Vista actual do Roxo
Não imaginam as novas gerações como as nossas aldeias viviam isoladas de algum progresso que, apesar de tudo, ia chegando a Portugal. Até muito tarde as populações não dispunham de água canalizada no domicílio (muitas vezes nem um chafariz existia), de luz eléctrica e de acessibilidades rodoviárias. E não falamos de inícios do século XX. Por exemplo, só há setenta e poucos anos, a estrada para o Roxo permitiu a passagem de um veículo a motor. Reza a história que o primeiro automóvel que foi a esta aldeia (no dia 8 de Novembro de 1953, data da festa anual) foi o do Sr. Franklim, natural do Caneiro e abastado emigrante no Brasil.
O Notícias de Penacova (28.11.1953) deu conta da “imensa satisfação” com que aquela povoação viu chegar uma camioneta e depois o primeiro automóvel, acontecimento que pouco antes estava “longe dos seus sonhos doirados.”
Transcrevemos a notícia:
DO RÔXO: OS NOSSOS CAMINHOS
Foi com imensa satisfação que vimos chegar ao nosso querido lugar uma camioneta. Sim, podemos dizê-lo que foi com satisfação, porque nunca se esperava ver nesta terra, tão longe dos seus sonhos doirados, um carro motorizado.
Porém, com o auxílio do povo do Roxo e com a ajuda do sr. António Pais Martins, construtor da nossa escola, que aqui vem com a sua camioneta no transporte de materiais, vimos nesta povoação, no dia da nossa festa anual realizada no dia 8 do corrente mês, um automóvel conduzido pelo seu proprietário sr. Franklim Marques Lopes, do vizinho lugar do Caneiro. Este senhor, que foi alvo das maiores atenções por parte do povo roxense, veio ensinar o caminho a outros que porventura estejam com medo de vir até este lugar.
Assim, como o sr. Franklim, outros podem vir para admirar o quanto é maravilhoso este nosso querido cantinho de onde se avista um dos mais deslumbrantes panoramas. Pedimos, por isso, a todos os motoristas que se esforcem por visitar a nossa panorâmica terra, visto que, quando uma camioneta com 6.500 quilos de carga aqui pode conduzir-se, muito melhor o poderá fazer qualquer outro veículo de menos tonelagem. E não perderão o seu tempo porque ficarão encantados com as vistas desta linda serra e satisfeitos com os puríssimos ares que neste alto se respiram.
É com o maior contentamento, pois, que agradecemos aos roxenses que deram, não todos, um dia de trabalho no conserto dos nossos caminhos, e, em especial, ao sr. António Pais Martins que concorreu para o resto das despesas para tão útil melhoramento, embora este fosse para sua utilidade.
NP 28.11.53


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