sexta-feira, 20 de maio de 2016

Obras no Mirante

Foto de Óscar Trindade, publicada hoje no Facebook

"As obras do Mirante do Castelo, construção do Belveder, prosseguem com a maior actividade  e é de crer que, se o tempo permitir, muito brevemente estejam concluídas, pois todos os penacovenses se interessam deveras por aquele melhoramento.
O Sr. Presidente da Câmara Municipal deste concelho, Ex.mo Sr. Dr. José Albino Ferreira, tem sido verdadeiramente e notavelmente incansável e ninguém pode por em  dúvida que a realização de tal melhoramento importantíssimo é em grande parte devida àquele cavalheiro.
Que o tempo o auxilie são todos os nossos desejos, porque do auxílio dos habitantes de Penacova estamos certos de que não duvida um só momento.
Segundo nos consta foi já tirada pelo hábil fotógrafo amador António Carlos Pereira Montenegro, uma fotografia das obras, para ser remetida ao Ex.mo Sr. Conselheiro Manuel Emídio da Silva, cavalheiro altamente apaixonado pelas belezas da nossa terra e que confessa uma verdadeira simpatia por todos o seus habitantes ao qual muito e muito se deve a construção do referido Belveder, afim de ver o seu adiantamento."

Jornal de Penacova, 31 de Dezembro de 1907.

Observações: Como se sabe a inauguração viria a ter lugar no fim de Maio de 1908, dando lugar a destacada notícia de âmbito nacional, no Diário de Notícias. Este jornal publicou mesmo um pequeno destacável que intitulou "As Festas de Penacova".
O termo belveder vem do italiano "belvedere", com o significado de terraço, ponto elevado de largo horizonte, miradouro, mirante.
O projecto desta obra é atribuído a Nicola Bigaglia (1841 - 1908) arquitecto, aguarelista e escultor de origem italiana que se radicou em Portugal em 1888.
Foi professor na Escola Industrial de Leiria e na Escola Industrial Afonso Domingues. Regressou já doente a Veneza, onde faleceu em 1908.
Entre os seus inúmeros projectos arquitectónicos, destacaríamos a Casa dos Cedros, no Buçaco, Convento da Portela (Leiria), Lisboa, Palácio Lima Mayer e Palácio Lambertini (Lisboa), Palácio Vale Flor (Porto) e Teatro D. Amélia (Setúbal).





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