Ainda a Museologia: O Museu do Pão
No dia dos Namorados, uma parte da Família (Clube da Netaria incluído), foi almoçar e visitar o Museu do Pão, a Seia.
Já expressei aos leitores do Blogue Penacova OnLine e deste concreto espaço, o quão interessante é que os adultos levem as Crianças aos Museus de Portugal, numa óptica de, através dessas visitas, lhes ensinarem a História de Portugal, bem como para eles próprios a poderem revisitar.
E, se dúvidas existirem a propósito, nalguns casos (essencialmente do domínio público) onde as coisas se vão degradando, por falta de investimento de manutenção e, até, de interesse ou, também, igualmente, por falta de empenhamento de alguns colaboradores que chegam mesmo a ter desconhecimento da missão.
A grande verdade é que, no Museu do Pão, isso não acontece!
O Museu do Pão é um investimento privado de um Professor de História: António Quaresma, natural de Santa Marinha, no Concelho de Seia.
António Quaresma é um Beirão Visionário, discreto mas eficaz.
Como Gestor qualificado que tem vindo a recuperar empreendimentos ligados, essencialmente, à manufactura manual em desaparecimento, através do Grupo “O Valor do Tempo”.
!… E que leva Seia ao Mundo…!
O Museu do Pão foi inaugurado em 2002 e o complexo dedica-se a preservar e divulgar o património cultural do Pão Português.
Os Visitantes percorrem Espaços temáticos de enorme ligação à realidade do tempo histórico da fome e da política do nosso País, objectivando conexões interessantíssimas sobre esta questão.
Explica muitíssimo bem - e com muito boa acessibilidade à compreensão de todas as idades - através de animação e “salas” o ciclo do pão:
- etapas do tratamento das terras vocacionadas para o trigo, o milho e o centeio, contextualizado com a agricultura e com a sua problemática histórica em terras pobres ao nível dos solos, como as do nosso Interior esquecido;
- etapas das sementeiras e do desenvolvimento dos produtos, até à “extração da farinha”;
- etapas da preparação para a consecução do produto, nas suas várias formas, valências e destinos de consumo;
- contacto com as fases e experiências, incluindo o manuseamento aplicável e o contacto com as matérias primas e os materiais.
Na “formatação” museológica faz-se - espectacularmente - o enquadramento histórico regional e nacional, daquilo que têm sido as épocas de carências alimentares, com abordagem aos actores políticos, aos regimes e às suas vicissitudes.
Tem-se, devidamente organizado, o pensamento diverso sobre as temáticas, através das evidências intelectuais, nomeadamente escritas, donde realço uma evidência poética diversificada, digna de respeito.
O Pão é, efectivamente, o Rei!
Para além da empatia revelada pela Equipa que faz os acompanhamentos, registo a limpeza das instalações, a garantia da acessibilidade e a constatação, óbvia, das substituições necessárias.
Finalmente (quiçá o mais importante pela singularidade) tudo se explica e demonstra através da exibição de um “documentário” de enorme qualidade e capacidade de síntese, no qual a voz me parece ser, justamente, a de quem - no recato da construção das ideias - tudo isto pensou, construiu e pôs ao serviço do País, quer para consumo do turismo interno, quer do turismo externo.
O que me faz dar-lhe um terno abraço de gratitude.
Viemos de “peito cheio”, como soi dizer-se, com a Netaria encantada e com o seu nome “impresso” na cozedura da peça manufacturada.
O Museu do Pão contraria a lógica abandónica do tal Interior Beirão de que tanto tenho falado.
Vale mesmo a pena visitá-lo!
Luís Pais Amante
Casa Azul



