22 setembro, 2026

Elevação de Carvalho a Vila (4): Inventário Artístico (1953)


O "Inventário Artístico de Portugal" é uma obra de referência sobre o património cultural, arquitetónico e artístico publicada pela Academia Nacional de Belas Artes. O volume IV - 1952/1953, relativo ao distrito de Coimbra, foi Iniciado por Vergílio Correia e completado por A. Nogueira Gonçalves. Vamos, hoje, transcrever a parte alusiva à freguesia de Carvalho.

“Foi aqui o solar dos Carvalhos, família que deu às praças de África diversos capitães, sendo o mais notável Álvaro de Carvalho, capitão-mor de Mazagão no cerco de 1562. O senhorio abrangia a freguesia de Cercosa, tendo o primeiro marquês de Pombal mandado organizar o respectivo tombo, em quatro grossos volumes, propriedade hoje do Sr. Dr. António dos Santos Malva.

A terra é mais usualmente conhecida pela instituição medieval da Albergaria de Carvalho, na povoação próxima de Santo António do Cântaro, a que nos iremos referir.

Do testamento de Bartolomeu Domingues, de 1215, deduz-se que foi ele o primeiro instituidor da albergaria. Contudo, mas com pouca probabilidade, poderia ter só dado nova modalidade à fundação do pai, Domingos Feirol. Diz-se que o bispo D. Vermudo aplicara, em 1178, à mesma albergaria a terça da igreja de Carvalho, por contrato com a viúva D. Belida e os filhos Gonçalo Fernandes e Bartolomeu Domingues; todavia o documento não se refere à albergaria, é uma composição em que o cabido concede a terça da igreja em troca de dois morabitinos a pagar no S. Miguel de cada ano, contrato feito em atenção à memória de Domingos Feirol. Feirol e Belida foram sepultados na Sé Velha de Coimbra.

O bispo D. Estêvão Anes Brochardo confirmou a união, estabelecendo-se que o senhorio desse vinte libras ao bispo e oito ao cabido. Em 1364, Álvaro Fernandes de Carvalho deu certos bens em troca destas libras. A apresentação do pároco continuou nesta família. Nos velhos autores encontram-se certas variantes de datas e nomes, rectificáveis umas vezes outras incertas.

Teve a povoação foral manuelino a 8 de Junho de 1514. As freguesias de Carvalho, Marmeleira e Cercosa constituem a região natural da Irmânia.

PELOURINHO - A colocação actual deve ser moderna. Só um dos degraus é antigo, sendo todos quadrados. O fuste, chanfrado, é octogonal; a pinha, singela, desenha um cubo rematado de pirâmide, vendo-se numa face o escudo nacional de coroa aberta, em duas delas a cruz de Cristo, na outra um escudo liso. Pertence ao séc. XVI, período manuelino.

SOLAR DOS CARVALHOS - O edifício desapareceu. Na casa que o substituiu, em frente à igreja, encontra-se cravada uma grande pedra com as armas dos Carvalhos e, à esquerda heráldica, as dos Eças, do começo do séc. XVI, devendo corresponder a Álvaro de Carvalho, capitão de Tânger, e a sua mulher D. Catarina de Guerra, filha ilegítima de Pedro de Eça. Sob as duas janelas há outras duas pedras abertas de seteiras em cruz, mais decorativas que funcionais.

