante a Reforma Pombalina. Aqui estão os principais exemplos dessa influência:

Cidades Homónimas (Mesmo Nome)

Muitas localidades brasileiras foram batizadas em homenagem a vilas e cidades da metrópole:

Santarém (Pará) – O estado do Pará é um dos que mais preserva esta ligação, com mais de 20 cidades homónimas. Bragança (Pará) e Bragança Paulista (São Paulo). Óbidos (Pará). Chaves (Pará). Viseu (Pará). Amarante (Piauí). Barcelos (Amazonas). 

14 janeiro, 2026

Autores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (5): Pedro Leitão Couto


 “A Era da Solidão”, romance de Pedro Leitão Couto, foi lançado a 19 de Outubro de 2019, no auditório do Centro Cultural / Biblioteca de Penacova, com apresentação da professora e escritora  Madalena Caixeiro.

Escreveu o jornal O Despertar:

"Dividida em quatro temas, independentes mas que acabam por ter alguma ligação, esta obra apresenta-se como uma espécie de “tratado sobre o conformismo”.

No seu prefácio, Madalena Caixeiro enaltece a profundidade das personagens que, com personalidades diferentes e “muito ricas a nível psicológico”, prendem o leitor com as suas contradições, conflitos e, mesmo, “desencontros dentro de si próprias”.

Neste livro, Pedro Leitão Couto aborda temas da atualidade, como as dificuldades do relacionamento social, a solidão e, até, o suicídio, problemas que, como escreve Madalena Caixeiro, “revelam dramas interiores que a personagem não consegue resolver”.

Sobre o autor, a também escritora realça a sua linguagem “cuidada” e a forma como “sabe contar, criar e comover”, recorrendo a palavras “claras, intensas e nítidas” para narrar o quotidiano, feito, no fundo, de momentos de alegria, tristeza e incerteza. Natural de Coimbra, Pedro Leitão Couto, 43 anos [em 2019], é licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra. Atualmente dedica-se à literatura e à música. O autor vive em Coimbra mas tem raízes em Penacova. É filho de Adelina Nogueira Seco e do médico Joaquim Leitão Couto, ex-presidente da Câmara Municipal de Penacova." 


SINOPSE (por Vítor da Rocha)

«Uma obra repleta de ironia e clarividência, de desengano e de conformada tristeza. Composta por quatro narrativas, escritas sem rodeios nem cremes faciais, a obra A Era da Solidão é um verdadeiro tratado sobre o conformismo para onde a vida nos arrasta e a quase impossibilidade de uma partilha plena entre dois ou mais seres humanos, particularmente um homem e uma mulher unidos pelo amor, assim como a inevitabilidade de todo o ser humano ter na solidão a mais fiel de todas as companhias, como o diz Georges Moustaki na canção "Ma solitude":

Et si je préfère l'amour

D'une autre courtisane

Elle sera à mon dernier jour

Ma dernière compagne

Non, je ne suis jamais seul

Avec ma solitude

A Era da Solidão é uma obra de grande crueza, em todo o sentido daquilo que significa ler uma narrativa ficcional e pressentir que a vida pode mesmo não passar disso, a constante aprendizagem da rendição e a solidão como destino comum a todos, não apenas no primeiro e no derradeiro instante, mas na maior parte dos instantes de que se faz uma vida.»

_____

A Era da Solidão

de Pedro Leitão Couto 

ISBN: 9789898921253

Editor: Mosaico de Palavras

Data de Lançamento: Setembro de 2019

Dimensões: 153 x 229 x 14 mm

Páginas: 240

Auditório do Centro Cultural / Biblioteca de Penacova, 19 de Outubro de 2019 

(da esq. para a direita: Editor, Presidente da Câmara, Apresentadora, Autor)


Crónicas do Avô Luís (7): Mais Eleições, que chatice…


Mais Eleições, que chatice…

Nesta minha crónica no Blogue, tenho falado mais para os Jovens.

A Juventude Portuguesa vai muito, muito para além daquela que é “captada” pelos Partidos Políticos, que a transformam em absolutamente acrítica no dia seguinte à inscrição.

E aí vão escarafunchando para tentarem singrar numa “carreira” que já não se afigura capaz de acompanhar a “capacitação da nossa Juventude”, a melhor preparada de sempre!

Os que não enveredam por essas vias estreitas político-partidárias, normalmente, afastam-se da Política e deixam de “lhe passar cartão”. Pura e simplesmente…

De entre o nosso Clube da Netaria, há já um hipotético novo Votante, o Neto André.

No outro dia estive a falar com ele sobre as Eleições Presidenciais e a exclamação foi: mais Eleições Avô, que chatice…

Quando eu tinha a idade dele (1972) eu lutava para que fosse possível existirem Eleições Livres no nosso País; queria liberdade e mudança no mundo; lutava pela Democracia e, igualmente, por conseguir condições mínimas de vida para a população e apoio aos Estudantes mais carenciados, que éramos quase todos.

Só esta diferente situação temporal, muda e formata tudo o que hoje em dia está em mudança, nalguns casos dramaticamente.

O meu neto -e a generalidade dos(as) Jovens- já não estão preocupados com as questões que os do meu tempo centravam no seu dia a dia e no seu pensamento.

A Educação do Estado falhou na civilidade e o mesmo se pode dizer das Famílias.

A Política é cada vez mais um espaço “feudal” de elevação consuetudinária.

Já Parece que vivemos em Monarquia!

Experimentem, Meus Amigo(a)s, elencar os nomes dos Jovens Políticos que aparecem ainda sem barba no rodapé das Televisões e verifiquem se não são conhecidos os apelidos?

Ora bem,

Se as coisas assim estão, nas “Eleições chatice” que se avizinham, só podem esperar-se dois cenários, que antecipo:

1. Algum dos Candidatos “puxa” um número significativo de Jovens para votar e poderá exponenciar -para além do esperado- o seu resultado;

2. ⁠Ou isso não acontece significativamente e votarão os tais ligados às máquinas, cuja votação, a coincidir com o que se tem passado, não altera, substancialmente, nada.

Do que se me tem dado ver, todos os Pilitólogos apontam para o voto dos do nível etário acima dos 55 anos como determinante.

Nessa circunstância, estou crente que o Candidato Gouveia e Melo sairá beneficiado, se não cometer mais asneiras. Afinal é um Candidato com créditos firmados numa “empresa” difícil, mais apreendida por essa população.

Se a tal Juventude fora da Política for votar significativamente, beneficiarão, estou certo, André Ventura e Cotrim de Figueiredo.

Na minha análise - muito falível - ficarão de fora para a segunda volta, quase de certeza, António José Seguro e Marques Mendes.

O primeiro por mera culpa do Partido a que se entregou - e que o lixou - e das suas “tricas” permanentes, que seguirão até às Eleições.

O segundo porque tem seguido um trajeto que classifico de desastroso.

Mas pode ser que eu esteja enganado…


Luís Pais Amante

Casa Azul 

10 de Janeiro de 2025


PS: Se os Jovens são o futuro do País e se o País (para continuar Democrático, como necessário é) precisa de Eleições para se escolherem “os melhores de entre os menos maus”, então, temos, todos, de saber cativar a Juventude para participar nas votações.