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11 agosto, 2026

A Barragem da Aguieira explicada pelo Engenheiro Director, Edgar Fritz Dolgner


Crédito fotográfico: Suplemento DC 1982 

Aguieira: do sonho à realidade

O rio Mondego, o maior curso de água integralmente em território português, nasce na Serra da Estrela a uma altitude do 1547 m e, após um percurso de 227 km, desagua no Oceano Atlântico junto à Figueira da Foz, ocupando a sua bacia hidrográfica uma área com cerca de 5671 m2. O regime hidrológico do rio, tal como dos seus afluentes, é quase torrencial, sendo portanto extremamente irregular e dal ter sldo baptizados pelo povo como O BASÓFIAS. Como curiosidade poder-se-á adiantar que em Coimbra os caudais líquidos atingem valores entre os 3000 m3/s a 1 m3/s, para cheias e permanentes, durante os vários dias do ano, respectivamente.

Há já algumas dezenas de anos que se vêm estudando os vários aspectos do rio Mondego de forma a satisfazer, mediante exploração adequada, múltiplos e importantes objectivos de interesse regional e nacional.

Foi-se assim levado a estabelecer três grandes opções que nortearam o seguimento dos estudos e conduziram a uma solução finalmente adoptada:

1 - Regularização dos caudais do Mondego e dos seus afluentes Dão e Alva, mediante a constituição de albufeiras - Aguieira, Mucelão (Fronhas), Midões e Girabolhos - se bem que as duas primeiras sejam suficientes para a limitação dos caudais do Mondego a jusante de Coimbra.

2 - Irrigação e drenagem da Planície do Mondego, mediante a construção de um sistema de valas e estações de bombagem apoiadas numa pequena albufeira criada por um açude a jusante da Aguieira - o Açude de Coimbra.

3 - Produção de energia eléctrica, embora esta condicionada a uma exploração das albufeiras que lhes permite a regularização das cheias e a garantia dos volumes de água para a rega dos campos.

Posto isto, passemos então a essa grandiosa obra de engenharia que é a Barragem da Aguieira, situada no troço médio do rio Mondego, localizada a cerca de 35 km a montante de Coimbra e 400 m a jusante da confluência com o seu afluente - o rio Dão. Trata-se de um aproveitamento de fins múltiplos cujas principais missões são:

- controlo de cheias
- fornecimento de água de rega aos campos a jusante de Coimbra
- produção de energia eléctrica.

Consiste essencialmente numa barragem de betão com 89 m de altura criando uma albufeira com 30 km de comprimento, a qual se estende pelo rio Mondego, pelo seu afluente – o rio Dão e ainda pelo afluente deste rio – o Criz, e uma Central de pé de barragem equipada com três grupos reversíveis turbina-bomba.

A barragem, do tipo de abóbadas múltiplas, compõe-se de três cúpulas apoiadas respectivamente nas margens e em dois contrafortes localizados no leito do rio. Estes contrafortes são levemente divergentes quanto ao eixo do rio e a distância média entre eles é de 90 m. Sobre eles e com a crista à cota (111,00) estão instalados os descarregadores com o caudal de descarga máxima da ordem dos 1000 m3/s cada. Os escoamentos são controlados por uma comporta-segmento, em cada descarregador, e o seu lançamento a jusante faz-se por meio de saltos de ski de jacto orientado para o centro do rio. O coroamento da barragem, situado à cota 126,65, tem um desenvolvimento de aproximadamente 400 m e comporta uma rodovia com 7 m de faixa de rodagem e respectivos passeios.

A albufeira criada pela barragem tem o volume total de 450×106 m3 dos quais 150 × 106 m3 entre as cotas 117,50 e 126,00. Com este último volume domina-se completamente a cheia centenária, que tem a ponta de 2500 m3/s, com a descarga máxima de 600 m3/s e a cheia milenária, com a ponta de 3500 m3/s, com a descarga máxima de 2000 m3/s.

