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05 outubro, 2026

5 de Outubro: Penacova e a República

O livro Penacova e a República na Imprensa Local, da autoria de David Almeida e com prefácio de Luís Reis Torgal, foi publicado em 2011 pela Câmara Municipal de Penacova no âmbito das comemorações do centenário da Implantação da República.

Conteúdo e Enquadramento Histórico:  A obra analisa a germinação e o percurso do ideário republicano no concelho de Penacova através dos registos da imprensa da época:

Dinâmicas Anteriores ao 5 de Outubro: Explora como o republicanismo cresceu no concelho por influência de figuras formadas na Universidade de Coimbra (médicos, professores, juristas) e de emigrantes regressados do Brasil. Destaca marcos como a criação da Comissão Municipal Republicana em 1908 e o comício de agosto de 1909 em S. Pedro de Alva com António José de Almeida.

O Impacto da Notícia: Retrata, com base em jornais locais como o Jornal de Penacova, a forma como a chegada da notícia da Implantação da República (trazida por Joaquim Serra Cardoso) suspendeu a normalidade e o trabalho na vila.

Detalhes da Obra: Autor: David Almeida | Prefácio / Apresentação: Prof. Doutor Luís Reis Torgal |
Edição: Câmara Municipal de Penacova, 2011 (183 páginas) | Lançamento: 5 de outubro de 2011, no Auditório do Centro Cultural / Biblioteca Municipal de Penacova.

FONTE: pesquisa GOOGLE /MODO IA em 5 out 26


In “Obras da Casa (XXVII): Penacova e a República na Imprensa Local”, publicado no Penacova Actual:

No âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República em Portugal, que Penacova também assinalou, foi lançado no dia 5 de Outubro de 2011 o livro Penacova e a República na Imprensa Local, da autoria de David Almeida, com apresentação do Professor Doutor Luís Reis Torgal, autor do prefácio.

Esta obra surgiu na sequência do colóquio subordinado ao tema “A República, António José de Almeida e a importância de uma Casa-Museu” que contou com a participação do autor, que abordou, a convite do Professor Reis Torgal. o sub-tema “Penacova e a República”. Esta conferência contou também com as intervenções de António Arnaut (que dissertou sobre “República e Cidadania”), de Luís Reis Torgal (“António José de Almeida e a República”), de Diogo Gaspar (“António José de Almeida e o Museu da Presidência da República” e de Norberto Cunha (“A Importância de uma Casa Museu como Centro de Animação Cultural”).

Trata-se do primeiro estudo sobre a República e o Republicanismo no concelho de Penacova, tendo como fonte principal a recolha de textos publicados nos jornais locais, complementada com outras pesquisas que contextualizam a obra.

O livro, de 183 páginas, apresenta o seguinte índice:

PREFÁCIO (Luís Reis Torgal)
NOTA DE APRESENTAÇÃO (Humberto Oliveira)
NOTA INTRODUTÓRIA
CAPÍTULO I – Últimos anos da Monarquia: dinâmicas sociais e políticas
CAPÍTULO II – Militância republicana e proclamação da República
CAPÍTULO III – Transição e consolidação político-administrativa
CAPÍTULO IV – Afirmação republicana depois do 5 de Outubro
CAPÍTULO V – Reflexos da questão religiosa
CAPÍTULO VI – Comemorações do 5 de Outubro (1911-1935)
CAPÍTULO VII – António José de Almeida – figura tutelar das movimentações republicanas em Penacova
CAPITULO VIII – Algumas personalidades republicanas
CAPÍTULO IX – A Imprensa local
NOTA CONCLUSIVA

Procurando ir um pouco mais além do relato conhecido, publicado no “Jornal de Penacova”, o livro faz o enquadramento dos acontecimentos, no clima político que antecedeu o 5 de Outubro bem como nos momentos decisivos que se seguiram. 

Sobre a aclamação da República em Penacova, podemos ler, nesta obra, a transcrição das notícias que circularam na imprensa local:

“A notícia da Implantação da República em Portugal foi trazida a esta vila pelo nosso correligionário Joaquim Serra Cardoso, na quinta-feira, pelas 8 e meia horas da manhã” – escreve o “Jornal de Penacova” – que explicita: “o nosso amigo tinha ido na véspera para Coimbra, e assim teve a honra de trazer em primeira mão a grata notícia. Logo ao chegar ao Ramal de Santo António, o nosso amigo soltou um estridente Viva a República que foi ouvido na vila o que fez com que o nosso director [Amândio dos Santos Cabral] corresse ao seu encontro, dirigindo-se logo ao Largo Alberto Leitão, onde imediatamente se juntavam muitos cidadãos aclamando a República.” 

E prossegue o relato: “Pouco depois, uma comissão Republicana composta dos nossos correligionários dr. Rodolfo Pedro da Silva, dr. António Moncada, José Pedro Henriques, José Alves de Oliveira Coimbra e o nosso director percorreu a vila convidando os cidadãos para assistirem à proclamação da República nos Paços do Concelho, ao meio dia. A notícia fora anunciada por uma salva de 31 morteiros e grande número de foguetes. Imediatamente ''foi suspenso o trabalho em toda a vila, pois que todos queriam pormenores do faustoso acontecimento.''

Conta-se, de seguida, o episódio da subida ao telhado da Câmara para desfraldar a bandeira verde rubra: “Como as repartições da Câmara Municipal estivessem fechadas, o nosso director subiu por uma escada ao telhado do edifício dos paços do concelho e ali, no meio de aclamações entusiásticas do povo, que se achava no largo, hasteou a bandeira vermelha e verde, augusto símbolo da pátria redimida, a qual foi saudada com entusiásticos vivas e por nova salva de 31 morteiros e inúmeros foguetes.”


22 setembro, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (4): Inventário Artístico (1953)


O "Inventário Artístico de Portugal" é uma obra de referência sobre o património cultural, arquitetónico e artístico publicada pela Academia Nacional de Belas Artes. O volume IV - 1952/1953, relativo ao distrito de Coimbra, foi Iniciado por Vergílio Correia e completado por A. Nogueira Gonçalves. Vamos, hoje, transcrever a parte alusiva à freguesia de Carvalho.

“Foi aqui o solar dos Carvalhos, família que deu às praças de África diversos capitães, sendo o mais notável Álvaro de Carvalho, capitão-mor de Mazagão no cerco de 1562. O senhorio abrangia a freguesia de Cercosa, tendo o primeiro marquês de Pombal mandado organizar o respectivo tombo, em quatro grossos volumes, propriedade hoje do Sr. Dr. António dos Santos Malva.

A terra é mais usualmente conhecida pela instituição medieval da Albergaria de Carvalho, na povoação próxima de Santo António do Cântaro, a que nos iremos referir.

Do testamento de Bartolomeu Domingues, de 1215, deduz-se que foi ele o primeiro instituidor da albergaria. Contudo, mas com pouca probabilidade, poderia ter só dado nova modalidade à fundação do pai, Domingos Feirol. Diz-se que o bispo D. Vermudo aplicara, em 1178, à mesma albergaria a terça da igreja de Carvalho, por contrato com a viúva D. Belida e os filhos Gonçalo Fernandes e Bartolomeu Domingues; todavia o documento não se refere à albergaria, é uma composição em que o cabido concede a terça da igreja em troca de dois morabitinos a pagar no S. Miguel de cada ano, contrato feito em atenção à memória de Domingos Feirol. Feirol e Belida foram sepultados na Sé Velha de Coimbra.

O bispo D. Estêvão Anes Brochardo confirmou a união, estabelecendo-se que o senhorio desse vinte libras ao bispo e oito ao cabido. Em 1364, Álvaro Fernandes de Carvalho deu certos bens em troca destas libras. A apresentação do pároco continuou nesta família. Nos velhos autores encontram-se certas variantes de datas e nomes, rectificáveis umas vezes outras incertas.

Teve a povoação foral manuelino a 8 de Junho de 1514. As freguesias de Carvalho, Marmeleira e Cercosa constituem a região natural da Irmânia.

PELOURINHO - A colocação actual deve ser moderna. Só um dos degraus é antigo, sendo todos quadrados. O fuste, chanfrado, é octogonal; a pinha, singela, desenha um cubo rematado de pirâmide, vendo-se numa face o escudo nacional de coroa aberta, em duas delas a cruz de Cristo, na outra um escudo liso. Pertence ao séc. XVI, período manuelino.

SOLAR DOS CARVALHOS - O edifício desapareceu. Na casa que o substituiu, em frente à igreja, encontra-se cravada uma grande pedra com as armas dos Carvalhos e, à esquerda heráldica, as dos Eças, do começo do séc. XVI, devendo corresponder a Álvaro de Carvalho, capitão de Tânger, e a sua mulher D. Catarina de Guerra, filha ilegítima de Pedro de Eça. Sob as duas janelas há outras duas pedras abertas de seteiras em cruz, mais decorativas que funcionais.

IGREJA PAROQUIAL - Tem por titular Nossa Senhora da Esperança. Foi reformada em 1844, à custa duma doação feita por Miguel Henriques de Castro em 1784. Renovaram-na inteiramente, só a porta lateral poderá ser do séc. XVII e ainda mais antigo o arco do baptistério. A porta é de verga curva e cimalha direita, dominada de óculo quadrilobado; a torre fica à esquerda, tendo a cobertura em pirâmide octógona. O interior não tem interesse de maior. O retábulo principal é do séc. XIX, seguindo um tipo setecentista; os colaterais são inferiores. O arco do baptistério, sob a torre, semicircular, de arestas chanfradas, pertence ao primeiro terço do séc. XVI. A pia, octógona, poderia ser do mesmo tempo. Suportam o coro duas colunas de calcário, coríntias, caneladas, graciosas, do segundo quartel do séc. XVI. Na capela-mor, à direita, vê-se o escudo dos Carvalhos e um letreiro de 1845 dizendo que ali jaz Álvaro de Carvalho, que mandara fazer a capela-mor antiga, identificando-o com o herói de Mazagão. No princípio do séc. XVIII registava-se que havia na capela-mor «duas cavidades para sepulturas». Sob o subpedâneo de madeira do altar-mor estão ocultos alguns azulejos de aresta, sevilhanos, do séc. XVI.
Possui a igreja algumas esculturas de mérito, entre outras sem nenhum:
- Santa Catarina (A. 0,715) envolvida em amplo manto, levantando na esquerda, coberta do mesmo manto, a roda simbólica; boa escultura de calcário, do séc. XV, colocada no colateral esquerdo.
- Santa Luzia, de calcário, do séc. XVI, época manuelina, inferior.
- S. João Baptista, Virgem com o Menino, S. Sebastião, grupo da Virgem com S. José, todas de pedra, do séc. XVI, muito secundárias.