IGREJA PAROQUIAL - Tem por titular Nossa Senhora da Esperança. Foi reformada em 1844, à custa duma doação feita por Miguel Henriques de Castro em 1784. Renovaram-na inteiramente, só a porta lateral poderá ser do séc. XVII e ainda mais antigo o arco do baptistério. A porta é de verga curva e cimalha direita, dominada de óculo quadrilobado; a torre fica à esquerda, tendo a cobertura em pirâmide octógona. O interior não tem interesse de maior. O retábulo principal é do séc. XIX, seguindo um tipo setecentista; os colaterais são inferiores. O arco do baptistério, sob a torre, semicircular, de arestas chanfradas, pertence ao primeiro terço do séc. XVI. A pia, octógona, poderia ser do mesmo tempo. Suportam o coro duas colunas de calcário, coríntias, caneladas, graciosas, do segundo quartel do séc. XVI. Na capela-mor, à direita, vê-se o escudo dos Carvalhos e um letreiro de 1845 dizendo que ali jaz Álvaro de Carvalho, que mandara fazer a capela-mor antiga, identificando-o com o herói de Mazagão. No princípio do séc. XVIII registava-se que havia na capela-mor «duas cavidades para sepulturas». Sob o subpedâneo de madeira do altar-mor estão ocultos alguns azulejos de aresta, sevilhanos, do séc. XVI.
Possui a igreja algumas esculturas de mérito, entre outras sem nenhum:
- Santa Catarina (A. 0,715) envolvida em amplo manto, levantando na esquerda, coberta do mesmo manto, a roda simbólica; boa escultura de calcário, do séc. XV, colocada no colateral esquerdo.
- Santa Luzia, de calcário, do séc. XVI, época manuelina, inferior.
- S. João Baptista, Virgem com o Menino, S. Sebastião, grupo da Virgem com S. José, todas de pedra, do séc. XVI, muito secundárias.

Possui ainda a igreja pratas de mérito, não tendo sido levadas num roubo recente senão algumas secundárias. Anotamos só as antigas. Custódia de prata branca, do princípio do séc. XVII; pé com cálice, mostruário de três colunas por banda, tendo campainhas suspensas da perpendicular daquelas e da copa do cálice; hostiário circular com ornatos curvos, salientes; alta de 0,63. Cruz processional de prata branca, com Cristo de bronze, do fim do séc. XVI; hastes rectangulares e terminações trevadas; faces e bojo ornadas de entrelaçados. Um dos sinos tem a estampilha de António Dias Campos Sorrilha, Cantanhede, 1891.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO- No modesto povoado de Santo António do Cântaro levanta-se esta capela, que foi sede da albergaria referida, ao lado da antiga estrada de Coimbra a Viseu. Construção modesta, de corpo e capela-mor, com alpendre-galilé só aberto na frente, cujo arco de tijolo é moderno. De antigo só se vê a porta principal, em arco rebaixado, e o arco cruzeiro em traçado ogival irregular, que devem datar do princípio do séc. XVI, manuelinos. No ângulo direito e do fundo da galilé há um nicho rectangular, num pequeno corpo saliente, sítio do cântaro. Pequeno retábulo, de madeira dourada, de colunas torcidas e com pâmpanos, do princípio do séc. XVIII. A escultura de Santo António do séc. XV, é graciosa. Alta de 0,71 m., vestido ele de franciscano, com capa que roça o chão, sustenta na sua frente e com as duas mãos um livro. Na parte inferior gravaram um letreiro a dizer que foi reformada em 1611, isto é, seria só pintada.

BIBL. - A. Brandão, Monarchia Lusitana, III parte, Lisboa, 1632 | Pedr'Alvares Nogueira, “Catálogo dos Bispos de Coimbra”, em Instituições Christãs, an. VIII, 1.º, sér. Coimbra, 1890 | Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, T. XI, Lisboa, 1745 | Miguel Ribeiro de Vasconcelos, Notícia Histórica, fasc. 2.°, Lisboa, 1854 | A. Nogueira Gonçalves, “O Cântaro que se partiu”, em Diário de Coimbra, Coimbra, 1948.

08 setembro, 2026

O Monte Alto em tempos idos...




Há muitas referências escritas sobre a Senhora do Monte Alto de Penacova. A crónica que se segue é, na nossa opinião, um dos melhores e mais pitorescos retratos desta secular romaria. Demora alguns minutos a ler, é verdade. Não é só uma imagem onde se coloca um “like” e se passa à frente. É uma viagem no tempo (finais do século XIX) que convidamos a fazer…



foto: Varela Pècurto (início anos 80)

O Monte Alto em tempos idos

“Naquele tempo toda a noite chiavam os carros de bois, pela ladeira do Monte Alto, com melancias, melões, bojudos barris de vinho e caixas de pirolitos.

Ainda o sol não despontava na serra da Atalhada, e já as tias Vitais subiam a ladeira, com as saias “açoleiadas”, com os cântaros de água fresca; e as tendeiras de Algaça e Santa Maria iam de enfiada com os “açafaites” de quinquilharias, tagarelando futuros lucros.