A Central ocupa parte do espaço limitado pela abóbada central e pelos contrafortes, abrangendo uma área de 2300 m2. Nela estão instalados três grupos reversíveis, como se disse, tendo cada turbina-bomba a potência unitária de 90 MW sob 60 m de queda e 125 rotações por minuto, e o respectivo alternador-motor com 100 MVA de potência, 12 kV de tensão e 125 r.p.m. Cada grupo desenvolve a potência máxima de 112 MW como turbina e 94 MW como bomba quanto à turbina, e 100 MVA como gerador e absorve 110 MVA como bomba quanto ao alternador-motor.

Cada máquina é dotada do seu circuito hidráulico independente o qual consta de:

- uma tomada de água em forma de trompa, na boca da qual estão instaladas duas grades amoviveis de 5,5x16,0 m.
- um poço cilíndrico no qual deslizam a ensecadeira e a comporta de serviço, do tipo de lagartas, plana, com as dimensões de 5,0x7,5 m.
- uma curta conduta forçada com 57,35 m de desenvolvimento e 6,5 m de diâmetro interior, uma turbina tipo FRANCIS com 6,1 m de diâmetro imediatamente antes da qual está instalada uma válvula cilíndrica e um distribuidor.
- um tubo de aspiração equipado na sua extremidade de jusante, com ranhuras para ensecadeira e duas comportas corrediças de 6,0×5,6 m.

As três máquinas turbinam os seus caudais para uma bacia de restituição comum a qual comunica com a albufeira do Escalão da Raiva (construído visando a criação do embalse para a bombagem da água turbinada na Aguieira) através de 10 grades amovíveis. Os poços cilíndricos, mencionados atrás, são unidos no seu nível superior - à cota 126,65, por uma plataforma comum na qual estão instalados os servo-motores das comportas de serviço e se desloca um pórtico rolante de 80 t pelo qual se manobram as grades amovíveis das tomadas de água e a ensecadeira de montante.

As comportas corrediças das saídas dos grupos são também manobradas por servo-motores enquanto que a ensecadeira de jusante e as grades amovíveis são movimentadas por um outro pórtico de 2x10 t.

Para atender à função de domínio de cheias a cota de água na albufeira da Aguieira deve manter-se, de Inverno, à cota 117,5 enchendo depois até à cota 125,0 nos meses de Abril e Maio, atingindo a cota máxima de 126,0 nos meses de Junho, Julho e Agosto. Esta curva de segurança contra cheias termina baixando novamente para a cota 125,0 até meados de Outubro e, nesta ocasião, novamente até à cota 117,5.

A jusante, na albufeira da Raiva, a variação esperada de cotas é entre 61,5 e 54,0. A queda máxima de turbinamento na Aguieira é de 71,0 m e mínima de 53,0 m. As alturas de bombagem são respectivamente 71,5 m de máxima e 53,5 m de mínima. Os caudais do turbinamento e da bombagem são da ordem dos 167 m3/s e 155m3/s respectivamente.

A subestação de transformação constituída por 3x3 transformadores monofásicos, com a potência máxima unitária de 36 MVA situa-se imediatamente a montante da Central. Por meio de uma «teia» de cabos aéreos esta subestação está ligada ao Posto de Seccionamento localiza

do na margem direita, onde se localizam um painel de conjugação e dois painéis de saída de linha a 220 kV, equipados, e espaço de reserva para uma terceira saída de linha.

Finalmente, e aproveitando a derivação provisória, instalar-se-á uma descarga de fundo com a capacidade máxima de 125 m3/s. O caudal é controlado por uma comporta-segmento com as dimensões de 2,50×1,80 m.

A produção de energia eléctrica é a seguinte:
- sem bombagem, 260 GWh em ano médio e 120 GWh em ano critlco;
- com bombagem (para 6 horas de turbinamento) respectivamente 530 GWh e 450 GWh.

