26 janeiro, 2026

Escritores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (6): António M. T. Catela


Foi apresentado no dia 13 de Outubro de 2012, no auditório do Centro Cultural de Penacova o livro de António Catela, Tudo num Momento

Contou com a presença do Presidente da Câmara, Humberto Oliveira e a Vereadora da Cultura, Fernanda Veiga, bem os ex-presidentes do Município, Estácio Flórido e Maurício Marques. Presentes  também muitos amigos e familiares do autor. 

Como o subtítulo do livro sugere - do blog ao livro -  esta publicação (edição de autor) engloba uma selecção dos textos que desde 2007 foram sendo publicados no blogue com o mesmo nome. 

De acordo com o autor, esta obra vem "concretizar um sonho de menino nunca cumprido". A escrita, e em especial a escrita romântica, sempre foi a sua paixão. 

Conforme se pode ler no Prefácio e numa das Notas Introdutórias "recorrendo a pinceladas de cores fortes e expressivas, fala do amor, da amizade, das relações, dos valores, de si próprio, da família e das (des)ilusões". Por outras palavras, o livro remete para "o melhor e o pior do quotidiano; os valores éticos, morais ou a falta deles; os sentimentos nobres, puros e belos que habitam o ser humano e, acima de tudo, a beleza de uma alma sonhadora" levando-nos a "questionar os nossos próprios sentimentos e a nossa forma de ser e de estar neste mundo." 

Para o autor, este livro pretende "ser um tributo ao amor", a esse sentimento que "mais faz sofrer e alegrar o mundo", que "enlouquece, que faz chorar, que magoa, mas que também faz sorrir e sonhar".

In Blogue Penacova Online, 15 de Outubro de 2012

ANTÓNIO MANUEL TEIXEIRA CATELA

António Manuel Teixeira Catela, "nasceu na Maternidade da Sagrada Família na cidade de Luanda, em Angola, em 1961! Ano em que começou a Guerra do Ex-Ultramar, ou melhor a revolta que iria dar início à independência de Angola." 

Frequentou o 5º ano geral de eletricidade. Estudou em algumas províncias de Angola, mais tarde na Lousã e terminando na Escola Avelar Brotero, em Coimbra. 

"Desde miúdo, que sempre se inclinou para a área das letras mas, por motivos vários, acabou por entrar num curso tecnológico, onde as suas melhores notas. nas diversas cadeiras, foram sempre as Línguas e a História de Portugal. Sempre gostou muito de escrever e dedica muito do seu tempo à escrita romântica, área onde se sente melhor."

É casado e tem duas filhas. Reside em S. Paio de Mondego, no concelho de Penacova, onde é Presidente da Junta de Freguesia, há 26 anos. Lado a lado com este cargo, tem desempenhado funções diversas na área do associativismo, em várias Associações do concelho. A nível profissional desempenhou várias funções, entre as quais se destaca a de electricista e a de agente de segurança. Actualmente é encarregado geral de equipamento, numa Associação de Desenvolvimento Regional, sendo responsável por todo o parque de máquinas. 

"Esteve também durante toda a sua vida, ligado à religião que não renega, tendo sido inclusive catequista. Pertence ainda hoje à Fábrica da Igreja da sua Paróquia e a uma Irmandade." 

"Não sendo escritor na verdadeira acepção da palavra, acaba por publicar este primeiro livro que é um tributo ao amor, às pessoas simples e humildes e uma forma de provar a si próprio que, "tudo é possível quando o homem sonha"! 

Fonte: "Biografia", publicada na badana do livro


"SONHADOR - Hoje, de olhar cansado, rugas marcadas, um rosto temperado pelo tempo, cabelos grisalhos, pelos a surgirem, dia após dia, onde não os desejamos e a desaparecerem para sempre de onde os queríamos, barriga proeminente, curvatura nas costas, à semelhança do corcunda de Notre Dame, vai assistindo ao seu "declinar", impávido e sereno, o rapaz bonito, de cabelos aos caracóis, que nem o vento movia. 

A cerveja esfregada, todas as manhãs, nos caracóis, na inexistência de gel, permitia que os mesmos não se estragassem. De olhos esverdeados brilhantes, que, ainda hoje, mantêm a sua cor ao sol e mudam para castanho ao luar, este rapaz, metido a "engatatão", muito tímido, que pedia namoro por bilhete e não conseguia "levar uma tampa" num baile, por isso não pedia às moças para dançar, foi, no fundo, sempre um romântico. Falava com a lua, com as estrelas e escrevia-lhes quadras, poemas que lançava no ar sem preocupações de métrica, no tempo em que as calças de que mais gostava, a mãe lavava à noite e, quantas vezes, ainda as vestia meia molhadas, no outro dia pela manhã. 

Tempos em que era vulgar uma vinda de Coimbra a pé e em que a chegada a casa, cansado mas feliz por ter vivido mais um dia, era o mais importante. 

Não esqueço o deitar no beliche, que chiava por todos os lados, ali bem juntinho ao rio. Jamais adormecia sem um beijo da mãe e envolvia-me em sonhos, que me traziam novas aventuras  para o dia seguinte. Sempre fui um romântico, um sonhador!

Terça-feira, 27 de Outubro de 2009"

Texto publicado na contracapa do livro


REGISTO NA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL




Sem comentários:

Enviar um comentário