quinta-feira, 1 de maio de 2014

Órgão do Mosteiro de Lorvão: depois do restauro o Concerto Inaugural há tantos anos esperado



No próximo sábado, pelas 21 horas vai ter lugar um Concerto de Órgão no Mosteiro de Lorvão. Depois de muitos anos de inactividade, eis que chega o ansiado momento de se fazer ouvir este Órgão Monumental. 

Os organistas João Vaz (Portugal)e Harald Vogel ( Alemanha)
vão  estar em Lorvão
O Penacova Online publicou há meses algumas notas históricas e estéticas sobre o mesmo (veja AQUI ) baseadas em escritos do Prof. Nelson Correia Borges.O concerto inaugural está a ser notícia nacional. O site da RTP publicou o seguinte:

O órgão construído por pai e filhos no século XVIII, no Mosteiro do Lorvão, Penacova, que teve "vários períodos de abandono", recebeu uma intervenção que o organeiro acredita ter devolvido ao instrumento uma sonoridade idêntica à original.
Depois de algumas intervenções ao longo dos mais de 200 anos de vida, o instrumento, que "é o maior órgão histórico construído em Portugal", vai voltar a ser tocado no sábado, terminado um restauro que devolve ao órgão o seu som, mas também o número de tubos iniciais - quatro mil -, salientou Dinarte Machado, organeiro responsável pelo restauro.
O instrumento, instalado naquele mosteiro do distrito de Coimbra, começou a ser planeado e executado por Manuel Teixeira de Miranda, durante o século XVIII, com a colaboração do seu filho, o escultor Machado de Castro, que criou as esculturas "que ornamentam a caixa do órgão, que é única", contou Dinarte Machado.
Com a morte de Manuel Teixeira de Miranda, o órgão ficou inacabado, sendo que, 14 anos depois, o seu outro filho, Machado de Cerveira, daria continuidade ao projeto do pai, terminando a execução em 1795.
Machado de Cerveira realizou algumas alterações ao instrumento por "exigência da evolução da música da época", o que levou a uma ampliação do órgão, explanou.
O organeiro afirmou à agência Lusa que as alterações perpetradas por Machado de Cerveira levaram a que o órgão tivesse um "aspeto mais barroco" e que "fosse mais abrangente" em termos musicais, não perdendo qualidade "quando aumentou de tamanho, o que não é normal".
No século XIX, com uma maior aceitação da "sonoridade francesa" do que da "sonoridade barroca", foram tiradas muitas filas de tubos, nomeadamente as agudas", sendo que também em meados do século XX foram novamente retirados tubos, referiu Dinarte Machado, considerando que as intervenções "degradaram o instrumento".
"Há mais de um século que o instrumento não estava completo" e longe do "seu som original", tendo sido repostos cerca de dois mil tubos, frisou o organeiro.
Dinarte Machado começou o restauro do órgão há dois anos, quando este estava "todo desmontado".
O desafio era restaurar não apenas a componente estética, mas também a identidade sonora do instrumento, em que se procurava que o som fosse "idêntico" ao original, apesar de a harmonização do órgão ser sempre um trabalho "autoral", influenciado pela forma de ouvir de cada organeiro, aclarou.
Para além dos quatro mil tubos e da caixa desenhada por Machado de Castro, o órgão tem como especificidade a sua colocação a meio "do corpo arquitetónico" da igreja do mosteiro, o que faz com que "não tenha um refletor acústico".
"É um caso único em Portugal e não haverá muitos na Europa", referiu Dinarte Machado, explanando que uma das fachadas está virada para o coro, com um cadeiral de duas filas, e a outra fachada virada para "a igreja e para o povo".
O concerto inaugural do órgão histórico realiza-se no sábado, pelas 21:00, a cargo dos organistas João Vaz, de Portugal, e Harald Vogel, da Alemanha, que "foram consultores do trabalho de restauro", disse o organeiro.
O restauro teve um financiamento de 650 mil euros, a partir do programa regional de aplicação de fundos comunitários Mais Centro.

1 comentário:

  1. Depois de ter lido esta notícia, baseada em dados fornecidos por Dinarte Machado, segundo assim compreendi, não poderei deixar de fazer algumas observações, para minha melhor compreensão, e creio que para os leitores em geral.

    Sendo o historial escrito fundamentado ou copiado de pesquisas feitas, cujo teor não me desperta grande interesse para aqui ser discutido, o mesmo não direi no que se refere a determinados pareceres, que suponho sejam também da autoria de Dinarte Machado, relacionados com “os seus conhecimentos como Mestre Organeiro”.

    Sobre a sonoridade original ou alterada ao longo dos 200 e poucos anos da sua existência, creio que quererá referir-se apenas e somente, ao número de tubos e de registos, e não à qualidade ou carácter de som em si, o que estará dependente de diversos factores ainda por ele não mencionados. Será?

    Quando se refere ao, < “seu som original” e depois “procurar que o som fosse idêntico ao original”>, onde se pode fazer essa comparação? Penso que apenas se refere também ao volume sonoro em relação ao número de tubos/registos. Terá Dinarte Machado encontrado qualquer prova ou documentação técnica e não apenas teórica para se fundamentar?

    Seria deveras importante que disso desse conhecimento que justifique a conclusão a que terá chegado.

    Por outro lado e o mais importante ainda, refere-se aos consultores que nomeou, Harald Vogel (especialista em Órgãos Ibéricos?) e João Vaz, que segundo é do meu conhecimento, e até prova em contrário, são apenas Organistas com mais ou menos reputação no ensino, ou como instrumentistas, mas não certificados profissionalmente na prática da arte da Organaria.

    Apesar de várias insistências junto do Secretariado da Cultura, para que desse conhecimento sobre os Consultantes Certificados que têm assistido aos Restauros ou pseudo-restauros, feitos e a fazer, dos Órgãos Históricos em Portugal, continua até hoje sem resposta.

    Tudo por agora, e em favor dos Indefesos Órgãos de Tubos, Antigos ou Históricos em Portugal.

    Manuel da Costa
    Sydney, 5 de Maio de 2014

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