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26 julho, 2026

Polémica recente nas redes sociais: Que é feito dos projectos para a Casa de António José de Almeida?

Não fossem as contundentes críticas  e mesmo algumas insinuações à volta dos projectos que têm vindo a ser anunciados para a recuperação do edifício onde nasceu António José de Almeida, com vista à criação de um Museu ou Centro Interpretativo, não faríamos eco da publicação no Facebook da responsabilidade do Movimento "Avançar por Mondalva" e respectivos comentários. Se por um lado, revela que o assunto não está esquecido, por outro, traz ao de cima possíveis mal entendidos sobre o que já foi realizado e igualmente sobre o que foi sendo prometido, no calor das campanhas eleitorais ou não, bem como as opiniões (pró e contra) sobre o investimento dos dinheiros públicos na preservação do passado nacional. 

Podemos ler,  naquela página do Facebook (15 de Julho), entre outras afirmações, as seguintes:

"A poucos dias da comemoração dos 160 anos do nascimento do mais ilustre penacovense, continuamos sem avanços significativos no que respeita à criação de um museu, centro interpretativo, casa museu ou outra valência que honre o maior estadista nascido no nosso concelho. O reforço da nossa identidade constrói-se, acima de tudo, com a preservação da memória e com a devida homenagem àqueles que contribuíram para o desenvolvimento e engrandecimento da nossa história. Por essa razão, é com profunda indignação que condenamos a aparente inércia institucional em relação à criação do espaço de interesse histórico dedicado ao nosso conterrâneo António José de Almeida.(...)

Os comentários não se fizeram esperar. Do conjunto várias dezenas (até à data de hoje) transcrevemos apenas os mais significativos:

João Oliveira: A cultura representa a imagem de um povo. E nunca deve ser o parente pobre da sociedade. Distribuir o dinheiro público de forma equilibrada e equitativa valorizando o seu património deve ser uma prioridade.

João Azadinho: Em setembro de 2025 dizia-se: “eles falaram…nós fizemos!” 

Avançar Por Mondalva: João Azadinho, Obrigado por teres ido ao baú. É sempre bom relembrar. Abraço!

Vera Cordeiro: João Azadinho que péssimo hábito de ir coscuvilhar publicações e textos antigos!! 

Avançar Por Mondalva: Vera Cordeiro temos de ter cuidado com as promessas que fazemos em tempos de campanha.

(...)

Lpa Poeta: Boa tarde, pode até acontecer que eu esteja enganado…e, se assim for, peço desculpa! Mas, à época em que o PS estava à frente dos destinos do Concelho, misturou-se [o como e o porquê e o para quê é que não sei] o Democrata António José de Almeida, com o pouco democrata (para não dizer fascista) António Oliveira Salazar. Salvo erro - ou omissão ou palermice - essa mistura foi entregue a uma qualquer entidade ali de Coimbra, de quem decide por vias pouco perceptíveis, mais ligadas a “lojas”. E algumas pessoas que, agora, estão a levantar esta questão, sabem bem disso…Deixemo-nos de fazer  de parvos os Penacovenses! Espero que expliquem bem tudo o que se está a querer esconder…tão oportunistamente!

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, agradecemos o seu contributo, no entanto, é recomendável não nos desviarmos do objetivo da nossa publicação . Abraço!

Lpa Poeta: E qual é o objetivo?

Avançar Por Mondalva: Lpa Poeta, colocar esta prioridade (há muito identificada e sucessivamente adiada) na agenda política dos nossos "representantes". Essa é a verdadeira razão desta publicação. Abraço!

Lpa Poeta: Muito bem! E eu até acho que deve estar mesmo na AGENDA. De todos…Mas que se aproveite para “ir ao fundo da questão”, o que incomoda muita gente, garantidamente. Falo tranquilo; sem rancor nem idade para o ter; mas por gostar da nossa Terra! E por me meter uma enorme confusão que quem teve oportunidade de resolver, “chute pró lado”. Bom trabalho e desculpem o “desvio”.

Paulo Amaral: Até o Presidente da República Manuel de Arriaga tem uma casa bem preservada na Ilha do Pico... Penacova das festas (bem) e Penacova anti - cultural ( mal)... dou explicações se... e a quem for preciso...)

(...)

António Paulo Figueiredo: O projecto de um roteiro incluindo a Casa de Aristides Sousa Mendes, Afonso Costa e… (não lembro) como está actualmente? O prédio é municipal, documentação estará disponível pela família ...

(...)

Marília Alves: Avançar Por Mondalva,  agradeço também aos responsáveis por esta página, e pela pertinência do assunto. Um povo que não honra as suas origens, é um povo sem memória e sem história!

Marília Alves: António Paulo Figueiredo, a casa Aristides de Sousa Mendes foi recuperada e a Casa Museu foi inaugurada no dia 15 de julho de 2024. Um orgulho para todos nós portugueses e residentes na zona. As verbas vieram da UE para a autarquia de Carregal do Sal. O anterior executivo dessa edilidade demonstrou resistência, mas a força do povo que se juntou em torno dessa nobre causa pesou mais. A recuperação da casa de António José de Almeida, nosso conterrâneo, não deve ficar no esquecimento. Há que insistir junto do poder político. Um importante legado a deixar às gerações vindouras. Se se formar um movimento de cidadãos nesse sentido, eu estou disponível para colaborar.

(...)

Santos Costa: Lá vamos nós desembolsar mais uns trocos, para fazer umas obras que em nada nos acrescentam valor... E assim vamos continuando neste país do faz de conta, onde parece importar mais preservar o passado, que organizar o futuro.

Avançar Por Mondalva: Santos Costa, claro que acrescenta valor!?!? Compreendemos perfeitamente a sua perspetiva e a exigência de que o investimento público traga valor real para o dia a dia das comunidades. Acreditamos, no entanto, que preservar a nossa identidade e património não significa esquecer o amanhã. Antes pelo contrário, valorizar o nosso território e a nossa história é uma das formas de atrair dinamismo, turismo e investimento que beneficiem a economia local. Agradecemos o seu comentário e a partilha da sua opinião!

(...)

Santos Costa: Avançar Por Mondalva, são opiniões. Eu, sinceramente não acredito nesse ponto de vista, (pelo menos falando neste caso), mas se o país todo se virar a gastar para preservar o passado, que nada nos acrescenta, vai deixar dívida para pagar no futuro, e o dinheiro não cresce nas árvores, sai do esforço de quem trabalha, e muitas vezes não sobra para fazer obras na própria casa porque é preciso fazer obras nas casas de ex-presidentes, (ou figuras idênticas), que até depois de mortos nos dão despesa...

(...)

Conceição Sandão Oliveira: Santos Costa, nada tem a ver com os herdeiros, esse edifício foi comprado pelo Município, no mandato do Dr. Humberto Oliveira, e foi nesse mandato que o telhado foi todo restaurado, se nada fosse feito, provavelmente hoje estaria no chão.

Sergio Silveiro: Até que decidam o que fazer com aquele espaço irei mantendo limpo do lado de frente a minha casa. Já é um bom contributo.

António Paulo Figueiredo: Santos Costa, sem passado não há futuro! Um dos males actuais é terem sido esquecidos os passados.

Tiago Engenheiro:Tanto onde investir no concelho, mas realmente o que faz falta para o bem estar de todos era mesmo um museu.

Adegas Maria: O mal é o dinheiro ser pouco. Não chega para tudo.

Avançar Por Mondalva: Adegas Maria, sim, os recursos são escassos, mas esta é uma prioridade antiga e legítima. No entanto, esta intervenção responde a uma prioridade há muito identificada e sucessivamente adiada. Esperamos contribuir para colocar esta necessidade na agenda política dos nossos representantes.

Adegas Maria: Avançar Por Mondalva, concordo que já podia ter sido feito alguma coisa. Pouco a pouco já estaria em outro estado.

António Ribeiro Nito: Força alto concelho...

Avançar Por Mondalva: António Ribeiro Nito, tem de ser. Temos de assumir as nossas responsabilidades locais senão ficamos por aqui esquecidos.  Abraço!

Mauricio De Almeida: Excelente notícia! Conservar a história e a família e de melhor! Admirado que o interesse de muitos e pouco.

(...) 

Vasco Morais: Até me dava vontade de esclarecer alguns comentários mas não o vou fazer. Dá-me muito trabalho! Na verdade Penacova tem o que merece!

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[Consultado em 26/07/2026 18:40]

Veja aqui transcrição completa


21 julho, 2026

Dia do Município: dia de memória, dia de gratidão, dia de compromisso

Celebrámos no dia 17 de Julho o Dia do Município. Feriado Municipal em homenagem ao penacovense ilustre António José de Almeida (Vale da Vinha, 17 de Julho de 1866 – Lisboa, 31 de Outubro de 1929). A sessão solene iniciou-se com a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal de Penacova, Dr. Mauro Carpinteiro. No seu discurso, além de evocar o exemplo de cidadania daquele nosso distinto conterrâneo, questionou as exigências de ser cidadão, cidadão de Penacova, e apelou à reflexão sobre o que é “amar” um concelho, o que é “amar” esta nossa terra. Na parte final do seu discurso, formulou votos para que “este 17 de julho seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.” 

Dado que estamos, no nosso entender, perante um discurso que se afastou da habitual factualidade da política partidária e se centrou nos valores da cidadania activa, que a todos deve congregar, solicitámos ao Dr. Mauro Carpinteiro que nos facultasse o texto e nos autorizasse a publicar o mesmo, de modo a partilhar com os leitores do Penacova Online e de muitos outros penacovenses que não estiveram presentes nas cerimónias do Feriado Municipal. Aqui fica a transcrição, omitindo, naturalmente, a parte inicial das saudações protocolares. 