Ao meio da manhã, antes do calor apertar, aprestavam-se os primeiros ranchos, concentrando-se na Costa do Frio.

Havia muitas semanas que se andava a capitalizar, aos 5 reis, para naquele dia fazer figura. O orçamento era escrupuloso; ai daquele que o excedesse, e na volta não apresentasse um saldozito: era um perdulário! As despesas certas eram: 20 reis para esmola à santinha; 10 reis para o registo com a imagem de Nossa Senhora do Monte Alto, para pôr na fita do chapéu; 5 reis para a limonada do estilo, nas tias Vitais, com acento certo e tão velho como elas, à sombra da figueira; 10 reis para a melancia; 20 reis para o berimbau, para o mano que ficou doente; 5 reis para o anel de chumbo; 25 reis para o anel de coralina, para a menina dos nossos sonhos; 20 reis para o gancho de tartaruga para presentear a mamã; e 15 reis para um bom lápis para o papá; soma 150 reis, com mais 50 reis que nos deu a madrinha – dois tostões!

Uns nababos!

O enorme rancho seguia em fila indiana. As criadas e as pobres mães, iam ajoijadas com os cestos dos farnéis. Pelo cheirinho se adivinhava o que eles continham.

Havia três poisos: ao cimo da Quinta, para fazer arruaça aos que ficavam; à Pedra Poisa, para refrescar a garganta e à Cadeirinha, para rezar uma Ave Maria à santinha, no seu altar de pedra. O templo era infinito, tendo por pilares seculares pinheiros, com a cúpula de fagulha verde.

Uns momentos de descanso aproveitados para sacudir o pó das calças e as cachopas corrigirem os seus luxos, para a entrada triunfal no arraial, todos a cantar a canção mais afamada.

A essa hora o Joaquim Catarino e o Benêjo andavam a trote a juntar os farnéis para os carros de bois da família da D. Maria da Pureza, enquanto na casa da D. Joaquina de Melo e D. Natividade se fazia outro tanto.

As famílias mais respeitáveis e numerosas, tinham combinado para nesse dia, às suas mesas, não se servir o almoço; quem quisesse almoçar tinha que ir ao Monte Alto. A tia Zéfa, Josefina e Conceição, tinham ordens terminantes de não darem aos meninos uma fatia.

Mais um garfo, um copo, para o imprevisto, só lá pelas 11 horas é que deslizava a caravana, com os carros cobertos de verdura, para ser mais fresco.

No Cruzeiro já se encontravam os Barbosas e os Andrades; e o velho Luís Pimentel e Cardoso, coçavam as suissas, a reprimir censuras aos retardatários. Eles não se incomodavam, afeitos ao ardor do sol ou às bátegas de água, mas as meninas, uns miminhos ...

O caminho de 4 quilómetros levava três horas a percorrer, enquanto a ladeira levava 20 minutos a subir; de forma que os estômagos faziam as suas reclamações, mas como era da praxe o almoço ser depois da festa ... ai! se ela demorasse ...

Eram mensageiros às dúzias, a inquirir onde vinham os carros com os farnéis; amaldiçoava-se o Barraca e o Alípio da Teresa por não espicaçarem os bois! E os estômagos ao “relanti”, recusavam limonadas: queriam sólidos.

O arraial à cunha. Findava o sermão que o sr. Padre Pedro sabia na ponta da língua. Finalmente: o almoço. Ajeitavam-se assentos de feto, estendiam-se no chão, sobre o mato alvíssimas toalhas, e vá de distribuir pratos de canja, lombo com batatinhas tostadas, tão loiras, que até os olhos as comeriam...

A sombra dos pinheiros ia fugindo; era a hora da corrida aos petiscos. Uma perninha de galinha? Uma isca de presunto? Um pires de arroz doce? Um copo de vinho? Um cálice da “rija” ? Vá um cafezinho... Franqueza de todos até à impertinência; camaradagem e amizade sólidas - uma só família!

