29 junho, 2025

Município vai ceder Núcleo Museológico dos Fornos da Cal ao Grupo Recreativo do Casal

É competência da Câmara Municipal - de acordo coma a Lei n.° 75/2013, de 12 de Setembro- “incluindo a possibilidade de constituição de parcerias”, assegurar “o levantamento, classificação, administração, manutenção, recuperação e divulgação do património natural, cultural, paisagístico e urbanístico do município." 

Na reunião do Executivo de 23 de Junho foi aprovada a minuta do protocolo de cedência do Núcleo Museológico dos Fornos da Cal do Casal de Santo Amaro a celebrar com o Grupo Recreativo do Casal. 

No preâmbulo da minuta, é sublinhado que: 

- “A cedência destas instalações e espólio irá permitir salvaguardar a manutenção da história da produção de cal no Concelho de Penacova, a qual remonta aos séculos XVII e XVIII, dando-lhe, assim, a relevância de outrora”. 

- “O desenvolvimento e divulgação desta atividade tão própria desta comunidade, proporcionará uma maior dinamização do Concelho, para além de assegurar a passagem de conhecimento técnico, educar e sensibilizar para as questões de sustentabilidade ambiental, económica e social.” 

- Se pretende “dar visibilidade e afirmar a importância da produção tradicional de cal, que contribuiu para o desenvolvimento social e económico do concelho.” 

- No Núcleo Museológico se encontram  expostas “diversas ferramentas e objetos tradicionais relacionados quer com a atividade dos Cabouqueiros, quer com a dos Carpinteiros”

- “É da maior relevância manter esse espólio conservado, sendo esse um dos objetivos do protocolo.” 

- “É de e realçar que o turismo vive um período de profunda transformação, mais do que sítios diferentes ou oportunidades de descanso, as pessoas viajam cada vez mais à procura de novas experiências, novas vivências, onde a conservação dos recursos naturais, o conhecimento da cultura local e o desenvolvimento sustentável dos destinos ocupam um lugar relevante. A recuperação e perpetuação de tradições e memórias constitui assim, uma experiência diferenciadora. 

O protocolo de cedência do Núcleo Museológico dos Fomos da Cal do Casal de Santo Amaro, entre o Município de Penacova e o Grupo Recreativo do Casal tem por objeto,  “a cedência, da utilização das instalações, equipamentos, espólio e zona envolvente do Núcleo”, com o  objetivo de “proporcionar, dinamizar e divulgar a história da produção de cal no Concelho de Penacova, bem como educar e sensibilizar para as questões de sustentabilidade ambiental, económica e social”, pelo  prazo de “cinco anos, com inicio na data da sua assinatura, sendo automaticamente renovado por iguais períodos desde que nenhuma das partes o denuncie por escrito com a antecedência mínima de 30 dias.”

É dever da Câmara Municipal,  “ceder a utilização das instalações, equipamentos espólio e zona envolvente a titulo gratuito ao segundo outorgante; colaborar na dinamização e divulgação do espaço e atividades exercidas, nomeadamente proporcionando visitas ao espaço e realizar as obras necessárias à conservação e manutenção”, sendo igualmente dever do Grupo Recreativo do Casal, “usufruir de todas as instalações, equipamentos, espólio e zona envolvente para o estabelecido na cláusula primeira do presente protocolo; zelar pela integridade das instalações, equipamentos e espólio; não ceder a terceiros a utilização das instalações, equipamentos e espólio; promover e/ou colaborar nas visitas de âmbito turístico e escolar que possam vir a realizar-se; efetuar a limpeza do espaço; proceder às obras que sejam necessárias para o exercício da atividade pretendida, mediante comunicação e autorização prévia do primeiro outorgante.”

Fonte:

http://www.cm-penacova.pt/pt/pages/minutascmp2017


27 junho, 2025

Moinhos portugueses na emissão filatélica de 1971

 


Emissão “Moinhos Portugueses” (1971)

Foram emitidos 10 milhões de selos de $20 castanho-cinzento, castanho e preto, 10 milhões de selos de $50 azul castanho e preto, 10 milhões de selos de 1$00 cinzento castanho e preto, 3 milhões de selos de 2$00 rosa-lilás castanho e preto, 1 milhão de selos de 3$30  castanho-amarelo castanho e preto, e 1milhão de selos de 5$00 verde castanho e preto. Desenhos do pintor Candido Costa Pinto, representando os típicos moinhos - Serrano, do Litoral Beirão,Saloio da Estremadura, de São Miguel (Açores), de Porto Santo (Madeira), do Pico (Açores). Postos em circulação a 24 de Fevereiro de 1971.


MOINHOS 

Engenhos estudados para por em movimento duas pedras (mós), de forma a que entre elas se consiga esmagar (moer) os cereais transformando-os em farinha. Os primeiros foram pequenos moinhos a braços depois ampliados para aproveitamento da força do homem (principalmente escravos e condenados), e mais tarde da força de animais. 

Quando Constantino aboliu a escravidão, apareceram os moinhos-de-água (azenhas), primeiro grande passo para o aproveitamento das forças naturais. São igualmente muito antigos os moinhos-de-vento, que deram entrada na Península Ibérica com as Cruzadas, no Século XI. 

Em 1157 uma doação régia entrega a D. Gualdim Pais “Mestre Absoluto da Ordem do Templo” oito moinhos na ribeira de Alviela, declarando-se que metade do seu rendimento seria propriedade da coroa. No Século XVI existiam em Lisboa 264 atafonas (pequenos moinhos movidos pela força humana ou animal, e azenhas) e nos termos da cidade 300 moinhos. 

O moinho de vento tem a particularidade de captar a energia do vento por meio de velas (de lona na Península e de madeira nos Açores e Norte da Europa) que transmitem o movimento a um eixo ligado à engrenagem que põe em andamento as mós. Com a principal finalidade de proteger e estudar os moinhos, existe em Portugal a “Associação Portuguesa de Amigos dos Moinhos”.

FONTE: Carlos Kullberg  | Selos de Portugal - Álbum IV (1971 / 1978) | Edições Húmus Ldª |  2ª edição (Jan. 2006 


Concelho de Penacova


O Concelho de Penacova possui actualmente um dos maiores núcleos molinológicos do país, encontrando-se espalhados pelos Lugares da Atalhada, Aveleira e Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão e Portela da Oliveira, 19 moinhos de vento em atividade ou em condições de funcionar, bem como 18 azenhas instaladas nos cursos do Mondego e do Alva e nas muitas ribeiras que correm no concelho.
Fonte: http://www.cm-penacova.pt/pt/pages/moinhoseazenhas 

26 junho, 2025

Da minha janela: Com o Mundo no Horizonte





… Os Açores estão à vista


Tudo por lá gira no movimento

Inter Ilhas

E nos cumes dos Vulcões


Com São Miguel a nascer pro Sol

E o Faial de costas pro Pico

Só há água de permeio

E queijo de atum rico


A Terceira apela à Comunidade

O Corvo mais à Liberdade

Talvez um pouco de “razão”

Trouxesse mais Felicidade


Baleeiros na tradição

Com São Jorge em ação

É nas boas ondas que cheira

A Graciosa ali à mão


Santa Maria virada pró mundo

Com certo ar mais profundo

Olha pra longe e releva

As Flores que não enxerga


Tudo treme em tormento

Até o ar tem ciúmes

Dos caminhos da Saudade


… Que cá chega em câmara lenta!
 

Luís Pais Amante
Casa Azul
Dedicado às minhas amizades açorianas e aos momentos felizes que por lá passei.







20 junho, 2025

Penacova 1932: paisagem de sonho e beleza


Vista de Penacova 
Atendendo à existência do Mirante e à inexistência
do Preventório podemos situar a foto entre 1908 e 1932


No início dos anos trinta, durante cerca de meia dúzia de anos, Maria Lúcia Vassalo Namorado, viveu em Penacova, dado que o seu marido Joaquim Jerónimo da Silva Rosa, funcionário público, natural de Lorvão, onde nasceu em 1900, foi colocado nesta vila. Maria Lúcia era sobrinha de Maria Lamas e foi uma escritora e jornalista de renome. Curiosamente, essa carreira jornalística passou também pelo Notícias de Penacova onde deixou muitos escritos. Refira-se que o marido foi um dos fundadores deste periódico. Lúcia Namorado criou  e dirigiu durante muitos anos a prestigiada revista "Os Nossos Filhos" , onde podemos ler muitas referências a Penacova, inclusivamente fotografias de bebés da vila. Existem estudos académicos sobre Lúcia Namorado, onde se refere a sua relação com a nossa terra.