Crédito da imagem: Município de Penacova

“Celebramos hoje o Dia do Município de Penacova. Mas o Dia do nosso Município não pode ser apenas uma data especial no calendário. Não pode ser uma mera solenidade, um feriado diferente por ser só nosso. 

O Dia do Município é, antes de tudo, um dia de memória. Um dia de gratidão. E um dia de compromisso. Memória daqueles que nos antecederam. Gratidão por tudo quanto recebemos deles. Compromisso perante aquilo que temos a responsabilidade de preservar, melhorar e transmitir às gerações seguintes.

Celebramos o nosso Município no dia 17 de julho porque foi neste dia, no ano de 1866, que nasceu, em Vale da Vinha, na freguesia de São Pedro de Alva, António José de Almeida. De uma pequena povoação do nosso concelho partiu um homem que haveria de se tornar um médico de mérito, um tribuno brilhante, um dirigente político inspirador, um cidadão pleno e do mundo, um governante e Presidente da República Portuguesa com o nome inscrito a letras douradas na história de Portugal.

A distância entre Vale da Vinha e a Presidência da República não se mede por tudo o que separa uma pequena aldeia das beiras do mais alto cargo da nação. Mede-se em vontade e trabalho. Em visão com “o longe” como horizonte. Em inconformismo. Em querer o mundo. Em perseverança. Em convicção inabalável. Em elevado espírito de serviço público.

António José de Almeida viveu um dos períodos mais intensos, exigentes e instáveis da história política portuguesa. Num tempo marcado por grandes divisões, soube afirmar-se como homem de firmeza de convicções, mas também como homem de diálogo, procurando unir, aproximar e construir pontes.

Foi um extraordinário orador, mas não fez da palavra um ornamento. Fez da palavra um poderoso instrumento de intervenção cívica, para despertar consciências, apontar caminhos, defender aquilo que acreditava ser o melhor para Portugal.

Foi médico, mas não limitou o seu olhar à doença individual. Procurou compreender e tratar, com notável ativismo cívico, as fragilidades da sociedade do seu tempo.

Foi político, mas não concebeu a política como simples exercício de poder.

Entendeu-a como um compromisso com a mudança do destino coletivo dos portugueses, e com a democracia. Sim. Porque quando a Primeira República cedeu nos valores e princípios democráticos, António José de Almeida foi uma voz firme e audível na defesa intransigente da democracia.

É esse superior exemplo de cidadania que hoje evocamos. Não apenas o cidadão que ocupou os mais altos cargos do Estado, mas o homem que acreditou que ninguém deve permanecer indiferente ao tempo e aos desafios da comunidade em que vive. O cidadão não é um espetador. Não é alguém que se limita a observar, a comentar ou a esperar que outros resolvam. O cidadão participa. Intervém. Cuida. Luta por aquilo em que acredita. Assume responsabilidades. E serve.

A melhor forma de homenagearmos António José de Almeida não é deixá-lo imobilizado numa estátua, encerrado nos livros de história ou reduzido ao nome de praças ou ruas (e são tantas… em praticamente todas as cidades do país…). A melhor forma de o homenagearmos é trazermos o seu exemplo para o presente. É perguntarmos o que exige de nós, hoje, a cidadania. O que significa, no nosso tempo, servir a comunidade? O que significa cuidar da terra onde vivemos? O que significa amar Penacova?

José Tolentino Mendonça, poeta e pensador de que tanto gosto e que verdadeiramente me inspira, colocou-nos, no título de uma das suas obras, uma pergunta tão simples quanto exigente: «O que é amar um país?» Nessa obra interpela-nos com perguntas, cuja profundidade merecem reflexão que não cabe no tempo desta nossa sessão solene.

Mas hoje, aqui, podemos e devemos trazer essa pergunta até à nossa realidade local: O que é amar um concelho? O que é amar Penacova?

Amar uma terra não é apenas recordar aquilo que ela foi ou contemplar o que ela é. Não é dizer, por hábito ou por orgulho, que a nossa terra é a mais bonita de todas. Não é exibi-la como o sítio onde há isto ou há aquilo ... Não é proclamar um sentimento sem consequências.

O amor por uma terra não pode ser apenas uma declaração. Tem de ser uma prática. 

Amar uma terra é conhecê-la. É escutá-la. É compreender as suas fragilidades e reconhecer as suas potencialidades. É cuidar daquilo que nos foi deixado e confiado pela natureza e pelos nossos antepassados. É não desistir das pessoas. De todas e cada uma das pessoas que partilham connosco este espaço humano. 

É trabalhar para que aqueles que cá vivem possam viver melhor, para que os que partiram sintam vontade de regressar e para que outros possam escolher Penacova como a sua casa.

Penacova não é uma abstração. Penacova é uma terra moldada pelas águas, pelas serras e pelo trabalho das suas gentes. É uma identidade profundamente tocada pelos caprichos da natureza, que neste território é tão marcadamente dura quanto bela; e pelas gentes que venceram essa dureza e souberam integrar essa beleza.

A nossa identidade tem a marca do Mondego e do Alva. Das suas águas, das suas margens e das suas ínsuas.Tem a marca dos valeiros onde as ribeiras moviam as rodas e rodízios das azenhas, alimentavam as levadas e regavam as “novidades” da terra, verde e fresco alimento das nossas gentes. O Mondego foi sustento. Foi caminho. Foi ligação ao mundo. Nas suas águas avançavam as barcas serranas, conduzidas por homens que domavam o rio, as correntes, as pedras e os perigos. Transportavam lenha e carqueja. Transportavam mercadorias. Transportavam a roupa que as lavadeiras recolhiam, lavavam nas águas e faziam regressar, limpa, às casas das senhoras de Coimbra. Traziam e levavam o pulsar árduo da vida.

O rio não era apenas paisagem. Era estrada. Era trabalho. Era alimento. Era vida.


A nossa identidade vem dos sarreiros, que deixavam as suas aldeias e calcorreavam terras distantes, em cada região vinícola de Portugal, entrando nas adegas e nos tonéis para extrair o sarro. Homens de trabalho duro, habituados à distância, ao esforço e à ausência. Partiam porque era necessário. Regressavam porque aqui estava a sua casa. Levavam consigo a força da resistência a estas serranias e traziam de volta o sustento das suas famílias.

Vem das lavadeiras. Mulheres de uma força tantas vezes silenciosa. Mulheres que enfrentavam o frio das águas, o peso da roupa e a dureza dos dias. Mulheres que, com as mãos mergulhadas no rio, coloriam as margens do rio e a vida. 

Vem das nossas singulares paliteiras. Herdeiras do saber delicado das monjas cistercienses de Lorvão, mulheres de mãos pacientes e habilidosas, que transformavam pequenos pedaços de madeira em delicadas obras de minúcia, enquanto criavam filhos e netos no aconchego das raspas. Um trabalho aparentemente simples, mas feito de persistência e de arte.

O que somos também vem de moleiros, que subiam as serras em busca do vento e desciam aos valeiros para aproveitar a força das águas. As velas dos moinhos a procurar o sopro certo. Os rodízios e rodas de azenha tocadas à força de águas que os nossos antepassados tão bem souberam conduzir por represas e levadas. Moía-se o milho. Moía-se o centeio. Fazia-se a farinha. Para a micha quente, a sair do forno, repartida pela família, com aquele cheiro e sabor que parece que trazemos agarrado à alma, e nos persegue como apelo de saber e respeito pela labuta do moleiro e pelas mãos doces que amassam e benzem o pão.

Penacova é o nosso chão. Das hortas. Dos socalcos. Dos rendilhados de montes. De vales caprichosamente encaixados. Dos miradouros e panoramas imensos. Do toque dos sinos das capelas. Da lampreia, da chanfana, dos míscaros, da doçaria do Mosteiro de Lorvão. Das vozes que se ouviam de um lado ao outro das povoações.

Não vos falo, com isto, de uma gravura retrospetiva da nossa terra. Falo-vos do que nos diz quem somos. Somos o que recebemos de homens e mulheres cujos nomes talvez já não conheçamos, mas cuja vida permanece nas nossas paisagens, nas nossas tradições, nas nossas instituições e na forma como habitamos esta terra. Foram eles que abriram caminhos. Que levantaram casas. Que cultivaram os campos. Que construíram capelas e igrejas, escolas, sedes de associações e caminhos. Que criaram filarmónicas, ranchos, irmandades, comissões de melhoramentos e de festas, clubes e associações. Foram eles que transformaram um território numa comunidade.

Por isso, quando falamos de Penacova, não falamos apenas de uma geografia. Falamos de uma herança humana. Falamos de um modo de estar. Falamos de uma comunidade que, geração após geração, soube ultrapassar dificuldades e procurar novas possibilidades.

Essa história continua a ser escrita no presente. Continua a ser escrita por todos os penacovenses que aqui vivem, trabalham, estudam, investem e cuidam das suas famílias. Por aqueles que permanecem ligados à agricultura, à floresta, ao comércio, à indústria, ao turismo e aos serviços. Pelos professores que formam as novas gerações. Pelos profissionais de saúde, que nos cuidam. Pelos bombeiros e agentes de proteção civil que nos protegem. Pelos trabalhadores das instituições sociais que acompanham os mais frágeis. Pelos empresários que assumem riscos e criam emprego. Pelos dirigentes associativos que oferecem gratuitamente o seu tempo, para manter vivas as nossas associações e dinamizarem as nossas aldeias. Pelos músicos, artistas, artesãos e agentes culturais que mantêm viva a alma das nossas comunidades. Pelos jovens que estudam, criam e ousam imaginar um futuro fora dos lugares comuns.

Continua também a ser escrita pelos que nasceram nesta terra e hoje se distinguem além das fronteiras do nosso concelho. Em várias partes do mundo e em várias áreas. Na comunicação social, na ciência, na cultura, como altos quadros de empresas, no desporto, e nas mais diversas áreas da vida pública. Tantos e tantos, uns mais conhecidos outros mais discretos, que levam o nome de Penacova pelo país e pelo mundo. (Seria justo referir cada um, o que só por receio de omissões graves não faço.)

