quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Senhora do Mont'Alto e as Pedras Milagrosas

Capela do Mont'Alto - Penacova
[PenacovaOnline_2016]
Houve mesmo quem defendesse que o feriado municipal deveria ser no dia 8 de Setembro dada a importância que a romaria do Mont'Alto assume para as gentes de Penacova. Tal pretensão não vingou mas isso não impede que muitos continuem a subir o monte sobranceiro à vila,  onde apesar de escondida pela invasão dos eucaliptos se encontra a muito antiga capela que acolhe a imagem de Nossa Senhora da Natividade.
Muitos autores têm vindo, ao longo dos tempos, a escrever sobre este santuário mariano. Em 1711, Frei Agostinho de Santa Maria e, mais perto de nós, o Professor Nelson Correia Borges. Do livro Coimbra e Região (Novos Guias de Portugal, da Editorial Presença):

“A capelinha é um encanto na sua singeleza de ermidinha bem portuguesa. Antecede-a um alpendre de seis colunas toscanas do século XVII e em toda a volta tem um banco corrido, para os romeiros se sentarem a saborear os farnéis.” 

De acordo com as informações paroquiais de 1721, nesse tempo «os moradores da Vila de Botão e os de S. João de Figueira vinham todos os anos em procissão à Senhora do Mont’Alto em cumprimento de um voto antiquíssimo, trazendo as suas ofertas em tabuleiros à cabeça de donzelas."

Diz-nos ainda este historiador penacovense que, nos referidos documentos de 1721, podemos ler o seguinte:

  “ao pé do monte, contam os naturais, nascem umas pedras redondas como seixos, as quais partidas, se lhe acha dentro outra pedrinha do tamanho e redondeza de uma noz, que com pouca violência se desfaz em pó, e este aplicado à enfermidade da asma é singular remédio e tanto que por singular é único de muitas partes deste Reino são procuradas, e como se fossem milagrosas saram os asmáticos e ficam de novo livres." 

Como se aplicava o pó não o diz o Padre informador…mas quem subir ao santuário pelos caminhos tortuosos pode encontrar ainda alguns dos tais seixos…” - escrevia Nelson Correia Borges em 1987 na referida obra, acrescentando:

“Hoje a festa continua a realizar-se (…) mas os romeiros já não vêm de longe, nem cantam no terreiro da capela as modas de outros tempos:


A Senhora do Mont’Alto
Mandou-me agora chamar.
Que tinha o seu manto roto,
Quer que eu lho vá remendar!

A senhora do Mont’Alto
Lá vai pelo monte acima,
Leva a cestinha no braço
Para fazer a vindima.

Ó Senhora do Mont’Alto,
eu não volto à vossa festa,
Que me tirais a merenda
E mai-la hora da sesta!



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