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07 fevereiro, 2026

Uma Capela do Rosário na Igreja de Figueira?


O Padre Manuel Vieira dos Santos foi nomeado, nos finais de 1913, pároco de Figueira de Lorvão. Nesse cargo permaneceu durante 54 anos. No final da carreira eclesiástica foi promovido a Cónego. Foi Arcipreste de Penacova, foi Presidente da Junta de freguesia. Foi um dos principais impulsionadores do Asilo de Nossa Senhora do Rosário. Nos anos 20 liderou a ampliação e transformação da capela-mor da Igreja, tendo, igual intervenção, sido estendida a  todo o corpo daquele templo.

Consta que na Igreja, em tempos recuados, teria existido uma Capela dedicada a N. Sª do Rosário. Quem colocou essa hipótese foi o Padre Manuel Marques, quando em 1950 escreveu no Notícias de Penacova o seguinte: 

“Mesmo quem conhece a igreja de Figueira antes da reforma de 1928 não conheceu capela alguma da Senhora do Rosário. Pois é certo que já houve uma capela dessa invocação. Capela que se salientava para o lado de fora, como se verifica pela leitura de parte dum assento de óbito que teve lugar em 16 de Janeiro de 1713 que reza assim:  “foi sepultado junto da capela do Rosário da parte de  fora”.

Tenho porém ideia de o falecido P.e Bernardo ter descoberto na antiga parede longitudinal, ao lado do altar da Senhora do Rosário, um arco de cantaria embebido na oitava parede. Desobstruiu esse arco de materiais que enchiam o vão e instalou  ali o altar do Coração de Jesus que mandou fazer em talha de castanho de que fazia parte o actual sacrário que está hoje no altar-mor. 

Ora uma pergunta: Seria esse arco e o seu vão que constituiria a tal «capela do Rosário» a que alude o excerto do assento de óbito citado? Alguma coisa talvez possa dizer o Sr. Arcipreste Vieira dos Santos, que tem assistido a uma verdadeira autópsia da igreja matriz de Figueira no curso destes trinta e seis anos de pároco da freguesia. “

Ao consultarmos o Inventário Artístico de Portugal (1953) não encontramos nenhuma referência à presumível existência remota da dita capela. Aliás, os autores não desenvolvem muito a descrição da Igreja, conforme se pode ver no excerto que publicamos. Referem a imagem de S. João Baptista (finais do séc XV), duas cruzes processionais dos séculos XVI e XVII, em prata, e um cálice do século XVIII.

Fomos à procura do tal assento de óbito e confirma-se, de facto, aquela referência.  


Interior da Igreja, na actualidade




22 setembro, 2025

Notas para a história do Monumento da Serra de Gavinhos



A história do MONUMENTO AO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA, na Serra de Gavinhos, remonta aos anos sessenta do séc. XX.

Foi do pároco de Figueira de Lorvão, Padre Hermano de Almeida, que partiu a ideia de construir o monumento. 

Logo se rodeou de alguns paroquianos para perceber se haveria "alma" para levar avante o projecto da construção do monumento ao Coração Imaculado de Maria, no alto da Serra de Gavinhos, para poder ser avistado, praticamente, de todos os lugares da paróquia. 

O jornal "Notícias de Penacova" (N.P.), cuja direcção estava entregue ao Prof. Joaquim de Oliveira Marques, noticiou pela primeira vez este "sonho" em 27 de Julho de 1968. Em Setembro desse mesmo ano começaram a formar-se quer a comissão central, quer as sub-comissões, abrangendo todos os lugares da freguesia. 

A Comissão Central era composta por Manuel Simões Flórido, Joaquim Oliveira Marques, António Soares Coimbra e Alípio Marques de Oliveira.  Era necessário angariar fundos para erguer a obra. 

Foi na tarde de 10 de Novembro de 1968 que foi benzida a primeira pedra. Era então Bispo de Coimbra D. Francisco Rendeiro e veio nessa data em visita Pastoral à Paróquia. Pela circunstância de ter de seguir para Poiares, delegou na pessoa do Cónego Abílio Costa, Vigário Geral da Diocese, para presidir a essa bênção. 

Depois de benzida a primeira pedra o local escolhido foi alterado. Contou ao Jornal de Penacova em 1996, Alípio Marques de Oliveira, que “toda a freguesia de Figueira de Lorvão queria ver o monumento". A princípio era virado para o lado de Penacova, depois decidiu-se pela actual localização, ponto da serra que é visto por quase toda a freguesia. 

No decorrer do ano de 1968 e seguintes procedeu-se à angariação de fundos e, curiosamente o N.P. noticiou dádivas adquiridas na "campanha do ovo", que decorreu em Gavinhos. Os conterrâneos emigrados também foram chamados a contribuir. 

O N.P. de 14 de Julho de 1969 publicou a maquete do monumento. Em Julho de 1970, este periódico anunciou que a obra já se estava a erguer e em 7 de Novembro de 1970 informou que a base estava pronta para se instalar a estátua. 

A edição seguinte do mesmo jornal informou igualmente que o custo da imagem era de mais de meia centena de contos. Foi a Família Pereira da Costa, residente no Porto, mas natural de Gavinhos que ofereceu esse valor. Por sua vez, o custo do pedestal ultrapassou os cem contos e foi custeado por ofertas de todos os lugares da Paróquia. 

Em 28 de Novembro de 1970 o N.P. anunciou que a imagem (com 5 metros de altura, não incluindo o pedestal) já “brilhava” no alto da Serra de Gavinhos. A imagem do Coração Imaculado de Maria é constituída por cinco peças, com um peso total de dois mil e cem quilos e tem cinco metros de altura.

 Foi adquirida a uma empresa de Coimbra por quarenta e cinco contos. O monumento foi pago na totalidade com os donativos e custou à freguesia a quantia exacta de 98.869$00. Por fim, no dia 8 de Dezembro de 1970, teve lugar a Benção Solene do Monumento com a presença do Bispo de Coimbra D. Francisco Rendeiro. 

Fontes: Desdobrável publicado pela Unidade Pastoral no Centenário das Aparições (1917-2017); Jornal de Penacova, 26/9/1996





Fotos: David Almeida | 2025


Maquete inicial