Possui ainda a igreja pratas de mérito, não tendo sido levadas num roubo recente senão algumas secundárias. Anotamos só as antigas. Custódia de prata branca, do princípio do séc. XVII; pé com cálice, mostruário de três colunas por banda, tendo campainhas suspensas da perpendicular daquelas e da copa do cálice; hostiário circular com ornatos curvos, salientes; alta de 0,63. Cruz processional de prata branca, com Cristo de bronze, do fim do séc. XVI; hastes rectangulares e terminações trevadas; faces e bojo ornadas de entrelaçados. Um dos sinos tem a estampilha de António Dias Campos Sorrilha, Cantanhede, 1891.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO- No modesto povoado de Santo António do Cântaro levanta-se esta capela, que foi sede da albergaria referida, ao lado da antiga estrada de Coimbra a Viseu. Construção modesta, de corpo e capela-mor, com alpendre-galilé só aberto na frente, cujo arco de tijolo é moderno. De antigo só se vê a porta principal, em arco rebaixado, e o arco cruzeiro em traçado ogival irregular, que devem datar do princípio do séc. XVI, manuelinos. No ângulo direito e do fundo da galilé há um nicho rectangular, num pequeno corpo saliente, sítio do cântaro. Pequeno retábulo, de madeira dourada, de colunas torcidas e com pâmpanos, do princípio do séc. XVIII. A escultura de Santo António do séc. XV, é graciosa. Alta de 0,71 m., vestido ele de franciscano, com capa que roça o chão, sustenta na sua frente e com as duas mãos um livro. Na parte inferior gravaram um letreiro a dizer que foi reformada em 1611, isto é, seria só pintada.

BIBL. - A. Brandão, Monarchia Lusitana, III parte, Lisboa, 1632 | Pedr'Alvares Nogueira, “Catálogo dos Bispos de Coimbra”, em Instituições Christãs, an. VIII, 1.º, sér. Coimbra, 1890 | Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, T. XI, Lisboa, 1745 | Miguel Ribeiro de Vasconcelos, Notícia Histórica, fasc. 2.°, Lisboa, 1854 | A. Nogueira Gonçalves, “O Cântaro que se partiu”, em Diário de Coimbra, Coimbra, 1948.

08 setembro, 2026

O Monte Alto em tempos idos...




Há muitas referências escritas sobre a Senhora do Monte Alto de Penacova. A crónica que se segue é, na nossa opinião, um dos melhores e mais pitorescos retratos desta secular romaria. Demora alguns minutos a ler, é verdade. Não é só uma imagem onde se coloca um “like” e se passa à frente. É uma viagem no tempo (finais do século XIX) que convidamos a fazer…



foto: Varela Pècurto (início anos 80)

O Monte Alto em tempos idos

“Naquele tempo toda a noite chiavam os carros de bois, pela ladeira do Monte Alto, com melancias, melões, bojudos barris de vinho e caixas de pirolitos.

Ainda o sol não despontava na serra da Atalhada, e já as tias Vitais subiam a ladeira, com as saias “açoleiadas”, com os cântaros de água fresca; e as tendeiras de Algaça e Santa Maria iam de enfiada com os “açafaites” de quinquilharias, tagarelando futuros lucros.

Ao meio da manhã, antes do calor apertar, aprestavam-se os primeiros ranchos, concentrando-se na Costa do Frio.

Havia muitas semanas que se andava a capitalizar, aos 5 reis, para naquele dia fazer figura. O orçamento era escrupuloso; ai daquele que o excedesse, e na volta não apresentasse um saldozito: era um perdulário! As despesas certas eram: 20 reis para esmola à santinha; 10 reis para o registo com a imagem de Nossa Senhora do Monte Alto, para pôr na fita do chapéu; 5 reis para a limonada do estilo, nas tias Vitais, com acento certo e tão velho como elas, à sombra da figueira; 10 reis para a melancia; 20 reis para o berimbau, para o mano que ficou doente; 5 reis para o anel de chumbo; 25 reis para o anel de coralina, para a menina dos nossos sonhos; 20 reis para o gancho de tartaruga para presentear a mamã; e 15 reis para um bom lápis para o papá; soma 150 reis, com mais 50 reis que nos deu a madrinha – dois tostões!

Uns nababos!

O enorme rancho seguia em fila indiana. As criadas e as pobres mães, iam ajoijadas com os cestos dos farnéis. Pelo cheirinho se adivinhava o que eles continham.

Havia três poisos: ao cimo da Quinta, para fazer arruaça aos que ficavam; à Pedra Poisa, para refrescar a garganta e à Cadeirinha, para rezar uma Ave Maria à santinha, no seu altar de pedra. O templo era infinito, tendo por pilares seculares pinheiros, com a cúpula de fagulha verde.

Uns momentos de descanso aproveitados para sacudir o pó das calças e as cachopas corrigirem os seus luxos, para a entrada triunfal no arraial, todos a cantar a canção mais afamada.

A essa hora o Joaquim Catarino e o Benêjo andavam a trote a juntar os farnéis para os carros de bois da família da D. Maria da Pureza, enquanto na casa da D. Joaquina de Melo e D. Natividade se fazia outro tanto.

As famílias mais respeitáveis e numerosas, tinham combinado para nesse dia, às suas mesas, não se servir o almoço; quem quisesse almoçar tinha que ir ao Monte Alto. A tia Zéfa, Josefina e Conceição, tinham ordens terminantes de não darem aos meninos uma fatia.

Mais um garfo, um copo, para o imprevisto, só lá pelas 11 horas é que deslizava a caravana, com os carros cobertos de verdura, para ser mais fresco.

No Cruzeiro já se encontravam os Barbosas e os Andrades; e o velho Luís Pimentel e Cardoso, coçavam as suissas, a reprimir censuras aos retardatários. Eles não se incomodavam, afeitos ao ardor do sol ou às bátegas de água, mas as meninas, uns miminhos ...

O caminho de 4 quilómetros levava três horas a percorrer, enquanto a ladeira levava 20 minutos a subir; de forma que os estômagos faziam as suas reclamações, mas como era da praxe o almoço ser depois da festa ... ai! se ela demorasse ...

Eram mensageiros às dúzias, a inquirir onde vinham os carros com os farnéis; amaldiçoava-se o Barraca e o Alípio da Teresa por não espicaçarem os bois! E os estômagos ao “relanti”, recusavam limonadas: queriam sólidos.

O arraial à cunha. Findava o sermão que o sr. Padre Pedro sabia na ponta da língua. Finalmente: o almoço. Ajeitavam-se assentos de feto, estendiam-se no chão, sobre o mato alvíssimas toalhas, e vá de distribuir pratos de canja, lombo com batatinhas tostadas, tão loiras, que até os olhos as comeriam...

A sombra dos pinheiros ia fugindo; era a hora da corrida aos petiscos. Uma perninha de galinha? Uma isca de presunto? Um pires de arroz doce? Um copo de vinho? Um cálice da “rija” ? Vá um cafezinho... Franqueza de todos até à impertinência; camaradagem e amizade sólidas - uma só família!

Os estômagos bem compostos, é a altura de ir correr o arraial; à sombra espaçosíssima do cedro, os montões de melancias; havia-as de 10 reis a 4 vinténs, mas estas davam talhadas para 20 pessoas; as tendeiras estendiam-se até à portaria da Chã, com bugigangas de mil feitios, anéis de metais baratos e que luziam como oiro, assobios e “flaitas” de lata, etc .; padeiras de Gondelim e S. Paulo, com bolos untados de azeite; aos lados do arraial, as barracas do ti Daniel e Ladroeira, as mais afamadas, porque tinham peixe do rio, frito nessa noite; limonadeiras às dúzias e todas não tendo mãos a medir, num vai-vem a caminho da fonte do Azevinhal. Cada limonadeira teria um só limão mas, louvado Deus, bem espremidinho, dava para uma dúzia de cântaras de água, bem docinha, com açúcar amarelo.

Na capela era grande a azáfama para receber as ofertas de trigo, centeio e milho, alinhando-se os sacos já cheios ao lado dos mesários Arcipreste Leite e João Serra; o Zé Craveiro, num sari- lho, a guardar farnéis e a regular a distribuição da água da pipa; o Joaquim Cabral a ralhar aos garotos que até os figos verdes comiam; o Casimiro a deitar foguetes sem conta; e o Francis-quinho Guedes a comandar, gaiatamente, o gaiteiro. O ti Zé Carvalho a arrebanhar o rancho da vila, para irem dançar no lugar clássico - para o lado da vila. Novos e velhos, pobres e ricos, todos dançavam e cantavam modas apropriadas:

- Senhora do Monte Alto
Quem vos varreu o terreiro?
- Foram mocinhas da vila
Com raminhos de loureiro.

A Senhora do Mont'Alto
Mandou-me agora chamar,
Que não desse trela a rapaz
Que não fosse p'ra casar ...


O Alipinho, exímio no “estalado”, mandava; Henrique de Melo e o Zeca mandavam a «farrapeira» e o Américo e o Quim a «caninha verde». O Manuel Guedes tocava guitarra, o António Augusto cavaquinho e António Dias os ferrinhos. As melhores cantadeiras, Encarnação, Alexandrina, Caetana, Antoninha, Suzana e Emilia, faziam sucesso.

Depois era o ti Albino com o “harmónium” para um «vira» de que tinha o segredo, ao qual ninguém resistia; o Carlitos, o Abel Barbosa, o César, o Alfredo e o Basílio, andavam mascarados de poeira e suor.,.

Já o sol se escondia para lá dos moinhos de Gavinhos e não havia pressa para descer a ladeira. As pobres mães tinham de pedir a intervenção da D. Natividade e D. Maria da Pureza para porem termo aos folguedos – e ninguém desrespeitava tais mensageiras.

Mais uma vénia à Senhora do Monte Alto com uma súplica de lábios emudecidos ... (novos e velhos todos sabiam qual era a pedinchisse) e a promessa da visita para o ano ... mas já casadinhos, pela graça da santinha.

Ao avistarem-se as primeiras casas da vila, era um nunca acabar de saudações de um lado e
de outro. No Largo da Costa do Frio esperavam os romeiros, aqueles que não puderam ir, para receber as prendas, ainda que somente fosse um ramo de cedro ou folha da figueira, para recordação.

Noite alta, ainda no alpendre se fazia ouvir a voz “apiteirada” do Julião, a pregar o sermão do Padre Santo António; e o Daniel e o Ladroeira a despacharem os fregueses maçadores e beberrões, por já não terem mais vinho para misturar na água.