***

Pequenina, modesta, privada ainda hoje de comodidades modernas, embora distanciada apenas cerca de 20 quilómetros de Coimbra, a que a liga uma lindíssima estrada, Penacova impõe-se pelo acaso da sua situação caprichosa, a meio de uma paisagem privilegiada de beleza. Particularidade singular, talvez única na nossa Terra, essa paisagem, sendo grandiosa é, ao mesmo tempo, limitada. Como se a natureza entendesse que os olhos tinham ali pasto bastante para alimentar sucessivas e atentas contemplações.

Rodeia-a uma infinidade de montes: uns cónicos e rochosos; outros, de ondulações suaves, grandes extensões de pinhais salpicados e  de povoados - nódoas claras que, surgindo dentre a romaria  verde,  alegram a vista e fazem lembrar sorrisos cândidos e saudáveis. No vale, amplo e luminoso, duma claridade doce de aguarela, passa o rio silencioso e manso, estorcendo-se em curvas airosas que descobrem, ora à direita, ora à esquerda, areais onde as lavadeiras coram a roupa, e onde o milho que viceja e amadurece nas ínsuas vizinhas, depois de loiro e descasulado, é estendido para secar.
Cortando as águas límpidas do rio, que deixam ver as areias de oiro cantadas pelos Poetas, deslizam, carregadas de madeira, as barcas negras e muito esguias, de grande proa revirada; os barqueiros, tisnados, conduzem-nas à vara, penosamente, correndo sobre os bordos, num esforço exaustivo, prodigioso de equilíbrio; e só quando o vento sopra a faina abranda um pouco: nas barcas escuras incha e resplandece a brancura duma vela.

É assim aquele vale de cores macias e duma serenidade extática. Ao centro eleva-se uma colina semeada de oliveiras e coroada por uma povoação que dir-se-ia, na verdade, uma rainha no trono - tal como está debruçada para o Mondego, do alto duma penha erguida numa cova.
É a vila de Penacova uma das mais antigas da Península; nela , porém, nada nos fala da sua vetustez, pois nem sequer do seu remotíssimo castelo existem vestígios. Vários investigadores afirmam que é de origem cantábrica, mas parece assente que a primeira notícia desta vila data do tempo do conde D. Henrique.

D. Sancho I mandou-a povoar e deu-lhe em 1193 foral que foi confirmado em Coimbra por D. Afonso II; D. Manuel I deu-lhe novo foral em Lisboa, no ano de 1513.

É hoje muito visitada por pessoas atraídas pela justa fama dos seus encantos naturais, e tem um grupo de bons amigos empenhados em a dotar com melhoramentos, dentre os quais se destaca o esplêndido edifício do preventório, prestes a funcionar – obra cujo largo alcance social é desnecessário encarecer.
A população,  que é pobre, emigra facilmente, sobretudo para as Américas.

A principal indústria do concelho é dos palitos, que se intensifica na freguesia de Lorvão – cova sombria, triste, contraste profundo da beleza colorida e sonhadora de Penacova: nessa aldeiasita se desmorona o velhíssimo mosteiro do mesmo nome, outrora riquíssimo e agora desmantelado, mas onde ainda se encontram jóias artísticas de raro valor, belas evocações de páginas distantes da nossa História maravilhosa.


18 de Outubro de 1932
MARIA LÚCIA



19 junho, 2025

𝐇𝐄𝐑𝐂𝐔𝐋𝐀𝐍𝐎 𝐄𝐌 𝐋𝐎𝐑𝐕Ã𝐎 (II)

 

A seguir às observações sobre a Portaria, ainda no dia 15, Herculano registou:

 “Os monumentos mais antigos do Mosteiro de Lorvão existem no chamado Claustrinho. Quase num dos ângulos está um túmulo pequeno em cuja base há uma inscrição ilegível: as letras que ainda se divisam são do XIII séc., na frente tem algumas figuras de frades em baixo-relevo e metidas em nichos. O claustro está rodeado de capelas de cada uma das quais trata uma freira: algumas abandonadas como os jardinzinhos. São as de algumas que morreram e que não tiveram substitutas. Algumas capelas ainda conservam o tecto em ogiva e artesoado. Na capela da Ascensão representando esta passagem do Evangelho há um quadro que parece anterior ao séc. XVI bem como outros da capela de Santa Clara, que representa uma tropa de mouros entrando violentamente num convento de freiras.Parecem também de bastante antiguidade um quadro da Anunciação na capela da Encarnaçãoe dois na das Almas, um da degolação de S. João Baptista e outro do martírio de S. João Evangelista na caldeira de azeite: são talvez do séc. XVI. O quadro da prisão de Cristo na capela dos Passos pareceu-me bom e no estilo dos chamados Grão-Vascos. A autenticidade da cadeira da infanta Teresa que se guarda na capela do Calvário pareceu-me assaz duvidosa, sem deixar de ser uma peça curiosa e antiga.”

Neste dia, iniciou os trabalhos no Arquivo, analisou o “Livro dos Testamentos” e, igualmente,  os diversos Códices. O “arranjo e o asseio” de todos os espaços foi para ele uma agradável surpresa.

No dia 16 de Julho , concluiu os trabalhos no arquivo, seguindo-se uma visita ao interior do mosteiro, onde se deparou com as condições miseráveis em que viviam as freiras. No final do dia, fala-nos de um passeio ao pôr do sol, observando “ os hortejos ou jardinzinhos das freiras defuntas cobertos de urzes” e a “cerca exterior na quebrada dos montes”. 

No dia 17 de Julho, sendo  Domingo, encontrou-se com o “ Ferrer”(1) e o “Correia”, [Joaquim Correia de Almeida, que foi durante muitos anos, Presidente da Câmara e Administrador do concelho de Penacova], provavelmente assistindo à missa. 

Os seus apontamentos levam-nos a crer que seguiram, ainda nesse dia, para Penacova, por “caminhos impérvios pelas recostas dos montes.”  

Sempre atento, comenta que “os vales são algares para os quais a mão do homem arrastou alguma terra das faldas alargando-os e terraplanando-os” e que  as encostas eram “cultivadas em andares até às coroas dos montes”. 

Chegado a Penacova visita o “sítio do castelo, de que nada resta, fraga contígua aprumada sobre o Mondego.” Sublinha a “vista magnífica a voo de pássaro das margens: os engenhos de água para as regas: o rio tortuoso com semelhanças do alto Tejo, mas com leito de areia e com as ínsuas à raiz das quebradas”. Muito curiosa é a seguinte observação sobre o Reconquinho: “abaixo de Penacova o rio numa volta parece querer tornar atrás a mirar o caminho que andou.” 

Ficamos a saber que fez o “exame dos documentos municipais”, sendo o mais antigo “ o foral de D. Manuel.” 

E a terminar esta série de observações, há uma algo enigmática. Escreve Herculano, “acerca da humildade do povo”: “esta subserviência deve esconder grandes ódios: perigo da explosão. Necessidade do municipalismo. 

Por fim, depois de ter pernoitado em Penacova, segue viagem para a Lousã , passando por Poiares, no dia 18,  com descida pela margem do rio  e passagem do Mondego a vau.

(1) Vicente Ferrer Neto de Paiva (Freixo, Vilarinho, Lousã, 27 de Junho de 1798 — Vilarinho, Lousã, 11 de janeiro de 1886) foi um professor da Universidade de Coimbra, doutor em cânones, introdutor do krausismo em Portugal e importante defensor do jusnaturalismo, sendo considerado o principal responsável filosófico pela formação de toda uma geração de juristas e homens de Estado portugueses da segunda metade do século XIX.[1] Na vida política, foi presidente da Câmara Municipal da Lousã (1822) e depois, finda a guerra civil, deputado e ministro da Justiça (1857), tendo um papel relevante na reforma do sistema judiciário português em meados do século XIX. Foi reitor da Universidade de Coimbra e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.


