19 março, 2026

Novo livro de Paulo Cunha: À 𝘉𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘛𝘦𝘮𝘱𝘰 - 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢 𝘦 𝘥𝘢 𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦

No dia 7 de Março, integrada no Programa do 2º Festival Literário de Penacova, teve lugar a apresentação do livro de Paulo Cunha À Beira do Tempo - contos da terra e da gente. A sessão, que decorreu na Biblioteca Municipal, contou com a presença de  Álvaro Coimbra, presidente da Câmara. 

Apresentou a obra, Marta Ceia, especialista em assuntos globais, desenvolvimento sustentável e diplomacia. No prefácio, por si assinado, podemos ler o seguinte:

À Beira do Tempo não começa onde começa. Começa antes, entre o som e o silêncio. Os passos que já não se ouvem na escada, o eco de um sino antigo, a lembrança da voz do avô misturada com o crepitar da forja e o baque do latão a ser moldado. Aqui o silêncio não é espaço vazio, mas identidade a desfazer-se e a refazer-se. É nesse momento de suspensão entre o silêncio do espaço e o som da memória que o livro existe. Paulo Cunha escreve como quem regressa depois de ter fugido e encontra tudo igual e, ao mesmo tempo, irreconhecível. Há tensão nestas vinte histórias, fruto da hesitação entre o desejo de desapego e a fidelidade à terra, às gentes, à história. A Laurinda, o Sacristão, o José Aquino, o Silvério e a Marquitas, são gente concreta, vozes dessa terra, testemunhas de vidas inteiras concentradas em gestos repetidos, portadoras de saberes não escritos e de ofícios que morreram sem cerimónia com os corpos que as sustentavam. Ao evocá-las, o autor não as cristaliza no passado, mas devolve-lhes a dignidade, inscrevendo-os num presente que as há de reconhecer.”

E, a terminar, sublinha: 

“Ler À Beira do Tempo é caminhar pela terra, onde cada passo levanta sonoramente o pó que julgávamos assente. No fim, voltamos ao avô, ao silêncio do patamar vazio, à saudade que ainda anima, à ressonância do que deixou. Talvez apenas seja isso que o livro nos pede. Que nos sentemos no patamar, que ouçamos o que resta, e que, ao contarmos quem fomos, consigamos compreender melhor quem somos."

Na contracapa, podemos ler igualmente um texto do Presidente da Câmara, onde, a dado passo afirma que “a presente obra de Paulo Cunha é um presente para a memória futura. Um contributo inestimável para a nossa vida em comunidade, um legado para as futuras gerações. É acima de tudo um retrato fiel das tradições, modo de vida, hábitos, ofícios tradicionais, escrito com a sensibilidade de quem, realmente, ama a sua terra e as suas raízes.”

Como nota biográfica, transcrevemos o texto publicado no livro:

 “PAULO CUNHA nasceu em 1972, em Cabinda - Angola. A maioria dos seus familiares pertence a São Pedro de Alva. A ocupação profissional está em Lisboa. Parte do tempo restante é passada em Hombres. Começou por escrever diversas crónicas no jornal Nova Esperança, tendo já publicado dois projetos de ficção, uma coletânea de pequenos contos, intitulada "Lapsos de Tempo", uma crónica satírica, intitulada Ensaio sobre a Praça, e, também, vários contos sobre a temática do natal na coletânea intitulada Lugares e palavras de natal, organizada pela editora Lugar da Palavra. No livro À Beira do Tempo, Contos da terra e da gente, o autor reitera o registo das relações familiares e sociais da gente que o viu crescer e contribuiu para o sentido de captação das particularidades do quotidiano, passado e presente, da região de Mondalva.”

Na página 28, a Feira de S. Pedro de Alva é o mote para um original olhar do autor. Um excerto:

São recordações. Já só existem recordações! Surgem num jeito envolto. Pouco mais vejo além delas. Vagueio num género de drone que sobrevoa o espaço, que rodopia nas linhas curvas das diversas perspetivas. 