Um dia bem passado


ZÉ DO MIRANTE*

 24 de Agosto de 1945 | Rubrica “In illo tempore” | jornal Notícias de Penacova

Nota: 

*Zé do Mirante, pseudónimo de José Augusto Ribeiro (1881-1963), alfaiate em Penacova. Chegou também a ser proprietário do "Café Casino".  Através das suas crónicas “In Illo Tempore” (apesar de só possuir a instrução primária)  transmitiu-nos muitos pormenores  sobre as tradições de Penacova, a par de relatos de acontecimentos de finais do século XIX e inícios do século XX, envolvendo pessoas e factos cuja memória se foi perdendo no tempo. Casou em 1904 com Senhorinha Albertina, tendo como padrinhos de casamento Joaquim Augusto de Carvalho e Alípio Oliveira Silva Cardoso. Foram seus filhos: Armando Craveiro de Almeida, Herculano de Almeida Ribeiro, Alexandre Lusitano de Almeida Ribeiro e Lídia de Almeida Ribeiro.


03 agosto, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (3): D. Álvaro de Carvalho, o Solar e Sto. António do Cântaro


Elementos para a História de Carvalho

I

(…) A igreja de Carvalho, tem a honra de abrigar, na sua modestíssima capela-mor, as ossamentas de D. Álvaro de Carvalho que foi governador da praça de Mazagão que ele soube defender com heroísmo, quando em 1562 ela foi cercada pelo sultão de Fez, Muley Abdallah.

Em modestíssimo monumento de pedra de Ançã, do lado direito, na dita capela-mor embebido na parede, diz a legenda, encontram-se as cinzas deste nobre e heróico governador da praça de Mazagão. 

E tudo indica que o solar dos Carvalhos era no local ocupado pela actual casa do médico Sr. Dr. António dos Santos Malva. Na opinião do P.e Nogueira Gonçalves, pouco resta do antigo solar naquelas construções; há, entretanto, duas janelas, duas pedras com as armas dos Carvalhos e dos Eças, dos começos do século dezasseis, manuelinas, de Álvaro de Carvalho casado com D. Catarina da Guerra filha ilegítima de Pedro de Eça. 

É da mesma época o pelourinho, hoje junto da sua fonte. Carvalho, hoje terra tão sertaneja, teve, e tem pois, o seu nome, gravado nos fastos da nossa história. 

Bem perto lhe passava a estrada real de Coimbra a Viseu. E foi essa circunstância que fez erguer ali, bem perto, nos primeiros tempos da nacionalidade, a albergaria de Santo António do Cântaro para dar agasalho e matar a sede aos viajantes que passavam.

Manuel Marques, in Notícias de Penacova (1/3/1952)

II

SANTO ANTÓNIO DO CÂNTARO: (...)“É a capela um edifício modesto, reformado em vários tempos. As partes mais antigas devem remontar ao princípio do século desaseis, à época manuelina. No altar de colunas torcidas e pâmpanos, lavrado no começo de setecentos há uma deliciosa escultura de Santo António, do século quinze; não é o frade acarinhando o Menino, não é o franciscano a apontar com a direita os peixinhos que se alongam na peanha, não; é um santo de místico encanto, de hábito apertado da corda e uma capa longa a roçar o chão, segurando em frente um livro que a esquerda suporta e a direita ampara por cima; e não é o Menino, não são os peixes, é um missal que candidamente apresenta aos viandantes.

Precede a capela um alpendre outrora sempre patente, e no qual à direita e no fundo, se destaca um nicho num maciço quadrangular, o nicho do cântaro de água sempre renovada e sempre fresca.

O testamento de Bartolomeu Domingues, 1215, faz crer que foi ele o primeiro instituidor da al- bergaria com as três camas sempre prontas e o cântaro sempre cheio nos meses de Julho, Agosto e Setembro com púcaro para se beber. Todavia ele devia ter só dado nova modalidade à fundação de seu pai Domingos Feirol, um homem do século doze, tendo o bispo D. Vermudo aplicado à mesma albergaria a terça da igreja de Carvalho no último quarto do mesmo século doze por contrato com D. Belida e seus filhos Gonçalo Fernandes e Bartolomeu, por lhe não bastarem as rendas iniciais e ser muito frequentada de peregrinos. 

No ano de 1314 confirmou a união e regularizou as obrigações para ele bispo e para o cabido, com o senhorio da terra, D. Estevão Anes Brochardo. Correndo o de 1364, Álvaro Fernandes de Carvalho converteu essas obrigações de harmonia com o cabido catedralício. 

É esta a albergaria de Carvalho da qual falam os velhos documentos. Carvalho, a pouca distância, é a sede de freguesia e o assento do solar dos Carvalhos, cujos representantes tiveram diversos capitães em África, sendo um deles Álvaro de Carvalho, governador de Mazagão, ao tempo do memorável cerco de 1562; e foi ainda senhor de Carvalho, o maior dentre os da família, aquele estadista que teve o título em primeira mão, de marquês de Pombal e que em quatro grossos volumes mandou fazer o tombo das suas terras de Carvalho e Cercosa.(...)

 Nogueira Gonçalves, historiador e arqueólogo (Arganil, 1901-Arganil, 1998) 

in Diário de Coimbra de 30/10/1948

III

(…) Falando daquela obra histórica junto ao adro da Igreja Paroquial, que é muito antiga, foi habitada e vítima de um incêndio e passou ao abandono. Contudo ainda lá estão bem visíveis aquelas gravuras em pedra de cantaria. Penso que seria uma grave injustiça nunca mais olhar para uma obra daquelas até chegar o seu fim. Ainda tem condições de restauro e bem o merece. Desde o incêndio parece que não houve quem olhasse para aquela relíquia antiga e que merecia mais respeito. Lembro-me que aquele recinto em frente e vedado com a entrada sem o portão, serviu muitos anos para servir as refeições às Filarmónicas e Grupos Musicais, e era palco para rapazes e raparigas cantarem e dançarem as modas daquele tempo. Penso que com a ajuda da população e Câmara Municipal seria possível recuperar este bonito edifício e seria local de encontro de diversão e cultura para a nossa terra.(...)

 “Um assinante natural de Carvalho” in jornal Nova Esperança, 30 de Abril de 1996: 

IV

(...) Deve-se encontrar no Arquivo Nacional do ano de 1908; que no ano de 1223, foi por Domingos Feirol, instituído o Morgadio de Carvalho. Em 1514 era Senhor, e possuidor Álvaro de Carvalho. Até hoje não foi feito àquele Senhor, a sua verdadeira história. Foi Capitão, Governador de Mazagão; foi quem em 1597 mandou construir a Igreja Matriz desta Freguesia e cujas cinzas, e de sua Família, repousam na referida Igreja.

Depois passou o Morgadio para Gil Fernandes de Carvalho; depois para Manuel de Carvalho, e mais tarde passou para Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro Conde de Oeiras, e Marquês de Pombal. Em 1762 foi solenemente reconhecido pela Câmara, Nobreza e Povo, como Senhor e Donatário de Carvalho como deve constar do auto respectivo lavrado em 29 de Julho desse mesmo ano. Naquele tempo, Carvalho era uma Vila de categoria; possuía Tribunal Judicial, onde eram feitos rigorosos julgamentos, e sentença dada em Carvalho, não tinha apelação. Mais tarde aqueles poderes foram instalados, em outros pontos do País, por serem talvez mais bem localizados (…).

José Jorge dos Santos, in Notícias de Penacova, 1956

26 julho, 2026

Polémica recente nas redes sociais: Que é feito dos projectos para a Casa de António José de Almeida?

Não fossem as contundentes críticas  e mesmo algumas insinuações à volta dos projectos que têm vindo a ser anunciados para a recuperação do edifício onde nasceu António José de Almeida, com vista à criação de um Museu ou Centro Interpretativo, não faríamos eco da publicação no Facebook da responsabilidade do Movimento "Avançar por Mondalva" e respectivos comentários. Se por um lado, revela que o assunto não está esquecido, por outro, traz ao de cima possíveis mal entendidos sobre o que já foi realizado e igualmente sobre o que foi sendo prometido, no calor das campanhas eleitorais ou não, bem como as opiniões (pró e contra) sobre o investimento dos dinheiros públicos na preservação do passado nacional. 

Podemos ler,  naquela página do Facebook (15 de Julho), entre outras afirmações, as seguintes:

"A poucos dias da comemoração dos 160 anos do nascimento do mais ilustre penacovense, continuamos sem avanços significativos no que respeita à criação de um museu, centro interpretativo, casa museu ou outra valência que honre o maior estadista nascido no nosso concelho. O reforço da nossa identidade constrói-se, acima de tudo, com a preservação da memória e com a devida homenagem àqueles que contribuíram para o desenvolvimento e engrandecimento da nossa história. Por essa razão, é com profunda indignação que condenamos a aparente inércia institucional em relação à criação do espaço de interesse histórico dedicado ao nosso conterrâneo António José de Almeida.(...)

Os comentários não se fizeram esperar. Do conjunto várias dezenas (até à data de hoje) transcrevemos apenas os mais significativos:

João Oliveira: A cultura representa a imagem de um povo. E nunca deve ser o parente pobre da sociedade. Distribuir o dinheiro público de forma equilibrada e equitativa valorizando o seu património deve ser uma prioridade.

João Azadinho: Em setembro de 2025 dizia-se: “eles falaram…nós fizemos!” 

Avançar Por Mondalva: João Azadinho, Obrigado por teres ido ao baú. É sempre bom relembrar. Abraço!

Vera Cordeiro: João Azadinho que péssimo hábito de ir coscuvilhar publicações e textos antigos!! 

Avançar Por Mondalva: Vera Cordeiro temos de ter cuidado com as promessas que fazemos em tempos de campanha.

(...)

Lpa Poeta: Boa tarde, pode até acontecer que eu esteja enganado…e, se assim for, peço desculpa! Mas, à época em que o PS estava à frente dos destinos do Concelho, misturou-se [o como e o porquê e o para quê é que não sei] o Democrata António José de Almeida, com o pouco democrata (para não dizer fascista) António Oliveira Salazar. Salvo erro - ou omissão ou palermice - essa mistura foi entregue a uma qualquer entidade ali de Coimbra, de quem decide por vias pouco perceptíveis, mais ligadas a “lojas”. E algumas pessoas que, agora, estão a levantar esta questão, sabem bem disso…Deixemo-nos de fazer  de parvos os Penacovenses! Espero que expliquem bem tudo o que se está a querer esconder…tão oportunistamente!

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, agradecemos o seu contributo, no entanto, é recomendável não nos desviarmos do objetivo da nossa publicação . Abraço!

Lpa Poeta: E qual é o objetivo?