05 junho, 2025

𝐇𝐄𝐑𝐂𝐔𝐋𝐀𝐍𝐎 𝐄𝐌 𝐋𝐎𝐑𝐕Ã𝐎 (𝐈)


Os "Apontamentos de Viagem de Alexandre Herculano" são um conjunto de anotações e reflexões sobre as suas viagens pelo país, no contexto da Academia das Ciências, especialmente em 1853 e 1854. No Verão de 1853 Herculano esteve na região de Coimbra, incluindo Lorvão e Penacova.

No dia 10 de Julho assistiu à Procissão da Rainha Santa, no regresso a Santa Clara. No dia seguinte esteve no Cartório da Fazenda da Universidade e depois, até ao dia 15, antes de seguir para Lorvão e Penacova, consultou e analisou, com a ajuda de um paleógrafo, muitos dos documentos, alguns em “lastimoso” estado, das Colegiadas de S. Pedro, S. Cristóvão e de S. Tiago. Passou igualmente pelo o arquivo da Câmara.

No dia 15 parte para Lorvão. Sobre esta viagem são particularmente interessantes as observações que vai registando, ao calcorrear aquelas “duas léguas de Montes”: “São grandes outeiros formando montanhas, e acumulados uns aos outros sem a intersecção de vales” – escreve Herculano. 

Observa os pequenos recantos de cultivo, “arroteações de recente data, cultivados na maior parte até aos cumes”.  Os acessos, como é de imaginar não passavam de “caminhos ladeirentos e tortuosos”.

 Curiosa é também a descrição do panorama que do alto da Serra do Dianteiro (que seria já o alto da Aveleira / Roxo) se avistava:

- “em frente, cordilheiras da serra da Estrela elevando-se-lhe os topos como barras pardo--escuras por cima das barras brancas de nuvens”

-  “para o lado do norte os territórios levemente ondulados até o Vouga”: 

-  “para o poente os campos entre Coimbra e Montemor: o Mondego areado e quase sem águas parece ao longe uma estrada tortuosa que atravessa a campina.” 

E o mosteiro? Nada se avista. Até porque  “só se descobre ao chegar a ele, pela sinuosidade da descida íngreme e pelo relvoso da encosta.” 

Original é a imagem do vale de Lorvão. Herculano compara-o ao “cálice de um lírio” e sugere um exercício de imaginação: “uma flor” com um “pistilo grosso e curto, rasgado por um lado”. É desse ponto, dessa “rotura” que “saem as águas da bacia” !

Segue-se a descrição telegráfica (e geometrizante) do mosteiro: “O mosteiro é um longo paralelogramo, a cujo topo para a nascente se liga outro muito mais curto formando com ele um ângulo aberto: por detrás deste ângulo levanta-se a cúpula do zimbório da igreja, que se prolonga com o edifício pela parte interior.” 

Uma vez chegado à portaria, registou:  

“Estátua de D. Teresa à esquerda: letra antiga — POST THALAMUM ALFONSI REGIS THARASIA FUNDAT LORVANI MONACHAS ET MONIALIS OBIT.  Estátua de D. Sancha à direita: letra moderna — REGIA PROGENIES PIA VIRGO CELLAS. EXTRUIT INDE OBIENS CAELICA REGNA PETIT. 

(Continua)



04 junho, 2025

Da minha janela: 𝑪𝒊𝒓𝒖𝒓𝒈𝒊𝒂 𝒅𝒆 𝑮𝒖𝒆𝒓𝒓𝒂 𝒆 𝑴𝒆𝒅𝒊𝒄𝒊𝒏𝒂 𝑯𝒖𝒎𝒂𝒏𝒊𝒕á𝒓𝒊𝒂

 

Expressão pública de referência ao Livro
 “Cirurgia de Guerra e Medicina Humanitária”,
do meu Amigo Carlos Ferreira


Oh meu Cirurgião



Hoje a sorte me deu
Para ver um Cirurgião de Guerra
Ir-se abaixo ao atingir uma meta
Como acontece ao Poeta
Quando escreve sentimento
E lhe sobra o lamento
No coração


Escreveu um Livro antes disto
E apresentou-o agora
Soltando os pesadelos fora
Quiçá os medos
Que nos silêncios conquista
Com lágrimas em câmara lenta
Saindo do Foco


Aquela nobreza de ser normal
Deixou-me orgulhoso muito
Enalteceuo Ser e a Obra
Que conta muita Medicina
Por vezes só feita com Aspirina
Mas sobretudo tem o tom
Da Humanidade


E o som frio das explosões
A morte como destino
De Pessoas (adultas ou crianças)
Que têm o simples azar
De estar no sítio errado
Há hora em que alguém tresloucado
Mata por vaidade


Seja no Sudão do Sul
Na República Democrática do Congo
(Goma)
No Iraque ou no Iémen
Na Faixa de Gaza ou na Ucrânia
Onde só os fortes e despojados
Vão combater a morte


…Com carinho e devoção!



Luís Pais Amante

Casa Azul


30 maio, 2025

Freguesia de Penacova em 1876: a Ponte da Carrapiça e outras curiosidades



O lugar ainda existe? Fazemos a pergunta, dado que não somos da freguesia de Penacova. Não fazemos ideia onde ficava, ou se ainda fica... O que é certo é que a designação é muito antiga: aparece. por exemplo, no Livro de Assentos de Óbito do ano de 1876:

"Aos dezanove dias do mês de Maio do ano de mil oitocentos e setenta e seis (...) no sítio da Ponte da Carrapiça, limite e freguesia de Penacova, concelho de Penacova, diocese de Coimbra, faleceu um indivíduo do sexo feminino com todos os Sacramentos, Maria de Jesus, de idade de quarenta anos, casada com José de Novais (...). Não testou nem deixou filhos e foi sepultada no Cemitério Público. (...)
O Prior: Francisco de Paula Queiroz

No Alentejo e Algarve o apelido é frequente: já  a 22 de Julho de 1891, Joaquim José Carrapiça, arrendou a Horta do Malhão (Évora) a Joana Vitória de Oliveira por 100$000 réis.

No entanto, a Revista Lusitana (I, 310), de finais do séc. XIX, regista o termo como sendo um dialecto português, existente por exemplo, em Rio Frio (Bragança) com o significado de "pedaço de velo a que é difícil desfazer os nós"; daí, o verbo carrapiçar que significa desfazer os nós da lã para a cardar.

Circulam na net imensos textos com nomes insólitos de terras de Portugal...
Ponte da Carrapiça...mais um a juntar à lista?

- o -

14 maio, 2025

Da minha janela: 𝕆 𝕙𝕦𝕞𝕒𝕟𝕠 𝕢𝕦𝕒𝕤𝕖 𝕤𝕖𝕞 ℍ𝕦𝕞𝕒𝕟𝕚𝕕𝕒𝕕𝕖


O humano quase sem Humanidade

Humano é assumido, taxonomicamente, como “pessoa, gente ou homem…caracterizado por ter cérebro grande, o que permitiu o desenvolvimento de ferramentas, culturas e linguagens avançadas”.

A palavra “humano” vem do latim humanos, que é a forma adjectiva, do nome homo, que significa homem.

Os humanos tendem a viver em estruturas sociais complexas, compostas por grupos cooperantes e concorrentes, desde a Família, às redes de parentescos, até aos Estados.

As interações sociais estabeleceram uma ampla variedade de afectos, de valores, de normas e de rituais, que fortaleceram até agora a Sociedade Humana.

“A curiosidade e o desejo humano de compreender e influenciar o meio ambiente e de explicar e manipular fenómenos, motivaram o desenvolvimento da ciência, filosofia, mitologia, religião e outros campos de estudo”.

A tudo isto entrosado se pode, com propriedade, chamar Humanidade!

As Universidades têm pilares importantes ligados a estas realidades e, ultimamente, o estudo  científico desenvolveu, muito, tudo quanto gira à sua volta.

Do latim humanitas, Humanidade é um adjectivo polissémico, cujo sentido começa na designação objectiva do conjunto de todos os seres humanos que habitam a terra.