Lá em baixo, remonta-se o dia de feira. A vila reconstitui-se no lugar de todos os preços. Torna-se o grande bazar coberto por imensos toldos brancos. Espeta-se estaca a estaca. Ouve-se o tilintar dos ferros caídos, das marteladas secas sobre os calhaus da calçada. Afinam-se as vozes ensonadas! As cordas esticadas delineiam cada pedaço de chão alugado por um dia. A brisa matinal sopra na crista das tendas semelhantes a águas calmas protetoras do burburinho vivo. Cruzam-se residentes e vizinhos. Abrem-se caixas, rulotes e baús. Soltam-se conversas discretas e indiscretas. Mistura-se claridade com sombras vivas. Encontram-se vidas próximas, alheias... vidas suspensas, invejadas, escondidas e até esquecidas. Espalha-se pela vila uma estrondosa necessidade de troca. O chafariz de quatro torneiras espreita por cima do mar de toldos. Testemunha a libertação dos cheiros da pimenta e do colorau. Como invasores do recinto. A terra húmida da manhã é expulsa das narinas!

18 março, 2026

Aproveitamento Turístico da Quinta das Lamas: será desta?




A envolvente natural da antiga Quinta das Lamas tem vindo, ao longo dos anos, a suscitar intenções de exploração turística. Esta “península”, desenhada pelos curiosos meandros do Mondego, situa-se na zona entre Oliveira do Mondego e Porto da Raiva. 

Está a circular na internet o seguinte anúncio: 

Herdade à venda Quinta das Lamas s/n Penacova  | 1.800.000 € | 1.200 m² área bruta”.

Acrescenta o anúncio que a Quinta das Lamas “é uma propriedade única com 22 hectares, situada numa localização privilegiada nas margens do Rio Mondego, entre a Barragem da Aguieira e a Barragem do Coiço. A sua envolvente natural proporciona uma paisagem de rara beleza, onde o espelho de água se funde harmoniosamente com a floresta, criando um cenário verdadeiramente inspirador ao longo de todo o ano. No topo da propriedade encontra-se a zona urbanizada, oferecendo vistas panorâmicas absolutamente deslumbrantes sobre o rio e a paisagem envolvente — um enquadramento difícil de traduzir em palavras.”

Avança-se com um “estudo turístico informal, desenvolvido em conformidade com o Plano Diretor Municipal em vigor”.

Será desta? – perguntamos no título. 

Que tenhamos conhecimento, já em 1989, o Presidente da Câmara, Engº Estácio Flórido, em Conferência de Imprensa, convocada para divulgar algumas propostas de investimento previstas para o concelho, anunciava um “importante complexo turístico com um salão de conferências na Quinta das Lamas”. As negociações estariam em curso, envolvendo um empresário suíço. O projecto previa a construção de apartamentos, restaurante, piscina, campos de jogos e “aproveitamento fluvial circundante”. 

Passados 10 anos, em 1999, mais uma vez  foi noticiada a possibilidade de forte investimento na Quinta das Lamas por parte do Grupo Belmiro de Azevedo. Uma delegação desses pretensos investidores terá mesmo reunido com o então assessor da Câmara, Dr. Leitão Couto. 

A história da Quinta das Lamas terá à volta de 150 anos. Sabemos que em 1887 já aí vivia o casal António José Duarte Moreira e Isabel Brazília Moreira. Ele, “capitalista” (como se dizia na época”, filho de Joaquim Duarte Maltez e de Joaquina Maria de Oliveira, proprietários de Hombres. Ela, “governante da sua casa”, filha de António Gonçalves da Silva e de Maria Madalena da Silva, capitalistas da cidade de Santos, no Brasil. Falecida em 20 de Julho de 1907.

Desconhecemos quem habitou o soberbo edifício a partir daí (agradecemos se algum leitor puder acrescentar alguns dados nesse sentido). Apenas sabemos que naquela zona, existe um trilho que parte da povoação do Coiço e se estende até ao cume da “península” onde se situam as actuais ruínas do edifício, que não escapou ao grande incêndio de 2017. Esse percurso pedestre é conhecido por “Trilho do Palácio do Doutor Guilherme Carneiro”. Quem foi esta personalidade? Desde já agradecemos a quem nos possa esclarecer. 


17 março, 2026

𝕆ℙ𝕀ℕ𝕀Ã𝕆 | O Mundo dos Loucos

 



O Mundo dos Loucos


Ainda existem sítios para se “acomodarem” os loucos: os manicómios!

E também ainda existem sítios para guardar os ladrões: as prisões!

E onde “empastelar” os fanfarrões?

Tudo isto são afirmações e perguntas que se colocam, hoje, aos Cidadãos do Mundo.

E que têm destinatários…

Donald e Putin!

Embora existam outros que têm por missão “dar cabo do mundo regulado”, infringindo todas as normas de convivência e bem assim as regras resultantes do post guerra, sobre temáticas diversas, “dadas à ONU” para delas (Normas) ser guardiã.

