24 abril, 2026

Recorte de jornal: Tragédia na Barragem da Aguieira



A Barragem da Aguieira e todo o conjunto de obras complementares (barragens, rodovias, pontes) alterou a vida das pessoas, principalmente do Alto Concelho de Penacova, mexeu com as relações sociais e laborais, gerou expectativas de progresso e de desenvolvimento, deixou memórias, umas felizes, outras muito trágicas. 

Em 1978, quando se construía a Ponte do Chamadouro, morreram 5 trabalhadores. No ano seguinte, 1979, outro trágico acidente ocorreu quando os andaimes de uma das torres (tomadas de água) desabaram provocando a morte de mais 4 operários e ferimentos, alguns graves, em outros doze. Faleceram Manuel Esteves Gouveia, de Lisboa, António Costa Pereira, de Travanca do Mondego, e Manuel Rodrigues e Joaquim Novo, de S. Pedro de Alva. Foi em Março de 1978, mais precisamente no dia 6, à tarde.  A história da construção da barragem da Aguieira fica marcada por outras mortes, como a de 1 jovem da Rebordosa. 

Guardamos ainda o “Diário de Coimbra” de 7 de Março de 1979, que noticia o trágico acidente: 

“Quatro mortos e doze feridos - alguns deles com gravidade, mas já livres de perigo - é o balanço de novo desastre ocorrido ontem à tarde nas obras da Barragem da Aguieira. O desprendimento de um andaime colocado a cerca de noventa (90) metros de altura arrastou atrás de si os dezasseis operários que ali trabalhavam e se viram de um momento para o outro envolvidos numa queda espectacular, estatelando-se no solo uns em cima dos outros à mistura com ferros retorcidos e outro material do andaime desprendido.

«Não sabemos como aquilo aconteceu» - dizia-nos ontem na sala de Raios X dos Hospitais da Universidade um dos acidentados, António Jorge Baltasar - que muito a custo nos deu uma ligeira explicação do acidente. «Estávamos a passar material para baixo e de repente aquilo começou a desandar. Não sei mais nada».

O acidente ocorreu por volta das 16 horas e em Coimbra e na região logo se soube que algures ocorrera grave acidente, já que o alarme das várias ambulâncias perspectivava algo de anormal que fazia interrogar quem o ouvia. Dado o modo como ocorreu, logo se pensou tratar-se de um desastre de gravíssimas consequências, pelo que rapidamente foram accionados todos os meios de socorro disponíveis: nada menos que onze corporações de bombeiros, num total superior a vinte viaturas, incluindo algumas particulares. 

Enquanto umas ambulâncias procediam ao transporte dos feridos para os hospitais mais próximos - Coimbra, Penacova, Santa Comba Dão e Viseu - outros bombeiros empenharam-se no retirar dos feridos envolvidos nos materiais do andaime, para o que foi necessário recorrer à utilização de vários maçaricos. Esta tarefa de socorro foi extremamente dificultada pela natureza do local onde os infelizes operários caíram, pelo que só cerca de uma hora depois do acidente era retirado o último ferido, conduzido a toda a velocidade para o hospital mais próximo. Dos dezasseis sinistrados, três chegaram já mortos ao hospital de Penacova, enquanto que um quarto, conduzido para Coimbra, não viria também a resistir aos ferimentos, sucumbindo pelo caminho."



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SABER + SOBRE A BARRAGEM DA AGUIEIRA


A Barragem da Aguieira foi construída nos anos de 1973 a 1981, tendo como principais objectivos a produção e fornecimento de energia hidroeléctrica, a irrigação agrícola e o controlo de cheias, sobretudo na região do Baixo Mondego. 

E uma barragem do tipo “abobadas múltiplas”, em betão. Possui 3 abóbadas de dupla curvatura e 2 contrafortes centrais que constituem, simultaneamente, dois descarregadores de cheia.  Alem destes descarregadores principais de superfície, apresenta ainda uma descarga de fundo. Entre os dois contrafortes encontra-se a central eléctrica.

Imagens da fase de construção da barragem da Aguieira (Fonte: RTP)

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Veja também AQUI, o Penacova Online de 2008


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