Seja qual for o percurso e a circunstância das nossas vidas, viajam pedaços de Penacova com cada um de nós. Na singular forma de falar de cada uma das nossas aldeias (temos esta particularidade digna de estudo: aldeias a escassos dois, três quilómetros, têm formas de falar completamente diferentes… cerradas… que nós rapidamente associamos à origem de cada um…) Na recordação dos banhos no Mondego e no Alva. No cheiro do pão acabado de cozer. Nas procissões e bailaricos das festas das nossas aldeias… 

Mas o amor a Penacova não pertence apenas a quem aqui nasceu. Pertence também a quem aqui escolheu viver. A quem aqui criou família. A quem aqui trabalha. A quem chegou e passou a cuidar desta terra como sua.

Uma comunidade não pode fechar-se sobre a sua memória. Tem de ser capaz de acolher novas pessoas, novas vivências e novas ideias. A identidade não é uma muralha. É uma casa. Uma casa com raízes profundas, mas com a porta aberta.

Amar Penacova é, por isso, cuidar da nossa terra com o esmero e atenção com que cuidamos o que faz parte de nós mesmos. É ajudar a preservar as florestas e prevenir os incêndios. É conservar o património, não apenas como recordação do passado, mas como recurso vivo para o futuro.

Os rios e ribeiras não podem ser apenas cenário. Os moinhos não podem ser futuras ruínas. As aldeias não podem ser apenas nomes num mapa. As nossas tradições não podem ser apenas fotografias antigas.

Amar Penacova é apoiar o comércio e a produção locais. É participar nas associações. É valorizar as nossas escolas. É acompanhar os mais velhos e escutar a sua memória. É receber bem quem nos visita. É respeitar o espaço público. É cuidar da rua, da aldeia e da freguesia como extensão da nossa própria casa.

Amar Penacova é participar. É estar presente quando é necessário. É apresentar propostas onde elas podem e devem ser apresentadas. É colaborar. É votar.

É exigir aos responsáveis públicos, mas é também perguntar o que cada um de nós pode fazer. Nenhuma comunidade se transforma apenas pela ação dos seus órgãos políticos. 

Muito tem sido feito pelo nosso concelho nos últimos anos, ao nível de infraestruturas, na educação, cultura… . Vivemos hoje um período de investimento sem paralelo na nossa história: novo hotel Vila Galé, forte investimento na melhoria do parque escolar, nos centros de saúde, nas acessibilidades, nas infraestruturas turísticas…Somos hoje um concelho que atrai e é notado. Mas nenhum presidente, nenhum executivo, nenhuma assembleia e nenhuma instituição, por melhores que sejam e por mais que façam, substituem a responsabilidade dos cidadãos, de cada um dos que aqui habita. Uma terra será sempre aquilo que os seus habitantes estiverem dispostos a fazer por ela.

É certo que nós, eleitos locais, temos uma responsabilidade acrescida, que, este ano, em que comemoramos 50 anos de poder local democrático, tem de ser sublinhada e mencionada de forma especial. No caso da Assembleia Municipal, que aqui represento, é a casa dos cidadãos e a representação da pluralidade do nosso concelho. É o lugar onde se encontram e debatem diferentes sensibilidades, diferentes projetos e diferentes visões sobre o futuro do nosso concelho. É a representação de todos, por excelência. Temos o desafio de dignificar e valorizar o papel deste órgão deliberativo municipal. De o elevar e fazer reconhecer pelos cidadãos. 

Agora, aos 50 anos de poder local democrático, e aqui, vale a pena sublinhar o que é essencial para que este valioso legado do 25 de abril de 74 se preserve: Ser eleito local é fiscalizar sem destruir, governar sem arrogância, fazer oposição sem ressentimento, defender convicções sem humilhar quem pensa de forma diferente. É procurar a convergência sem abdicar da identidade de cada um. A democracia precisa do desacordo. Mas não precisa da hostilidade. Precisa de debate. Mas de debate digno, elevado, informado e construtivo.

O amor a uma terra não se demonstra eliminando as diferenças. Demonstra-se impedindo que as diferenças nos façam esquecer aquilo que temos em comum. E aquilo que temos em comum é maior do que tudo quanto nos separa. Temos em comum esta nossa terra e o permanente desafio do seu desenvolvimento. E temos em comum a responsabilidade pelo seu futuro de Penacova.

As homenagens que vamos prestar nesta sessão - a empresas, a funcionários municipais e a dois antigos Presidentes da Câmara, independentemente da razão de ser e do valor de cada reconhecimento, que é muito, visam precisamente assinalar bons exemplos no cumprimento do que nos une, que é querer e fazer o melhor pela nossa terra.

Ao homenagear as empresas estamos a reconhecer o mérito e a incentivar  homens e mulheres que todos os dias lutam e trabalham para gerar emprego e riqueza no nosso concelho. Ao reconhecer a longevidade do vínculo dos funcionários municipais, estamos a valorizar a dedicação e lealdade ao serviço público autárquico. Ao homenagear dois antigos Presidente da Câmara Municipal – Maurício Marques e Humberto Oliveira - celebramos duas vidas ao serviço da causa pública e o papel preponderante do poder local para o desenvolvimento do nosso concelho, simbolicamente neste ano em que comemoramos os 50 anos do poder local democrático.

Uma homenagem pública é, acima de tudo, uma forma de gratidão. É a comunidade a dizer: Reconhecemos o vosso esforço. Agradecemos o vosso contributo. E desejamos que o vosso exemplo inspire outros.

António José de Almeida mostrou-nos que de Vale da Vinha se podia chegar à mais alta magistratura da Nação. Os sarreiros mostraram-nos que era possível percorrer terras distantes sem perder a ligação à terra de origem. Os barqueiros ensinaram-nos a enfrentar as correntes. As paliteiras ensinaram-nos a atenção e a delicadeza. Os moleiros ensinaram-nos a procurar na força da natureza a energia para a vida. Somos o resultado do que recebemos e nos moldou enquanto comunidade. Mas cada geração recebeu a nossa terra com muito para fazer. Muito por cumprir.

Nós, que aqui estamos, não somos diferentes. Penacova continua a ser uma obra inacabada. Uma obra que não pertence a um presidente, a um executivo, a uma assembleia, a um partido ou a uma geração. Pertence a todos.

Não basta dizer que somos de Penacova. É preciso que nos reconheçam autenticamente daqui na forma como demonstramos dedicação ao que é de todos. Na forma como trabalhamos nas nossas coletividades. Na forma como cuidamos uns dos outros. Na forma como tratamos do nosso património cultural e natural. Na forma como participamos e exercemos a cidadania. Na forma como nos soubermos unir em torno do objetivo maior, que é tornar o nosso concelho sempre melhor.

Amar Penacova é isto.

E é entregar este nosso Concelho aos que vierem depois de nós mais valorizado, mais desenvolvido, mais bonito, mais vivo, mais notado e atrativo.

Que este 17 de julho não seja apenas a celebração do nascimento de um grande penacovense e mais um feriado municipal. Que seja, em cada ano, o renascimento do nosso compromisso de cidadania.

Que o exemplo de António José de Almeida nos recorde que nenhuma origem é demasiado pequena para uma grande ambição de serviço.

Que a memória dos nossos antepassados nos recorde que nenhuma dificuldade é maior do que a vontade de ir mais além.

E que o amor por Penacova se revele, não apenas nas palavras que hoje pronunciamos, mas nas atitudes e nas ações que praticamos todos os dias. Viva Penacova! Viva Portugal!

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Para memória futura: registos sobre as comemorações do dia do Município 2026


PENACOVA CELEBROU DIA DO MUNICÍPIO 

As comemorações do 17 de julho, data do nascimento do antigo Presidente da República, António José de Almeida, decorreram em vários momentos. As cerimónias foram presididas por Rui Armindo Freitas, Secretário de Estado Adjunto da Presidência.
No Largo Alberto Leitão, o Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra e o Presidente da Assembleia Municipal, Mauro Carpinteiro colocaram uma coroa de flores no busto do antigo chefe de estado. A cerimónia contou com a participação das três bandas filarmónicas: Boa Vontade Lorvanense, Casa do Povo de Penacova e Casa do Povo de São Pedro de Alva. 
A sessão solene do Dia do Município ficou marcada pela homenagem a dois ex-presidentes de câmara. Por proposta do atual executivo liderado por Álvaro Coimbra e no âmbito dos cinquenta anos do poder local democrático, Maurício Marques e Humberto Oliveira receberam a Medalha de Honra do Município. As condecorações honoríficas foram entregues pelo Secretário de Estado Adjunto da Presidência, Rui Armindo Freitas e pelo atual presidente da câmara. Na mesma cerimónia foram agraciadas as empresas PME Excelência, Lider e Gazela e os funcionários do município com 25 e 35 anos de serviço. A sessão solene contou também com a presença de Helena Teodósio, presidente da Região Metropolitana de Coimbra.

