sábado, 10 de setembro de 2016

Pisão: vestígios de um quotidiano perdido na voracidade do tempo

Fotografia de Varela Pècurto (início da década de 80 do séc. XX)

O Pisão de Lorvão constitui um  interessante conjunto arquitectónico rural. Possui um Lagar de Azeite com duas varas. Uma delas é em pinheiro manso e será ainda do “tempo das Freiras” e a outra, colocada em 1945, resultou de um  eucalipto cortado na propriedade agro-florestal com 10 hectares.  Este lagar terá funcionado pela  última vez há cerca de trinta e cinco anos.
Inclui também dois Moinhos de Água, um de rodízio e outro uma azenha. São visíveis ainda as ruínas de um Forno de Cal e de uma Casa de Tipologia Rural.
Em 2010 foi  classificado como Conjunto de Interesse Público (CIP). No preâmbulo da Portaria n.º 637/2010, DR, 2.ª série, n.º 164, de 24 de Agosto refere-se que “este conjunto apresenta uma notável coesão, unidade e integração no sítio e na paisagem, que se encontra preservada.”
Aí é salientado também “o particular significado a nível histórico-social e etno-tecnológico local deste conjunto.” Em 2010, e segundo se refere na citada Portaria, o Lagar de Azeite “possui ainda todo o equipamento essencial a um lagar de varas, sendo um exemplar tipológico que se salienta pela sua originalidade e escassez”.
O site da Direcção- Geral do Património Cultural contempla também o Lagar do Pisão. E diz-se aí o seguinte: “De entre a multiplicidade de edifícios erguidos ao longo dos tempos, sobressai(…) o Mosteiro de Lorvão. Mas destacam-se, de igual modo, outras estruturas, as quais, embora despojadas da monumentalidade que lhe é característica, nem por isso são menos importantes para o conhecimento do ser e do sentir das gentes locais, materializados em vestígios de um quotidiano já esbatido perante a voracidade do tempo e, sobretudo, evolução tecnológica.
Este  "conjunto arquitectónico” teve obviamente estreitas  relações com o Mosteiro:  “Uma cercania que não era, de facto, fortuita, pois, apesar de evocativos de um tempo moldado pelas exigências de uma vida dependente da agricultura, os engenhos utilizados destinavam-se, na sua expressiva maioria, a suprir algumas das necessidades diárias dos residentes no Mosteiro.”

A par da cal produzia-se azeite de alta qualidade num lagar de varas, e ainda linho pisoado. Daí virá o nome "Pisão" dado a este local.



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