Os estômagos bem compostos, é a altura de ir correr o arraial; à sombra espaçosíssima do cedro, os montões de melancias; havia-as de 10 reis a 4 vinténs, mas estas davam talhadas para 20 pessoas; as tendeiras estendiam-se até à portaria da Chã, com bugigangas de mil feitios, anéis de metais baratos e que luziam como oiro, assobios e “flaitas” de lata, etc .; padeiras de Gondelim e S. Paulo, com bolos untados de azeite; aos lados do arraial, as barracas do ti Daniel e Ladroeira, as mais afamadas, porque tinham peixe do rio, frito nessa noite; limonadeiras às dúzias e todas não tendo mãos a medir, num vai-vem a caminho da fonte do Azevinhal. Cada limonadeira teria um só limão mas, louvado Deus, bem espremidinho, dava para uma dúzia de cântaras de água, bem docinha, com açúcar amarelo.

Na capela era grande a azáfama para receber as ofertas de trigo, centeio e milho, alinhando-se os sacos já cheios ao lado dos mesários Arcipreste Leite e João Serra; o Zé Craveiro, num sari- lho, a guardar farnéis e a regular a distribuição da água da pipa; o Joaquim Cabral a ralhar aos garotos que até os figos verdes comiam; o Casimiro a deitar foguetes sem conta; e o Francis-quinho Guedes a comandar, gaiatamente, o gaiteiro. O ti Zé Carvalho a arrebanhar o rancho da vila, para irem dançar no lugar clássico - para o lado da vila. Novos e velhos, pobres e ricos, todos dançavam e cantavam modas apropriadas:

- Senhora do Monte Alto
Quem vos varreu o terreiro?
- Foram mocinhas da vila
Com raminhos de loureiro.

A Senhora do Mont'Alto
Mandou-me agora chamar,
Que não desse trela a rapaz
Que não fosse p'ra casar ...


O Alipinho, exímio no “estalado”, mandava; Henrique de Melo e o Zeca mandavam a «farrapeira» e o Américo e o Quim a «caninha verde». O Manuel Guedes tocava guitarra, o António Augusto cavaquinho e António Dias os ferrinhos. As melhores cantadeiras, Encarnação, Alexandrina, Caetana, Antoninha, Suzana e Emilia, faziam sucesso.

Depois era o ti Albino com o “harmónium” para um «vira» de que tinha o segredo, ao qual ninguém resistia; o Carlitos, o Abel Barbosa, o César, o Alfredo e o Basílio, andavam mascarados de poeira e suor.,.

Já o sol se escondia para lá dos moinhos de Gavinhos e não havia pressa para descer a ladeira. As pobres mães tinham de pedir a intervenção da D. Natividade e D. Maria da Pureza para porem termo aos folguedos – e ninguém desrespeitava tais mensageiras.

Mais uma vénia à Senhora do Monte Alto com uma súplica de lábios emudecidos ... (novos e velhos todos sabiam qual era a pedinchisse) e a promessa da visita para o ano ... mas já casadinhos, pela graça da santinha.

Ao avistarem-se as primeiras casas da vila, era um nunca acabar de saudações de um lado e
de outro. No Largo da Costa do Frio esperavam os romeiros, aqueles que não puderam ir, para receber as prendas, ainda que somente fosse um ramo de cedro ou folha da figueira, para recordação.

Noite alta, ainda no alpendre se fazia ouvir a voz “apiteirada” do Julião, a pregar o sermão do Padre Santo António; e o Daniel e o Ladroeira a despacharem os fregueses maçadores e beberrões, por já não terem mais vinho para misturar na água.

Um dia bem passado


ZÉ DO MIRANTE*

 24 de Agosto de 1945 | Rubrica “In illo tempore” | jornal Notícias de Penacova

Nota: 

*Zé do Mirante, pseudónimo de José Augusto Ribeiro (1881-1963), alfaiate em Penacova. Chegou também a ser proprietário do "Café Casino".  Através das suas crónicas “In Illo Tempore” (apesar de só possuir a instrução primária)  transmitiu-nos muitos pormenores  sobre as tradições de Penacova, a par de relatos de acontecimentos de finais do século XIX e inícios do século XX, envolvendo pessoas e factos cuja memória se foi perdendo no tempo. Casou em 1904 com Senhorinha Albertina, tendo como padrinhos de casamento Joaquim Augusto de Carvalho e Alípio Oliveira Silva Cardoso. Foram seus filhos: Armando Craveiro de Almeida, Herculano de Almeida Ribeiro, Alexandre Lusitano de Almeida Ribeiro e Lídia de Almeida Ribeiro.