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, colocar esta prioridade (há muito identificada e sucessivamente adiada) na agenda política dos nossos "representantes". Essa é a verdadeira razão desta publicação. Abraço!

Lpa Poeta: Muito bem! E eu até acho que deve estar mesmo na AGENDA. De todos…Mas que se aproveite para “ir ao fundo da questão”, o que incomoda muita gente, garantidamente. Falo tranquilo; sem rancor nem idade para o ter; mas por gostar da nossa Terra! E por me meter uma enorme confusão que quem teve oportunidade de resolver, “chute pró lado”. Bom trabalho e desculpem o “desvio”.

Paulo Amaral: Até o Presidente da República Manuel de Arriaga tem uma casa bem preservada na Ilha do Pico... Penacova das festas (bem) e Penacova anti - cultural ( mal)... dou explicações se... e a quem for preciso...)

(...)

António Paulo Figueiredo: O projecto de um roteiro incluindo a Casa de Aristides Sousa Mendes, Afonso Costa e… (não lembro) como está actualmente? O prédio é municipal, documentação estará disponível pela família ...

(...)

Marília Alves: Avançar Por Mondalva,  agradeço também aos responsáveis por esta página, e pela pertinência do assunto. Um povo que não honra as suas origens, é um povo sem memória e sem história!

Marília Alves: António Paulo Figueiredo, a casa Aristides de Sousa Mendes foi recuperada e a Casa Museu foi inaugurada no dia 15 de julho de 2024. Um orgulho para todos nós portugueses e residentes na zona. As verbas vieram da UE para a autarquia de Carregal do Sal. O anterior executivo dessa edilidade demonstrou resistência, mas a força do povo que se juntou em torno dessa nobre causa pesou mais. A recuperação da casa de António José de Almeida, nosso conterrâneo, não deve ficar no esquecimento. Há que insistir junto do poder político. Um importante legado a deixar às gerações vindouras. Se se formar um movimento de cidadãos nesse sentido, eu estou disponível para colaborar.

(...)

Santos Costa: Lá vamos nós desembolsar mais uns trocos, para fazer umas obras que em nada nos acrescentam valor... E assim vamos continuando neste país do faz de conta, onde parece importar mais preservar o passado, que organizar o futuro.

Avançar Por Mondalva: Santos Costa, claro que acrescenta valor!?!? Compreendemos perfeitamente a sua perspetiva e a exigência de que o investimento público traga valor real para o dia a dia das comunidades. Acreditamos, no entanto, que preservar a nossa identidade e património não significa esquecer o amanhã. Antes pelo contrário, valorizar o nosso território e a nossa história é uma das formas de atrair dinamismo, turismo e investimento que beneficiem a economia local. Agradecemos o seu comentário e a partilha da sua opinião!

(...)

Santos Costa: Avançar Por Mondalva, são opiniões. Eu, sinceramente não acredito nesse ponto de vista, (pelo menos falando neste caso), mas se o país todo se virar a gastar para preservar o passado, que nada nos acrescenta, vai deixar dívida para pagar no futuro, e o dinheiro não cresce nas árvores, sai do esforço de quem trabalha, e muitas vezes não sobra para fazer obras na própria casa porque é preciso fazer obras nas casas de ex-presidentes, (ou figuras idênticas), que até depois de mortos nos dão despesa...

(...)

Conceição Sandão Oliveira: Santos Costa, nada tem a ver com os herdeiros, esse edifício foi comprado pelo Município, no mandato do Dr. Humberto Oliveira, e foi nesse mandato que o telhado foi todo restaurado, se nada fosse feito, provavelmente hoje estaria no chão.

Sergio Silveiro: Até que decidam o que fazer com aquele espaço irei mantendo limpo do lado de frente a minha casa. Já é um bom contributo.

António Paulo Figueiredo: Santos Costa, sem passado não há futuro! Um dos males actuais é terem sido esquecidos os passados.

Tiago Engenheiro:Tanto onde investir no concelho, mas realmente o que faz falta para o bem estar de todos era mesmo um museu.

Adegas Maria: O mal é o dinheiro ser pouco. Não chega para tudo.

Avançar Por Mondalva: Adegas Maria, sim, os recursos são escassos, mas esta é uma prioridade antiga e legítima. No entanto, esta intervenção responde a uma prioridade há muito identificada e sucessivamente adiada. Esperamos contribuir para colocar esta necessidade na agenda política dos nossos representantes.

Adegas Maria: Avançar Por Mondalva, concordo que já podia ter sido feito alguma coisa. Pouco a pouco já estaria em outro estado.

António Ribeiro Nito: Força alto concelho...

Avançar Por Mondalva: António Ribeiro Nito, tem de ser. Temos de assumir as nossas responsabilidades locais senão ficamos por aqui esquecidos.  Abraço!

Mauricio De Almeida: Excelente notícia! Conservar a história e a família e de melhor! Admirado que o interesse de muitos e pouco.

(...) 

Vasco Morais: Até me dava vontade de esclarecer alguns comentários mas não o vou fazer. Dá-me muito trabalho! Na verdade Penacova tem o que merece!

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[Consultado em 26/07/2026 18:40]

Veja aqui transcrição completa


21 julho, 2026

Dia do Município: dia de memória, dia de gratidão, dia de compromisso

Celebrámos no dia 17 de Julho o Dia do Município. Feriado Municipal em homenagem ao penacovense ilustre António José de Almeida (Vale da Vinha, 17 de Julho de 1866 – Lisboa, 31 de Outubro de 1929). A sessão solene iniciou-se com a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal de Penacova, Dr. Mauro Carpinteiro. No seu discurso, além de evocar o exemplo de cidadania daquele nosso distinto conterrâneo, questionou as exigências de ser cidadão, cidadão de Penacova, e apelou à reflexão sobre o que é “amar” um concelho, o que é “amar” esta nossa terra. Na parte final do seu discurso, formulou votos para que “este 17 de julho seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.” 

Dado que estamos, no nosso entender, perante um discurso que se afastou da habitual factualidade da política partidária e se centrou nos valores da cidadania activa, que a todos deve congregar, solicitámos ao Dr. Mauro Carpinteiro que nos facultasse o texto e nos autorizasse a publicar o mesmo, de modo a partilhar com os leitores do Penacova Online e de muitos outros penacovenses que não estiveram presentes nas cerimónias do Feriado Municipal. Aqui fica a transcrição, omitindo, naturalmente, a parte inicial das saudações protocolares. 

Crédito da imagem: Município de Penacova

“Celebramos hoje o Dia do Município de Penacova. Mas o Dia do nosso Município não pode ser apenas uma data especial no calendário. Não pode ser uma mera solenidade, um feriado diferente por ser só nosso. 

O Dia do Município é, antes de tudo, um dia de memória. Um dia de gratidão. E um dia de compromisso. Memória daqueles que nos antecederam. Gratidão por tudo quanto recebemos deles. Compromisso perante aquilo que temos a responsabilidade de preservar, melhorar e transmitir às gerações seguintes.

Celebramos o nosso Município no dia 17 de julho porque foi neste dia, no ano de 1866, que nasceu, em Vale da Vinha, na freguesia de São Pedro de Alva, António José de Almeida. De uma pequena povoação do nosso concelho partiu um homem que haveria de se tornar um médico de mérito, um tribuno brilhante, um dirigente político inspirador, um cidadão pleno e do mundo, um governante e Presidente da República Portuguesa com o nome inscrito a letras douradas na história de Portugal.

A distância entre Vale da Vinha e a Presidência da República não se mede por tudo o que separa uma pequena aldeia das beiras do mais alto cargo da nação. Mede-se em vontade e trabalho. Em visão com “o longe” como horizonte. Em inconformismo. Em querer o mundo. Em perseverança. Em convicção inabalável. Em elevado espírito de serviço público.

António José de Almeida viveu um dos períodos mais intensos, exigentes e instáveis da história política portuguesa. Num tempo marcado por grandes divisões, soube afirmar-se como homem de firmeza de convicções, mas também como homem de diálogo, procurando unir, aproximar e construir pontes.

Foi um extraordinário orador, mas não fez da palavra um ornamento. Fez da palavra um poderoso instrumento de intervenção cívica, para despertar consciências, apontar caminhos, defender aquilo que acreditava ser o melhor para Portugal.

Foi médico, mas não limitou o seu olhar à doença individual. Procurou compreender e tratar, com notável ativismo cívico, as fragilidades da sociedade do seu tempo.

Foi político, mas não concebeu a política como simples exercício de poder.

Entendeu-a como um compromisso com a mudança do destino coletivo dos portugueses, e com a democracia. Sim. Porque quando a Primeira República cedeu nos valores e princípios democráticos, António José de Almeida foi uma voz firme e audível na defesa intransigente da democracia.

É esse superior exemplo de cidadania que hoje evocamos. Não apenas o cidadão que ocupou os mais altos cargos do Estado, mas o homem que acreditou que ninguém deve permanecer indiferente ao tempo e aos desafios da comunidade em que vive. O cidadão não é um espetador. Não é alguém que se limita a observar, a comentar ou a esperar que outros resolvam. O cidadão participa. Intervém. Cuida. Luta por aquilo em que acredita. Assume responsabilidades. E serve.

A melhor forma de homenagearmos António José de Almeida não é deixá-lo imobilizado numa estátua, encerrado nos livros de história ou reduzido ao nome de praças ou ruas (e são tantas… em praticamente todas as cidades do país…). A melhor forma de o homenagearmos é trazermos o seu exemplo para o presente. É perguntarmos o que exige de nós, hoje, a cidadania. O que significa, no nosso tempo, servir a comunidade? O que significa cuidar da terra onde vivemos? O que significa amar Penacova?

José Tolentino Mendonça, poeta e pensador de que tanto gosto e que verdadeiramente me inspira, colocou-nos, no título de uma das suas obras, uma pergunta tão simples quanto exigente: «O que é amar um país?» Nessa obra interpela-nos com perguntas, cuja profundidade merecem reflexão que não cabe no tempo desta nossa sessão solene.

Mas hoje, aqui, podemos e devemos trazer essa pergunta até à nossa realidade local: O que é amar um concelho? O que é amar Penacova?

Amar uma terra não é apenas recordar aquilo que ela foi ou contemplar o que ela é. Não é dizer, por hábito ou por orgulho, que a nossa terra é a mais bonita de todas. Não é exibi-la como o sítio onde há isto ou há aquilo ... Não é proclamar um sentimento sem consequências.

O amor por uma terra não pode ser apenas uma declaração. Tem de ser uma prática. 

