09 abril, 2026

ℙÁ𝕊𝕊𝔸ℝ𝕆𝕊 𝔼𝕊𝕋ℝ𝔸ℕℍ𝕆𝕊 𝔼𝕄 ℙ𝔼ℕ𝔸ℂ𝕆𝕍𝔸...

Vem este título a propósito de um recorte do antigo jornal Gazeta de Coimbra. A “notícia” tem um pormenor algo chocante. O texto alude, igualmente, a uma outra história que se terá passado em Penacova, há muitos anos e que, curiosamente, em 2023, abordámos na rubrica “Ecos de Vozes Distantes” do Penacova Actual (cf AQUI)  

O recorte da Gazeta de Coimbra (13 out 1921) com o título “Aves: um belo exemplar” diz o seguinte:

“Foi oferecido a um nosso amigo uma grande ave, cujas asas abertas medem 1,50 m, morta há dias por uma mulher num pequeno pinhal de Gondelim, concelho de Penacova. Ignora-se o nome da ave que deu trabalho bastante a quem a matou à bordoada. As penas são lindíssimas, pesando a carne dessa ave nada menos de 3 kilos. Dizem os que a comeram ser magnífica.

Vem a propósito recordar que em Penacova, no reinado de D. José, uma grande ave desceu junto duma capela que ali existe no cimo dum monte e tomando no bico uma criança de peito que ali estava fugiu com ela, indo deixá-la noutro ponto e junto doutra capela, sem que causasse mal à criança. Na mesma ocasião deram os jornais estrangeiros notícia dum caso idêntico sucedido numa terra de França, com a diferença de que a criança ai nunca mais tornou a aparecer.”

Por sua vez, a outra situação que se verificou no "reinado de D. José” * foi noticiada na Gazeta de Lisboa no dia 3 de Julho de 1749, difundindo-se por todo o país. A veracidade dos acontecimentos não foi questionada, na medida em que o jornal afiançou que tinha sido  “uma pessoa de grande crédito, moradora na mesma vila” que dera a informação.

Escreveu a GL: 

“Junto ao Castelo da vila de Penacova, três léguas distante da cidade de Coimbra, andava no dia 2 de Junho, do presente ano, assoalhando uma pouca de lã, Isabel Francisca, viúva de Manuel de Brito, morador que foi da mesma vila, e tendo pouco distante de si um menino de um mês, que havia parido póstumo, chamado António, saiu das abóbadas de um magnífico templo, que naquele distrito se acha por acabar, destinado para a imagem de Nossa Senhora da Guia, uma ave de rapina de extraordinária grandeza, a que uns dão o nome de bufo, outros de guincho, e se costuma sustentar de gados e aves que apanha; e levando o menino nas garras voou para uma montanha chamada de Penedos, por passar por entre eles o rio Mondego. A lastimada mãe, vendo tão deplorável fatalidade, começou a invocar com ânsia o socorro de Santo António, de quem se venera a Imagem em uma ermida, que fica defronte daquele sítio. Passando a ave pela quinta de Bernardo Cabral de Castelo Branco, mística com a montanha para onde continuava o seu voo, pousou junto a uma fonte, em que está outra imagem do mesmo Santo: e concorrendo a gente, que andava trabalhando naquela fazenda, fugiu, deixando ao pé da mesma imagem o menino, sem mais lesão que umas leves feridas das garras, com que o apertava. Este prodígio, que admiraram muitos circunstantes, fez aumentar em todos a devoção do milagroso Santo Lisbonense; e para consolação dos seus devotos o mandou comunicar ao Reino por meio da Gazeta uma pessoa de grande crédito, moradora na mesma vila.”

Histórias de Penacova...

* Na realidade o reinado de D. José apenas se iniciou no ano seguinte. 

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