E, daqui, chegamos ao Humanismo: 

- postura ética e democrática que valoriza o ser humano e a sua capacidade de transformar o mundo.

… Transformar, pensava eu, no sentido positivo.

Ora, 

Aqui chegados, sabendo nós que a parte significativa das normas que tratam destes assuntos estão integradas em Tratados da ONU (de que falei há pouco tempo), entre os Estados (ou aglomerados de Estados), nas Constituições, nos Códigos e, até, nas Leis da Guerra, dos Direitos Humanos, etc, não é difícil concluir que, pé ante pé, se vai desmoronando todo este Edifício que parecia passível de ser/estar cada vez mais consolidado.

- O modo como se têm colocado os Países Africanos em fome quase total, roubando-lhes as riquezas naturais, é paradoxal; 

- O modo como se matam crianças indefesas, por razões diversas, é inexplicável;

- O modo como se desprezam os direitos das Mulheres, a sua Liberdade e a sua integridade, é simplesmente vergonhoso;

- O modo como se distribui uma Saúde para os mais ricos e outra para os mais pobres, faz regredir centenários na Humanidade;

- O modo como as Guerras se sobrepõem à paz, não se pode tolerar e tem de se parar;

- O modo como se distribui a riqueza, atingiu patamares inconcebíveis;

- O modo como “os mais fortes” fazem demonstrações de força contra “os mais fracos”, são deploráveis.

Tudo avança a velocidades diferentes, com a capitulação quase total das Autoridades, lactu senso consideradas, que já nada valem, nada controlam e nada querem controlar…

Pior do que tudo isso, ainda, é o crescimento desmesurado - e sem travões aparentes - de seres autocráticos, oligárquicos, anti-democráticos, até terroristas e corruptos, que derrapam, sem oposição, para regimes onde se desenvolvem ditaduras ferozes.

Era esta -ou muito próxima- de resto, também, a visão de uma figura emblemática da Igreja Católica que desapareceu recentemente: o Papa Francisco, Jorge Bergoglio, de origem Argentina, nascido no Bairro das Flores -por onde passeei em Buenos Aires com o meu amigo Ucraniano Igor Holovko- que muita falta nos vai fazer;… a todos, todos, todos!

Cresci e fui ensinado para ter em atenção (e trabalhar) o bem-estar do próximo; Lutei muito pelo avanço de reformas sociais; Aprendi a ser um homem tolerante, amigo do compromisso.

E pergunto: - Por onde anda, afinal, a educação para o ser humanitário, que procura o bem-estar do próximo, quer através de ajuda, quer através da defesa intransigente dos chamados Direitos Humanitários?

Não anda, pura e simplesmente.

… Parou no tempo e isto está a tornar-se absolutamente dramático!

Luís Pais Amante




10 maio, 2025

Apocalipse em Lorvão...


O Livro do Apocalipse de Lorvão volta ao Mosteiro de Lorvão, em Penacova, para uma exposição inédita que decorre de 1 a 18 de Maio, no Centro Interpretativo do Mosteiro de Lorvão. Considerado um dos mais belos manuscritos medievais do mundo, o códice foi copiado em 1189 pelo monge Egeas e integra, desde 2015, o Registo Memória do Mundo da UNESCO.


A mostra é organizada pela Câmara Municipal de Penacova, em parceria com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e inclui um programa cultural diversificado, com ciclos de concertos, palestras e oficinas didácticas para crianças. Os concertos realizam-se nos dias 2, 9 e 16 de Maio, às 21h30, enquanto as palestras decorrem nos dias 3, 10 e 17 de Maio, às 15h30. A programação contempla ainda actividades educativas para o público escolar.

O acesso à exposição faz-se através de um bilhete único de 8 euros, que inclui a entrada na mostra do Livro do Apocalipse, no Centro Interpretativo do Mosteiro de Lorvão e no Centro Interpretativo do Palito. Os residentes no concelho de Penacova beneficiarão de condições especiais de acesso.

Este ano assinala-se o décimo aniversário da inscrição do manuscrito no Registo Memória do Mundo da UNESCO, e a sua exibição em Lorvão representa uma oportunidade rara para investigadores e público em geral apreciarem a obra no local onde foi produzida há mais de oito séculos.

O presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, sublinha o simbolismo do evento: “O regresso do Livro do Apocalipse ao Mosteiro onde foi iluminado é um acontecimento de grande significado para Penacova e para o país. Mais do que uma exposição, trata-se de um reencontro com a nossa identidade histórica”. O autarca destaca ainda a importância da iniciativa na afirmação de Lorvão como destino cultural e turístico.

Fábio Nogueira, curador da exposição, realça a importância do momento: “Ter a possibilidade de expor o Livro do Apocalipse no local onde foi copiado e apresentá-lo com rigor científico e sensibilidade expositiva é um privilégio”. Já Mauro Carpinteiro, responsável pela empresa municipal de turismo Penaparque, salienta a vertente turística do evento: “Criámos um circuito que cruza história, espiritualidade e cultura, tornando esta experiência imersiva para visitantes de todas as idades”.

O Livro do Apocalipse de Lorvão é uma cópia do famoso códice de Beato de Liébana (séc. VIII), ilustrado com iluminuras em tons de vermelho, laranja, amarelo e preto. Trata-se de um comentário ao Livro do Apocalipse, o último livro do Novo Testamento, que contém as revelações recebidas pelo Apóstolo S. João, o Evangelista quando este se encontrava na ilha de Patmos. O manuscrito foi conservado no mosteiro até 1853, quando foi transferido para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo por Alexandre Herculano.

De acordo com o município de Penacova, “a exposição será um dos destaques da programação cultural nacional de 2025, proporcionando um reencontro simbólico com o passado e uma rara oportunidade de ver ao vivo um dos tesouros mais valiosos da cultura medieval portuguesa”.

FONTE: CORREIO DA BEIRA SERRA

https://correiodabeiraserra.sapo.pt/livro-do-apocalipse-do-lorvao-copiado-em-1189-regressa-a-penacova/


02 maio, 2025

Os Contos da Casa Azul – O Clube da Netaria

É já amanhã que vai ser apresentado, num encontro restrito de familiares e amigos dos autores, Ana Amante & Luís Amante, um livro infantil, ilustrado por Mara Silva, que vem, certamente, enriquecer o património cultural e literário da nossa vila, do nosso concelho.

Perspectiva-se também uma apresentação pública na vila de Penacova. Será muito em breve, em data a anunciar. Vamos ficar atentos.

Uma espreitadela à introdução permitiu-nos ler as seguintes passagens:

“𝐎𝐬 𝐚𝐯ó𝐬 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐭𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐧𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 𝐝𝐢𝐚 𝐥𝐮𝐦𝐢𝐧𝐨𝐬𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐚𝐨 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨 𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐫𝐚𝐯𝐢𝐥𝐡𝐨𝐬𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐢𝐯𝐞𝐫𝐚𝐦. (…) 

𝐏𝐞𝐧𝐬𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐭𝐨𝐫𝐧𝐚𝐫 𝐨 𝐞𝐬𝐩𝐚ç𝐨 𝐝𝐚 𝐪𝐮𝐢𝐧𝐭ã 𝐝𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 𝐀𝐳𝐮𝐥, 𝐮𝐦 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐞𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨, 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐮𝐭𝐚 𝐞 𝐝𝐞 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢𝐳𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐦 𝐞𝐱𝐩𝐞𝐫𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐟𝐚𝐦𝐢𝐥𝐢𝐚𝐫𝐞𝐬, 𝐝𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐬ó à𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐟𝐚𝐦í𝐥𝐢𝐚𝐬, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐨𝐬 𝐚𝐦𝐢𝐠𝐨𝐬 𝐞 𝐦𝐞𝐧𝐢𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐅𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐝𝐚 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐞 𝐏𝐞𝐧𝐚𝐜𝐨𝐯a (…) 

𝐍𝐞𝐬𝐬𝐞 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐣𝐮𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐣𝐚𝐯𝐚𝐦 𝐚𝐛𝐫𝐚ç𝐚𝐫 𝐨 𝐂𝐥𝐮𝐛𝐞 𝐝𝐚 𝐍𝐞𝐭𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞, 𝐚 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐚𝐫𝐞𝐦-𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐞𝐦 𝐨 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐝𝐚 𝐭𝐫𝐨𝐜𝐚 𝐞 𝐝𝐚 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞𝐚𝐣𝐮𝐝𝐚, 𝐜𝐨𝐦 𝐩𝐚𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚, 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐞 𝐝𝐞𝐯𝐚𝐧𝐞𝐢𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐬 𝐬𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐝ã𝐨 𝐟𝐨𝐫ç𝐚 𝐞 𝐞𝐧𝐞𝐫𝐠𝐢𝐚 à 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚-𝐦ã𝐞 𝐞, à 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐚 𝐞𝐦 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐥í𝐛𝐫𝐢𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐍𝐚𝐭𝐮𝐫𝐞𝐳𝐚."

