Como “transmitir” Lorvão?
Na Crónica de hoje vou falar um pouco de uma Vila do Concelho de Penacova (Vila essa que se confunde com a própria História de Portugal):
É Lorvão!
Saltando aquela parte da evolução semântica do seu nome (que, todavia, parece não reunir consenso), sabemos que é dona, “sem ser senhora”, de um Mosteiro com origem remota no tempo, muito anterior à existência fáctica do nosso País.
Também sabemos que por lá se recolheram monges e monjas e bem assim Ordens Religiosas importantes, nomeadamente integrantes da Ordem de Cister.
Davam rentabilidade à navegabilidade do Mondego, ajudando os nossos Portos Fluviais.
Sem que existam provas (tanto quanto me lembro) Lorvão será, mesmo, mais antigo do que Penacova.
E todos conhecemos o “amor” que despertou nas filhas do Rei de Portugal D. Sancho I.
O que reforçou muito o prestígio da Vila.
Mas Lorvão já foi uma das mais históricas “terras de Saúde” no nosso País:
- uma boa parte do Mosteiro era Hospital;
- uma parte das pessoas seguiram as profissões da área da saúde;
- a zona tinha empregabilidade;
- florescia em bem-estar;
- vinha gente de todo o lado para lá (tanto para tratamento, como para visita);
- o comércio local viveu dias importantes;
- os costumes adaptaram-se a todo este envolvimento!
Estava lá sediado um Hospital Psiquiátrico, daqueles que o nosso País precisava e precisa, mas quis e quer esconder a todo o custo.
Numa data que não sei precisar (há não muito tempo histórico), alguém decidiu fechar aquelas instalações, como se os males lá curados tivessem desaparecido.
As nossas Políticas continuaram a viver à custa de “encerramentos”.
Nessa atitude negativa (integrada nas políticas da Saúde), ficou sobrante um “diamante histórico”.
Essa é que é a verdade, nua e crua!
Levaram-se a efeito Obras importantes na parte mais sacra, que por estes dias vai estar em Festa, com iniciativas bem delineadas, que lembram Cultura com “C” grande, num atractivo programa que abrangerá as Crianças e onde estarei com uma parte do Clube da Netaria.
Espero, sinceramente, que Lorvão saia mais reforçado na sua identidade, identidade essa que está à procura de outro caminho, que já não o de “terra de Saúde” pelas razões que invoquei, acima.
Mas deixem-me dizer que Lorvão tem o sonho de lá ter (na tal parte hospitalar que se vai degradando) um Hotel de muitas estrelas!
Isso foram prometendo; dado como certo; entregue em propriedade ou concessão e referido e utilizado como “trunfo político”.
A coberto daqueles Fundos a que ninguém (na verdade) conhece o fundo.
Aliás,
“Acabou” com um Movimento cívico que reivindicou a transformação do espaço num Hospital de rectaguarda, daqueles que o País não tinha, nem tem.
Era o “+ Saúde para Lorvão” para o qual fui convidado, que desenvolveu um trabalho muito meritório, a ponto de ser ouvido em Comissões na Assembleia da República, até com a presença de Deputados do nosso Concelho, que com tais razões pareciam concordar!
Estranho é que sobre o destino de Lorvão (que precisava, então, de um parco investimento para a sua manutenção hospitalar com as características da identidade daquele Povo) o tal Hotel sumptuário, esteja hoje no segredo e dele não se ouça falar.
Ainda se mantém como objetivo? Quem pagou todo o investimento já feito? O tal Fundo ainda está activo? E quem vai responder se tudo isso se transformar em mera ilusão?
Provavelmente vai ser necessário reactivar o “+ Saúde para Lorvão”…
E deixar as “ilusões” para trás, continuando a lutar por ter uma “terra da Saúde ” de que o País precisa como “de pão para a boca” !
Será que alguém discorda?
Luís Pais Amante
