A envolvente natural da antiga Quinta das Lamas tem vindo, ao longo dos anos, a suscitar intenções de exploração turística. Esta “península”, desenhada pelos curiosos meandros do Mondego, situa-se na zona entre Oliveira do Mondego e Porto da Raiva.
Está a circular na internet o seguinte anúncio:
“Herdade à venda Quinta das Lamas s/n Penacova | 1.800.000 € | 1.200 m² área bruta”.
Acrescenta o anúncio que a Quinta das Lamas “é uma propriedade única com 22 hectares, situada numa localização privilegiada nas margens do Rio Mondego, entre a Barragem da Aguieira e a Barragem do Coiço. A sua envolvente natural proporciona uma paisagem de rara beleza, onde o espelho de água se funde harmoniosamente com a floresta, criando um cenário verdadeiramente inspirador ao longo de todo o ano. No topo da propriedade encontra-se a zona urbanizada, oferecendo vistas panorâmicas absolutamente deslumbrantes sobre o rio e a paisagem envolvente — um enquadramento difícil de traduzir em palavras.”
Avança-se com um “estudo turístico informal, desenvolvido em conformidade com o Plano Diretor Municipal em vigor”.
Será desta? – perguntamos no título.
Que tenhamos conhecimento, já em 1989, o Presidente da Câmara, Engº Estácio Flórido, em Conferência de Imprensa, convocada para divulgar algumas propostas de investimento previstas para o concelho, anunciava um “importante complexo turístico com um salão de conferências na Quinta das Lamas”. As negociações estariam em curso, envolvendo um empresário suíço. O projecto previa a construção de apartamentos, restaurante, piscina, campos de jogos e “aproveitamento fluvial circundante”.
Passados 10 anos, em 1999, mais uma vez foi noticiada a possibilidade de forte investimento na Quinta das Lamas por parte do Grupo Belmiro de Azevedo. Uma delegação desses pretensos investidores terá mesmo reunido com o então assessor da Câmara, Dr. Leitão Couto.
A história da Quinta das Lamas terá à volta de 150 anos. Sabemos que em 1887 já aí vivia o casal António José Duarte Moreira e Isabel Brazília Moreira. Ele, “capitalista” (como se dizia na época”, filho de Joaquim Duarte Maltez e de Joaquina Maria de Oliveira, proprietários de Hombres. Ela, “governante da sua casa”, filha de António Gonçalves da Silva e de Maria Madalena da Silva, capitalistas da cidade de Santos, no Brasil. Falecida em 20 de Julho de 1907.
Desconhecemos quem habitou o soberbo edifício a partir daí (agradecemos se algum leitor puder acrescentar alguns dados nesse sentido). Apenas sabemos que naquela zona, existe um trilho que parte da povoação do Coiço e se estende até ao cume da “península” onde se situam as actuais ruínas do edifício, que não escapou ao grande incêndio de 2017. Esse percurso pedestre é conhecido por “Trilho do Palácio do Doutor Guilherme Carneiro”. Quem foi esta personalidade? Desde já agradecemos a quem nos possa esclarecer.






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