A iniciar a sessão, foi apresentado um vídeo com a interpretação, por Rodrigo Carvalho *, maestro penacovense, do poema “Saudade em Tempo / Letra para um Fado de Coimbra”.
Luís Pais Amante referiu que mais do que se tratar de apresentar um livro, o momento era um “modo de trazer Penacova ao Mundo”, isto é, dando-a a conhecer através deste evento. Manifestou o grande prazer de poder contar com a presença de “pessoas que já não via há 50 anos”, bem como de alguns colegas da escola primária e de muitos amigos.
Seguiu-se a declamação, por uma das responsáveis da editora, de dois poemas: “Eu sou a minha mãe” e “Tu (Ana) és o meu Natal”.
Também o neto do autor, André, leu uma das crónicas “E como o Fundo da Vila renasce!”, tendo chamado ao palco o Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra, para receber um exemplar autografado e usar da palavra.
“É um gosto estar aqui na Feira do Livro de Lisboa no meio desta magnífica plateia”, afirmou Álvaro Coimbra. Salientou a presença de “muitos rostos da nossa cultura local”, designadamente David Almeida, “investigador”, Óscar Trindade, “pintor, cujos trabalhos vale a pena ir acompanhando” e Rodrigo Carvalho “um excelente Maestro”. Figuras “que quiseram hoje estar ao lado do Luís Amante no lançamento deste livro.”
Referiu ainda a proximidade com o Autor, quer desde os tempos em viveram paredes meias no chamado “Fundo da Vila”, quer no acompanhamento dos seus “livros de poesia que falam da sua paixão” por Penacova. Agradeceu a presença de todos, bem como a “dádiva” literária, naquele dia especial, 10 de Junho, Dia de Camões e da Língua Portuguesa”. Terminou deixando um repto e um convite a “quem não conhece Penacova”, para “num fim-de-semana sair da Capital e ir até ao Centro” para ver que de facto “Penacova é um sítio incomparável e de uma beleza única”.
Luís Pais Amante prosseguiu na condução da sessão. Referiu e agradeceu algumas das colaborações na “construção” do livro: David Almeida, "do Blogue Penacova Online”, Óscar Trindade, “um penacovense de gema que publica também muita coisa” do que o Autor escreve, Paulo Rodrigues, “que gere o Penacova Acontece”, onde escreve igualmente. Referiu ainda Manuelita Sampaio, que habitualmente se responsabiliza pelo design das obras que têm sido editadas. Salientou ainda a presença de “outras pessoas amigas” como Ricardo Simões, de Penacova, e esposa.
O Autor destacou um aspecto que lhe é muito peculiar: “vamos desenvolvendo a poesia fazendo-o com o coração”. Entende mesmo que “é mais bonito ‘poetar’ com o coração do que levar muito tempo a escrever um poema”.
Anunciou, de seguida, a Apresentação, propriamente dita, acentuando que sendo o livro escrito por si e sendo a “Janela”, metade sua e metade da “Senhora Professora Doutora Ana Marques Lito”, seria justo que fosse ela a fazer o Prefácio do Livro e a respectiva apresentação.
Ana Marques Lito seguiu de perto os tópicos que ficam registados no Prefácio (de que abaixo destacaremos alguns excertos).
Terminada a apresentação, Ricardo Coelho, elemento do Coral Divo Canto, declamou “Sou pobre, porque trabalho!” . A concluir a sessão foi projectado um vídeo alusivo ao poema “Remoçar na Praia”, com voz de Ricardo Coelho e imagem e edição de Óscar Trindade.
Após o evento, que decorreu no Auditório Lusíadas, teve lugar uma sessão de autógrafos no pavilhão da distribuidora Letras em Marcha, que representa várias editoras como a Calçada das Letras.
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Posteriormente, nas redes sociais, Luís Pais Amante deixou a seguinte mensagem:
Caros Penacovenses, Amigos e Seguidores,
Foi com enorme orgulho que recebi uma plateia repleta de gente (dentro e nas alas de fora) no Auditório Sul (Principal) a assistirem -com entusiasmo e carinho - ao Lançamento do meu Livro nº 10, “Da minha janela…Acontece”!