Putin é um louco que tem como ambição de curto prazo domesticar a Ucrânia, de médio prazo controlar a União Europeia e de longo prazo empoderar-se como “potência mundial”!

… mas refugia-se na primazia das tais normas, desde que seja para os outros …

Donald Trump é outro louco que tem muita pressa em dar cabo de tudo, pura e simplesmente!

E fazê-lo rápido, rápido, antes que o resto do mundo se possa organizar.

… não quer normas, nem maneiras, nem educação, mostrando-se como “ o carrasco da ONU”!

Claro está que existem outros actores disruptivos, com ambições regionais, mas sem qualquer hipótese de “viverem” sem apoio daqueles dois.

Esta gente não suporta - pura e simplesmente - o tipo de vida de nós, Ocidentais/Europeus…

… mete-lhes confusão a Liberdade; também a tendência teórica do caminho para a Igualdade; e muito mais do que tudo, a Paz como prática de convivência …

Ora bem,

Nós Europeus temos, sobretudo, de pensarmos em defender a nossa génese; a nossa maneira de ser; a nossa matriz de Sociedade.

E, para isso, temos de nos convencer que somos nós próprios - e não os outros - que temos de fazer pela vida, gerindo a nossa situação política, económica e organizacional.

Não é mais tolerável que ocupem cargos na Europa (pagos em termos absolutamente obscenos) indivíduos que, nos seus próprios Países deixam muito a desejar, tanto em competência, como em credibilidade.

Ao mandá-los pra lá somos nós todos - os Votantes - que estamos a ser infectados, também, por uma certa loucura …

Na minha Opinião (naturalmente modesta), está na hora de o “Estatuto de Europeu” se agigantar, para ombrear com os actores de que tenho estado a falar.

… e esse desiderato só se alcançará através da evolução da UE (com todas as entropias que se colocam às respostas tardias, contraditórias e ineptas) nestes tempos, para a Federação dos Estados Europeus.

Poderá, até, perder-se alguma soberania, concordo; mas ganhar-se-á muito em capacitação para a acção!


Luís Pais Amante
Casa Azul

10 março, 2026

𝔻𝕚𝕫𝕖𝕣 𝕒𝕤 𝕡𝕒𝕝𝕒𝕧𝕣𝕒𝕤 𝕡𝕠𝕣 𝕚𝕞𝕒𝕘𝕖𝕟𝕤: exposição de João Rebelo no Centro Cultural de Penacova


Dizer as palavras por imagens

Integrada no programa do 2º Festival Literário, a exposição “Dizer as palavras por imagens”, que tem vindo a percorrer o país (durante o mês de Janeiro esteve em Ferreira do Zêzere), veio até Penacova.

Uma viagem “onde a literatura e a memória abandonam o papel para se transformarem em cor e forma”, onde “as palavras, preservadas nos livros, ganham aqui uma nova vida tridimensional e vibrante.”

Nesta exposição (…) temos “rostos que deram voz à nossa língua e cultura, de Portugal ao Brasil, passando pela Galiza e Moçambique.”

Quem é João Rebelo? 

Nascido em Tomar há 69 anos, formou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde iniciou uma longa carreira como professor, lecionando em diversos pontos do país. 

Em paralelo, desenvolveu de forma contínua a sua atividade artística na pintura, realizando exposições individuais por todo o território nacional e também na Galiza. 

Considera a pintura o seu principal meio de expressão e refúgio pessoal. Após a aposentação, fixou residência em Coimbra, onde passou a dedicar-se mais intensamente à criação artística, à realização de conferências sobre a importância da literatura portuguesa e brasileira e ao desenvolvimento de um projeto de artesanato, mantendo uma participação ativa na vida cultural. (Fonte: https://cm-ferreiradozezere.pt/comunicacao/agenda/exposicoes/368-exposicao-de-pintura-na-biblioteca)






























03 março, 2026

𝑫𝒂 𝑴𝒊𝒏𝒉𝒂 𝑱𝒂𝒏𝒆𝒍𝒂... 𝑨𝒄𝒐𝒏𝒕𝒆𝒄𝒆: dos blogues e das redes sociais para o novo livro de Luís P. Amante




De Junho de 2024 a Junho de 2025 o blogue “Penacova Online”, na rubrica “Da minha Janela...”, publicou uma série de crónicas, sobre temas actuais,  bem como um vasto leque de poesias, com a assinatura de Luís Pais Amante. 

