sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A crónica, ainda que efémera, vive...

CARTAS BRASILEIRAS

A libélula e a crônica

Das aulas de biologia nos tempos de colégio, e isso já beira meio século, martelam ainda em minha cabeça denominações da botânica, angiospermas, gimnospermas, briófitas e piteridóficas. Dos estudos da genética, lembro-me das drosófilas, uma espécie de mosca.
 
E nesses voos solitários, quase sempre noturnos, recordo-me de um artrópode interessante, as libélulas, que com a leveza de um balé, tocam as águas dos córregos, lagos e rios.
 
Como os românticos e sonhadores, o macho da libélula é tido com um inseto efêmero, de vida curta, morre logo após o acasalamento, pertence à ordem dos Efeméridos; palavra de origem grega que significa curto, que dura apenas um dia
 
Nos dias de hoje, diante da velocidade dos acontecimentos e da dinâmica da informação, com notícias transmitidas “online”, no momento em que acontecem, parece claro que os jornais impressos estão com os dias contadas; outras midias que se cuidem!
 
O jornal chega pela manhã trazendo as notícias, passa o dia sobre a mesa, algumas vezes pelo chão. Quando chega a noite, ou no máximo na manhã seguinte vai para a pilha de jornais velhos; fica velho de um dia para o outro.
 
E a crônica! Coitada, mal vive um dia, lida torna-se página virada, ultrapassada e velha, ninguém mais quer saber dela.
 
Ainda assim o cronista não desiste, como o romântico sonhador, quem sabe o vaivem dos dedos pelo teclado, no momento da composição do texto, o faça lembrar do balé da libélula e do macho.  Então, segue escrevendo, porque a crônica ainda que efêmera, vive.
P.T.Juvenal Santosptjsantos@bol.com.br
 
NOTA: o título do post é do Penacova Online

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