segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Confrarias Gastronómicas e Báquicas

À semelhança do florescimento das Confrarias, ocorrido na Idade Média, assistimos também hoje, neste dealbar do século XXI, a uma proliferação surpreendente dum novo tipo de associativismo que recupera aquela designação. Agora, as suas finalidades já não têm o cariz profissional, religioso ou assistencial, que marcaram os tempos de outrora. Nos nossos dias, o que está em causa é a valorização dos nossos pratos tradicionais e dos nossos vinhos de qualidade.
Recuperando todo um conjunto de rituais das antigas confrarias, carregados de simbolismo, como os trajes, as fórmulas de juramento, a realização de capítulos, as confrarias assumem, hoje, um papel importante na dinamização das comunidades locais, atraindo pessoas de outros pontos do país e de além fronteiras, organizando encontros com componentes festivas, através de coloridos desfiles ao longo das ruas das nossas vilas e cidades, onde não faltam as varandas engalanadas com as tradicionais colchas e numeroso público a assistir, não poucas vezes, à passagem de figuras importantes da vida artística, política e até económica.

Às finalidades de preservação do património gastronómico, as confrarias juntam, assim, fins lúdicos e de convívio entre as pessoas e as comunidades. 

Progressivamente, vão assumindo também um importante papel de sensibilização e de alguma pedagogia, com o envolvimento das comunidades, na investigação do passado, no sentido de  melhor compreender o presente e preparar o futuro dos nossos  meios rurbanos, onde o rural e o urbano já se tocam muitas vezes e cada vez mais se diluem algumas barreiras. Futuro que poderá e deverá passar pelo desenvolvimento do turismo gastronómico e báquico, valorizando os pratos tradicionais, os nossos vinhos...e também as nossas águas.

Penacova, com a sua Confraria da Lampreia, tem vindo a concretizar muitos destes objectivos, divulgando um prato, que não sendo exclusivo do nosso concelho, é confeccionado dum modo sempre especial, fruto de longos e longos anos de contacto com o Mondego e com os recursos alimentares que este, durante séculos vem oferecendo às gentes que com ele convivem.

Confrarias Gastronómicas e Báquicas: uma curiosa forma de associativismo que acima de tudo, entende que a qualidade e a riqueza das nossas receitas tradicionais, dos nossos vinhos, merecem ser preservadas e divulgadas.

David Almeida

1 comentário:

  1. Ótima reportagem David, rica em detalhes informativos e que induzem ao interesse público em geral, trazendo, com certeza, interesses para todas as idades, gerações que amam sua Terra, suas riquezas culturais e sociais e o bom proveito que podem tirar dela.

    ResponderEliminar