Por diversas vezes, e em variados contextos, temos vindo a falar dos nomes dos irmãos Manuel Alves e António Alves, combatentes da Guerra 1914-1918. O primeiro regressou com vida, mas o segundo ficou sepultado em terras longínquas. Por um incompreensível lapso, o nome que consta no Memorial da Pérgola é o do Manuel e não o do António.
A morte deste foi noticiada com destaque no Jornal de Penacova, defendendo-se aí que “o seu nome e a sua memória sejam por nós religiosamente amados, como o nome e a memória de quantos conterrâneos nos ficaram já, nos areais adustos da África ou nas planícies da Flandres”, devendo, pois, ser enumerado "no rol glorioso dos nossos mortos." Transcrevemos essa notícia:
Pela Pátria: os nossos mortos
“À administração deste concelho acaba de ser comunicada a triste notícia do falecimento de mais um soldado deste concelho que fizera parte da expedição a Moçambique: António Alves, soldado n° 89 da 3ª companhia de infantaria n.°123. Era natural dos Palheiros, freguesia de Sazes, filho de António Alves e de Maria das Neves.
Faleceu na Beira, província de Moçambique, pelas 7 horas do dia 23 de Março do ano corrente. Nem ao menos a nossa dor e a nossa saudade podem ser minoradas pelo orgulho de esse nosso infeliz conterrâneo ter, como outros heroicos soldados deste concelho, morrido em combate, ajudando, com o sacrifício da sua generosa mocidade, o triunfo da causa da Liberdade e do Direito em que Portugal está empenhado.
António Alves morreu afogado quando tomava banho no mar - assim reza laconicamente a comunicação a este respeito recebida na administração deste concelho. Nem por isso, todavia, a sua memória deve deixar de merecer de todos nós, seus conterrâneos, quando não de todos os portugueses, o tributo da nossa ardente saudade, da nossa comovida veneração. Foi um soldado que o dever levou para o campo da batalha, na África longínqua, e que ali, embora por um estúpido desastre, encontrou a morte. Tanto basta para que o enumeremos no rol glorioso dos nossos mortos nesta guerra maldita, para que o seu nome e a sua memória sejam por nós religiosamente amados, como o nome e a memória de quantos conterrâneos nos ficaram já, nos areais adustos da África ou nas planícies da Flandres.
Dois irmãos de António Alves, José e Manuel Alves, estão também a combater pela Pátria, estes em França. Que estes voltem ao menos, que com eles possam seus Pais, em dias de paz, chorar a dor e a saudade do filho que ficou na África!
À família do soldado António Alves enviamos as nossas profundas condolências.”
NP 25 Maio de 1918

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