01 setembro, 2026

Crónicas do Avô Luís (14): A chegada à Universidade


A chegada à Universidade

Quando elaboro esta minha Crónica, lembro-me do tempo em que eu próprio “entrei na Universidade”… Em Setembro de 1973, momento em que se preparavam mudanças diversas no nosso País, inclusive relacionadas com o fim do regime político…

Eram tempos em que não era suposto que miúdos como eu (originários de Famílias humildes) conseguissem frequentar estes espaços destinados aos dignatários do Regime (Fascista, como é sempre bom recordar). E, logo, na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, “covil” do recrutamento privilegiado da União Nacional.

Esta lógica, felizmente, foi logo alterada uns meses depois, com o acontecimento mais importante do nosso Portugal: o 25 de Abril. Estava eu no primeiro ano há exactamente 7 meses…

Eram outras vidas; outras engrenagens; outras maneiras de encarar “o Direito à Educação”, que deriva, hoje, do Direito à Igualdade, integrado na CRP, que devemos preservar.

Quero manifestar, aqui, sem rodeios, que tenho - de um modo geral - apreciado a actuação do Ministro da Educação, Fernando Alexandre, tanto do ponto de vista do “trabalho” desenvolvido, como da sua verticalidade intelectual.

Sem desconhecer que alguns problemas têm existido na colocação em velocidade de cruzeiro de políticas ambiciosas e, até, roturas com um passado recente em que “a máquina da Educação”, no seu todo considerada estava absolutamente prisioneira.
…Eu sei do que falo!

Entraram já na Universidade quase 100.000 alunos, o que é bastante significativo. Destes, um número bem importante, são filhos de gente pobre; e outros de gente remediada. Também há filhos de gente rica e isso não faz mal a ninguém. Importa, até bastante, que a experiência universitária seja rica em diversidade; expressiva da nossa realidade!

Hoje, de manhã, estive a ouvir o Senhor Ministro a falar sobre os “apoios” de que os Estudantes mais carenciados podem usufruir e, sinceramente, fiquei satisfeito, porque vislumbrei no que ele e a sua Equipa estão a colocar em vigor, um manifesto de alto significado, para ser atingido um nível extraordinariamente elevado de apoios: à habitação; à residência; à alimentação; ao material e aos transportes.

Muitos dos que lêem este meu escrito dirão que não; que não tenho razão; que devia ser muito mais; etc, etc, etc! Na sua maior parte são os que diziam, outrora, que estava tudo bem e que foram avolumando as desigualdades fácticas.

E eu, nessas situações de gente de extremos, só posso apresentar, humildemente, o meu exemplo: o de um Jovem de 17/18 anos que saiu do seu “ninho” e voou para um local desconhecido, desmesuradamente grande, SEM APOIO de nada, nem de quase ninguém!

O que me transformou num homem feito a pulso, com regras rígidas de personalidade e de convivência e de exigência, que conseguiu transformar-se num exemplo, singelo, embora!

Sendo igual a determinação dedicada que aconselho à Juventude do meu País, começando pelo meu Neto André, a caminho de Barcelona, no âmbito do intercâmbio do Programa Erasmus. Sem trabalho, entrega, alerta e humildade, ninguém consegue mais do que entradas no mercado político dos “boys” e esse mercado está a esgotar-se… Não é mais possível o nosso País - pobre, como se verifica - ter tanta gente das “universidades partidárias” a viver à conta do Orçamento de Estado.

Temos de ter Jovens empenhados no desenvolvimento, na despartidarizaçäo, na modernização e, sobretudo, na qualificação. E isso, por norma, é conseguido por gente anónima que sabe o que é o esforço e o pratica, alguns e algumas de que já falei nas minhas Crónicas para Vós.

Força rapaziada!

Luís Pais Amante