In Página oficial do Município no Facebook

PROGRAMA

16 JULHO
19h00 Abertura das Festas do Município - Largo Alberto Leitão
22h30 Concerto Vizinhos - Largo Alberto Leitão

17 JULHO
10h00 Cerimónia do Hastear das Bandeiras - Largo Alberto Leitão
10h30 Sessão Solene do Dia do Município - Auditório Municipal
14h00 Apresentação de novos autocarros e bicicletas partilhadas - Biblioteca Municipal
14h30 Inauguração da requalificação da estrada S. Mamede - Paradela (EM 1277)
18h00 Apresentação do livro "Da minha janela ... Acontece (poesia e pensamento)" 
de autoria de Luis Pais Amante - Auditório Municipal
22h30 Concerto Rui Veloso - Largo Alberto Leitão

18 JULHO
15h00 Cerimónia de Entrega do Prémio de Pintura Martins da Costa 2026 - Biblioteca Municipal
 18h30 Free Trail - "10 anos Penacova Trail do Centro"- Largo Alberto Leitão
22h30 Concerto Orquestra Municipal - Largo Alberto Leitão
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PENACOVA CELEBROU DIA DO MUNICÍPIO 
COM “LEGÍTIMAS” QUEIXAS CONTRA O GOVERNO

Falta de profissionais nas unidades de saúde, a demora nos apoios para fazer face às intempéries e a necessidade de garantir financiamento para concluir as obras da escola preocupam Álvaro Coimbra
O presidente da Câmara Municipal de Penacova lamentou, ontem, que «o prometido apoio do Governo para fazer face às intempéries» se tenha resumido, «até agora, a pouco mais de um milhão de euros», ou seja, «meio milhão de adiantamento e o restante através de um protocolo assinado com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] para reparações urgentes nos cursos de água e zonas ribeirinhas».

«Penacova foi dos municípios mais afetados, sobretudo na rede viária e equipamentos e, passados alguns meses, continuamos a sofrer na pele os efeitos do chamado “comboio de tempestades”», alertou Álvaro Coimbra, na sessão solene do Dia do Município.

Segundo o autarca, «os danos do último inverno e a falta de respostas céleres para os resolver» estão no topo das preocupações e o encerramento das estradas nacionais 2 e 110 é apenas um dos exemplos. «Está a provocar constrangimentos à economia local, à vida das pessoas, ao turismo, aos transportes públicos, ao próprio socorro às populações. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para que sejam encontradas soluções mais expeditas», frisou.

Aliás, como referiu esta semana, em entrevista ao Diário de Coimbra, relativamente à Estrada Nacional 2, até foi apresentada uma proposta em que o município assumiria «responsabilidades para reabrir a estrada, ainda que provisoriamente, durante o verão, suportados num relatório técnico de especialistas credíveis».

«Outro dos assuntos que nos deixa, por estes dias, apreensivos é a saúde e os cuidados prestados à população», continuou Álvaro Coimbra, alertando para a necessidade de médicos, enfermeiros e assistentes técnicos. «Dizer que a nossa região está agora coberta a 100% por médicos de família é um ótimo titulo de jornal, mas no terreno a realidade não é bem assim. O polo de saúde de Lorvão, por exemplo, está atualmente encerrado», lamentou.

A acrescer a estas preocupações surgem «as metas do PRR [Plano de Recuperação e Resiliciência], com Álvaro Coimbra a reforçar a ideia de que o Governo deve «encontrar uma solução expedita para finalizar as obras» da sede do Agrupamento de Escolas de Penacova (com financiamento de 7 milhões de euros do PRR) e de «outras tantas que não vão estar concluídas até 31 de agosto».

«Acredito que prevalecerá o bom senso e tenho conhecimento de que está a ser estudada uma solução. No entanto, essa solução deve cumprir o que foi determinado no acordo inicial entre Governo e ANMP: garantia de financiamento a 100%», referiu.

Rui Armindo Freitas, secretário de Estado Adjunto da Presidência, garantiu que fará chegar as preocupações do autarca «a quem direito», «na certeza de que são legítimas e com certeza encontrarão boa resposta». |

“O amor por uma terra não pode ser apenas  uma declaração” «A melhor forma de homenagearmos» António José de Almeida «é trazermos o seu exemplo para o futuro», adiantou o presidente da Assembleia Municipal, realçando que «o amor por uma terra não pode ser apenas uma declaração», mas uma prática. «É compreender as suas fragilidades e reconhecer as suas potencialidades», continuou Mauro Carpinteiro, certo de que «nenhuma origem é demasiado pequena para uma grande ambição de serviço». «Que este 17 de julho não seja apenas a celebração do nascimento de um grande penacovense e mais um feriado», desejou, com a certeza de que o futuro de Penacova é responsabilidade de todos.
 

17 julho, 2026

António José de Almeida e o Feriado Municipal: uma escolha (pouco) consensual


A deliberação, em 1977, no sentido de estabelecer o dia 17 de Julho como Feriado Municipal, sempre foi de algum modo contestada, apesar da aprovação por unanimidade na Assembleia Municipal. 

Antes do 25 de Abril, o dia 24 de Junho chegou a ser o feriado concelhio. Desconhecemos quando tal se verificou, mas uma notícia / aviso, publicada no Notícias de Penacova de 18 de Junho de 1932, refere textualmente: “Por ser o dia de feriado municipal estarão fechadas, no dia de S. João, as repartições públicas desta vila.”

A instituição do feriado a 17 de Julho, dia do nascimento de António José de Almeida, levou o Notícias de Penacova de 8 Julho 1977 a entrevistar o Presidente da Câmara, Dr. Artur Coimbra. Na mesma altura, também uma crónica do NP, assinada por JOCAR, enaltece os motivos da escolha. O autor formula votos para que a data se mantenha por muito tempo… Bastaram apenas quatro anos para o assunto voltar a ser discutido e ser mesmo colocada a hipótese de alterar a data para 8 de Setembro. Desconhecemos o desfecho dessa tentativa, mas tudo indica que a ideia não vingou, ao ponto de dia 17 de Julho se manter até hoje como feriado municipal de Penacova, homenageando António José de Almeida, nascido há precisamente 160 anos.

Transcrevemos de seguida: 

1 -  entrevista, em 1977, ao Dr. Artur Coimbra, que explica os motivos da escolha; 2 - crónica assinada por “Jocar” apoiando a deliberação;  3 -artigo sobre as movimentações em 1981 no sentido de alterar a data e o nome 


ENTREVISTA A ARTUR COIMBRA EM 1977


Em sessão realizada em 28-5-77, ficou deliberado que o feriado Municipal fosse o dia do aniversário de nascimento do Dr. António José de Almeida. N. P. entendeu ouvir a pessoa mais indicada para explicar as razões que levou a C. M. a que o dia 17 de Julho fosse o Feriado Municipal. Assim, N. P. trocou impressões com a mais alta individualidade municipal, Dr. Artur Manuel Sales Guedes Coimbra, presidente da Câmara, que amavelmente se dispôs a responder às perguntas que lhe dirigimos. Agradecendo a disponibilidade com que fomos recebidos, aqui deixamos à consideração dos prezados leitores as suas palavras.

N. P. - Sr. Presidente, pode-nos dizer quais as vantagens da existência dum feriado municipal?

Dr. Artur - O feriado municipal está revisto na lei que atribui a todos os concelhos o direito a terem o feriado municipal e convida mesmo os municípios a fazê-lo. As vantagens para mim é restaurar uma velha tradição que já existia ao tempo da monarquia e tem o seu auge durante a 1.ª República. Vantagens existem de facto em alguns concelhos onde existem dias festivos que a população em geral guardava mas que não havia condições legais para serem extensivos aos funcionários, comércio e indústria. Esta determinação visa sobretudo criar condições de igualdade para todos os trabalhadores nesses dias que os municípios entendam ser positiva.

N. P. - Que razões levaram à escolha do dia 17 de Julho para o feriado? Houve a preocupação de auscultar o Povo do concelho?

Dr. Artur - As razões que levaram a C. M. a propor o dia 17 de Julho, foram frutos de uma análise de todas as restantes datas possíveis. Dessas análises terem parecido indicar esta data como a mais capaz, não só de reunir um concelto geral como também mais capaz de realçar um importante factor histórico da luta em Portugal pela República e pela Democracia. Foram consideradas outras datas como o dia de São João, o dia de Nossa Senhora do Monte Alto, mas que foram postas de parte por determinadas circunstâncias de que essas datas são dias Santos para a Igreja Católica e que sendo um feriado uma data histórica ou política, entende-se não fazer coincidir dois poderes. Encarou-se ainda a data de atribuição do farol por D. Sancho ao concelho de Penacova, mas foi impossível conseguir descobrir a data em que se processou o acontecimento. Estudou-se também a data como historicamente a parte decisiva da batalha do Buçaco, parte da qual se desenrolou no nosso concelho, mas da batalha é atribuída exactamente ao Buçaco, julgou-se que assim diria muito mais respeito ao concelho da Mealhada que ao nosso próprio concelho. Chegou-se, assim, à data 17 de Julho que representa o aniversário de nascimento de António José de Almeida, que foi o mais ilustre Penacovense no processo politico que desde a monarquia tem procurado instaurar e consolidar a República e a Democracia em Portugal. Orador brilhante e político esclarecido, foi um homem ouvido e respeitado àquem e além fronteiras, admirado e considerado por todas as correntes de opiniões que tinham e têm por base a instauração de um regime republicano e democrático. A sua eleição para Presidente da República foi o voto de admiração e confiança que então lhe deu o Povo Português. A proposta da C. M. para que o dia 17 de Julho fosse data do feriado municipal, visa ser uma homenagem do Povo deste concelho, sem dúvida, democrático e republicano à mais alta figura de sempre. Visa ainda um chamar de atenção a todos os Penacovenses para essa época histórica reavivando o nome do Dr. António José de Almeida no espírito de cada um de nós e no conhecimento de todos aqueles a quem não foram dadas possibilidades de pelo menos terem estudado um pouco de História de Portugal. De facto, a C. M. não o quis decidir sem ouvir o Povo do concelho e por isso, ouviu-o através do seu órgão Municipal mais representativo, como é uso em Democracia, a Assembleia Municipal. Para minha própria satisfação e desta Câmara a que tenho a honra de presidir, a Assembleia Municipal, onde estão representadas todas as correntes políticas mais significativas deste concelho, aprovou por unanimidade, o dia 17 de Julho.

