sábado, 26 de setembro de 2015

Batalha do Bussaco: memórias do dia vinte e seis de Setembro 205 anos depois


Gravura representando a Batalha do Buçaco - 27 de Setembro de 1810 - publicada em Londres, em 1 de Junho de 1815, por J. Jenkins, 48 Strand. Existe no Arquivo Histórico Militar, Lisboa, Portugal, e é identificada com o código PT-AHM-FE-10-A7-MD-12.A…

Noite de 26 de Setembro de 1810

Massena reune-se com Ney,Junot, Reynier, Fririon,Eble e Lazowski. Ney considera que o ataque já devia ter sido feito enquanto o exército anglo-luso ainda não tinha concentrado as suas tropas e por isso entende que o melhor seria retirar para Viseu e daí seguir para o Porto ou para Almeida. Junot,  Fririon e Eble tinham a mesma opinião mas Reynier e Lazowski, apesar de acharem difícil o ataque, entendiam que havia algumas possibilidades de êxito. Massena decide-se pelo ataque e retira-se para o quartel general em Mortágua.

Para a batalha os franceses posicionaram-se do seguinte modo:
O 2º Corpo de Reynier abandonava a estrada que ligava Mortágua ao Botão, próximo de Santo António do Cântaro e atacava procurando romper o dispositivo inimigo:
-A divisão Merle formaria junto de Pé da Serra
-O general Foy ocuparia Santo António do Cântaro
-A brigada Arnauld e a cavalaria ficariam em reserva à retaguarda de Sto António.
O 6ºCorpo de Ney deslocar-se-ia na Estrada Mortágua-Luso. As 3 divisões deste Corpo formariam a retaguarda de Moura
O 8º Corpo de Junot deveria deixar os seus bivaques no Barril e vir para a retaguarda do 6ºCorpo.
A cavalaria de Montbrun formava à esquerda da estrada Mortágua-Moura. Fica decidido também que Reynier e Ney atacariam em simultâneo.

O exército francês contaria com cerca de 64 000 mil homens.

Do lado das forças anglo-lusas:

No Montalto estariam 5 companhias da “Leal Legião Lusitana” e meia brigada de artilharia portuguesa; 
Um pouco atrás, à esquerda o Corpo Hill ocuparia todo o alto da Chã, entre Galiana e Palmazes;
A 5ª divisão de Leith posicionar-se-ia entre a Portela da Oliveira e Santo António do Cântaro, bem como a divisão Picton e a divisão Spencer.
Em frente á ravina que desce a serra e passa a sul dos moinhos da Moura, estaria a brigada portuguesa Pack.
Dos dois lados do moinho de Sula estaria a divisão Craufurd e atrás desta a divisão Colleman constituída por portugueses.
Guarnecendo o moinho do Milijoso estaria a brigada portuguesa Campbell.
No flanco esquerdo a 4ª divisão Cole, barrando os acessos a Ninho de Águia e Cabeço Redondo em frente a Trezói. Em Monte Novo estaria a Legião Alemã.
A divisão de infantaria portuguesa comandada por Lecor ocuparia a região da Ponte da Mucel.
As milícias Trant,  sedeadas  em Mortágua  vigiariam os caminhos que iam dar ao Sardão.
A cavalaria e a artilharia distribuir-se-iam:
-Próximo da Mealhada e em Avelãs do Caminho posicionar-se-iam as tropas inglesas de Cotton
-As tropas portuguesas (incluindo um regimento inglês) comandadas por Fane posicionar-se-iam na margem direita do Alva junto à Ponte da Mucela.
Refira-se que a artilharia estava em maior força em Santo António do Cântaro e na estrada defronte da profunda ravina defendida por Craufurd.
A parte da serra ocupada por Wellington era demasiado grande para ser ocupada integralmente mas havia a vantagem de existir uma estrada ligeiramente afastada da crista ao longo da qual se podiam deslocar as tropas sem serem vistas pelo inimgo  e ao mesmo tempo, nas posições já referidas, poderem deslocar-se as tropas de um lugar para outro antes que os franceses tivessem tempo de escalar as alturas e dominar a situação.
FONTE: A BATALHA DO BUSSACO-MEMÓRIA, edição do Museu Militar do Bussaco, 1981

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