Amar uma terra é conhecê-la. É escutá-la. É compreender as suas fragilidades e reconhecer as suas potencialidades. É cuidar daquilo que nos foi deixado e confiado pela natureza e pelos nossos antepassados. É não desistir das pessoas. De todas e cada uma das pessoas que partilham connosco este espaço humano. 

É trabalhar para que aqueles que cá vivem possam viver melhor, para que os que partiram sintam vontade de regressar e para que outros possam escolher Penacova como a sua casa.

Penacova não é uma abstração. Penacova é uma terra moldada pelas águas, pelas serras e pelo trabalho das suas gentes. É uma identidade profundamente tocada pelos caprichos da natureza, que neste território é tão marcadamente dura quanto bela; e pelas gentes que venceram essa dureza e souberam integrar essa beleza.

A nossa identidade tem a marca do Mondego e do Alva. Das suas águas, das suas margens e das suas ínsuas.Tem a marca dos valeiros onde as ribeiras moviam as rodas e rodízios das azenhas, alimentavam as levadas e regavam as “novidades” da terra, verde e fresco alimento das nossas gentes. O Mondego foi sustento. Foi caminho. Foi ligação ao mundo. Nas suas águas avançavam as barcas serranas, conduzidas por homens que domavam o rio, as correntes, as pedras e os perigos. Transportavam lenha e carqueja. Transportavam mercadorias. Transportavam a roupa que as lavadeiras recolhiam, lavavam nas águas e faziam regressar, limpa, às casas das senhoras de Coimbra. Traziam e levavam o pulsar árduo da vida.

O rio não era apenas paisagem. Era estrada. Era trabalho. Era alimento. Era vida.


A nossa identidade vem dos sarreiros, que deixavam as suas aldeias e calcorreavam terras distantes, em cada região vinícola de Portugal, entrando nas adegas e nos tonéis para extrair o sarro. Homens de trabalho duro, habituados à distância, ao esforço e à ausência. Partiam porque era necessário. Regressavam porque aqui estava a sua casa. Levavam consigo a força da resistência a estas serranias e traziam de volta o sustento das suas famílias.

Vem das lavadeiras. Mulheres de uma força tantas vezes silenciosa. Mulheres que enfrentavam o frio das águas, o peso da roupa e a dureza dos dias. Mulheres que, com as mãos mergulhadas no rio, coloriam as margens do rio e a vida. 

Vem das nossas singulares paliteiras. Herdeiras do saber delicado das monjas cistercienses de Lorvão, mulheres de mãos pacientes e habilidosas, que transformavam pequenos pedaços de madeira em delicadas obras de minúcia, enquanto criavam filhos e netos no aconchego das raspas. Um trabalho aparentemente simples, mas feito de persistência e de arte.

O que somos também vem de moleiros, que subiam as serras em busca do vento e desciam aos valeiros para aproveitar a força das águas. As velas dos moinhos a procurar o sopro certo. Os rodízios e rodas de azenha tocadas à força de águas que os nossos antepassados tão bem souberam conduzir por represas e levadas. Moía-se o milho. Moía-se o centeio. Fazia-se a farinha. Para a micha quente, a sair do forno, repartida pela família, com aquele cheiro e sabor que parece que trazemos agarrado à alma, e nos persegue como apelo de saber e respeito pela labuta do moleiro e pelas mãos doces que amassam e benzem o pão.

Penacova é o nosso chão. Das hortas. Dos socalcos. Dos rendilhados de montes. De vales caprichosamente encaixados. Dos miradouros e panoramas imensos. Do toque dos sinos das capelas. Da lampreia, da chanfana, dos míscaros, da doçaria do Mosteiro de Lorvão. Das vozes que se ouviam de um lado ao outro das povoações.

Não vos falo, com isto, de uma gravura retrospetiva da nossa terra. Falo-vos do que nos diz quem somos. Somos o que recebemos de homens e mulheres cujos nomes talvez já não conheçamos, mas cuja vida permanece nas nossas paisagens, nas nossas tradições, nas nossas instituições e na forma como habitamos esta terra. Foram eles que abriram caminhos. Que levantaram casas. Que cultivaram os campos. Que construíram capelas e igrejas, escolas, sedes de associações e caminhos. Que criaram filarmónicas, ranchos, irmandades, comissões de melhoramentos e de festas, clubes e associações. Foram eles que transformaram um território numa comunidade.

Por isso, quando falamos de Penacova, não falamos apenas de uma geografia. Falamos de uma herança humana. Falamos de um modo de estar. Falamos de uma comunidade que, geração após geração, soube ultrapassar dificuldades e procurar novas possibilidades.

Essa história continua a ser escrita no presente. Continua a ser escrita por todos os penacovenses que aqui vivem, trabalham, estudam, investem e cuidam das suas famílias. Por aqueles que permanecem ligados à agricultura, à floresta, ao comércio, à indústria, ao turismo e aos serviços. Pelos professores que formam as novas gerações. Pelos profissionais de saúde, que nos cuidam. Pelos bombeiros e agentes de proteção civil que nos protegem. Pelos trabalhadores das instituições sociais que acompanham os mais frágeis. Pelos empresários que assumem riscos e criam emprego. Pelos dirigentes associativos que oferecem gratuitamente o seu tempo, para manter vivas as nossas associações e dinamizarem as nossas aldeias. Pelos músicos, artistas, artesãos e agentes culturais que mantêm viva a alma das nossas comunidades. Pelos jovens que estudam, criam e ousam imaginar um futuro fora dos lugares comuns.

Continua também a ser escrita pelos que nasceram nesta terra e hoje se distinguem além das fronteiras do nosso concelho. Em várias partes do mundo e em várias áreas. Na comunicação social, na ciência, na cultura, como altos quadros de empresas, no desporto, e nas mais diversas áreas da vida pública. Tantos e tantos, uns mais conhecidos outros mais discretos, que levam o nome de Penacova pelo país e pelo mundo. (Seria justo referir cada um, o que só por receio de omissões graves não faço.)

Seja qual for o percurso e a circunstância das nossas vidas, viajam pedaços de Penacova com cada um de nós. Na singular forma de falar de cada uma das nossas aldeias (temos esta particularidade digna de estudo: aldeias a escassos dois, três quilómetros, têm formas de falar completamente diferentes… cerradas… que nós rapidamente associamos à origem de cada um…) Na recordação dos banhos no Mondego e no Alva. No cheiro do pão acabado de cozer. Nas procissões e bailaricos das festas das nossas aldeias… 

Mas o amor a Penacova não pertence apenas a quem aqui nasceu. Pertence também a quem aqui escolheu viver. A quem aqui criou família. A quem aqui trabalha. A quem chegou e passou a cuidar desta terra como sua.

Uma comunidade não pode fechar-se sobre a sua memória. Tem de ser capaz de acolher novas pessoas, novas vivências e novas ideias. A identidade não é uma muralha. É uma casa. Uma casa com raízes profundas, mas com a porta aberta.

Amar Penacova é, por isso, cuidar da nossa terra com o esmero e atenção com que cuidamos o que faz parte de nós mesmos. É ajudar a preservar as florestas e prevenir os incêndios. É conservar o património, não apenas como recordação do passado, mas como recurso vivo para o futuro.

Os rios e ribeiras não podem ser apenas cenário. Os moinhos não podem ser futuras ruínas. As aldeias não podem ser apenas nomes num mapa. As nossas tradições não podem ser apenas fotografias antigas.

Amar Penacova é apoiar o comércio e a produção locais. É participar nas associações. É valorizar as nossas escolas. É acompanhar os mais velhos e escutar a sua memória. É receber bem quem nos visita. É respeitar o espaço público. É cuidar da rua, da aldeia e da freguesia como extensão da nossa própria casa.

Amar Penacova é participar. É estar presente quando é necessário. É apresentar propostas onde elas podem e devem ser apresentadas. É colaborar. É votar.

É exigir aos responsáveis públicos, mas é também perguntar o que cada um de nós pode fazer. Nenhuma comunidade se transforma apenas pela ação dos seus órgãos políticos. 

Muito tem sido feito pelo nosso concelho nos últimos anos, ao nível de infraestruturas, na educação, cultura… . Vivemos hoje um período de investimento sem paralelo na nossa história: novo hotel Vila Galé, forte investimento na melhoria do parque escolar, nos centros de saúde, nas acessibilidades, nas infraestruturas turísticas…Somos hoje um concelho que atrai e é notado. Mas nenhum presidente, nenhum executivo, nenhuma assembleia e nenhuma instituição, por melhores que sejam e por mais que façam, substituem a responsabilidade dos cidadãos, de cada um dos que aqui habita. Uma terra será sempre aquilo que os seus habitantes estiverem dispostos a fazer por ela.

É certo que nós, eleitos locais, temos uma responsabilidade acrescida, que, este ano, em que comemoramos 50 anos de poder local democrático, tem de ser sublinhada e mencionada de forma especial. No caso da Assembleia Municipal, que aqui represento, é a casa dos cidadãos e a representação da pluralidade do nosso concelho. É o lugar onde se encontram e debatem diferentes sensibilidades, diferentes projetos e diferentes visões sobre o futuro do nosso concelho. É a representação de todos, por excelência. Temos o desafio de dignificar e valorizar o papel deste órgão deliberativo municipal. De o elevar e fazer reconhecer pelos cidadãos. 

Agora, aos 50 anos de poder local democrático, e aqui, vale a pena sublinhar o que é essencial para que este valioso legado do 25 de abril de 74 se preserve: Ser eleito local é fiscalizar sem destruir, governar sem arrogância, fazer oposição sem ressentimento, defender convicções sem humilhar quem pensa de forma diferente. É procurar a convergência sem abdicar da identidade de cada um. A democracia precisa do desacordo. Mas não precisa da hostilidade. Precisa de debate. Mas de debate digno, elevado, informado e construtivo.

O amor a uma terra não se demonstra eliminando as diferenças. Demonstra-se impedindo que as diferenças nos façam esquecer aquilo que temos em comum. E aquilo que temos em comum é maior do que tudo quanto nos separa. Temos em comum esta nossa terra e o permanente desafio do seu desenvolvimento. E temos em comum a responsabilidade pelo seu futuro de Penacova.

As homenagens que vamos prestar nesta sessão - a empresas, a funcionários municipais e a dois antigos Presidentes da Câmara, independentemente da razão de ser e do valor de cada reconhecimento, que é muito, visam precisamente assinalar bons exemplos no cumprimento do que nos une, que é querer e fazer o melhor pela nossa terra.