N. P. - Qual o programa para a celebração do primeiro aniversário?

Dr. Artur - Desde já, a C. M. não pode adiantar o programa da celebração do 1.° aniversário, pois que ainda se encontra em fase de estudo e diligência. Entretanto enquanto todos nós não tomamos conhecimento deste feriado Municipal e nos vamos habituando a ele, acontece que quis o caso que este ano coincidisse com um Domingo, o que facilitará também a sua celebração.

 NP 8 Julho 1977


Vai o Concelho de Penacova, dentro de breves dias, mais propriamente no dia 17 de Julho, comemorar o seu primeiro feriado municipal.

Feriado muito controverso, pois há muitos anos existia já um feriado municipal - o 24 de Junho – mas que a poeira do tempo apagou não se vislumbrando hoje como, quando e quem decretou esse dia feriado, quando, como e quem terminou com ele. Isso são factos a analisar por quem sobre tal matéria for entendido.

O facto real é que a Assembleia Municipal, como das suas primeiras deliberações no exercício do seu poder local, decretou o 17 de Julho como feriado! E como a Assembleia Municipal foi eleita pelo povo e representa o povo, há que aceitar esta deliberação e o principal é que exista o dia do concelho.

Neste ano aparece-nos este dia num Domingo, para arrelia dos funcionários e trabalhadores da função pública, mas com inteiro regozijo da entidade patronal e do lavrador que assim não vê um dia perdido no trabalho.

Não sabemos ainda qual seja o programa comemorativo para este dia mas certamente pela falta de tempo, porque a sua criação foi muito recente, não haverá tempo para grandes festejos pelo que se presume que certamente ligeira cerimónia assinalará este dia, para no próximo ano algo se fazer de maior interesse até turístico.

E desta feita acabam as confusões do feriado pois sabemos que ainda recentemente uma grande empresa a trabalhar neste concelho pretendeu dar o dia 24 de Junho como feriado.

Controverso ou não, com festa ou sem festa, a verdade é só uma: o dia17 de Julho é feriado no concelho de Penacova. Mais uma homenagem é feita ao grande português que foi António Jose de Almeida. Esperamos que este feriado ficará para sempre e que outros ventos não venham num futuro longínquo ou breve, alterar novamente esta data.

 JOCAR / NP 1977


A mudança da data do feriado municipal de Penacova do dia 17 de Julho, em honra do insigne republicano Dr. António José de Almeida, para o dia 8 de Setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, é facto aceleradamente aceite pela maioria do povo deste concelho que, quer queiram ou não certos políticos, ainda tem fé para saber escolher Deus como salvador rejeitando os falsos profetas dos nossos dias, cujas obras são palavras, verborreia hipócrita que a realidade desmente.

Não se trata de desprezar o valor de um homem cuja vida e obra a história já glorificou, mas pretende-se atender aos sentimentos religiosos de um Povo que também sabe o que quer. Respeitar estes sentimentos é respeitar o próprio Povo.

E é assim que o assunto vai ser submetido à apreciação das Assembleias de Freguesia do Concelho que, até 31 de Dezembro de 1981, deverão comunicar à Câmara Municipal as suas deliberações conforme proposta dos vereadores do PSD, na sessão da Câmara de 21-10-1981.

Na verdade, o feriado do dia 17 de Julho só serve para os funcionários públicos, comércio e indústria porque as pessoas que vivem da agricultura, e são-no na maioria, neste concelho, não são beneficiados porque não têm qualquer interesse profundo em guardar um dia que, para eles, não tem verdadeiro significado político nem social.

O diploma legal que regulamenta o estabelecimento dos feriados municipais tem pouco que ver com os sentimentos profundos do Povo Português. Foi a demagogia, a febre materialista enfiar carapuças a quem as recusa usar. O povo isto, o povo aquilo. Tretas... tretas!

E. S.  |  Nova Esperança, nº23 Nov. 1981

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SOBRE ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA, ver https://penacovaonline2.blogspot.com/search?q=ant%C3%B3nio+jos%C3%A9




29 maio, 2026

Notas para a história dos Bombeiros: a sessão solene inaugural de finais de 1929

Monumento inaugurado na rotunda em frente ao quartel em 2025

Foi no  dia 24 de Fevereiro de 1930 que foi celebrada a escritura pública da constituição da  Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova, tendo como sócios fundadores António Esteves Amaral Viseu, Gualter Pereira Viseu, Alípio Carvalho, Alípio da Costa Miguel, Álvaro Alberto Santos, Álvaro Martins Coimbra, António Casimíro Guedes Pessoa, António da Costa, António Joaquim Pinto, Augusto Luís, Evaristo Joaquim Pinto, Joaquim Correia Almeida Leitão, Joaquim Luís, José Alberto de Almeida, José Augusto Pimentel.

Apesar de só em 1930 ser formalmente constituída, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova já tinha começado a germinar alguns anos antes, tendo como principal mentor António Casimiro Guedes Pessoa. Na memória dos penacovenses estava a tragédia de Sernelha que vitimara 7 crianças e um mais recente fogo na residência do padre António Pinto, pároco de Penacova.  

Escreveu António Casimiro em 1928, num artigo no "Jornal de Penacova": 

“[...] A organização de uma Corporação de Bombeiros já de há muito se vinha impondo como necessidade máxima e urgente [...] Tomei a iniciativa de por mãos à obra e logo de princípio tive a felicidade estimulante de encontrar decidido auxílio e franco apoio dos Srs. Drs.  Daniel da Silva e José Albino Ferreira, ou seja, das Câmaras de suas presidências [...] Recrutei, satisfeito, um punhado de rapazes valentes e creio ter organizado um grupo que não recuará em frente do perigo. Dezoito penacovenses de verdade, firmes e dedicados até ao sacrifício. Já temos 12 capacetes; 6 cintos completos com espias, mosquetões e machadas; um depósito de zinco para 2000 litros de água e 6 baldes e 6 cântaros também de zinco. Vão agora ser construídas as escadas indispensáveis e adquiridos os machados de bico, e, pouco a pouco, havemos de chegar ao fim cantando vitória[...] 

Pouco referida na história dos Bombeiros, recorde-se que a “inauguração festiva” da Corporação antecedeu alguns meses a formalização notarial. Há notícia de uma sessão solene que teve lugar nos Paços do Concelho no Outono de 1929. Nota que de seguida se transcreve do jornal “A Voz de São Pedro de Alva”:  

Bombeiros Voluntários 

No dia 23 p. p. [ Agosto] festejou Penacova, com grande aparato, a inauguração festiva da sua benemérita corporação de bombeiros voluntários, que é composta de um comandante, dezassete bombeiros efectivos e dezassete auxiliares.

Pelas 12 horas, realizou-se na sala do Tribunal Judicial, no edifício da Câmara Municipal deste concelho, uma sessão solene que decorreu brilhantemente e teve uma assistência muito distinta e numerosa. Presidiu o Snr. José de Gouveia Leitão, presidente da Comissão Administrativa da Câmara e Administrador do Concelho, ocupando os lugares de honra a Ex.ma Sra. D. Sara Sales Guedes e o Sr. António Casimiro Guedes Pessoa, comandante dos Bombeiros Voluntários de Penacova. 

A cerimónia constituiu uma imponente consagração pública da benemérita corporação dos Bombeiros Voluntários, cujos fins altruístas e humanitários foram devidamente exaltados através de improvisados discursos feitos pelos Srs. José Leitão, Padre Pinto, Dr. Sales Guedes, Dr. Luiz Sereno, Dr. Alberto de Castro Pita e António Casimiro, todos salientando o nobre e humanitário sacrifício dos Bombeiros, exemplo de perfeito heroísmo e de pura abnegação. 

O Sr. António Casimiro Guedes Pessoa, em documento público firmado com a as assinaturas de sua Ex.ma esposa D. Izaura Pessoa, entregou à Câmara Municipal a dependência da sua casa de habitação, onde fez instalar o quartel dos Bombeiros Voluntários.

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P.S: Em Março de 1930 o jornal "A Voz de S. Pedro de Alva" publicou a seguinte notícia: 

"Bombeiros Voluntários de Penacova - Esta benemérita e altruísta instituição, que um grupo gentil de penacovenses levou a efeito, com o fim que esta, e todas as suas congéneres têm em vista praticar o bem e defender a vida e os haveres do seu semelhante - procedeu no dia 16 de Março findo, à eleição dos seus corpos gerentes e administrativos, tendo sido eleitos os seguintes senhores e dístintas senhoras: 

Dr. Sales Guedes, muito digno facultativo naquela vila, que ficou com a Presidência; D. Sara Sales Guedes, Vice-Presidente; António Joaquim Pinto, 1.° Secretário e Alípio da Costa Miguel, 2.° Secretário. 

A Direcção ficou assim composta: José de Gouveia Leitão, Presidente; D. Maria José Leitão, Vice-Presidente; Evaristo Joaquim Pinto, Tesoureiro; Mário Lopes Barra, 1.° Secretário; Álvaro Alberto dos Santos, 2.° Secretário; Vogal nato, Inspector Comandante; Vogal, Gualter Pereira Vizeu. 

Conselho fiscal - Presidente, P.e António Pinto; Relator, Filipe Mendes da Cunha; Vogal, Alípio de Carvalho."

Um ano depois, em Março de 1931* foram eleitos: 

ASSEMBLEIA GERAL- Presidente, Dr. Manuel Ferreira Sales Guedes; Vice-Presidente, Joaquim Correia d' Almeida Leitão; 1.° Secretário, António Joaquim Pinto; 2º Secretário, Álvaro Alberto dos Santos; Vogal, Gualter Pereira Vizeu.

DIRECÇÃO - Presidente, José de Gouveia Leitão; Vice-Presidente, Fernando d'Almeida; Secretário, Mário Lopes Barra; Tesoureiro, Evaristo Joaquim Pinto.