Entretanto, as aventuras começam...

“𝔼𝕣𝕒 𝕦𝕞𝕒 𝕧𝕖𝕫…”

24 abril, 2025

Da minha janela: E se eu quisesse ser Abril

 


E se eu quisesse ser Abril


Se eu quisesse ser Abril, em flor

Gostava de assumir

A cor do cravo vermelho, em pétalas 

Em cheiro e em toque aveludado

Sedutor


Igualmente

Gostava de florir

Ano a ano na gestação 

Da glória toda unida

Saudando a Revolução 


O certo

É que por estes dias em concreto

Se rememora Abril

Pensando no antes de então 

Nos tempos d’outro Estado

Já senil


Quem me dera

Poder pô-lo, em cada ato, bem alinhado

Gritar-lhe pra nunca se deixar ser o fado

De criar pobreza real e, em cada esquina

Um sem-abrigo 

Em vez de um leal amigo 


Abril foi e é Esperança 

É a fonte da Democracia

Inscrita na nossa Constituição


Não é um mês qualquer

De Calendário 

De “Festa” feita sem crer


Com os mais carentes

A sofrer

E os idosos “perdidos” e doentes


É Liberdade 

É Saudade

E continuará, como Força do nosso Ser


Luís Pais Amante

Casa Azul

Saudação do democrata que sou, ao 25 de Abril, saudável e puro que acompanhei, antes e depois.

Desenho 
de Tiago Ferreira, 
aluno do 6º ano da nossa antiga 
Escola EB2 António José de Almeida

14 abril, 2025

Penacova na pintura de um dos maiores paisagistas portugueses


"Tendo falecido em fevereiro de 1913, com apenas 42 anos de idade, vítima de doença mental, Eugénio Moreira foi artista da segunda geração de naturalistas, embora praticamente ignorado em vida.

Eugénio Moreira foi homenageado postumamente numa exposição organizada pelo seu sobrinho, Fernando Ferrão Moreira, no Ateneu Comercial do Porto (1956).

O Museu Nacional de Soares dos Reis tem três telas da sua autoria: um autorretrato inacabado, onde o pintor se representa a meio-corpo, com paleta e pincéis e rosto entristecido; e as suas duas obras mais elogiadas: a paisagem Vale de Penacova (na imagem), obra patente na Grande Exposição do Norte de Portugal de 1933 e na 1.ª Exposição de Arte Retrospectiva (1880-1933) da SNBA em 1937; e o retrato Ferreirinha exposto em Lisboa, em 1937.

Eugénio Moreira nasceu no Porto em 1871. Frequentou a Escola Médico Cirúrgica do Porto (1892-1895), transferindo-se, depois, para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Nesta cidade conviveu com o grupo da Boémia Nova, mantendo relações de amizade com os escritores portuenses António Nobre (1867-1900), Alberto de Oliveira (1873-1940) e, em especial, com Agostinho de Campos (1870-1944). Regressou ao Porto sem ter concluído o curso, matriculando-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde não chegou a diplomar-se.

Viveu alguns anos em Paris, onde frequentou a Academia Julien e a Academia Décluse. Foi discípulo de Jean Paul Laurens (1838-1921) e de Benjamin Constant (1845-1902) e recebeu influências de pintores dos movimentos impressionista, fauvista e Nabis. Visitou museus e templos italianos, registando as suas impressões em guias de viagem.

De regresso a Portugal, estudou paisagem e figuras portuguesas. Percorreu o Minho, em especial a zona de Vila Praia de Âncora, e Vale de Penacova na Beira, detendo-se nas terras do Mondego. Em 1907 expôs no ateliê do escultor Fernandes de Sá, seu companheiro e amigo.

Em 1955, Abel Salazar referia-se deste modo ao pintor: “Eugénio Moreira, o malogrado autor de “Vale” é, com Henrique Pousão, o maior dos paisagistas portugueses. Entre os dois existem diferenças na qualidade, não em valorização: são duas visões, porém igualmente elevadas."

VER este texto na origem: https://museusoaresdosreis.gov.pt/eugenio-moreira-um-dos-maiores-paisagistas-portugueses/

----------------

NOTA: Eugénio Moreira chegou a viver algum tempo em Penacova, onde pintou algumas das suas obras mais famosas, muito provavelmente apoiado pelo casal, sensível às Artes, Joaquim Augusto de Carvalho e Raimunda, da Quinta de Santo António. Consta também que ter deixado um filho, um Guilherme, evocado numa das crónicas do Pintor Martins da Costa.



05 abril, 2025

𝔻𝕒 𝕞𝕚𝕟𝕙𝕒 𝕛𝕒𝕟𝕖𝕝𝕒 / Digam-nos: Quanto custa uma CPI?


Digam-nos: Quanto custa uma CPI?

CPI significa “Comissão Parlamentar de Inquérito”; decorre no Parlamento Português e têm-no  transformado numa “feira” das mais tristes que se possa imaginar; advêm -nos termos do Regime Jurídico (redação actual da Lei 5/93, de 1 de Março)- de uma interpretação evolutiva do art. 178, Constituição da República (embora não seja tão tão abrangente como se tem espalhado por aí) e “gozam dos poderes de investigação próprios das autoridades judiciais”.

Hoje em dia podem ser propostas e votadas (direito subjectivo de pendor democrático) ou impostas por iniciativa de um qualquer deputado ou Partido (direito potestativo), mesmo servindo de arma de arremesso político e pretendendo entrar pela parte mais íntima e de caráter dos políticos que têm vida profissional, até familiar, o que se manifestará num erro crasso de consequências absolutamente imprevisíveis, para quem enviesa assim a Democracia e tem tanta pressa em profissionalizar, exclusivamente, a Política.

Digamos que este mecanismo anémico de “inquirição”, como se tem verificado, é levado a efeito, vezes de mais, por pessoas sem a mínima preparação, que não constituem exemplo nenhum de nada e que usam este meio para exercer “poder” sobre outrem e para se mostrarem na televisão e, sobretudo, para “achincalhar” os inquiridos, independentemente da sua condição.

Convém relembrar que a tarefa dos políticos é fazer política em seu benefício e abono, primeiro e em abono do seu Partido, logo a seguir. Infelizmente o País pouco interessa…

Motivo pelo qual as CPI’s funcionam ad hominem, preferencialmente! Contra todos e tudo que não dê benesses aos deputados e aos partidos ou lhes traga obstáculos ao imediatismo.

- Primeira conclusão: os deputados (que são imensos, bem pagos e cheios de prerrogativas anormais, como a “impunidade”) arranjaram um mecanismo que “fabrica trabalho”, na justa medida em que um País tão pequeno não necessita de todos eles…e isso não se quer discutir.

A outro passo, como é do conhecimento público, existem na AR, como deputados, muitas -mesmo muitas- pessoas que têm ou tiveram problemas, elas próprias, com a Justiça; se se incluírem familiares na equação, então o quadro aumenta exponencialmente.

Desejam, pois, por esta via inquisitória, transformar-se em “judicialistas” dos outros.

A primeira intenção desta gente é, pois, ocupar os tempos das televisões e dos media em geral,  em palcos eleitorais, que têm a vantagem de “ocultar” os seus problemas próprios, quantas vezes interferindo nas situações mais delicadas das investigações judiciais, que é o que acontece quando quebram o sigilo exigido, a que estão obrigados.

- Segunda conclusão: quando se pergunta qual será, objectivamente, a real intenção das CPI’s(?), só podemos reter que elas são um método pernicioso do exercício democrático, porquanto se encontram quase sempre “minadas” à nascença, como se tem comprovado e batem de frente com as áreas de actuação do Poder Judicial.