Ao homenagear as empresas estamos a reconhecer o mérito e a incentivar  homens e mulheres que todos os dias lutam e trabalham para gerar emprego e riqueza no nosso concelho. Ao reconhecer a longevidade do vínculo dos funcionários municipais, estamos a valorizar a dedicação e lealdade ao serviço público autárquico. Ao homenagear dois antigos Presidente da Câmara Municipal – Maurício Marques e Humberto Oliveira - celebramos duas vidas ao serviço da causa pública e o papel preponderante do poder local para o desenvolvimento do nosso concelho, simbolicamente neste ano em que comemoramos os 50 anos do poder local democrático.

Uma homenagem pública é, acima de tudo, uma forma de gratidão. É a comunidade a dizer: Reconhecemos o vosso esforço. Agradecemos o vosso contributo. E desejamos que o vosso exemplo inspire outros.

António José de Almeida mostrou-nos que de Vale da Vinha se podia chegar à mais alta magistratura da Nação. Os sarreiros mostraram-nos que era possível percorrer terras distantes sem perder a ligação à terra de origem. Os barqueiros ensinaram-nos a enfrentar as correntes. As paliteiras ensinaram-nos a atenção e a delicadeza. Os moleiros ensinaram-nos a procurar na força da natureza a energia para a vida. Somos o resultado do que recebemos e nos moldou enquanto comunidade. Mas cada geração recebeu a nossa terra com muito para fazer. Muito por cumprir.

Nós, que aqui estamos, não somos diferentes. Penacova continua a ser uma obra inacabada. Uma obra que não pertence a um presidente, a um executivo, a uma assembleia, a um partido ou a uma geração. Pertence a todos.

Não basta dizer que somos de Penacova. É preciso que nos reconheçam autenticamente daqui na forma como demonstramos dedicação ao que é de todos. Na forma como trabalhamos nas nossas coletividades. Na forma como cuidamos uns dos outros. Na forma como tratamos do nosso património cultural e natural. Na forma como participamos e exercemos a cidadania. Na forma como nos soubermos unir em torno do objetivo maior, que é tornar o nosso concelho sempre melhor.

Amar Penacova é isto.

E é entregar este nosso Concelho aos que vierem depois de nós mais valorizado, mais desenvolvido, mais bonito, mais vivo, mais notado e atrativo.

Que este 17 de julho não seja apenas a celebração do nascimento de um grande penacovense e mais um feriado municipal. Que seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.

Que o exemplo de António José de Almeida nos recorde que nenhuma origem é demasiado pequena para uma grande ambição de serviço.

Que a memória dos nossos antepassados nos recorde que nenhuma dificuldade é maior do que a vontade de ir mais além.

E que o amor por Penacova se revele, não apenas nas palavras que hoje pronunciamos, mas nas atitudes e nas ações que praticamos todos os dias. Viva Penacova! Viva Portugal!

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Para memória futura: registos sobre as comemorações do dia do Município 2026


PENACOVA CELEBROU DIA DO MUNICÍPIO 

As comemorações do 17 de julho, data do nascimento do antigo Presidente da República, António José de Almeida, decorreram em vários momentos. As cerimónias foram presididas por Rui Armindo Freitas, Secretário de Estado Adjunto da Presidência.
No Largo Alberto Leitão, o Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra e o Presidente da Assembleia Municipal, Mauro Carpinteiro colocaram uma coroa de flores no busto do antigo chefe de estado. A cerimónia contou com a participação das três bandas filarmónicas: Boa Vontade Lorvanense, Casa do Povo de Penacova e Casa do Povo de São Pedro de Alva. 
A sessão solene do Dia do Município ficou marcada pela homenagem a dois ex-presidentes de câmara. Por proposta do atual executivo liderado por Álvaro Coimbra e no âmbito dos cinquenta anos do poder local democrático, Maurício Marques e Humberto Oliveira receberam a Medalha de Honra do Município. As condecorações honoríficas foram entregues pelo Secretário de Estado Adjunto da Presidência, Rui Armindo Freitas e pelo atual presidente da câmara. Na mesma cerimónia foram agraciadas as empresas PME Excelência, Lider e Gazela e os funcionários do município com 25 e 35 anos de serviço. A sessão solene contou também com a presença de Helena Teodósio, presidente da Região Metropolitana de Coimbra.

In Página oficial do Município no Facebook

PROGRAMA

16 JULHO
19h00 Abertura das Festas do Município - Largo Alberto Leitão
22h30 Concerto Vizinhos - Largo Alberto Leitão

17 JULHO
10h00 Cerimónia do Hastear das Bandeiras - Largo Alberto Leitão
10h30 Sessão Solene do Dia do Município - Auditório Municipal
14h00 Apresentação de novos autocarros e bicicletas partilhadas - Biblioteca Municipal
14h30 Inauguração da requalificação da estrada S. Mamede - Paradela (EM 1277)
18h00 Apresentação do livro "Da minha janela ... Acontece (poesia e pensamento)" 
de autoria de Luis Pais Amante - Auditório Municipal
22h30 Concerto Rui Veloso - Largo Alberto Leitão

18 JULHO
15h00 Cerimónia de Entrega do Prémio de Pintura Martins da Costa 2026 - Biblioteca Municipal
 18h30 Free Trail - "10 anos Penacova Trail do Centro"- Largo Alberto Leitão
22h30 Concerto Orquestra Municipal - Largo Alberto Leitão
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PENACOVA CELEBROU DIA DO MUNICÍPIO 
COM “LEGÍTIMAS” QUEIXAS CONTRA O GOVERNO

Falta de profissionais nas unidades de saúde, a demora nos apoios para fazer face às intempéries e a necessidade de garantir financiamento para concluir as obras da escola preocupam Álvaro Coimbra
O presidente da Câmara Municipal de Penacova lamentou, ontem, que «o prometido apoio do Governo para fazer face às intempéries» se tenha resumido, «até agora, a pouco mais de um milhão de euros», ou seja, «meio milhão de adiantamento e o restante através de um protocolo assinado com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] para reparações urgentes nos cursos de água e zonas ribeirinhas».

«Penacova foi dos municípios mais afetados, sobretudo na rede viária e equipamentos e, passados alguns meses, continuamos a sofrer na pele os efeitos do chamado “comboio de tempestades”», alertou Álvaro Coimbra, na sessão solene do Dia do Município.

Segundo o autarca, «os danos do último inverno e a falta de respostas céleres para os resolver» estão no topo das preocupações e o encerramento das estradas nacionais 2 e 110 é apenas um dos exemplos. «Está a provocar constrangimentos à economia local, à vida das pessoas, ao turismo, aos transportes públicos, ao próprio socorro às populações. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para que sejam encontradas soluções mais expeditas», frisou.

Aliás, como referiu esta semana, em entrevista ao Diário de Coimbra, relativamente à Estrada Nacional 2, até foi apresentada uma proposta em que o município assumiria «responsabilidades para reabrir a estrada, ainda que provisoriamente, durante o verão, suportados num relatório técnico de especialistas credíveis».

«Outro dos assuntos que nos deixa, por estes dias, apreensivos é a saúde e os cuidados prestados à população», continuou Álvaro Coimbra, alertando para a necessidade de médicos, enfermeiros e assistentes técnicos. «Dizer que a nossa região está agora coberta a 100% por médicos de família é um ótimo titulo de jornal, mas no terreno a realidade não é bem assim. O polo de saúde de Lorvão, por exemplo, está atualmente encerrado», lamentou.

A acrescer a estas preocupações surgem «as metas do PRR [Plano de Recuperação e Resiliciência], com Álvaro Coimbra a reforçar a ideia de que o Governo deve «encontrar uma solução expedita para finalizar as obras» da sede do Agrupamento de Escolas de Penacova (com financiamento de 7 milhões de euros do PRR) e de «outras tantas que não vão estar concluídas até 31 de agosto».

«Acredito que prevalecerá o bom senso e tenho conhecimento de que está a ser estudada uma solução. No entanto, essa solução deve cumprir o que foi determinado no acordo inicial entre Governo e ANMP: garantia de financiamento a 100%», referiu.

Rui Armindo Freitas, secretário de Estado Adjunto da Presidência, garantiu que fará chegar as preocupações do autarca «a quem direito», «na certeza de que são legítimas e com certeza encontrarão boa resposta». |

“O amor por uma terra não pode ser apenas  uma declaração” «A melhor forma de homenagearmos» António José de Almeida «é trazermos o seu exemplo para o futuro», adiantou o presidente da Assembleia Municipal, realçando que «o amor por uma terra não pode ser apenas uma declaração», mas uma prática. «É compreender as suas fragilidades e reconhecer as suas potencialidades», continuou Mauro Carpinteiro, certo de que «nenhuma origem é demasiado pequena para uma grande ambição de serviço». «Que este 17 de julho não seja apenas a celebração do nascimento de um grande penacovense e mais um feriado», desejou, com a certeza de que o futuro de Penacova é responsabilidade de todos.
 

EMPRESAS GAZELA, PME LIDER E PME EXCELÊNCIA: MUNICÍPIO HOMENAGEOU COM VOTO DE LOUVOR

 


Crédito das fotos: Município de Penacova / Facebook

O Município de Penacova homenageou, com um Voto de Louvor, as Empresas sedeadas no concelho de Penacova que foram distinguidas com o Estatuto PME Líder e PME Excelência. Duas empresas Gazela foram igualmente reconhecidas na Sessão Solene do Dia do Município. Estes galardões referem-se ao desempenho destas empresas no ano fiscal 2025.

Vejamos o que significam estes estatutos, atribuídos pelo IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação, I. P.).  O estatuto PME Líder é um selo de reputação que distingue o mérito das PME (Pequenas e Médias Empresas) nacionais com desempenhos superiores. É atribuído tendo por base as melhores notações de rating e indicadores económico-financeiros.

Por sua vez, as PME Líder que apresentem os melhores desempenhos são anualmente distinguidas com o estatuto de PME Excelência, um selo de reputação que facilita o desenvolvimento dos seus negócios. O conceito de empresa «gazela» corresponde a empresas jovens (com idade igual ou inferior a cinco anos no início do período de observação) e com elevados ritmos de crescimento, sustentados ao longo do tempo. Com base na consulta de dados de acesso público da plataforma RACIUS (https://www.racius.com/) deixamos aqui alguns elementos sobre cada uma das empresas em causa:



Empresas GAZELA 

Aleatory Concept, Lda

Morada: Estrela d’Alva 3360-223 São Paio de Mondego

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social € 50.000,00Atividade Fabricação de carvão (vegetal e animal) e produtos associados; Transformação de madeiras e seus derivados (incluindo serração); transformação e comercialização, por grosso, de resíduos florestais com fins energéticos, sua importação e exportação e ainda produção e comercialização de pelletes.