CONSELHO FISCAL - Presidente, Padre António Pinto; Relator, Filipe Mendes da Cunha; Vogal, Alípio Carvalho.

* Cf " A Voz de S. Pedro de Alva"


27 maio, 2026

Américo Henriques Almeida Coimbra (1933-2026)


    AMÉRICO COIMBRA 1933-2026

Do seguinte modo (em Julho de 2009) o periódico penacovense “Nova Esperança” introduzia a entrevista, a duas páginas,  a Américo Coimbra, recentemente falecido:

"Natural de Penacova, nasceu em Hombres, descendente da família de António José de Almeida. É naquela aldeia que passa actualmente a maior parte dos fins-de-semana e uma parte das férias. "Américo Coimbra, um jovem bonito, educado, de sorriso cativante, de boa figura e que um dia, o seu amigo, o produtor Francisco de Castro, convidou para fazer um filme e que depressa se tornou um verdadeiro galã dos cinemas. Estreou-se nas "Pupilas do Senhor Reitor" sob a direcção de Perdigão Queiroga, em 1961. Aquele primeiro encontro no mundo do cinema acabaria por revelar-se decisivo nos anos vindouros e passou a ser assediado para outros filmes, quer em Portugal, quer no estrangeiro" 

A Academia Portuguesa de Cinema (com data de 18 de Maio) emitiu uma nota de pesar (que a seguir transcrevemos) na qual é traçada uma síntese da sua vida e obra: 

Américo Coimbra (1933–2026)

A Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Américo Coimbra, ator e produtor ligado a uma geração marcante do cinema português das décadas de 1960 e 1970, período em que se afirmou como um dos grandes galãs do cinema nacional e um dos rostos mais populares do grande ecrã português.

Nascido em Lisboa, a 4 de março de 1933, Américo Coimbra iniciou a sua carreira cinematográfica muito jovem, destacando-se em filmes como As Pupilas do Senhor Reitor (1961), de Perdigão Queiroga, O Parque das Ilusões (1963), A Canção da Saudade (1964), Pão, Amor e Totobola (1965),  entre outras produções que marcaram o cinema popular português da época.

A sua carreira incluiu também participações em produções internacionais e no cinema espanhol, em títulos como El próximo otoño (1963), de Antxon Eceiza, Operación Goldman (1966), de Antonio Isasi-Isasmendi, Fin de semana con la muerte (1966), de Julio Coll, e Os 5 Avisos de Satanás (1970), de José Luis Merino, reforçando a presença de atores portugueses em coproduções europeias desse período. Participou ainda na coprodução luso-brasileira O Pagador de Promessas, associando o seu percurso artístico a um momento importante da circulação internacional do cinema em língua portuguesa.

Para além do trabalho como ator, desenvolveu atividade como produtor cinematográfico, colaborando em vários projetos entre Portugal e Espanha numa fase de crescimento e internacionalização do setor audiovisual português.

Figura muito reconhecida pelo público português durante os anos 60 e 70, Américo Coimbra acabaria por se afastar prematuramente da vida artística, mantendo, ainda assim, o seu nome associado a uma geração de intérpretes que marcou uma época do cinema nacional.

A Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas condolências à família, amigos e a todos os que com ele trabalharam e privaram.

Voltando à entrevista do Nova Esperança, destacamos a parte que se refere à sua íntima relação com a localidade de Hombres e, no fundo, com S. Pedro de Alva e o concelho de Penacova: 

Repórter: A ligação da família Coimbra a Hombres é já histórica. A colaboração com a comunidade é mais do que uma tradição?

Américo Coimbra:  Essa colaboração já vem do tempo dos meus bisavos que cu não conheci, mas os meus avós conheci perfeitamente e dos meus pais que a casa é já ali (em Hombres), que hoje não é minha. Fiz uma casa ao lado nova para mim e venho para cá desde que nasci. O meu pai estava em Lisboa e vinha cá regularmente em finais de Agosto visitar os meus avós. Ele  era caçador e a caça abria no dia 1de Setembro (há muitos anos).Eu vinha sempre com ele nos meus tempos de escola, e como naquela altura as férias de verão eram de três meses eu vinha para casa dos meus tios já em Julho.  Primeiro é uma grande tradição e paixão aqui pela aldeia de Hombres, por isso é que fiz a casa com piscina. A casa foi feita para passar aqui uns tempos com as minhas três filhas, são todas licenciadas. A casa e a piscina é uma forma de reunir a família, porque hoje em dia a moda é a praia, e assim com a piscina sempre vêm para cá também. Portanto é esta paixão e tradição pela aldeia, o meu pai nasceu aqui, ia a pé para escola em São Pedro Alva, muito antes de1930. Só mais tarde foi feita a escola, onde hoje é a associação. Embora não tenha bem a certeza, o imóvel para instalar a escola foi doado por um tio do meu pai, por isso é que o edifício foi baptizado de "Henrique Coimbra", o meu pai é Henrique Coimbra, e eu sou Américo Henriques Almeida Coimbra. Portanto as minhas raízes estão todas aqui, e inclusive diziam os meus pais  que eu fui concebido na aldeia de Hombres, na altura da época de caça. E eu tenho muito  prazer nisso e honra de ter nascido aqui. A minha mãe, é duma família também da zona, do Vale da Vinha e do Silveirinho, porque somos da família do António José de Almeida, por isso é que eu sou Almeida também, e o meu avô materno é José Almeida Cruz. E foi assim que fui habituado a vir para cá e agora que o Campeonato está acabar, eu venho passar aqui uns dias com muito gosto, à festa, em Agosto e todos os meses em geral aos fins de semana. Neste momento estou reformado, e haja saúde para vir cá muitas vezes. 

Na respectiva página do Facebook (18 de Maio às 22:30) a Associação de Melhoramentos, Cultura, Turismo e Progresso de Hombres manifestou a sua mágoa e enalteceu as qualidades deste seu conterrâneo, agora falecido: 


Hombres hoje ficou mais pobre

O Senhor Américo Coimbra foi uma pessoa sempre disponível para ajudar, dedicada à sua querida aldeia de Hombres e à nossa associação, contribuindo com generosidade e amizade sempre que foi necessário. A sua presença, o seu espírito solidário e a sua bondade ficarão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. Não deixava ninguém indiferente. Neste momento de profunda tristeza, queremos deixar à família as nossas mais sinceras condolências, desejando muita força e serenidade para enfrentar esta perda tão dolorosa. Que encontrem conforto nas muitas recordações bonitas e no enorme respeito e carinho que ele conquistou junto da comunidade. Sr. Américo Coimbra, ficará para sempre nos nossos corações. 

Por sua vez, Diana Martins deixou o seguinte comentário nas redes sociais: “Para além da marca que deixou no cinema, o Sr. Américo Coimbra marcou profundamente todos os que tiveram o privilégio de se cruzar com ele. Falo pela nossa aldeia de Hombres, terra das suas raízes, onde será sempre lembrado como um homem de uma bondade rara, sempre pronto a ajudar o seu povo. Tinha um amor imenso por esta terra e por esta gente, que hoje chora a sua partida com enorme tristeza. O seu legado humano será eterno."

O funeral teve lugar no dia 20 de Maio. Os seus restos mortais repousam no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Paz à sua Alma.

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Links com interesse: 

Entrevista RTP 2009 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/americo-coimbra/

Estreia de "As Pupilas do Senhor Reitor" no São João, 1960.https://www.facebook.com/watch/?v=267406898318741

Uma crónica sobre cinema português https://apaladewalsh.com/.../americo-o-bonitao-que.../












20 abril, 2026

Autores penacovenses contemporâneos | Ficção e Poesia (10): Luís Pais Amante




Sob a rubrica “Autores penacovenses contemporâneos | Poesia e Ficção” publicámos, desde Novembro de 2025, um conjunto de notas breves sobre a vida e a obra de diversas pessoas que ao longo dos últimos anos publicaram em livro os seus romances, contos, crónicas e poesias.  Considerámos nesta rubrica as obras que apresentam  um carácter mais literário, no seu sentido estrito, deixando para outros contextos os trabalhos igualmente editados, versando história local ou memórias pessoais e colectivas. 

Referimos, ao longo destes meses, se bem se recordam os leitores: António M.T. Catela, António Luís, Jorge Figueiredo, Mariana Assunção, Paulo Cunha Dinis, Pedro Leitão Couto, Ricardo Santos, Sónia Marques Carvão e Ulisses Baptista. 

A terminar, falamos hoje de Luís Pais Amante, bem conhecido dos penacovenses, seja pelos seus artigos de opinião, seja pelos inúmeros poemas sobre as mais diversas temáticas.  Trabalhos compilados em livro, versando temas da actualidade nacional e internacional e, de um modo especial e em formato poético, tratando temáticas relacionadas com a sua terra natal.

Luís Manuel Pais Amante

Nasceu na Vila de Penacova - onde é conhecido como "O Poeta da Casa Azul" - a 15 de Janeiro de 1954. É advogado (licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa) e Gestor (com trabalho de relevo na área da consultoria nacional e internacional e da gestão). É, igualmente, diplomado pelo MCE (Management Center Europe) Bruges-Bélgica e especializado em Técnicas de Negociação pela Universidade Complutense de Madrid e, também na área da Gestão Empresarial Estratégica.

O seu primeiro trabalho literário, Poemas a Recordar, foi publicado, em edição de autor, no ano de 2012. Posteriormente, deu à estampa os seguintes livros: 

Conexões (2016); Reflexos (2017); Poesia [das Circunstâncias] do Tempo (2018); Poesia e Pensamento em Tempo de Inquietude (2021); Penacova (In)temporal (2021); A Liberdade Actual - em poesia e opiniões (2023). Em 2024  (em co-autoria com Ana Lito e ilustrado por Mara Silva),  publicou o livro infantil O Clube da Netaria, integrado n'Os Contos da Casa Azul. Muito em breve, na Feira do Livro de Lisboa, será lançado  Da minha janela ...Acontece (poesia e pensamento).