O Aproveitamento da Aguieira completa-se com a Barragem e Central da Raiva e a Barragem de Fronhas. Destas últimas, a primeira, já referida atrás, situa-se a cerca de 10 km a jusante da Aguieira, é uma barragem do tipo gravidade com 32 m de altura e vai ficar com uma central equipada com 2 grupos alternadores tipo “bolbo” e uma potência de 11 MW cada. A segunda localiza-se no rio Alva a montante da Ponte de Mucela e irá reter a água deste rio que será desviada através de um túnel com cerca de 8 km para a albufeira da Aguieira.

Quando se atingir o pleno funcionamento, a produção do complexo Aguieira-Raiva será de cerca de 8% do total de energia hidroeléctrica actualmente produzida em Portugal.

As partes inundadas pela albufeira submergiram algumas povoações e pontes existentes das quais se poderão destacar a Povoação da FOZ DO DÃO no local onde o rio com o mesmo nome «beija» o Mondego, a ponte sobre o rio Mondego junto daquela povoação e a ponte sobre o rio Criz (afluente do Dão) entre Santa Comba Dão e Mortágua construída em 1826. Nesta ponte havia uma pedra, na margem, com a seguinte Inscrição: «FOI ESTA PONTE CORTADA PELA INVASÃO DO EXÉRCITO FRANCÊS EM 1810. FOI REEDIFICADA EM 1826». Outras povoações a merecer apontamento e que ficaram submersas: Breda; Senhora da Ribeira; Alambique e Barca de Asnabrava, totalizando 105 habitações e 315 desalojados. Por outro lado, dos valores artísticos e culturais também «absorvidos» pelas águas saliente-se: a Capela da Senhora doPranto, no lugar da Senhora da Ribeira, freguesia de Pinheiro de Ázere. Fol em tempos o Santuário mais célebre da região, sabendo-se que existia antes do ano 1200 com a designação de «Santa Maria Maior», restando do templo primitivo a capela-mor. Os seus altares são de talha dourada, sendo o altar-mor de estilo Renascença e os laterais de estilo Barroco. Em virtude da riqueza dessa capela e para se preservar o seu espólio foi, antes do enchimento da albufeira, em Junho de 1980, transferida para outro local, pedra por pedra.

Refira-se, por último, que a construção do Aproveitamento Hidroeléctrico da Aguieira implicou

A construção de 10 pontes e 27,5 km de estrada nova, bem como a protecção a alguns troços das linhas férreas da Beira Alta e Dão, tendo resultado, com toda esta alteração, uma significativa melhoria na rede viária local.

Por outro lado, o próprio clima face à albufeira deverá sofrer modificações, enquanto que o caudal do rio Mondego passará a ser mais estável.

No capítulo do turismo abrem-se novos horizontes para a zona abrangida por esta obra havendo já, por parte das edilidades vizinhas, projectos de empreendimentos turísticos com notável envergadura.

Edgar Fritz Dolgner
Chefe designado da Central da Aguieira

in Suplemento do Diário de Coimbra, 6 de Maio de 1982

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Pesquisa Google em 11/8/26, 23:00:

Edgar Fritz Vieira Dolgner é um engenheiro eletrotécnico português que se destacou profissionalmente na gestão de infraestruturas energéticas e, posteriormente, no ensino sénior em Portugal.

Percurso Profissional e Liderança: Diretor da Barragem da Aguieira: Ao longo da sua carreira na EDP (Energia de Portugal), desempenhou funções de elevada responsabilidade técnica, tendo sido o Diretor do Aproveitamento Hidroelétrico da Aguieira, uma das principais centrais hidroelétricas do país, situada no rio Mondego. 

Ligação à AREP: Mantém uma ligação ativa à Associação de Reformados da EDP (AREP), participando na comunidade e nas dinâmicas sociais da instituição após o seu período de atividade profissional na empresa.

 Atividade Académica e Social: Professor no Ensino Sénior: Atualmente, colabora de forma voluntária como professor na Universidade Sénior de Gondomar.