E é aqui que fica bem agradecer todas as colaborações recebidas (David Almeida, Óscar Pereira Trindade, Paulo Rodrigues). O Diseur de serviço foi o Ricardo Coelho. O Compositor Intérprete do Fado de Coimbra em que se transformou o Poema “Saudade em Tempo” foi o Maestro Rodrigo Carvalho. A preparação para a edição esteve a cargo de Filipe Amante. A Apresentação esteve a cargo de Ana Marques Lito. A Obra foi dedicada “A Penacova e às suas gentes” e recebida pelo Presidente da Câmara, Álvaro Coimbra. Uma palavra final para a intervenção do neto André Amante, que me deixou orgulhoso. E uma nota de realce para Rogério Marcelo, da Casa do Concelho, que transmitiu o Evento em directo. O meu coração ficou cheio! A nossa Penacova elevou-se no Dia de Portugal!
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* Escreveu, a propósito, Rodrigo Carvalho nas redes sociais:
“A partir de um poema de Lpa Poeta nasceu uma melodia à qual juntei a minha voz, e que ganhou depois corpo e novas cores com o baixo do Ni Ferreirinha, a guitarra do Hugo Gamboias e o piano do Gustavo Martins. O Luís Serrano fez a magia de captar tudo isto com a habitual subtileza e eficácia e o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra tiveram a generosidade de cederem a sua sede para a realização da gravação.
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EXCERTOS DO PREFÁCIO
(subtítulos nossos)
[O TÍTULO DA OBRA: DA MINHA JANELA ... ACONTECE {POESIA E PENSAMENTO}, CONVOCA A FORÇA TELÚRICA DA TERRA ORIGINÁRIA]
Para ficar assinalado dentro de cada leitor - e na memória de Penacova – o título da obra: Da minha janela ... Acontece {poesia e pensamento}, convoca a força telúrica da terra originária e fundante do autor que, com a sua beleza deslumbrante e invulgar, sob o brilho das águas do Rio Mondego, lhe oferecem a lucidez sábia de poetizar e refletir o que acontece dentro e fora do si-mesmo.
[SAGACIDADE E A CAPACIDADE POÉTICA; TÍTULOS ANTERIORES PARTICIPAÇÕES EM EVENTOS CULTURAIS; MENSAGEM DA OBRA]
Ao publicar aqui, aos 72 anos, estes 72 poemas, segue um padrão que se mantem desde os seus 62 anos, quando publicou 62 poemas, em Conexões.
Quando, muitas vezes, privilegia a publicação primeira da sua poesia, em plataformas digitais, está a antecipar a perpetuação virtual do que considera o seu legado; divulgar e enaltecer Penacova e as suas gentes!
A sagacidade e a capacidade poética que o autor apresenta aqui, cumpre já o seu 10° livro. Os títulos anteriores são: Poemas a Recordar, 2012 (edição de autor); Conexões, 2016; Reflexos, 2017; Poesia das Circunstâncias do Tempo, 2018; Participação na Coletânea de Poesia "Conversos", 2019; Penacova [In]Temporal, 2021; Poesia e Pensamento em Tempo de Inquietude, 2021; Liberdade Actual, 2023; Em coautoria comigo o Livro Infantil ilustrado O Clube da Netaria (2024), integrado no nosso projecto Os Contos da Casa Azul, que se vai desenrolando naturalmente.
Nas participações em eventos culturais ligados à poesia, ou não, o autor é requisitado para os integrar, porque se assume e faz declaração própria da sua livre expressão de pensamento desligado de interferências ou interesses alheios.
A mensagem da obra reflete um grito, um alerta à Liberdade individual e coletiva, à Paz, à importância da atitude vigilante face ao modo como vivemos numa sociedade do cansaço de exploração do Homem e do abuso escravizado do desempenho narcísico e profissional sem precedentes, que faz adoecer a alma, isolando o sujeito do devir, aprisionando-o no consumo e nos excessos, num processo de alienação, fora da dádiva do sentir a relação com o Outro – conviver e, de poder nutrir-se dos sentimentos de ligação com o calor emocional de estar presente no encontro com o olhar do outro. (Byung-Chul Han, 2023).
[PARADOXALIDADE DA NOVA ORDEM MUNDIAL]
Luís Pais Amante reflete, portanto, as diversas e diferentes crises e convulsões sociais e politicas, a nível planetário como a guerra da fome e da escravatura humana de (des)humanização crescente, de que somos testemunhas, mas em que o autor-protagonista, insubmisso, grita e denuncia os movimentos das populações parasitas na cidadania, como indiferentes às práticas políticas violentas e tirânicas - posições perversas de imperialismo e fundamentalismos, que impõem e atacam o Outro Diferente, sob o espectro de pseudo-democracia que viola e perverte os Direitos Humanos.