Em 2019 participou na Colectânea de Poesia "Conversos". Tem participado em actividades ligadas à escrita, trabalhando com a Calçada das Letras. Também tem participado em Actividades e Tertúlias de Poesia:  "Pérgola Raúl Lino", em Penacova,  Encontro de Autores Regionais "Vale a Pena", em Tarouca,  "Sainhas em Poesa", em Vagos, e recentemente, na Tertúlia de Poesia subordinada ao tema "Alma de Penacova". 

Obra Literária: opiniões e testemunhos 

Recolhemos algumas opiniões / testemunhos de leitores e de divulgadores, a maioria deles, registados nas capas / badanas dos diversos livros publicados: 

"Estes poemas (...) representam a alma de quem sabe amar e esperar, que protege e que cuida com paixão." - Ana Marques Lito in Poemas a Recordar

"O selo da responsabilidade social parece tê-lo cunhado desde sempre nas paisagens do Mondego que quer preservar (...). Adivinham-se nestes poemas as paisagens, os aromas, as tradições e as épocas de um Portugal interior (...)  Refiro-me a Penacova, terra onde nasceu.  É preciso conhecê-la e respirá-la através da mão do poeta." - Maria José Vera, in prefácio do livro Conexões.

"Palavra a palavra, em comunicação secreta, escreveu um amante o que lhe ia na alma: não há cultura sem afectos." - Joana Bonifácio, in blogue  O estranho mundo dos livros.

"Impossível de escrever aqui fielmente a revelação efectuada sobre todas as qualidades e virtudes (...) designadamente como excelente pessoa, experimentado e ilustre profissional, poeta talentoso." - Leonor, in blogue Tudo e mais alguma coisa.

"É devido a este magnetismo natural, a esta incondicional paixão, que o autor deste livro (re)ergueu a sua casa (...)  aquela que possui uma, não menos nostálgica, gárgula de feição medieval, virada para a Rua da Costa do Sol, lugar onde brincou, namorou e dançou no fecundo período da sua adolescência. Luís Pais Amante é o poeta da Casa Azul" - José Fernando Tavares, in prefácio de Penacova Intemporal.

"Foi nesse "Reino Maravilhoso" que germinou a ideia de publicar um livro de feição infantil, dedicado aos netos dos autores e a todos os meninos do "Fundo da vila"." - David Almeida, in blogue  Penacova Online. 

As “tonalidades e formas caleidoscópicas da sua escrita transformam-se em poesia, opinião e prosa, que espelham o seu ser intuitivo, buscando-se noutros horizontes (...)  e até na transcendência. (...).  A partir dos títulos dos livros já publicados apreende-se o lugar de observador / testemunha e protagonista da co-construção de realidades alternativas do mundo paradoxalmente mais livre, estreito e fechado que nos submete a escravaturas.” - Ana Marques Lito, na apresentação  do livro A Liberdade Actual. 

03 fevereiro, 2026

Crónicas do Avô Luís (7): Visitar Museus é reviver a História

 


Visitar Museus é reviver a História

Nesta minha Crónica, relevo a importância de todos nós levarmos os nossos netos aos Museus.

A museologia em Portugal não é, ainda, uma realidade muito abrangente, nem muito “descentralizada”, mas começa a evoluir.

Um fim-de-semana destes estive com a Família em São João da Madeira. Terra conhecida pela indústria dos sapatos e, também, antigamente, da chapelaria. É verdade que o uso de chapéu foi sendo descontinuado no formato do vestuário e, hoje, quase inexiste.

Em 1992, eu fui Director de um Curso de Formação de Gestores de PME’s, justamente daquela região. Acredito que, hoje em dia, muitos dos gestores destas indústrias terão frequentado esse curso, financiado pela então CEE (através do Fundo Social Europeu).

Nessa altura ainda existia a Fábrica de Chapéus detida pela Empresa Industrial de Chapelaria, Lda, fundada em 1914, por António José de Oliveira Antunes. Era a maior Fábrica de Chapéus da Península Ibérica, que encerrou em 1995.

A nossa Família, incluindo os mais jovens, assistiu - entusiasmada - às explicações da nossa “cicerone” e, para além do apreço pela exposição fotográfica (rica e contextualizada), admirou-se muito com as evidências do trabalho de crianças.

E era exactamente aqui que eu queria chegar!

Não há tanto tempo assim desde que acabou o trabalho infantil em Portugal.

Leiam, por favor, o “extracto” que retirei de um trabalho * publicado pela DGERT, do Ministério do Trabalho, onde estiveram - e estão - amigo(a)s meus muito dedicados a esta causa:

PETI - Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil; ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho; PIEC - Programa para a Inclusão e Cidadania

O PETI – Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil, foi criado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 37/2004, de 20 de Março, tendo sucedido ao Plano para Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil (PEETI), e prosseguia, designadamente, os seguintes objectivos:

• Dinamizava e coordenava acções de divulgação e de informação sobre a promoção e protecção dos direitos dos menores junto dos pais e encarregados de educação, dos estabelecimentos de educação e de ensino, dos empregadores e da opinião pública em geral, com vista à prevenção da exploração do trabalho infantil;

• Estabelecia acordos de cooperação institucional com outras entidades, designadamente as autarquias locais, sempre que o diagnóstico das necessidades das crianças e dos jovens em risco justificava a execução de acções conjuntas para a prevenção da exploração do trabalho infantil;

• Desenvolvia acções específicas de prevenção da exploração de trabalho infantil nas formas consideradas intoleráveis pela Convenção n.º 182 da OIT;

• Divulgava as medidas educativas e formativas promovidas, realizadas ou apoiadas pelos organismos dos Ministérios da Educação, do Trabalho e da Solidariedade Social, nomeadamente os Programas Integrados de Educação e Formação (PIEF), em todas as regiões onde o diagnóstico de necessidades dascrianças e jovens em risco o justificava.

Os destinatários do programa eram: menores em situação de abandono escolar sem terem concluído a escolaridade obrigatória; menores em risco de inserção precoce no mercado de trabalho; menores em situação de exploração efectiva do trabalho infantil; menores vítimas das piores formas de exploração.

No entanto, e por força do artigo 2º do Decreto-Lei n.º 229/2009, de 14 de Setembro, as atribuições do Programa para a Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil, na parte relativa à prevenção e combate ao trabalho infantil passaram a ser asseguradas pela ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, a quem também cabe a inspecção das condições do trabalho. 

Sabidas, assim, as causas que enquadraram a chaga do Trabalho Infantil, necessário se torna concluir que, se em 2009, o Estado foi obrigado a endossar à ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) a prevenção é porque, nessa data (há pouco mais de 15 anos) a exploração das Crianças através do Trabalho Infantil, ainda era exercida por portugueses sem escrúpulos.

Vou mesmo mais longe, afirmando que ainda hoje existirá, especialmente exercido no contexto familiar, em desenvolvimento de trabalho sub-contratado, feito na casa de família do sub-contratado.

Só queria que tivessem vistos os netos parados em frente das fotografia, atónitos, apontando para as Crianças.

Pelo que devo incentivar as Famílias a visitarem a museologia portuguesa, porque estas visitas promovem o enriquecimento da civilidade.

… e é de pequenino que se torce o pepino!

Ou já não será?

Luís Pais Amante



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* CADERNOS DE EMPREGO E RELAÇÕES DE TRABALHO Nº 09 | TRABALHO INFANTIL: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS MEDIA | Autoria: Joana de Negrier Almeida e Macedo | © Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho / Ministério da Economia e do Emprego  | Janeiro de 2012 | ISBN: 978-972-8312-58-9


17 janeiro, 2026

O topónimo Penacova em Terras de Santa Cruz


No artigo “A Saudade Portuguesa na Toponímia Brasileira”, escreve  Antenor Nascentes (1886 -1972), filólogo, linguista e lexicógrafo brasileiro, que “os navegadores portugueses, que a partir do século XVI começaram a explorar os mares nunca dantes navegados à procura de novas terras para dilatar a fé e o império, levavam consigo a saudade da terra natal e para mitigá-la, muitas vezes, davam às povoações fundadas nomes dos lugares onde nasceram”. 

“Essa transplantação quase sempre se operou espontaneamente, graças ao concurso dos povoadores anónimos, saudosos da pátria distante” – salienta. 

No entanto, “algumas vezes se deu por influência oficial, com o intuito de fazer desaparecer o topónimo aborígene, como aconteceu no Pará em 1758. O capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado ordenou que se substituíssem por topónimos portugueses os de origem tupi, visando assim dissimular a origem indígena dos povoados em que se transfiguraram os aldeamentos organizados pelos jesuítas”, mal vistos então pelo marquês de Pombal.

Antenor Nascentes não refere uma outra personalidade que terá, em contexto semelhante, conferido um topónimo português a um lugar do Pará.

Referimo-nos a  José de Nápoles Telles de Menezes (c.1747-c.1795),  Governador do Pará no final do século XVIII, filho de Luís Xavier de Nápoles Lemos e Menezes, Senhor do Morgado de Penacova. 

No livro “Belém do Pará sob o domínio português-1616 a 1823” de Jorge Harley, encontramos na pág. 78 a seguinte nota:

    
      "Fundou Tello de Menezes o lugar Penacova abaixo do Igaparé Una, 
povoando-o de aborígenes catequisados e "homens, segundo Baena,
de cor de mista qualidade e mulheres de prazer de fácil colheita no
mesmo sítio em que teve existência a Aldea de nome igual ao referido 
igarapé".
     Tello de Menezes aplicou ao lugar que creara o nome Pena Cóva
recordando a pitoresca vila Pena-Cóva, freguesia do Douro* em Portugal,
de onde talvez fosse filho.