Suplemento DC 1982 (capa)


05 junho, 2026

Barragem da Aguieira é candidata às 𝐍𝐨𝐯𝐚𝐬 𝟕 𝐌𝐚𝐫𝐚𝐯𝐢𝐥𝐡𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥

O anúncio dos 147 finalistas e o início da votação popular teve lugar no dia 29 de Maio, num evento que decorreu no Palácio Nacional de Queluz. 

A Barragem da Aguieira (categoria Grandes Obras*), a Universidade de Coimbra, o Museu Nacional de Conímbriga, em Condeixa-a-Nova, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (Coimbra), o Museu do Azeite – Bobadela (Oliveira do Hospital) e a Mata Nacional do Bussaco são os sete representantes da Região Metropolitana de Coimbra (RM Coimbra-CIM) na lista finalista das  Cada maravilha tem um número de telefone atribuído, sendo cada chamada equivalente a um voto.

"A edição de 2026 assinala o regresso das 7 Maravilhas de Portugal®, vinte anos após a primeira edição, e pretende celebrar a multiplicidade histórica, cultural, arquitetónica e identitária do país. O concurso está organizado em 7 categorias: Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Século XX, Século XXI e Turismo.

As Novas 7 Maravilhas de Portugal®, projeto nacional regressa em 2026 para eleger por voto popular os mais notáveis exemplos do património construído português.

Com o património como tema central, esta nova edição volta a colocar os portugueses no centro da decisão, celebrando a diversidade histórica, cultural e arquitetónica do país.

O desafio e evidenciar o reconhecimento desse património e eleger o que de melhor Portugal tem, enfatizando o património histórico, o património religioso, as grandes obras emblemáticas do desenvolvimento do país, as grandes correntes de arquitetura que atravessam a vivência dos portugueses ate aos dias de hoje e celebrar também algumas das obras que mais contribuem para a riqueza turística do pais, hoje a maior força económica de Portugal.

Portugal caracteriza-se por grandes obras de valor histórico inequívoco, mas também por um progresso que acelerou nas últimas décadas e que se evidencia por exemplos de arquitetura moderna e contemporânea hoje presentes em todo o território nacional. A função prestada por estas obras a sociedade, o seu valor artístico, arquitetonico e cultural serão critérios igualmente a ter em conta neste concurso e nas respetivas candidaturas.

As Novas 7 Maravilhas de Portugal® organizam-se em sete categorias - Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Seculo XX, Seculo XXI e Turismo - assegurando uma leitura transversal e representativa do património construído ao longo dos séculos.

Fonte: Regulamento do Concurso [consultado 22:36 _05/06/2026]

https://7maravilhas.pt/regulamento

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*GRANDES OBRAS

Nesta categoria integram-se os patrimónios classificados ou reconhecidos como obras estruturantes de engenharia e serviço público, concebidas para assegurar a mobilidade, o abastecimento, a energia, a conectividade e o desenvolvimento territorial. São abrangidas infraestruturas de transporte - como pontes, viadutos, túneis, estações ferroviárias, estações fluviais, estações de metro, elevadores, teleféricos, portos e aeroportos – bem como sistemas de energia e barragens. Incluem-se, igualmente, obras que, pela sua dimensão técnica, relevância estratégica ou impacto sócio- económico, contribuíram de forma determinante para a transformação do território, a coesão regional e a melhoria da qualidade de vida das populações.

ver Fonte

SABER +


EXCERTO DE COMUNICAÇÃO DE LUCIANO LOURENÇO, NO IV COLÓQUIO IBÈRICO DE GEOGRAFIA (Coimbra, 22 a 25 de Setembro de 1986

APROVEITAMENTO HIDRÁULICO DO VALE DO MONDEGO

[...] A albufeira da Aguieira, destina-se essencialmente à regularização dos caudais a ela afluentes, ao amortecimento das pontas de cheia e ao armazenamento da água para a rega no Baixo Mondego.

A albufeira das Fronhas serve fundamentalmente para controlar as cheias do rio Alva e para, através de um túnel, permitir desviar as afluências deste rio para a albufeira da Aguieira. A albufeira da Raiva constitui o contra embalse da central reversível de pé de barragem, instalada no escalão da Aguieira.