!… Os deputados ganham muito dinheiro (para as habilitações e experiências que lhes são conhecidas) na generalidade; sendo cada vez mais jovens e inexperientes… !

Se somarmos as “retribuições globais” de cada um(a), as multiplicarmos por catorze e as dividirmos por doze, e somarmos ao produto as regalias em espécie muito questionáveis, facilmente percebemos que o custo de cada deputado à Nação constitui uma exorbitância.

E se dividirmos esse valor individual pelo número de horas potenciais trabalhadas (52 semanas x número de horas diárias), chegaremos (com as regras da legislação laboral) ao valor/hora de cada personalidade…

Temos assim, pois, possibilidade de apurar o custo real de cada CPI!

E quantos funcionários ocupa? E quanto valem (em custo diário) as instalações utilizadas? E os seus custos de funcionamento?

-Terceira conclusão: cada Comissão de Inquérito Parlamentar custa muito -mesmo muito- dinheiro, o que não estando disponibilizado aos cidadãos torna opaco o seu exercício.

Por isso mesmo, desafio os deputados e os partidos políticos a fazerem as contas e a informarem o Povo (que tudo suporta) por exemplo dos custos totais da “CPI das Gémeas”, cuja conclusão “pífia” foi a prova provada de tudo o que eu disse acima.

E que o façam já na campanha eleitoral, que o mesmo Povo vai voltar a pagar!

A Democracia é o regime político das transparências e esta questão exige explicações…

Independentemente disso direi, já, que o Orçamento de Estado em execução (2025) tem uma dotação global de 192,08 milhões de euros, para a AR, com 44,6 milhões destinados a subvenções para campanhas eleitorais, que mais não são do que “receitas facilitadas” e apetecíveis para os Partidos puderem brincar às eleições, como têm vindo a fazer, com consequências de delapidação sucessiva do Estado e ajuda imprópria às finanças partidárias.

…Terão os candidatos a deputados coragem para tanto?

Luís Pais Amante

DALIA: projecto para recuperar a população de lampreia marinha no Rio Mondego


A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, em colaboração com os municípios da região, candidatou-se ao programa europeu DALIA, que apoia a reabilitação de ecossistemas aquáticos, com o objetivo de recuperar a população de lampreia marinha no Rio Mondego. O projeto, com financiamento de 100 mil euros, será executado ao longo de dois anos, iniciou em março de 2025 e termina em março de 2027.

A principal medida do projeto é a translocação anual de 500 a 1000 lampreias adultas para locais selecionados a montante da ponte-açude, em Coimbra, e a criação de santuários para a proteção das larvas, que se encontram cada vez mais ameaçadas pela degradação do ecossistema ribeirinho. O projeto também visa a identificação de pontos críticos larvares e a implementação de medidas de conservação, incluindo a sensibilização das partes interessadas para a importância desta espécie e a elaboração de orientações para a gestão sustentável, adaptáveis a outras bacias hidrográficas nacionais e internacionais.

Este esforço surge num contexto em que a escassez de lampreia se tornou uma realidade alarmante. Em 2024, o Festival da Lampreia de Penacova foi cancelado devido à diminuição drástica da população, sendo substituído por um novo evento em 2025, que envolverá todas as espécies do rio, e não apenas a lampreia, uma decisão também motivada pelo aumento dos custos associados à escassez do pescado.

O professor e investigador Pedro Raposo de Almeida, do Departamento de Biologia da Universidade de Évora, aponta os incêndios de 2017 como um dos principais fatores para a deterioração do habitat da lampreia. Segundo o especialista, a poluição das águas causada pelas cinzas e a redução dos caudais dos rios, consequência dos incêndios e das secas subsequentes, afetaram diretamente o desenvolvimento das larvas, tornando-as mais debilitadas e com menores chances de alcançar o oceano. Além disso, a poluição doméstica e industrial e o desassoreamento excessivo do rio são também fatores que agravam a situação. A pesca excessiva é outro problema que prejudica ainda mais a população de lampreia.

A lampreia marinha desempenha um papel ecológico fundamental no Rio Mondego, sendo uma espécie indicadora da saúde do ecossistema aquático. A sua diminuição tem um impacto negativo em toda a biodiversidade do rio, com potencial para criar um efeito em cadeia que afeta outras espécies e a sustentabilidade do ecossistema. Para além dos efeitos ambientais, a escassez de lampreia também afeta diretamente a tradição e a economia local, uma vez que a pesca e o consumo de lampreia são uma parte importante da cultura e da economia da região.

O projeto europeu que será implementado visa, portanto, não apenas a recuperação da população de lampreia, mas também a preservação da biodiversidade do Mondego, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema e assegurando a continuidade de uma tradição que é parte integrante da identidade local.


in 

ttp://www.jornaldamealhada.com/noticia/13957

Leia também AQUI

25 março, 2025

XI Gala do Desporto reconheceu entidades e agentes desportivos do biénio 2023 / 2024


Realizou-se no dia 22 de Março, no Pavilhão Aniceto Simões, a décima primeira edição da Gala do Desporto de Penacova, com apresentação de Tiago Almeida

De acordo com o Júri, esta Gala do Desporto tem como pressupostos "o reconhecimento público das entidades e agentes desportivos do concelho de Penacova procura, acima de tudo, ser um instrumento social de promoção da atividade física e do desporto, em geral." Por sua vez " a valorização do Desporto, como produto de real valor social, atende à necessidade de enaltecer as raízes do pensamento e das ações das suas gentes - à forma como fundamentam o legado dos seus e das suas terras e se fazem transportados pelos sonhos que constroem. Perceber os percursos realizados, é entender modos de vida. É chegar a cada um. É ser seu próximo." 

Júri que foi presidido pela Vereadora do Desporto, Magda Rodrigues,  e que teve a seguinte constituição: representante do grupo de Educação Física do Agrupamento de Escolas de Penacova, Ana Emília Mendes; coordenador do Serviço de Desporto, Sérgio Godinho; técnicos do Município responsável pela área de Desporto, Claúdio Marques e Rita Fernandes; representante da sociedade civil, José Henriques e personalidade local, Margarida Alvarinhas.


Além da entrega de prémios, a Gala contou também com diversas actuações:

Escola de Artes de Penacova: Hino da Gala de Desporto na voz de Andreia Gaudêncio
Centro de Bem Estar Social de Figueira de Lorvão: Dança
Clube Sénior: Dança
Mocidade Futebol Clube: Ginástica Acrobática
Escola de Artes Penacova: Ensemble Juvenil 
Clube Karaté Penacova
Mocidade Futebol Clube: Dança
Escola de Artes Penacova: Ballet -
Escola de Karaté de S. Pedro de Alva / Karaté AMDK-P
Centro de Bem Estar Social de Figueira de Lorvão: Dança
Escola de Artes de Penacova: Hino da Gala de Desporto
Agrupamento de Escolas de Penacova: Dança
 

Apresentamos, de seguida as nomeações e os respectivos vencedores (assinalados com cercadura verde): 











AGORA A NOTÍCIA DO DIÁRIO DE COIMBRA DE HOJE:


A Câmara Municipal de Penacova organizou a 11ª Gala do Desporto, na qual homenageou atletas. equipas. clubes, eventos e personalidades que se distinguiram no biénio 2023/2024. O Pavilhão Aniceto Simões encheu para consagrar os melhores entre os melhores do desporto penacovense.

Magda Rodrigues, vice-presidente da câmara e responsável pelo pelouro do Desporto. afirmou que o propósito desta cerimónia não mudou: celebrar o desporto, assinalar o que de bom se faz em Penacova, promover o encontro, reforçar o espírito de pertença e de comunidade, através do desporto”. A autarca sublinhou também que esta cerimónia permite ainda testemunhar a força e vitalidade» da comunidade penacovense.

Destacou o grande  investimento  no apoio ao desporto que a Câmara  Municipal de Penacova tem concretizado, quer seja enquanto parceiro de clubes e associações desportivas, quer seja no investimento em apoios diretos cifrando-se atualmente em mais de 500 mil euros, valor ao qual ainda se somam as valores investidos em diversas intervenções pontuais, pode ler-se na nota de imprensa enviada apela autarquia.

