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09 fevereiro, 2026

Penacova desaparecida: notas para a história do actual Largo de S. Francisco



Também conhecido por “Velha Casa da D. Amália” este edifício com alpendre e capela privativa, com coro, foi demolido em 1959 para dar lugar ao actual Largo de S. Francisco. Nesta casa viveu em tempos a “comadre Alexandrina” e aí existiu a “Sapataria Elegante” de Albino dos Santos, pai de Albino dos Santos Júnior. Aí funcionou o Clube Desportivo Penacovense (cremos que a partir de 1938). Foi também sala de Sessões da Junta de Freguesia.

Clube que era rival do “Grémio”. Promovia grandes bailes e chás dançantes e tinha orquestra privativa onde tocavam, como recorda Paulo Amaral ao comentar a foto que publicámos no Facebook: seu tio Augusto Amaral, vocalista, seu pai, José dos Santos Amaral, que tocava saxofone tenor, seu tio e padrinho, Edmundo, tocando sax alto, Joaquim Luís (Ferreiro), sax barítono, Quim Parente, bateria, Chico Facas, trompete, e Manuel Eliseu, que era o maestro e tocava violino.

Por sua vez a Capela demolida tinha igualmente um passado histórico muito importante. Sabe-se que já no século XVIII existia em Penacova uma Ordem Terceira de São Francisco, de algum modo relacionada com a instituição homónima de Coimbra, fundada em 1659. Há referências documentais (1720) a um Padre Comissário em Penacova, uma espécie de coordenador regional, com jurisdição e autoridade, por exemplo, junto dos “Irmãos Terceiros” de Poiares. Recorde-se que as Ordens Terceiras de S. Francisco tinham por missão a promoção da Caridade, o auxílio espiritual e material aos “irmãos”. Era frequente as Ordens Terceiras terem Capelas próprias. Terá sido o caso de Penacova. Quando a capela foi demolida em 1959, noticiou o Notícias de Penacova que “apareceu a certa profundidade um esqueleto denotando já muitas décadas de ter sido enterrado”, conjecturando-se que poderiam ser um dos muitos sepultamentos na capela privativa da Ordem de “irmãos” dos tempos da Peste Negra.

Este “velhíssimo” edificado era, no seu estilo, único na vila. Apesar disso, a progressiva decadência e ruína daquela casa terá levado a que aos olhos de muitos a demolição surgia como o mais ajuizado. Tal “espantalho a meter medo aos transeuntes”, como se disse na altura, a uns trouxe “saudade”, a outros trouxe “alívio”. Assim, “cumprindo-se a lei fatal de que nada no mundo é eterno, também a velha casa da D. Amália desapareceu”, para dar lugar “a um bom largo” que “bem preciso era naquele local”. Mesmo ignorando o que seria feito daquele local, o jornal da terra afirmou que o que interessava era “o desaparecimento daquela ruína que ali jazia há anos”.

Recorda Paulo Amaral que a capela “tinha um belíssimo painel de alto relevo onde estava inserido o São Francisco”. Essa imagem, foi, passados 34 anos (1993) e depois de ter andado não se sabe bem por onde, colocada num nicho no canto do largo, ou praceta, surgido após a demolição de 1959. De acordo com notícia da época a iniciativa foi da Câmara Municipal e da “Ordem de S. Francisco”. Sobre este aspecto, Isabel Jardim, ex-presidente do Conselho Nacional da Ordem Terceira, informou-nos que esse acto tinha tido a “intervenção de Irmãos e Irmãs da Ordem Terceira de Coimbra e de Irmãos e Irmãs da Fraternidade de Penacova”. Fraternidade de Penacova por ela fundada no tempo do Padre Pinho e que ainda hoje existe.

Neste largo funcionou algum tempo a Ciclo Preparatório em Pavilhões Pré-Fabricados. É hoje um parque de estacionamento.

Fontes:
Jornal Notícias de Penacova
Jornal Nova Esperança 
Inventário do Arquivo da Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco da Cidade de Coimbra 
CEHR - Centro de Estudos de História Religiosa (Universidade Católica)