quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Encerramento de Escolas em Penacova

Travanca do Mondego: arranque do ano escolar aviva preocupações dos pais e encarregados de educação

" POVOAÇÕES TRANSFORMADAS EM DESERTOS
A confirmação do encerramento da escola primária de Travanca do Mondego não apanhou os habitantes de surpresa, mas deixou-os revoltados. João Azadinho, presidente da Junta, entende a reacção de alguns: "fechar uma escola é um momento muito difícil". Para Adelaide Matos "é um coração que deixa de bater no centro de uma povoação". As crianças "faziam gritaria, representavam vida". A partir de Setembro, as aldeias que ficaram sem escolas transformam-se em "desertos", acredita Luísa Duarte, mãe de uma aluna."
in Correio da Manhã, 1 de Setembro 2010

A versão impressa do CORREIO DA MANHÃ de hoje apresenta uma reportagem sobre o encerramento de escolas do primeiro ciclo no nosso concelho. Artigo que também pode ser lido na versão online do referido jornal.


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Fechar ou não fechar escolas em Portugal?
                              Os argumentos:

TEXTO A

O primeiro ministro, José Sócrates, assegurou hoje que o Governo vai continuar com o encerramento de escolas para combater o insucesso escolar e considerou "criminoso" não ter avançado com o processo. "Era criminoso para o nosso sistema público de ensino não ter feito nada para encerrar as escolas com menos de 20 alunos [e] é por isso que vamos continuar com esse esforço", declarou José Sócrates em Trancoso, onde hoje recebeu a medalha de honra do município e inaugurou uma nova escola básica integrada.No seu discurso, José Sócrates, que esteve acompanhado pela ministra da Educação, Isabel Alçada, apontou que o Ministério da Educação já encerrou cerca de 2500 escolas. E acrescentou: "Agora encerramos as outras, em negociação com as autarquias".Disse que o Governo não podia deixar "tudo como está", mas reconheceu que "há sempre críticas às reformas".Contudo, frisou que "o pior que há na Educação é não fazer nada".Segundo o primeiro ministro, irão encerrar mais escolas com menos de 20 alunos porque, com esta medida, o Governo pretende "combater o insucesso escolar"."Ao longo destes últimos anos o insucesso escolar nas escolas com menos de 20 alunos sempre foi muito superior ao insucesso escolar verificado nas outras escolas com mais alunos", apontou.Tendo em conta este cenário, admitiu que manter escolas com 20 alunos significaria "condenar essas crianças à exclusão, ao abandono e ao insucesso escolar".

TEXTO B

A medida, que o Governo justifica com a instalação de «centros escolares ou escolas dotadas de melhores condições de ensino e de aprendizagem», não me parece mais do que um incentivo ao abandono escolar e um aumento da desertificação cada vez mais acelerada do interior do País. Que família quererá “interiorizar-se” se pensar que os seus filhos ficarão mais longe da escola, obrigados a perder no caminho um precioso tempo que poderia ser aproveitado para estudar?E como se podem motivar alunos que não gostam da escola – mas lá têm de permanecer o dia inteiro – se o “passeio” os obriga a levantar quase de madrugada e a chegar a casa à hora de jantar?Posso até concordar que a distância não é impeditiva nem contrária ao sucesso escolar, mas não me venham dizer que os alunos que vivem longe dos chamados centros escolares “partem” com a mesma vantagem que os que moram perto em direcção aos ciclos de ensino seguintes. E nem sequer acredito que a reorganização escolar seja apenas feita com intuitos meramente pedagógicos e qualitativos (…)http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/search?q=encerramento+de+escolas

TEXTO C

Nas últimas duas décadas, o país vindo a assistir ao encerramento de um número crescente de escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. Dizer que este processo está exclusivamente ligado com a progressiva baixa de natalidade, é ficar pela espuma dos acontecimentos.As causas do encerramento (suspensão, na linguagem da lei) de centenas de escolas, tem raízes profundas nas opções políticas de sucessivos governos que contribuíram, ou mesmo promoveram, a desertificação de largas regiões do país.O abandono e o esquecimento a que sucessivos governos votaram o interior do país, fizeram deslocar para o litoral urbano milhares de portugueses. A evolução demográfica fez o resto. É assim que as escolas das zonas urbanas e suburbanas foram confrontadas com o crescimento do número de alunos por turma.. (…)

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