De acordo com  Álvaro Coimbra. Presidente da Câmara Municipal de Penacova. “este é um importante evento onde publicamente se  reconhecem todas e todos os cidadãos que elevam o desporto e engrandecem Penacova”

É com um enorme orgulho  que enaltecemos e valorizamos publicamente os agentes desportivos que contribuem para o inegável  sucesso desportivo  concelho de Penacova” afirmou, realçando que Penacova é «um município eclético, com grande diversidade de modalidades desportivas e que atualmente conta com mais de 700 atletas a praticar desporto” distribuídos por 22 associações desportivas em vários escalões.”

19 março, 2025

Da minha janela: 𝚂𝙰𝚄𝙳𝙰𝙳𝙴 𝙴𝙼 𝚃𝙴𝙼𝙿𝙾 / 𝗅𝖾𝗍𝗋𝖺 𝗉𝖺𝗋𝖺 𝗎𝗆 𝖥𝖺𝖽𝗈 𝖽𝖾 𝖢𝗈𝗂𝗆𝖻𝗋𝖺



Ao meu amigo Humberto Matias, o meu Decano do Fado de Coimbra


Se o meu amor me dissesse 

Que tinha muita Saudade

Levá-la-ia ao Penedo

No meu colo em Liberdade


E se ela de lá gostasse

Ficaria todo o tempo

A dar-lhe mimo e carinho

De quem ama sentimento 


Se ela, bela, ficasse

Rendida à luz da Cidade

Pedir-lhe-ia que fosse

Comigo à Universidade


Dar-lhe-ia o meu coração 

Na Biblioteca Joanina

E oferecia-lhe a minha mão 

Na descida da Escadaria 

Luís Pais Amante

Casa Azul, Penacova

15 março, 2025

Hotel Vila Galé em Penacova começa a ganhar forma




A apresentação do novo hotel Vila Galé Penacova foi um dos destaques da programação do espaço da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra na Feira de Turismo que está a decorrer em Lisboa.

O presidente do conselho de administração do grupo, Jorge Rebelo de Almeida, o CEO, Gonçalo Rebelo de Almeida, o diretor de operações, Carlos Alves e o humorista e radialista, Fernando Alvim, fizeram a apresentação da futura unidade que vai contar com mais de oitenta quartos e se prevê abrir no Verão de 2026.


Leia a notícia publicada pela TURISVER:

O futuro hotel Vila Galé Collection Penacova vai nascer da recuperação do antigo Hotel Penacova que estava encerrado desde 2010, encontrando-se em avançado estado de degradação. As obras já se iniciaram e o Grupo Vila Galé espera abrir a nova unidade em 2026.

Situado em Penacova, vila de grande riqueza natural e cultural, o Vila Galé Collection Penacova vai oferecer uma experiência que conjuga história, conforto e paisagem. A temática deste hotel será a história do Humor, a desenvolver em parceria com o Fernando Alvim, autor da ideia e o Nuno Artur Silva e prestará homenagem aos criativos desta arte que faz as alegrias do mundo ao longo dos tempos.

O hotel vai contar com 84 quartos, dois restaurantes, bar, piscinas interior e exterior, biblioteca dedicada ao humor e salas de reuniões.

Durante a apresentação do projeto na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Conselho de Administração do Grupo Vila Galé, destacou a importância de investir fora dos grandes centros urbanos. “Eu gosto muito do interior, mas mais do que gostar, nós devemos apostar no interior, não só por solidariedade e responsabilidade social, mas porque o interior gera riqueza e pode ser um negócio atractivo”.

Acreditando no potencial da região, Jorge Rebelo de Almeida sublinhou ainda que o projeto será uma mais-valia para a economia e identidade do local. “Queremos que este hotel seja um polo dinamizador para Penacova. Além de atrair visitantes, vai criar empregos e valorizar um dos locais mais bonitos do país, com uma vista magnífica de 360º sobre o rio Mondego”.

As obras já começaram com a demolição de estruturas sem valor arquitetónico e a limpeza do espaço. A construção deverá avançar até ao final do primeiro semestre deste ano, prevendo-se a abertura para o próximo ano, conforme foi anunciado.

https://turisver.pt/com-abertura-prevista-para-2026-vila-gale-collection-penacova-tera-o-humor-como-tema/


14 março, 2025

Novo vídeo promocional de Penacova foi lançado hoje na feira de turismo de Lisboa


CLIQUE NA IMAGEM PARA ACEDER AO VÍDEO

Este novo vídeo promocional do Município de Penacova leva-nos numa viagem pelo concelho, com a atriz Sofia Alves como cicerone deste passeio repleto de história, cultura, tradição e paisagens deslumbrantes.

Dos monumentos históricos ao património natural, dos usos e costumes às tradições, "esta é uma experiência que revela a verdadeira alma de Penacova. Deixe-se envolver pela beleza e identidade" - escreve-se nas páginas do município. 

LINK PARA O VÍDEO: https://x.gd/Tw28Q

11 março, 2025

Notas para a História dos Bombeiros de Penacova (V)

INAUGURAÇÃO DO NOVO QUARTEL EM 1997

Notícia do jornal NE de 30 junho 1997:

"Dezasseis anos depois de iniciada a sua construção foi inaugurado o novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Penacova.

Em Março de 1982 noticiava o nosso jornal o arranque da 2.° fase das obras; seis anos depois é ainda o N.E. que regista "QUARTEL DOS BOMBEIROS NÃO FOI APROVADO PELO S.N.B.". A "bomba" rebentou e só havia uma solução: procurar um novo terreno e aproveitar as instalações para serviços da Câmara

No entanto, as coisas tiveram outro rumo. A "página teimosa", no dizer do Comandante foi, por fim, virada. O dia 21 de Junho vestiu-se de festa para os Bombeiros, para a Vila, para o Concelho.

Apesar de não serem as instalações sonhadas e exigidas pelo crescente aumento de responsabilidades, a mudança de casa vem, sem dúvida, melhorar a qualidade dos serviços prestados pelos "soldados da paz", por esses "apóstolos de coração magnânimo", como os designou o Rev. P.e Joaquim Ribeiro Jorge ao proceder à benção do edifício.

A inauguração contou com a presença do Secretário de Estado, Dr. Armando Vara e do Governador Civil do Distrito, Dr. Victor Baptista.

Presentes também outras individualidades ligadas aos Bombeiros Portugueses e aos órgãos do poder local a nível concelhio. Muitos foram também os penacovenses que se associaram ao programa oficial da inauguração. A sessão solene, presidida pelo Secretário de Estado, decorreu no salão do novo edifício depois da recepção aos convidados, atribuição de condecorações e benção duma ambulância e do edifício.

Começou por usar da palavra o Comandante dos Bombeiros, Prof. António Simões, dirigindo palavras de agradecimento à actual e às anteriores Direcções, ao executivo Camarário e a todos aqueles que se empenharam na concretização desta obra, não esquecendo o Eng. Leitão, já falecido, que doou o terreno. Em sua memória e à de todos os bombeiros que já não se contam no número dos vivos, propôs que se respeitasse um minuto de silêncio. Não deixou de elencar algumas carências corno sejam a renovação de viaturas e equipamentos, a aquisição de um auto-tanque de maior capacidade e de uma viatura de desencarceramento.

António de Miranda. Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Penacova, ao discursar de seguida, dirigiu também palavras de gratidão e de reconhecimento pelo esforço financeiro da Câmara Municipal. No entanto, "as aspirações nunca se dão por concluídas. O novo quartel "de raiz", é, pois, uma "aspiração da Direcção a que preside" - acentuou. Coube ao Presidente da Assembleia Geral, Arsénio Costa, tornar pública uma missiva do Dr. Jorge Pimentel, Comandante do Quadro Honorário, justificando a sua ausência na cerimónia e endereçando um "louvor ao executivo camarário" em especial "na pessoa do Eng. Estácio".