Acerca da Empresa A empresa Aleatory Concept tem 8 anos, tendo sido constituída em 13/10/2017. CAE: 20142 - Carvão 16101 - Serração de madeira 16291 - Outras obras de madeira - fabricantes  38322 - Valorização de resíduos não metálicos

Liderpanóplia - Transportes e alugueres unipessoal, Lda

Morada: Rua da Castanheira, S/N - Silveirinho 3360-310 Travanca do Mondego

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 300.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrém, aluguer de veículos automóveis pesados e ligeiros, comércio de outros veículos automóveis, comércio a retalho de peças e acessórios para veículos automóveis.  A empresa Liderpanóplia Transportes e Alugueres tem 5 anos, tendo sido constituída em 04/08/2020. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias 45110 - Automóveis ligeiros77110 - Automóveis 77120 – Camiões


Empresas PME Líder e PM Excelência 

(por ordem aleatória)

Verbos & Conceitos, Lda

Morada - Rua Principal, Nº 6, Casal de Santo Amaro 3360-180 Penacova

Forma Jurídica - Sociedade por Quotas Capital Social - € 40.000,00Atividade - Exploração de bar, café e restaurante. Acerca da Empresa - A empresa Verbos e Conceitos tem 7 anos, tendo sido constituída em 22/03/2019. CAE:  56302 – Bares  56101 - Restaurantes tradicionais  56301 - Cafés

Martins & Gomes, Lda

Morada: Vale da Sobreira, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 125.000,00.  Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. A empresa já foi conhecida no passado como TRANSPORTES MARTINS E GOMES, LDA e, mais recentemente, como TRANSPORTES MARTINS & GOMES LDA.  CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Águas das Caldas de Penacova, SA

Morada: Mata das Caldas 3360-192 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima; Capital Social € 2.500.000,00. Atividade: No âmbito de Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente. CAE: 11071 - Engarrafamento de águas minerais naturais e de nascente.

Leitão do Aires, SA

Morada: Zona Industrial, Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 20.000,00.  Atividade: Actividades de restauração. A empresa Leitão do Aires tem 16 anos, tendo sido constituída em 14/12/2009. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Restaurantes tradicionais. CAE: 56101 - Restaurantes tradicionais.

 José António Diogo Construções Unipessoal, Lda

Morada: Rua da Capela, Nº 4, Póvoa 3360-025 Carvalho

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 34.000,00. Atividade: Construção civil, reabilitação e obras públicas de edifícios e outras estruturas (incluindo estruturas metálicas); compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Compra, venda, aluguer de equipamento de construção e demolição com operador; gestão de equipamento destinado à atividade da construção civil e obras públicas; escavações, demolições e terraplanagens. Comércio a retalho de materiais relacionados com as atividades, bem como um vasto conjunto de outras actividades. A empresa José António Diogo tem 14 anos, tendo sido constituída em 02/01/2012. CAE: 43120 - Preparação dos locais de construção   47523 - Material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares

Fozvias Unipessoal, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Edf. Admin., Sala Nº 6 - Sazes de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas; Capital Social: € 260.000,00; Atividade: Construção Civil e obras públicas; compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim; comércio e aluguer de equipamentos para a construção; transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem; exploração florestal; atividades dos serviços relacionados com a silvicultura e exploração florestal; comércio por grosso de madeira em bruto e de produtos derivados. A empresa Fozvias tem 16 anos, tendo sido constituída em 11/06/2010. A empresa já foi conhecida no passado como TRIBALFLOWER - UNIPESSOAL LDA. CAE::43120 - Preparação dos locais de construção   2200 - Exploração florestal 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Fernando Silva e Carvalho Lda

Morada: Seixo 3360-031 Seixo - Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: (Código de Actividade Económica): 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Transportes Ilha do Mondego Unipessoal, Lda

Morada: Rua Prof. Leonel Henriques Gonçalves, Nº 2, Parada 3360-252 São Pedro de Alva

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social € 125.000,00. Atividade: Transportes rodoviários de mercadorias por conta de outrem. Compra e venda de materiais de construção. Compra e venda de madeiras para celulose. Prestação de serviços de máquinas rectroescavadoras. A empresa Transportes Ilha do Mondego tem 8 anos, tendo sido constituída em 15/01/2018. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Reninstal Unipessoal, Lda

Morada: Rua Cabo das Relvas, S/N, Lorvão 3360-110 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social € 116.500,00. Atividade: Construção civil e obras públicas; Compra, venda e permuta de bens imóveis e reverenda dos adquiridos para esse fim, incluindo a reabilitação de edifícios, arranjos exteriores, instalação elétrica, esgotos, gás, canalizações e climatizações; Instalação de energias renováveis. Prestação de serviços na área de telecomunicações. Comércio, importação e exportação de equipamentos e produtos relacionados com a atividade. Reparação e manutenção de produtos metálicos. Outras instalações em construções. Comércio por grosso de móveis para uso doméstico, carpetes, tapetes e artigos de iluminação. Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos. Comércio a retalho de eletrodomésticos, em estabelecimentos especializados. Atividades relacionadas com sistemas de segurança. A empresa Reninstal tem 11 anos, tendo sido constituída em 06/10/2014. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  41200 - Construção de edifícios 43221 - Instalação de canalizações 43222 - Instalação de climatização.

R2P - Reciclagem e peças, SA

Morada: Espinheira 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social: € 50.000,00. Atividade: Valorização de resíduos metálicos, comércio e desmantelamento de bens e veículos usados e em fim de vida ( camiões, automóveis, máquinas e outro equipamento) e prestação de serviços de pronto-socorro. A empresa R2P - Reciclagem e Peças, S.A tem 14 anos, tendo sido constituída em 24/01/2012. CAE: 38321 - Valorização de resíduos metálicos

Placolás - Comércio de Pladur e Gesso, Lda

Morada: Parque Industrial da Espinheira, Apartado 124, 3360-287 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 150.000,00. Atividade: No âmbito de Transportes rodoviários de mercadorias. CAE: 49410 - Transportes rodoviários de mercadorias

Pinturas Vitor Pisco, Lda

Morada:  Rua do Malhão, Nº 10 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social: Não disponível. Atividade: No âmbito de Pintura e colocação de vidros. CAE: 43340 - Pintura e colocação de vidros

Paulo Alexandre Construções, Lda

Morada: Rua Municipal, Carapinheira da Serra 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 10.000,00. Atividade: Construção e remodelação de edifícios, residenciais e não residenciais. Trabalhos especializados de construção designadamente instalações elétricas, de canalização e de climatização, estucagem, montagem de trabalhos de carpintaria e caixilharia, revestimento de pavimentos e de paredes, pintura, colocação de vidros e de coberturas, demolição de edifícios e de outras construções e preparação de locais de construção. Comércio e aluguer de equipamentos para construção. Elaboração de projetos de arquitetura, engenharia, certificação energética, pareceres técnicos, consultadoria e fiscalização. Compra, venda e permuta de bens imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim. Arrendamento e exploração de bens imóveis próprios ou alheios. A empresa Paulo Alexandre, Construções tem 7 anos, tendo sido constituída em 28/09/2018. CAE: 41200 - Construção de edifícios  43110 – Demolição  43120 - Preparação dos locais de construção

Macop - Materiais de construção, SA

Morada: Penamac Parque, Nº 10, 12 e 14 3360-187 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 2.170.000,00. Atividade: Comercialização de materiais de construção civil; Comércio por grosso de materiais de construção; Comércio a retalho de material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares, em estabelecimentos especializados; Projetos de climatização e irrigação; Venda de eletricidade; Consultoria económica, financeira e serviços de gestão e formação; Estudos de mercado; Publicidade e marketing; Gestão de marcas próprias. Comercialização de sistemas automáticos e dispositivos autónomos de deteção de incêndio e de deteção de gases; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de fumo; comercialização de sistemas de extinção por água; comercialização de sistemas de extinção automática por agentes distintos da água e água nebulizada; comercialização de sinalização de segurança; comercialização de sistemas e dispositivos de controlo de poluição de ar; comercialização de iluminação de emergência. CAE: 46732 - Materiais de construção (excepto madeira) e equipamento sanitário.

Fernandes e Henriques, Lda

Morada: Ferradosa 3360-186 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 2.300.000,00. Atividade: No âmbito de Azeite, óleos e gorduras alimentares. A empresa já foi conhecida no passado como FERNANDA E HENRIQUE, LDA. CAE: 46332 - Azeite, óleos e gorduras alimentares

Construções Rodrigues e Filho, Lda

Morada: Edifício Penedo Raso, Lote 2, Nº 10, R/C Esq. 3360-173 Penacova

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social € 131.000,00. Atividade: No âmbito de outras obras de engenharia civil. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES RODRIGUES E FILHOS, LDA. CAE: 42990 - Outras obras de engenharia civil

Construções Luís Pereira & Alves,Lda

Morada: Agrelo 3020-923 Fornos

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 100.000,00. Atividade: No âmbito de Construção de edifícios. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Begal - Soc Comercial e Industrial de Palitos e Derivados de Madeira, Lda

Morada: Lorvão 3360-106 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social   € 11.500.000,00. Atividade: No âmbito de outro comércio por grosso de bens de consumo. CAE: 46494 - Outro comércio por grosso de bens de consumo

Antunes & Filhos, Lda

Morada: Lomba do Airo, Sazes do Lorvão 3360-293 Sazes do Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade por Quotas. Capital Social  € 125.000,00. Atividade: No âmbito de Exploração florestal. CAE: 2200 - Exploração florestal

Veiga Lopes, SA

Morada: Urbanização Valbom, Lote Nº 6, Cave Direita, Carapinheira da Serra 3360-101 Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Anónima. Capital Social  € 150.200,00. Atividade: Construção civil e obras públicas, compra e venda de imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim, comércio a retalho e por grosso de materiais de construção e serviços de silvicultura. A empresa já foi conhecida no passado como CONSTRUÇÕES VEIGA LOPES, LDA. CAE: 41200 - Construção de edifícios

Trilhos energéticos, Soluções Sustentáveis Unipessoal, Lda

Morada: Rua Principal, 64 - B, Telhado 3360-062 Figueira de Lorvão

Forma Jurídica: Sociedade Unipessoal. Capital Social  € 5.000,00. Atividade:  Atividades de gestão, monitorização e fiscalização de obras, coordenação de projetos, avaliações de ruído, certificação energética, e ambiental. Comércio, importação, exportação, montagem, instalação, reparação e manutenção de sistemas de aquecimento e arrefecimento, seus componentes e acessórios. Instalação, reparação e manutenção de painéis solares térmicos e painéis solares fotovoltaicos e de outros sistemas de energias renováveis. Instalação, reparação e manutenção de aerogeradores / turbinas eólicas. Prestação de serviços na área da certificação energética de edifícios, bem como na área dos ensaios e análises técnicas de materiais, utilizados na construção civil. Prestação de serviços e auditorias nas áreas de qualidade, ambiente e segurança. Formação profissional. Análises de águas residuais e de águas para consumo humano. Construção Instalações Eléctricas, Comércio a retalho por correspondência ou via Internet. Comércio por grosso e a retalho de veículos automóveis ligeiros, novos e usados. Atividades de arrendamento e exploração de bens imobiliários próprios ou arrendados, nomeadamente, edifícios residenciais e não residenciais, incluindo espaços e instalações industriais, comerciais e de terrenos. A empresa Trilhos Energéticos tem 12 anos, tendo sido constituída em 30/10/2013. Desenvolve a sua atividade principal no âmbito de Instalação eléctrica. CAE: 43210 - Instalação eléctrica  43221 - Instalação de canalizações   47910 - Comércio a retalho por correspondência ou via Internet.