2.1 - Aproveitamento hidroeléctrico da Aguieira

FONTE: DIÁRIO AS BEIRAS

A barragem da Aguieira localiza-se a cerca de 35 km a montante de Coimbra. Possui 89 m (2) de altura máxima acima das fundações e cerca de 400 m de desenvolvimento total no coroamento, situado à cota 126,65, que comporta uma via rodoviária com sete metros de faixa de rodagem e respectivos passeios.

 Cria uma albufeira que inunda uma área de 2 000 ha e tem capacidade para 450 milhões de metros cúbicos, dos quais 243 constituem volume útil. Entre as cotas 117,50 e 126,00 comporta 150 milhões de metros cúbicos, volume com que se domina completamente a cheia centenária (tem a ponta a 2 500 m3/s), com a descarga máxima de 600 m3/s e a cheia milenária (ponta a 3 500 m3/s), com a descarga máxima de 200 m3/s.

Para ser possível dominar as cheias, a água deve manter-se na albufeira, de Inverno, à cota de 117,5. Nos meses de Abril e Maio, pode encher-se até à cota 125,0, atingindo-se a cota máxima de 126,0 nos meses de Junho, Julho e Agosto. Esta curva de segurança contra cheias, termina baixando até meados dOutubro para a cota 125,0 e, a partir desta altura, progressivamente, até à cota 117,5.

A barragem foi construída no período compreendido entre 1972 e 1982. É do tipo de abóbadas múltiplas e compõem-se de três abóbadas de dupla curvatura - a central com 90 m de vão - apoiadas nas margens e em dois contrafortes localizados no leito do rio. A espessura mínima da abóbada é de 4,5 m, no fecho e a máxima é de 8 m, na base. Sobre eles estão instalados dois descarregadores de cheias com a capacidade de vazão de 1 000 m3/s cada. A descarga faz-se por meio de saltos de ski de jacto, orientando para o centro do rio.

Além destes dois descarregadores principais de superfície, existe uma descarga de fundo cuja capacidade de vazão é de 180 m3/s.

A central, do tipo pé de barragem, ocupa parte do espaço delimitado pela abóbada central e pelos contrafortes, tem a fundação a mais de 30 m abaixo do leito do rio e está equipada com três grupos reversíveis. Em turbinamento, a potência máxima fornecida pela central, para as cotas normais de exploração de albufeira, é da ordem dos 270 MW, a que corresponde um caudal de cerca de 450 m3/s. Com a albufeira à cota máxima (126,0) a potência máxima poderá atnigir os 321 MW com o caudal turbinado de 525 m3/s.

O funcionamento reversível destes grupos permite bombar para a barragem da Aguieira, do embalse criado pela barragem da Raiva, um caudal médio de cerca de 3× 140 m3/s, absorvendo cada motor uma potência de aproximadamente 94 MW. Não considerando a bombagem, a energia produtível em ano médio, na Aguieira, ronda os 260 GWh.

Nas áreas inundadas pela albufeira submergiram algumas povoações e pontes. Entre elas destacam-se a povoação de Foz Dão, na confluência deste rio com o Mondego e as pontes sobre o rio Mondego, junto daquela localidade, e sobre o rio Criz, afluente do Dão entre Santa Comba Dão e Mortágua.

Outras povoações que ficaram submersas foram: Breda, Senhor da Ribeira, Alambique e Barca de Asnabrava, totalizando 105 habitações e 315 desalojados.

Modificações sensíveis sofreu também a rede rodoviária. Construíram-se 10 pontes e 27,5 km de novas estradas. Protegeram-se, ainda, alguns troços das vias férreas da Beira Alta e do Dão.

Alterações climáticas são também já perceptíveis, nomeadamente o aumento da humidade do ar e parecem ter como consequência, entre outras, a diminuição da graduação do teor alcoólico do vinho produzido na região, mas que estudos concretos ainda não permitiram confirmar.