Também, mais recentemente, o “Penacova Acontece”, grupo do Facebook, tem vindo a publicar inúmeros poemas deste autor penacovense. De referir igualmente as páginas de Óscar Trindade e de Ana Ferreira (Por aqui, por ali...) que, pontualmente, publicaram um ou outro poema.

Tudo reunido, traduz-se num conjunto considerável de textos em prosa e em verso que muito em breve ficará ao alcance dos leitores, agora em suporte físico. O livro, em formato papel,  Da Minha Janela... Acontece (Poesia e Pensamento) já se encontra no prelo, prevendo-se que seja lançado na Feira do Livro de Lisboa, que vai decorrer de 27 de Maio a 14 de Junho de 2026. 

A obra, editada pela “Calçada das Letras”, é prefaciada por Ana Marques Lito. 



02 março, 2026

Crónicas do Avô Luís (8): Ainda a Museologia - O Museu do Pão


Ainda a Museologia: O Museu do Pão

No dia dos Namorados, uma parte da Família (Clube da Netaria incluído), foi almoçar e visitar o Museu do Pão, a Seia.

Já expressei aos leitores do Blogue Penacova OnLine e deste concreto espaço, o quão interessante é que os adultos levem as Crianças aos Museus de Portugal, numa óptica de, através dessas visitas, lhes ensinarem a História de Portugal, bem como para eles próprios a poderem revisitar.

E, se dúvidas existirem a propósito, nalguns casos (essencialmente do domínio público) onde as coisas se vão degradando, por falta de investimento de manutenção e, até, de interesse ou, também, igualmente, por falta de empenhamento de alguns colaboradores que chegam mesmo a ter desconhecimento da missão.

A grande verdade é que, no Museu do Pão, isso não acontece!

O Museu do Pão é um investimento privado de um Professor de História: António Quaresma, natural de Santa Marinha, no Concelho de Seia.

António Quaresma é um Beirão Visionário, discreto mas eficaz.

Como Gestor qualificado que tem vindo a recuperar empreendimentos ligados, essencialmente, à manufactura manual em desaparecimento, através do Grupo “O Valor do Tempo”.

!… E que leva Seia ao Mundo…!

O Museu do Pão foi inaugurado em 2002 e o complexo dedica-se a preservar e divulgar o património cultural do Pão Português.

Os Visitantes percorrem Espaços temáticos de enorme ligação à realidade do tempo histórico da fome e da política do nosso País, objectivando conexões interessantíssimas sobre esta questão.

Explica muitíssimo bem - e com muito boa acessibilidade à compreensão de todas as idades - através de animação e “salas” o ciclo do pão:

- etapas do tratamento das terras vocacionadas para o trigo, o milho e o centeio, contextualizado com a agricultura e com a sua problemática histórica em terras pobres ao nível dos solos, como as do nosso Interior esquecido;

- etapas das sementeiras e do desenvolvimento dos produtos, até à “extração da farinha”;

- etapas da preparação para a consecução do produto, nas suas várias formas, valências e destinos de consumo;

- contacto com as fases e experiências, incluindo o manuseamento aplicável e o contacto com as matérias primas e os materiais.

Na “formatação” museológica faz-se - espectacularmente - o enquadramento histórico regional e nacional, daquilo que têm sido as épocas de carências alimentares, com abordagem aos actores políticos, aos regimes e às suas vicissitudes.

Tem-se, devidamente organizado, o pensamento diverso sobre as temáticas, através das evidências intelectuais, nomeadamente escritas, donde realço uma evidência poética diversificada, digna de respeito.

O Pão é, efectivamente, o Rei!

Para além da empatia revelada pela Equipa que faz os acompanhamentos, registo a limpeza das instalações, a garantia da acessibilidade e a constatação, óbvia, das substituições necessárias.

Finalmente (quiçá o mais importante pela singularidade) tudo se explica e demonstra através da exibição de um “documentário” de enorme qualidade e capacidade de síntese, no qual a voz me parece ser, justamente, a de quem - no recato da construção das ideias - tudo isto pensou, construiu e pôs ao serviço do País, quer para consumo do turismo interno, quer do turismo externo.

O que me faz dar-lhe um terno abraço de gratitude.

Viemos de “peito cheio”, como soi dizer-se, com a Netaria encantada e com o seu nome “impresso” na cozedura da peça manufacturada.

O Museu do Pão contraria a lógica abandónica do tal Interior Beirão de que tanto tenho falado.

Vale mesmo a pena visitá-lo!


Luís Pais Amante

Casa Azul