Em 1902, A Folha de Penacova fazia referência à urgente necessidade de concluir as obras do novo cemitério. O velho cemitério da Sr.ª da Guia, além de pequeno, apresentava "tristes e desgraçadas condições". A Câmara em sessão extraordinária deliberou continuar com as obras na Eirinha.
"A câmara municipal deste concelho reuniu em sessão extraordinária no dia dois deste mês. Alguma coisa de anormal e urgente fez sair do rotineiríssimo preceito das sessõezinhas aos sábados, só de oito em oito dias, a actual vereação, que tem homens metódicos como aqueles que o são. Certamente que sim. Tal reunião teve por fim deliberar sobre duas coisas de extrema necessidade. Uma de essas coisas é a continuação das obras do novo cemitério desta vila. A outra é a reparação de algumas ruas não só de Penacova mas ainda de Lorvão, S. Pedro d'Alva e Paradela da Cortiça.
…
A continuação das obras do novo cemitério desta vila é uma necessidade que se impõe a tudo mais. Todos sabemos em que tristes e desgraçadas condições se encontra o antigo cemitério, essa nesga de terra murada, esse quintalejo indecente, que mais se assemelha a uma estrumeira que a um cemitério.
É uma vergonha.
Aquilo que ali está, está ali a indicar aos que visitam esta terra a grande falta de respeito que aqui há pelos mortos.
Simplesmente vergonhoso.
Ora, nesta o noutras mais coisas locais, parece efectivamente que não passou por Penacova o século XIX, o século des luzes.
…
Penacova, porém, e quem sabe se por qualquer influência do seu nome fatídico, ficou de pé na cova, muda e extática, ante o desenrolar grandioso desse século que se assinalou brilhantemente por manifestações superiores do saber humano e não menos pela compreensão dos deveres sacieis o psíquicos, continuando ainda hoje a comunicar-se com Coimbra por intermédio do um traço de união que se chama as diligências do Albino!...
É tempo de despertar. O extraordinário da sessão extraordinária com que a câmara municipal reuniu no dia dois deste mês, já representa alguma coisa, mas ainda não é tudo. Mãos à obra."
A FOLHA DE PENACOVA
24 de Abril de 1902


Sem comentários:
Enviar um comentário