O autor marca bem a paradoxalidade da nova ordem mundial como o impacto de princípios éticos reprováveis e subversivos da era tecnológica e civilizacional de os grandes se apropriarem dos pequenos, o que enuncia a cisão maniqueísta dos tempos impiedosos, do adoecer da democracia como a perspetiva de horizonte sombrio para as gerações vindouras apesar de acreditar na capacidade empreendedora e regeneradora da nossa Juventude.
[COMUNICAR BEM ALTO O POTENCIAL ESQUECIDO DO SER TRABALHADOR]
Solidarizando-se com as gentes e, sentindo-se autor-actor e protagonista, semelhante e membro do povo português, ao qual exprime a sua lealdade, amigo da alma lusa, dedica grande parte da sua Obra, a dar voz e a comunicar bem alto, ao mundo e aos decisores políticos nacionais e internacionais, o potencial esquecido do ser trabalhador senão escravo, português ou não, com a capacidade inesgotável de resiliência. No nosso pais, apesar dos 50 anos de Democracia, ainda persiste uma certa passividade temperada do embuste da nostalgia e conformismo lusitano, resquícios da democracia tardia; o autor, de um ímpeto pretende honrar os trabalhadores em geral.
[POESIA, OPINIÃO, CRÓNICA, ENSAIO, PROSA]
Luís Pais Amante tem-nos proporcionado realizar imensas viagens interiores, em dois ou mais dos cinco sentidos humanos - com sentimento e sagacidade cujas tonalidades e mensagens se transformam, na escrita, em poesia, opinião, crónica, ensaio, prosa (e nos contos ainda desconhecidos aos leitores), que espelham a sua visão ampla e, em perspectiva de expansão, buscando-se noutros horizontes ... como até na transcendência de si próprio.
[RECONHECIMENTO; PLATAFORMAS DIGITAIS]
Neste sentido a publicação no Livro, aqui apresentado, expressa bem a identidade e o seu orgulho de pertença à vila de Penacova como filho leal, amigo dos conterrâneos (as suas gentes) a quem a obra é dedicada.
Amigo do seu amigo manifesta-se neste gesto de reconhecimento ao Blogue Penacova Online, na pessoa, David Almeida, cujo trabalho tem tido o mérito de sensibilizar e aprofundar o conhecimento histórico e social das gentes e das terras de Penacova, onde agora está a desenvolver a rubrica mensal: As crónicas do avô Luís, em que aborda temáticas diversas com o intuito de sensibilizar as gerações futuras, desde a cidadania, à saúde, educação, habitação e outras.
Concomitantemente, nos poemas que têm sido publicadas e divulgados na página pública do Penacova Acontece, sublinha e incentiva a sua ligação ao Paulo Rodrigues, jovem penacovense dinâmico e empreendedor em projetos e ações locais de mobilização cultural e apoio social.
Sem esquecer, a colaboração anterior com O Penacova Actual, de outro amigo de longa data, Pedro Viseu, também tenho de referir a ligação de proximidade e de vizinhança com Óscar Pereira Trindade, cujo trabalho essencialmente fotográfico e digital no Youtube tanto aprecia e, ainda, com o Blogue Por aqui por ali, por acolí de Ana Ferreira, filha de uma grande amiga de juventude.
Estas plataformas digitais têm fortalecido, aproximado e aprofundado a pertença e a identidade da Vila, como dos muitos cidadãos emigrantes à sua terra originária e, entre os que cá vivem com os que já partiram para outras paragens do território nacional e do estrangeiro.
[SEGUNDO CAPÍTULO:
PENSAR A VIDA PÚBLICA E PRIVADA DA ACTUALIDADE]
Quanto ao que este Livro nos apresenta, no segundo capítulo, há que evidenciar a expressão coerente de artigos publicados nas plataformas digitais, atrás referidas, sobre o modo de Luís Pais Amante pensar a vida pública e privada da actualidade, em diversas áreas e contextos que são fundamentais - habitação, saúde, educação, política nacional e internacional, igualdade de género, transmissão geracional, juventude e infância, entre outros. Saliento o perfil reflexivo, tanto de indignação como de adaptação ao mundo contemporâneo, para o qual propõe soluções e saídas possíveis descomplicadas para transformar o status quo. Vinca de forma escorreita, a sua particular visão humanista, analítica e ponderada, sem medo de se afirmar e diferenciar com ética.