Por outro lado as novas potencialidades criadas pela albufeira, levaram ao despertar do turismo na região, que rapidamente projectou a criação de unidades hoteleiras, destinadas ao alojamento dos amantes de desportos aquáticos (motonáutica, vela, regatas, «wind-surf» ... ).

(2) Os valores e outras características técnicas referentes aos aproveitamentos hidroeléctricos foram gentilmente cedidos pelo Eng.° Edgar Fritz Dolgner. Director da Barragem da Aguieira, a quem expressamos o nosso agradecimento.


2.2. Aproveitamento hidroeléctrico da Raiva

Situa-se dez quilómetros a jusante da Aguieira e destina-se à criação do embalse para a bombagem da água turbinada na Agueira e, ainda, a modular os caudais a fornecer para a rega a jusante.

A barragem, do tipo gravidade, tem uma altura de 34 m acima das fundações e pode inundar uma área de 230 ha. A albufeira tem a capacidade total de 24 milhões de metros cúbicos, dos quais 13 milhões constituem volume útil, tanto para o turbinamento dos grupos da Raiva como para a bombagem dosgrupos da Aguieira (fig. 3).

Este aproveitamento foi construído de 1975 a 1982 e comporta uma barragem com dois descarregadores de superfície, capazes de descarregar um caudal de 2 × 1000 m3/s, com a albufeira à cota de 60,0. Possui ainda uma comporta de fundo capaz de descarregar um caudal máximo de 47 m3/s.

Incorporada na barragem encontra-se uma central com dois grupos bolbo, com uma potência total de 26 MVA, para um caudal turbinado de 160 m3/s. A energia potencial, em ano médio, deverá ser aproximadamente de 50 GWh.

Estas obras (Aguieira-Raiva) ocuparam cerca de 1400 trabalhadores, 200 dos quais pertencentes aos quadros da EDP.  Actualmente, no referente à produção de energia estão ocupados cerca de 90 postos de trabalho.

2.3. Barragem e túnel das Fronhas

A barragem das Fronhas, no rio Alva, e o túnel de derivação Fronhas /Aguieira contribuem para a regularização das cheias daquele afluente da margem esquerda, que tinham um peso significativo nas cheias do Mondego e para aumentar em cerca de 310 milhões de metros cúbicos as afluências, em ano médio, à albufeira da Aguieira, levando a um acréscimo de produção de energia eléctrica, nos aproveitamentos hidroeléctricos da Aguieira e a Raiva, de cerca de 50 GWh, também em ano médio.

A barragem rígida, de betão, de uma abóbada de dupla curvatura com directriz parabólica e encontros de gravidade nas margens, tem uma altura máxima acima da fundação de 62 metros. O coroamento desenvolve-se por 250 m à cota de 140. As espessuras máxima e mínima no fecho, são respectivamente de 9 e 4 metros. A espessura máxima é de 15,47 metros.

Está equipada com duas descargas de fundo e duas de meio fundo, com uma capacidade total de vazão de 500 m3/s. A capacidade total da albufeira é de 89 milhões de metros cúbicos.

O túnel de derivação Fronhas-Aguieira, tem um comprimento total de 8200 m. As cotas de galerias são: na boca de entrada (Fronhas), 117 m e, na boca de saída (Aguieira), 112 m." [...]

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Sabia que também existe um DIA DAS BARRAGENS?

24 abril, 2026

Recorte de jornal: Tragédia na Barragem da Aguieira



A Barragem da Aguieira e todo o conjunto de obras complementares (barragens, rodovias, pontes) alterou a vida das pessoas, principalmente do Alto Concelho de Penacova, mexeu com as relações sociais e laborais, gerou expectativas de progresso e de desenvolvimento, deixou memórias, umas felizes, outras muito trágicas. 

