17 abril, 2026

Autores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (9): Jorge Figueiredo

Jorge Figueiredo é natural do Caneiro, onde vive. Publicou “Poesia à Beira do Mondego” em 2010 e “Brumas do Mondego” em 2011, edições de autor, com o apoio de instituições locais.

Tal como se refere na contracapa de um dos seus livros, as paisagens e a beleza que Penacova e o Rio Mondego oferecem, foram os motivos de inspiração” que o levaram a escrever "Brumas do Mondego".

No livro de 2010 coexistem, além da temática da Natureza, temas relacionados com as relações entre as pessoas, os afectos e questões existenciais.

Deixamos aos leitores alguns dos seus poemas:

Moinho de Vento

Moinho de vento
Perdido no tempo
No cimo da serra!
À chuva e ao sol,
Contada num rol
Quanta história encerra?

Velas do moinho
De pano branquinho
Rodando com graça!
E as mós moendo!
E as velas gemendo
Ao vento que passa!

E o burro do moleiro
Subindo o carreiro
Que graça que tinha!
Levando consigo,
O milho e o trigo
Para fazer farinha!

E neste quadro,
Pelo pintor pintado
Com tanto amor!
Do pó da farinha,
Eis a moleirinha,
Branca rosa em flor!

2011-03-15



Barca do Mondego 
(Barca Serrana)


Oh da roda!
Oh da barca!

De Penacova desce a barca o Mondego,
Saudando cada um de seu recanto!
Vai deixando para trás paz e sossego,
E leva para Coimbra ainda mais encanto!

Mondego!

Quanto sal do suor dos teus barqueiros,
Levaram as tuas águas para o mar?
Homens rudes, mas valentes timoneiros,
Rio abaixo e rio acima a navegar!

Barca do Mondego! (Barca Serrana)

Recordação que guardamos na memória,
Desta Barca tão altiva e imponente!
Dela, só ficou o retrato para a história,
E um passado que ficará sempre presente!

2011-01-20


Brumas do Mondego 

Mondego! Tuas brumas teimam em esconder
Tudo aquilo que de bonito ainda tens!

Mas jamais algum de nós se irá esquecer
O que já foste, o que és, e donde vens!

Beijando fráguas, tuas águas vão para o mar
Levam lembranças de Penacova e sua gente!

E em nosso peito vai teimando em ficar,
A saudade, ditando o que a nossa alma sente!

Águas tristes vão correndo melancólicas
Neste rio de silêncio e de sossego!

E estes recantos e paisagens tão bucólicas,
Estão envoltas nestas Brumas do Mondego!

2011-05-27


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