"A capela que lá no alto, no morro do castelo, um dia foi erguida, tem tradições e Nossa Senhora da Guia tem muitíssimos devotos.
Como estamos em maré de melhoramentos, em pouco tempo todo aquele morro foi modificado. Tem hoje um aspecto completamente diferente. Tema estrada e tem também as magníficas obras do Preventório e Hospital da Misericórdia.
É destes dois utilíssimos organismos que nos vamos ocupar. Há tempos, foi feita uma escritura entre a Santa Casa da Misericórdia e a Junta Geral do Distrito de Coimbra. Presidiu a essa escritura o desejo de bem-fazer de parte a parte. Ser útil.
Para não sermos muito longos não podemos aqui narrar, ponto por ponto, as cláusulas desse documento. Unicamente queremos lembrar o seguinte: segundo diz a mesma escritura, a capela que se encaixa, ou por outra, que ficou encaixada no Preventório, ficou pertencendo à Misericórdia de Penacova e por isso acessível ao público. Acontece porém agora, que, obras de muros se fizeram vedando todo o edifício que pertence à Junta Geral do Distrito: lá ficou dentro também a nossa capela e a imagem de Nossa Senhora da Guia.
Acontece também que a chave da capela não está nas mãos de quem devia estar. A chave devia estar nas mãos da mesa da Misericórdia de Penacova, embora se dessem como era de toda a justiça, facilidades de comunicação do interior do Preventório para a capela.
Sucede também que agora foi construído um portão de ferro, vedando assim ao público ainda mais a entrada para a capela onde muito crente deseja ir fazer as suas orações.
Estamos de acordo com a necessidade de outra capela ser construída, mas em quanto isso não for realidade, não há o direito de vedar ao público um direito que lhe pertence. O seu, a seu dono. À Misericórdia o que é da Misericórdia.
in Notícias de Penacova, nº135, ano III, 5 Janeiro 1935

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