Em 1978, quando se construía a Ponte do Chamadouro, morreram 5 trabalhadores. No ano seguinte, 1979, outro trágico acidente ocorreu quando os andaimes de uma das torres (tomadas de água) desabaram provocando a morte de mais 4 operários e ferimentos, alguns graves, em outros doze. Faleceram Manuel Esteves Gouveia, de Lisboa, António Costa Pereira, de Travanca do Mondego, e Manuel Rodrigues e Joaquim Novo, de S. Pedro de Alva. Foi em Março de 1978, mais precisamente no dia 6, à tarde.  A história da construção da barragem da Aguieira fica marcada por outras mortes, como a de 1 jovem da Rebordosa. 

Guardamos ainda o “Diário de Coimbra” de 7 de Março de 1979, que noticia o trágico acidente: 

“Quatro mortos e doze feridos - alguns deles com gravidade, mas já livres de perigo - é o balanço de novo desastre ocorrido ontem à tarde nas obras da Barragem da Aguieira. O desprendimento de um andaime colocado a cerca de noventa (90) metros de altura arrastou atrás de si os dezasseis operários que ali trabalhavam e se viram de um momento para o outro envolvidos numa queda espectacular, estatelando-se no solo uns em cima dos outros à mistura com ferros retorcidos e outro material do andaime desprendido.

«Não sabemos como aquilo aconteceu» - dizia-nos ontem na sala de Raios X dos Hospitais da Universidade um dos acidentados, António Jorge Baltasar - que muito a custo nos deu uma ligeira explicação do acidente. «Estávamos a passar material para baixo e de repente aquilo começou a desandar. Não sei mais nada».

O acidente ocorreu por volta das 16 horas e em Coimbra e na região logo se soube que algures ocorrera grave acidente, já que o alarme das várias ambulâncias perspectivava algo de anormal que fazia interrogar quem o ouvia. Dado o modo como ocorreu, logo se pensou tratar-se de um desastre de gravíssimas consequências, pelo que rapidamente foram accionados todos os meios de socorro disponíveis: nada menos que onze corporações de bombeiros, num total superior a vinte viaturas, incluindo algumas particulares. 

Enquanto umas ambulâncias procediam ao transporte dos feridos para os hospitais mais próximos - Coimbra, Penacova, Santa Comba Dão e Viseu - outros bombeiros empenharam-se no retirar dos feridos envolvidos nos materiais do andaime, para o que foi necessário recorrer à utilização de vários maçaricos. Esta tarefa de socorro foi extremamente dificultada pela natureza do local onde os infelizes operários caíram, pelo que só cerca de uma hora depois do acidente era retirado o último ferido, conduzido a toda a velocidade para o hospital mais próximo. Dos dezasseis sinistrados, três chegaram já mortos ao hospital de Penacova, enquanto que um quarto, conduzido para Coimbra, não viria também a resistir aos ferimentos, sucumbindo pelo caminho."



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SABER + SOBRE A BARRAGEM DA AGUIEIRA


A Barragem da Aguieira foi construída nos anos de 1973 a 1981, tendo como principais objectivos a produção e fornecimento de energia hidroeléctrica, a irrigação agrícola e o controlo de cheias, sobretudo na região do Baixo Mondego. 

E uma barragem do tipo “abobadas múltiplas”, em betão. Possui 3 abóbadas de dupla curvatura e 2 contrafortes centrais que constituem, simultaneamente, dois descarregadores de cheia.  Alem destes descarregadores principais de superfície, apresenta ainda uma descarga de fundo. Entre os dois contrafortes encontra-se a central eléctrica.

Imagens da fase de construção da barragem da Aguieira (Fonte: RTP)

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Veja também AQUI, o Penacova Online de 2008


19 dezembro, 2010

Municípios com Barragens reivindicam o pagamento de uma renda por parte da EDP

Revista da ANMP
A Associação Nacional de Municípios constituiu uma estrutura designada por Secção de Municípios com Barragens da ANMP. Pretende-se que sejam pagas contrapartidas que compensem os impactos negativos das barragens. De acordo com dados de Abril deste ano, eram já 75 os municípios que faziam parte deste movimento. Desconhecemos se Penacova também faz parte. Admitimos que sim, pois a Barragem da Aguieira, implantada em parte na freguesia de Travanca, será um dos casos com peso a nível nacional.