 

O autor refere que Tello de Menezes “talvez” fosse filho de Penacova, desconhecendo que na realidade pertencia à família dos Nápoles, muito influente em Penacova, sendo filho do referido Luís Xavier e de Francisca Macedo. Quer os pais, quer os avós eram, pois, reputados elementos da nobreza beirã (Viseu, Penacova…). 

José de Nápoles, nascido em Viseu, foi Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Tenente de Cavalaria em Almeida. Em 1779 passou a Governador e Capitão Geral do Estado do Grão Pará e Rio Negro. 

“No dia 26 de fevereiro de 1780, a bordo da charrua “Águia Real e Coração de Jesus” (navio de três mastros e um grande porão, mas de pequena capacidade para armamentos) chega ao Pará o governador e capitão general do Estado do Grão Pará e Rio Negro José de Nápoles Telles de Menezes, acompanhado de membros da Comissão de Demarcação de Limites entre os domínios de Portugal e Espanha.”- escreve Hoje na História

Depois de meritória acção no cargo, acabou por cair em desgraça, afastando-se em 1783. Veio a falecer em Lisboa. Solteiro e sem filhos deixou os bens ao sobrinho Luís Augusto de Nápoles Bourbon de Menezes. 

Mas temos mais referências: os Anais da Biblioteca e Arquivo Público do Pará (1902), ao falarem do Hospício construído pelos Capuchos de Santo  de Santo António, regista que “em torno do hospício grupou-se uma aldeia indígena, a que, em 1782, o governador e capitão general do Pará, José de Nápoles Tello de Menezes pôs a denominação de Penacova, e tentou reanimar, aumentando-lhe o número de habitantes”. 

Outra menção ao lugar “Penacova” aparece-nos na História do Pará (pág. 238 do vol. I) quando são referidas as “Agitações Políticas de 1823 a 1834”, designadamente a “Revolta de Outubro: Prisão do Cónego Batista de Campos”. Refere-se o seguinte: “Arrojados os corpos na lancha do navio, foram levados para a margem do rio, no sítio chamado “Penacova” e aí sepultados em grande vala que para isso se abriu”. 

Ficamos então a saber que existiu em Terras de Vera Cruz uma localidade chamada Penacova. O nome não terá vingado, já que nenhuma das pesquisas que fizemos nos confirmaram a existência deste topónimo nos nossos dias, ao contrário do que acontece, por exemplo, com Coimbra, nome de um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. 

* De 1835 a 1936, a Província do Douro incluía os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra. VER https://audaces.blogs.sapo.pt/2585.html

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QUER SABER MAIS SOBRE TOPÓNIMOS BRASILEIROS DE INFLUÊNCIA PORTUGUESA?


1. Ainda, pela leitura do artigo A SAUDADE PORTUGUESA NA TOPONIMIA BRASILEIRA, de  Antenor Nascentes,  ficamos a conhecer muitos outros exemplos: 

No Amazonas encontram-se: Borba, Silves, Barcelos, Badajoz, S. Paulo de Olivença (Olivença, então portuguesa). No Pará: Alcobaça, Alenquer, Alter do Chão (antigo Borani), Almeirim (antigo Paru), Aveiro, Arraiolos, Bragança, Chaves, Colares, Esposende (antiga Tuaré), Faro, Mazagão, Melgaço (antiga Cuaricuru), Monsaraz, Monte Alegre (antiga Curupatuba), Óbidos (antiga Pauxis), Oeiras (antiga Araticu), Ourém, Portei (antiga Arucará), Porto de Moz, Santarém (antiga Tapajós), Sintra, hoje Maracanã, Soure, Tentúgal, Viseu, Mazagão, antiga Vila Nova de Mazagão. 

No Maranhão: Alcântara, Viana (talvez a do Castelo, que não a do Alentejo),Guimarães, Caxias (igualmente no Estado do Rio de Janeiro,onde foi mudado para Duque de Caxias por ocasião da revisãonda nomenclatura geográfica e no Rio Grande do Sul, onde passou a chamar-se Caxias do Sul.

No Piauí,  estado da região Nordeste: Amarante, Oeiras, Valença (talvez a do Minho), Jerumenha. Jerumenha, alteração de Jurumenha, recebeu de Martius uma incrível etimologia tupi. Oeiras antigamente se chamou Moxa. Quando foi escolhida em 1761 para capital da capitania do Piauí, recebeu do rei D. José I este nome em homenagem ao ministro Sebastião de Carvalho e Melo, conde de Oeiras, mais tarde marquês de Pombal.

O Ceará conta: Sobral, Soure, Crato, Mecejana. Não se pode pôr em dúvida o primeiro. Não há sobreiros no Brasil.

Apesar de reconhecer a existência de uma vila portuguesa com o nome de Mecejana, apesar José de Alencar dá a palavra como de origem tupi e significando "a abandonada". 

O Rio Grande do Norte apresenta Macau e Estremoz.

Alagoas tem apenas Anadia.

Sergipe tem Badajoz.

A Baía conta: Abrantes, Barcelos, Belmonte, donde era senhor Pedro Álvares Cabral, o descobridor, que tocou em terras baianas em 1500, Alcobaça, Santarém, Trancoso, Olivença (hoje espanhola), Valença.

O Estado do Rio de Janeiro apresenta Arcozelo, uma simples estação ferroviária. Lá existem Valença e Resende, que se prendem a personalidades portuguesas.Valença em homenagem a D. Fernando José de Portugal, marquês de Aguiar, descendente dos nobres de Valença.

A cidade de Resende, foi criada no governo de D. José Luís de Castro, segundo conde de Resende e quinto vice--rei do Brasil, sendo assim chamada em honra dele.

São Paulo apresenta a cidade de Montemor, Paranhos, Nova Louzã, e as estações ferroviárias Lusitânia e Miragaia. Houve uma antiga Queluz.

O Rio Grande do Sul apresenta Alegrete, que não vem de topònimo. Havia no local uma cidade cuja capela os espanhóis incendiaram em 1761. O capitao-general marquês de Alegrete mandou reconstruída e então os habitantes, gratos, deram à localidade o nome do título do marquês.

Mato Grosso apresenta Melgaço.

Finalmente, Minas Gerais possui Cedofeita, que lembra a igrejinha do Porto,  Ericeira que evoca a praia donde partiu para o exílio o rei D. Manuel II. Barbacena, nome de freguesia próxima de Elvas, Queluz (hoje Lafayette), lembrando o palácio real das cercanias de Lisboa, Matozinhos, que possui um santuário que é uma réplica do que existe no Porto, Mariana e S. João del-Rei. Mariana era a vila do Carmo. Passou a ser cidade em 25 de Abril de 1745, recebendo este nome em honra de D. Maria Ana d'Austria, esposa do rei D. João V. S. João del-Rei era o antigo arraial do Rio das Mortes. Perto de S. João dei-Rei fica a antiga vila de S. José do Rio das Mortes, depois S. José del-Rei, hoje Tiradentes, cujo nome se atribui ao príncipe real D. José, mais tarde rei D. José I, filho de D. João V. Feita uma homenagem ao pai, julgaram de bom aviso fazer outra ao filho.

2. Por sua vez, uma simples pesquisa em “modo IA" dá-nos o seguinte:

A toponímia brasileira é rica em nomes portugueses, refletindo a colonização e a devoção, com exemplos como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais (em homenagem às minas portuguesas) e Santa Catarina, além de muitas cidades com nomes de locais e santos de Portugal, como Braga, Coimbra, Aveiro, Lisboa, e Viseu, demonstrando a profunda ligação cultural e histórica entre os dois países, de Norte a Sul do Brasil.

Tipos de Nomes de Origem Portuguesa no Brasil

Nomes de Cidades e Estados:

Grandes Capitais: Rio de Janeiro (inspirado no estuário), São Paulo (dia de São Paulo), Porto Alegre (referência a "porto" e "alegre"), Belo Horizonte (referência à beleza do horizonte).

Nomes de Regiões: Minas Gerais (referência às ricas minas encontradas), Espírito Santo (referência religiosa), Santa Catarina (em homenagem a Santa Catarina de Alexandria).

Nomes de Santos e Devoção:

Grande parte das cidades brasileiras leva nomes de santos católicos, muitos deles venerados em Portugal, como São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Sebastião, Nossa Senhora da Conceição (variando de estado para estado).

Nomes de Lugares e Características Geográficas de Portugal:

Cidades: Coimbra (MG), Braga (PB, SC), Aveiro (AM), Viseu (MG), Lamego (RJ), Évora (PE).

Características Naturais: 

Rio Douro (em homenagem ao rio português), Serra da Mantiqueira (com influência toponímica).

Nomes de Pessoas (Colonizadores e Figuras Históricas):

Muitos lugares recebem nomes de bandeirantes, exploradores e nobres portugueses, como Fernando de Noronha (PE), Ilha de São João (hoje Fernando de Noronha) e nomes de famílias importantes da época. 

A toponímia brasileira é um espelho direto da colonização portuguesa, apresentando mais de 70 cidades com nomes idênticos aos de Portugal. 

Esta herança consolidou-se através da substituição de nomes indígenas por designações lusitanas, especialmente durante a Reforma Pombalina. Aqui estão os principais exemplos dessa influência:

Cidades Homónimas (Mesmo Nome)

Muitas localidades brasileiras foram batizadas em homenagem a vilas e cidades da metrópole:

Santarém (Pará) – O estado do Pará é um dos que mais preserva esta ligação, com mais de 20 cidades homónimas. Bragança (Pará) e Bragança Paulista (São Paulo). Óbidos (Pará). Chaves (Pará). Viseu (Pará). Amarante (Piauí). Barcelos (Amazonas).