𝔸𝕝𝕞𝕒𝕤 𝕕𝕠 𝕠𝕦𝕥𝕣𝕠 𝕞𝕦𝕟𝕕𝕠...
(1952)
Há nesta freguesia [Oliveira do Mondego] quem acredite em almas do outro mundo; nos princípios da semana finda passou-se nesta localidade um caso interessante.
Certo individuo muito crente em almas do outro mundo, a altas horas da noite ouviu por cima do telhado de sua casa certo ruido com o qual ficou aterrorizado (e era para isso);com grande espanto acordou sua esposa dizendo-lhe que a tal alma penada andava, por cima do telhado partindo-lhe as telhas.
O caso foi presenciado pelos vizinhos que acorreram curiosos para verem a tal alma, afinal verificaram que uma cabra dum vizinho tinha fugido do curral, subindo com dois filhos para cima do telhado, pregando tamanho susto ao pobre homem, que ia fazendo dar trabalho à esposa e gastar mais em sabão...
𝕭𝖆𝖗𝖗𝖎𝖌𝖆𝖉𝖆 𝖉𝖊 𝖗𝖆𝖕𝖔𝖘𝖆 ...
(anos 30)
Foi o caso que numa das noites deste Maio pardo, uma matreira raposa ou mais, vieram à capoeira do Hospital da Misericórdia desta vila e levaram nada menos de seis belíssimas galinhas.
No dia seguinte, pelas pesquisas a que se procedeu, verificou-se que havia sangue e destroços mortais das mesmas, espalhados pelos olival do Mondego.
Velhaca ou velhacas! Nós nem sardinha e ela, ou elas, seis boas galinhas ! Não há direito!
E além de todas as perdas e desgostos e contratempos e tantas penas e «penas», de hoje para o futuro já se não pode trautear aquela cantiga dos recrutas, ao ouvirem tocar a doentes:
Quem quiser galinha
Vá para o hospital
Mas coma poucochinha
Que lhe pode fazer mal.
A bruxa do Travasso
(1930)
Pela autoridade administrativa deste concelho foi presa no lugar do Travasso, a «bruxa» Delfina de Jesus, também ali conhecida por «A Santa dos Olivais», o cliente António Couceiro, do mesmo lugar, e o pai da «mulher de virtude», Joaquim Lopes Padilha, conivente nos seus bruxedos.
A Delfina de Jesus celebrava missa numa ampla sala da sua residência, onde lodos os dias se reuniam dezenas de pessoas daquele e outros lugares, na prática do rezas e cânticos religiosos. Dizia-se enviada de Deus e que a pessoa que a prendesse ficaria negra como carvão, afirmando também curar todas as doenças.
Quando ali chegou a autoridade administrativa, acompanhada de uma força da Guarda N. Republicana, alguns habitantes daquela povoação completamente sugestionados, pretenderam resistir, insubordinando-se, chegando a locar a sineta da capela a rebate. Mas ao verem a disposição da força armada os homens abandonaram o lugar, ficando apenas as mulheres.
Os presos seguiram para a cadeia de Coimbra onde aguardarão que sejam remetidos a juízo.
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FONTE: Jornais de Penacova

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