02 abril, 2026

O meu nome é Constituição



O meu nome é Constituição 


O meu nome é Constituição 

Da República Portuguesa

E o meu sobrenome Paciência 

Para com os que não me querem

De certeza


Nasci hoje

Há cinquenta anos atrás 

E sou mesmo muito jovem 

Quando comparada 

Com outras anteriores de tez 

audaz


A idade só significa maturidade 


Sou fruto de um trabalho consistente 

De um grupo de Portugueses 

Com muito discernimento 

E de consciência na mente

Para encontrar um consenso 


Agora dizem que já estou velha

Que, de vez em quando, me dá 

telha

Que não estou adaptada

Muito menos actualizada 

E eu acho isso bem natural 


Sou um Documento casuístico 

E devia sê-lo mais generalista 


Mas deram-me regras para mudar

Para me poder adaptar

Aos tempos que o tempo tem

Regras, nunca imposição de ninguém 


O meu papel nesta Sociedade

doente

Ainda é ter bem presente

Que não se apoia o dissidente 

Mas sim o Povo 

Aquele que me quis, de novo


O tempo do obscurantismo 

Já se foi, não vai voltar mais

Porque a “paralisia” é dura

E a Democracia custa muito

Talvez, até demais


O Povo reivindicou-me nas ruas

Exigiu-me nas urnas de voto

Para integrar com sã sabedoria 

Normas contra o Estado Novo

… sem vida em Democracia!


Luís Pais Amante 

Casa Azul

Nos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.