20 abril, 2016

CARTAS BRASILEIRAS: 367 x 137

Caros leitores:

Costumeiramente, as cartas se iniciam perguntando ao destinatário como estão todos, se tudo anda bem, a saúde, os negócios, os filhos e netos. Pergunta-se até como são enfrentadas as dificuldades provocadas pela recessão e desemprego. Só então se revela como está passando, e assim vai, praticamente, na mesma ordem das perguntas que fez.



Pois bem, subentendidas as primeiras, digo, estamos todos bem, a saúde vamos levando, um tropeço aqui, uma queda acolá; afinal, passados mais de setenta giros em torno do Sol, o “bicho começa a pegar”, como dizemos aqui, a dizer que o peso da idade acaba chegando. Aposentados, vivemos da merreca que nos pagam, os filhos continuam na luta diária, os netos, esses cada vez mais graciosos e inteligentes.

O Brasil vive um momento difícil economicamente, fruto do desarranjo promovido pelas medidas desastrosas tomadas pelo governo, notadamente, a partir do último ano do mandato anterior de Dilma; conhecida como “o poste” inventado por Lula. Explico: dizia-se que quem fosse indicado por Lula para qualquer cargo seria eleito, dado o prestígio conquistado nos meios mais carentes com a implantação do Bolsa Família, e é claro, puxado pelo desempenho da balança comercial, quando a China comprava tudo o que via pela frente.

O escândalo do Mensalão, já no primeiro governo Lula, do qual, milagrosamente, saiu ileso, foi um aviso de que a gestão pública não era das melhores; a economia mundial foi a malha protetora.

Na sequência, escândalos cada vez maiores começaram a explodir no governo Dilma, apontados pelo processo da Lava-Jato (lavagem de dinheiro rápida), conduzido por um jovem juiz, Sérgio Moro. Pego o fio da meada, puxou-se o novelo todo; cada dia um novo roubo, desvios, superfaturamentos, propinas. Mesmo não tendo sido alcançada nas investigações, e de nada tenha sido acusada, fica difícil isentá-la completamente de culpa, afinal, os altos cargos ainda que indicados por políticos da base aliada, têm que ter o crivo presidencial. A Petrobras, nossa maior empresa, vítima do escândalo do Petrolão, está em frangalhos, a economia um fracasso, 10 milhões de desempregados, estimam mais 3,7 milhões até 2017, aumento de empregos informais, inadimplência crescente.

No entanto, se disso Dilma se safou, acabou sendo pega em crimes de responsabilidade, ao autorizar créditos fora do orçamento, sem consultar o Congresso, bem como por tomar empréstimos em bancos oficiais, o que é proibido pela legislação. Por tais crimes, como previsto na Constituição, a Câmara Federal, no dia 17 de abril, acatou o processo de “impeachment”, por 367 votos a 137, 7 abstenções e 2 ausências.

O passo seguinte: o processo será encaminhado ao Senado, e se admitido, será julgada, podendo perder o mandato conquistado nas urnas, em uma das eleições mais disputadas da história do Brasil, mas que teve sua legitimidade contestada por descumprir a Constituição Brasileira.

Desejando que as coisas andem bem aí, rezando para que melhorem aqui, envio a todos o meu abraço. P.T.Juvenal Santos – ptjsantos@bol.com.br

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17 abril, 2016

Toponímia Coimbrã: António José de Almeida, a Rua e o Busto


É num pequeno largo, no cruzamento das Ruas António José de Almeida e Nicolau de Chanterene que encontramos um busto de António José de Almeida. A rua com o seu nome existia já desde os inícios da década de trinta do século passado. A deliberação da Câmara Municipal de Coimbra data de 16 de Julho de 1931.A abertura desta nova artéria da cidade inseriu-se no surto de construção na zona de Celas e Montes Claros.


Bustos de António José de Almeida: 
em Coimbra (à esquerda) e em Penacova (à direita)

O busto, moldado em bronze, foi inaugurado a 5 de Outubro de 1984. Trata-se de uma obra de Cabral Antunes muito semelhante (ou mesmo cópia) à que se encontra no Largo Alberto Leitão em Penacova (5 de Outubro de 1976) e que também é da autoria do mesmo escultor.

Assenta sobre um “pedestal paralelepipédico vertical, integrado num canteiro, que se encosta a um elemento parietal em alvenaria rebocada, ligeiramente curvado, contendo uma pequena lápide em pedra com uma inscrição alusiva ao homenageado, ladeada por duas fitas metálicas com as cores da bandeira nacional.” – refere um documento do Ministério da Cultura.

Busto de António José de Almeida em Coimbra


Localização da Rua António José de Almeida


10 abril, 2016

Mistério em Agrelo

Perto do lugar de Agrelo e da ribeira do mesmo nome, num sítio conhecido por Val do Cavalo, existirá uma espécie de mina escavada de tal modo na rocha, que se torna difícil acreditar que foi feita por mão humana. Conta-se que ao fundo desse túnel há uma lagoa onde a “água não cresce nem mingua e também não corre”. A passagem é de tal modo difícil que ninguém consegue explorar o que está nas entranhas daquele monte.

À volta disto, conta-se também que, há algumas centenas de anos, certo Pároco da Freguesia da Figueira de Lorvão, chamado António de Magalhães, não resistiu à curiosidade. Mandou fazer uma bomba, com a qual trabalharam vários homens durante vinte e quatro horas, na tentativa de fazer secar toda a água da lagoa.

Depois de tirarem a maior parte, dois deles lá conseguiram avançar. Munidos de uma lanterna e a pé praticamente enxuto, conseguiram chegar a umas escadas que os levaram até uma porta que dava para uma enorme sala.

Ora, qual não foi o susto quando se lhe apresenta um conjunto de cinco enormes vultos com armas de fogo apontadas para a dita porta. Cheios de medo recuaram mas tiveram que fugir a nado pois a água tinha entretanto voltado ao nível inicial. 

O medo apoderou-se de tal modo da população que nunca mais ninguém terá tido coragem para desvendar aquele mistério. 

Alguns diziam que talvez fosse um esconderijo dos “mouros”. E quem sabe, mesmo até um esconderijo de um tesouro valiosíssimo. Então, a lagoa serviria para impedir o acesso a quem quer que fosse . Por sua vez, aquelas figuras assustadoras não passariam de um conjunto de estatuetas colossais ali colocadas precisamente para aterrorizar quem ali se atrevesse a entrar... 

Mas a verdade, só Deus sabe – diz o povo...