17 julho, 2026

António José de Almeida e o Feriado Municipal: uma escolha (pouco) consensual


A deliberação, em 1977, no sentido de estabelecer o dia 17 de Julho como Feriado Municipal, sempre foi de algum modo contestada, apesar da aprovação por unanimidade na Assembleia Municipal. 

Antes do 25 de Abril, o dia 24 de Junho chegou a ser o feriado concelhio. Desconhecemos quando tal se verificou, mas uma notícia / aviso, publicada no Notícias de Penacova de 18 de Junho de 1932, refere textualmente: “Por ser o dia de feriado municipal estarão fechadas, no dia de S. João, as repartições públicas desta vila.”

A instituição do feriado a 17 de Julho, dia do nascimento de António José de Almeida, levou o Notícias de Penacova de 8 Julho 1977 a entrevistar o Presidente da Câmara, Dr. Artur Coimbra. Na mesma altura, também uma crónica do NP, assinada por JOCAR, enaltece os motivos da escolha. O autor formula votos para que a data se mantenha por muito tempo… Bastaram apenas quatro anos para o assunto voltar a ser discutido e ser mesmo colocada a hipótese de alterar a data para 8 de Setembro. Desconhecemos o desfecho dessa tentativa, mas tudo indica que a ideia não vingou, ao ponto de dia 17 de Julho se manter até hoje como feriado municipal de Penacova, homenageando António José de Almeida, nascido há precisamente 160 anos.

Transcrevemos de seguida: 

1 -  entrevista, em 1977, ao Dr. Artur Coimbra, que explica os motivos da escolha; 2 - crónica assinada por “Jocar” apoiando a deliberação;  3 -artigo sobre as movimentações em 1981 no sentido de alterar a data e o nome 


ENTREVISTA A ARTUR COIMBRA EM 1977


Em sessão realizada em 28-5-77, ficou deliberado que o feriado Municipal fosse o dia do aniversário de nascimento do Dr. António José de Almeida. N. P. entendeu ouvir a pessoa mais indicada para explicar as razões que levou a C. M. a que o dia 17 de Julho fosse o Feriado Municipal. Assim, N. P. trocou impressões com a mais alta individualidade municipal, Dr. Artur Manuel Sales Guedes Coimbra, presidente da Câmara, que amavelmente se dispôs a responder às perguntas que lhe dirigimos. Agradecendo a disponibilidade com que fomos recebidos, aqui deixamos à consideração dos prezados leitores as suas palavras.

N. P. - Sr. Presidente, pode-nos dizer quais as vantagens da existência dum feriado municipal?

Dr. Artur - O feriado municipal está revisto na lei que atribui a todos os concelhos o direito a terem o feriado municipal e convida mesmo os municípios a fazê-lo. As vantagens para mim é restaurar uma velha tradição que já existia ao tempo da monarquia e tem o seu auge durante a 1.ª República. Vantagens existem de facto em alguns concelhos onde existem dias festivos que a população em geral guardava mas que não havia condições legais para serem extensivos aos funcionários, comércio e indústria. Esta determinação visa sobretudo criar condições de igualdade para todos os trabalhadores nesses dias que os municípios entendam ser positiva.

N. P. - Que razões levaram à escolha do dia 17 de Julho para o feriado? Houve a preocupação de auscultar o Povo do concelho?

Dr. Artur - As razões que levaram a C. M. a propor o dia 17 de Julho, foram frutos de uma análise de todas as restantes datas possíveis. Dessas análises terem parecido indicar esta data como a mais capaz, não só de reunir um concelto geral como também mais capaz de realçar um importante factor histórico da luta em Portugal pela República e pela Democracia. Foram consideradas outras datas como o dia de São João, o dia de Nossa Senhora do Monte Alto, mas que foram postas de parte por determinadas circunstâncias de que essas datas são dias Santos para a Igreja Católica e que sendo um feriado uma data histórica ou política, entende-se não fazer coincidir dois poderes. Encarou-se ainda a data de atribuição do farol por D. Sancho ao concelho de Penacova, mas foi impossível conseguir descobrir a data em que se processou o acontecimento. Estudou-se também a data como historicamente a parte decisiva da batalha do Buçaco, parte da qual se desenrolou no nosso concelho, mas da batalha é atribuída exactamente ao Buçaco, julgou-se que assim diria muito mais respeito ao concelho da Mealhada que ao nosso próprio concelho. Chegou-se, assim, à data 17 de Julho que representa o aniversário de nascimento de António José de Almeida, que foi o mais ilustre Penacovense no processo politico que desde a monarquia tem procurado instaurar e consolidar a República e a Democracia em Portugal. Orador brilhante e político esclarecido, foi um homem ouvido e respeitado àquem e além fronteiras, admirado e considerado por todas as correntes de opiniões que tinham e têm por base a instauração de um regime republicano e democrático. A sua eleição para Presidente da República foi o voto de admiração e confiança que então lhe deu o Povo Português. A proposta da C. M. para que o dia 17 de Julho fosse data do feriado municipal, visa ser uma homenagem do Povo deste concelho, sem dúvida, democrático e republicano à mais alta figura de sempre. Visa ainda um chamar de atenção a todos os Penacovenses para essa época histórica reavivando o nome do Dr. António José de Almeida no espírito de cada um de nós e no conhecimento de todos aqueles a quem não foram dadas possibilidades de pelo menos terem estudado um pouco de História de Portugal. De facto, a C. M. não o quis decidir sem ouvir o Povo do concelho e por isso, ouviu-o através do seu órgão Municipal mais representativo, como é uso em Democracia, a Assembleia Municipal. Para minha própria satisfação e desta Câmara a que tenho a honra de presidir, a Assembleia Municipal, onde estão representadas todas as correntes políticas mais significativas deste concelho, aprovou por unanimidade, o dia 17 de Julho.

N. P. - Qual o programa para a celebração do primeiro aniversário?

Dr. Artur - Desde já, a C. M. não pode adiantar o programa da celebração do 1.° aniversário, pois que ainda se encontra em fase de estudo e diligência. Entretanto enquanto todos nós não tomamos conhecimento deste feriado Municipal e nos vamos habituando a ele, acontece que quis o caso que este ano coincidisse com um Domingo, o que facilitará também a sua celebração.

 NP 8 Julho 1977


Vai o Concelho de Penacova, dentro de breves dias, mais propriamente no dia 17 de Julho, comemorar o seu primeiro feriado municipal.

Feriado muito controverso, pois há muitos anos existia já um feriado municipal - o 24 de Junho – mas que a poeira do tempo apagou não se vislumbrando hoje como, quando e quem decretou esse dia feriado, quando, como e quem terminou com ele. Isso são factos a analisar por quem sobre tal matéria for entendido.

O facto real é que a Assembleia Municipal, como das suas primeiras deliberações no exercício do seu poder local, decretou o 17 de Julho como feriado! E como a Assembleia Municipal foi eleita pelo povo e representa o povo, há que aceitar esta deliberação e o principal é que exista o dia do concelho.

Neste ano aparece-nos este dia num Domingo, para arrelia dos funcionários e trabalhadores da função pública, mas com inteiro regozijo da entidade patronal e do lavrador que assim não vê um dia perdido no trabalho.

Não sabemos ainda qual seja o programa comemorativo para este dia mas certamente pela falta de tempo, porque a sua criação foi muito recente, não haverá tempo para grandes festejos pelo que se presume que certamente ligeira cerimónia assinalará este dia, para no próximo ano algo se fazer de maior interesse até turístico.

E desta feita acabam as confusões do feriado pois sabemos que ainda recentemente uma grande empresa a trabalhar neste concelho pretendeu dar o dia 24 de Junho como feriado.

Controverso ou não, com festa ou sem festa, a verdade é só uma: o dia17 de Julho é feriado no concelho de Penacova. Mais uma homenagem é feita ao grande português que foi António Jose de Almeida. Esperamos que este feriado ficará para sempre e que outros ventos não venham num futuro longínquo ou breve, alterar novamente esta data.

 JOCAR / NP 1977


A mudança da data do feriado municipal de Penacova do dia 17 de Julho, em honra do insigne republicano Dr. António José de Almeida, para o dia 8 de Setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, é facto aceleradamente aceite pela maioria do povo deste concelho que, quer queiram ou não certos políticos, ainda tem fé para saber escolher Deus como salvador rejeitando os falsos profetas dos nossos dias, cujas obras são palavras, verborreia hipócrita que a realidade desmente.

Não se trata de desprezar o valor de um homem cuja vida e obra a história já glorificou, mas pretende-se atender aos sentimentos religiosos de um Povo que também sabe o que quer. Respeitar estes sentimentos é respeitar o próprio Povo.

E é assim que o assunto vai ser submetido à apreciação das Assembleias de Freguesia do Concelho que, até 31 de Dezembro de 1981, deverão comunicar à Câmara Municipal as suas deliberações conforme proposta dos vereadores do PSD, na sessão da Câmara de 21-10-1981.

Na verdade, o feriado do dia 17 de Julho só serve para os funcionários públicos, comércio e indústria porque as pessoas que vivem da agricultura, e são-no na maioria, neste concelho, não são beneficiados porque não têm qualquer interesse profundo em guardar um dia que, para eles, não tem verdadeiro significado político nem social.

O diploma legal que regulamenta o estabelecimento dos feriados municipais tem pouco que ver com os sentimentos profundos do Povo Português. Foi a demagogia, a febre materialista enfiar carapuças a quem as recusa usar. O povo isto, o povo aquilo. Tretas... tretas!

E. S.  |  Nova Esperança, nº23 Nov. 1981

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SOBRE ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA, ver https://penacovaonline2.blogspot.com/search?q=ant%C3%B3nio+jos%C3%A9