Jaime Soares, Presidente da Federação Distrital de Coimbra, sublinhou o facto de os Bombeiros constituírem "a emanação directa do carácter bom do povo português, dos seus valores: solidariedade, humanismo, bem-fazer". Frisou ainda que estes não são património de ninguém, muito menos de qualquer ideologia. Acentuando o facto de ter sido exclusivamente financiada pela Câmara a presente obra, não deixou contudo de "se curvar respeitosamente perante o Dr. Armando Vara, reconhecendo que este membro do Governo tem de facto, dado o seu melhor ao serviço da causa dos Bombeiros Portugueses."

"Um autêntico milagre" — caracterizou o Vice-Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses ao usar da palavra - a circunstância de ter sido possível durante tantos anos trabalhar no antigo quartel. As condições materiais são importantes, mas não menos fulcral é a qualidade do factor humano sendo pois necessária uma aposta na formação. tónica aliás presente na maior parte das intervenções.

O Governador Civil de Coimbra, depois de enaltecer o empenhamento da Câmara Municipal, não deixou, contudo, de fazer alusão à comparticipação quer da administração central quer do próprio Governo Civil para equipamentos diversos que ascende a cerca de 17 mil contos, considerando ser a "comparticipação possível" para quem "não cometeu pecado". Recorde-se que a dado passo da sua intervenção havia citado o evangelista S. Lucas, dizendo que "só o pecado redime". 
E "o pecado não será do actual governo" — acrescentou. Em resposta a uma interpelação de Jaime Soares, reafirmou a disponibilização de dez mil contos para formação no âmbito do plano apresentado pela Federação Distrital de Coimbra.

Seguiu-se no uso da palavra o Presidente da Câmara, confessando que as antigas instalações eram motivo de vergonha para o concelho e mesmo pessoalmente e enquanto responsável autárquico. O investimento de cerca de 80 mil contos foi de facto considerável para uma Câmara que recebe do Fundo de Equilíbrio Financeiro, isto é, da administração central, verbas reduzidas —referiu a dado momento da sua alocução. Depois de sublinhar as boas relações mantidas entre a autarquia e as direcções dos bombeiros — tornando possível todo o trabalho desenvolvido — apelou às entidades presentes, designadamente ao Secretário de Estado, que procurasse desbloquear o projecto do novo quartel que vai já um ano se encontra na Comissão de Coordenação da Região Centro.
 
Em resposta a este pedido, o Dr. Fernando Vara referiu, ao usar da palavra, que tudo dependia da conclusão do processo legislativo em curso relativo às Finanças Locais. Projecto de Lei que, a ser aprovado, atribui às autarquias a responsabilidade pela construção de edifícios para os bombeiros. Depois de fazer alusão a outras medidas de carácter legislativo e de política de prevenção e combate a incêndios, reconheceu a imprescindibilidade do voluntariado na sociedade portuguesa. "Portugal precisa deste voluntariado"— afirmou. Há valores que importa manter. Numa sociedade em que a ideologia do sucesso incute a competição, é necessário fazer compreender que "vale a pena ser solidário"

O programa das "festas" prosseguiu com lanche, noite popular com actuação de Jorge Rocha e baile "abrilhantado" pela Banda FM. Há noite teve ainda lugar um concerto "rock" pelos "Santos e Pecadores".

Notícia do jornal NE de 30 junho 1997:

05 março, 2025

Notas para a História dos Bombeiros de Penacova (IV)

"OFERTA DE UMA CASA PARA A SUA SEDE E QUARTEL" (1967)


O jornal Notícias de Penacova, na sua edição de 2 de Dezembro de 1967, noticiava o seguinte:

Parece que o problema da Sede e Quartel da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Penacova está em vias de resolução.

Em hora afortunada foi escolhida a nova Direcção dos Bombeiros Voluntários de Penacova e seu presidente o sr. João António Gomes. Desde que assumiu as funções do seu cargo, o sr. Gomes, mesmo com prejuízo da sua saúde, não tem poupado esforços para desempenhar do mesmo modo a missão que lhe foi confiada, o fim de bem servir a causa dos Bombeiros. e o engrandecimento da linda vila de Penacova. 

Tem como seus colaboradores os srs. Júlio de Carvalho, António Martins Coimbra, Manuel Lopes Ferreira (comandante da Corporacão) e Joaquim da Costa, que igualmente se têm esforçado para bem servirem a mesma causa. 

Desde que a referida Direcção tomou posse dos seus cargos, iniciou uma actividade a favor do prestígio daquela benemérita Corporação, digna de elogio. 

Tornava-se urgente fazer obras de reparação na Sede e Quartel, adquirir móveis, utensílios e material. Mas não havia dinheiro para tal empreendimento. 

Começou a Direcção por dirigir uma carta circular às famílias do concelho, incluindo as emigradas, a solicitar-lhes uma contribuição para auxiliar os Bombeiros. O apelo teve, e continua a ter, o melhor acolhimento. Sobe já a alguns milhares de escudos o dinheiro recebido, como este semanário tem publicado.Os Bombeiros são uma necessidade premente dentro do concelho, como todos compreendem. 

Com o produto da subscrição está a ser reparado o edifício da Sede dos Bombeiros, o mobiliário e o material. Bem necessária era tal reparação. Também a Direcção dos Bombeiros está empenhada em comprar um jipão para que a acção dos abnegados soldados da paz seja mais eficiente, e possa atingir todos os povos do concelho, mesmo aqueles que ainda, infelizmente, não têm estradas por onde possa seguir o automóvel. 

Um jipão custa muito dinheiro. Os Bombeiros confiam, porém, na generosidade dos povos que virão a beneficiar da sua acção. Se outras terras de menor categoria do que Penacova puderam adquirir para os seus bombeiros um jipão. porque o não há-de ter Penacova? 

Neste trabalho porfiado pelos Bombeiros, tem a Direcção despendido trabalhos exaustivos que consomem energias e algumas vezes, trazem contratempos e acarretam desgostos e aborrecimentos. 

Também surgem, sem o esperar, compensações. No assunto que ora nos ocupa uma grande alegria e uma grande noticia tem a Direcção dos Bombeiros para dar. Ei-la: ao sr. Fernando Miguel Rodrigues, grande industrial da fábrica de malhas «Mondex» do Rio Tinto, foi dirigida uma circular, acompanhada de uma carta particular do seu parente sr. João António Gomes. 

O sr. Miguel Rodrigues é filho de Penacova. Daqui saiu, ainda pequeno, e chegou ao Porto, levando na sua bagagem uma grande vontade de vencer, de ser alguém na vida. Conseguiu o intento. Hoje é grande industrial. Na sua fábrica que começou com vinte operários, trabalham mil e duzentos. Apesar da situação, que mercê da sua inteligência e qualidades morais, alcançou, o sr. Miguel Rodrigues jamais olvidou a sua terra. Aqui vem com frequência. Nesta vila conservou a casa que herdou de seus pais e onde nasceu. E um prédio de três pisos e cave, sito na Rua Comendador Abel Rodrigues da Costa. No rés do chão está instalada uma tipografia. 

Pois, esse prédio que ocupa uma situação magnífica para o serviço dos Bombeiros, deseja o sr. Fernando Miguei Rodrigues, com o aplauso de sua Ex.ma esposa, Sr.a D. Júlia Miguel Rodrigues, oferecê-lo, doá-lo à Corporação dos Bombeiros de Penacova para a sua Sede. 

Grande notícia para Penacova, grande notícia para os Bombeiros. Para que a escritura de doação se possa fazer, deseja o sr. Fernando Miguel Rodrigues que os inquilinos que habitam o prédio procurem outro domicilio, para poder fazer a escritura de doação isenta de dificuldades para os Bombeiros.

Estamos certos - quem poderá duvidar? - que os inquilinos do prédio em referência vão colaborar com o ilustre e grande benfeitor dos Bombeiros de Penacova, de modo que o assunto se resolva rapidamente. 

O nosso jornal que sempre tem lutado pelo progresso do concelho de Penacova que desejaria ver próspero e na vanguarda do progresso, felicita os Bombeiros de Penacova por poderem dispor, dentro em breve, de Sede que seja sua propriedade, e saúda o benfeitor que dá com o seu gesto de acendrado altruísmo um nobre exemplo de amor à sua terra e aos seus semelhantes. 

Penacova, se os seus filhos se derem irmãmente as mãos, pode muito bem vir a ser uma vila próspera e feliz.