08 dezembro, 2025

A Nossa Casa [Azul]

A nossa Casa


Casa, no sentido mais latino

É o refúgio, físico e emocional

Dá-nos confiança, segurança

E tem um traço sentimental

Como tu, Casa Azul, afinal

Aqui implantada, recuperada

A olhar o Vale profundo

Colocado à nossa frente

Na perspectivação do mundo

Onde ficas deveras eloquente


Neste ângulo donde te vejo

Hoje, aqui sentado e despojado

Vê-se que estás virada a Sul

Que o tom do teu azul cobalto

Ultrapassa os limites da beleza

E traz contributos à natureza

Porque “o sonho é azul”

Azul da mente, se transparente

E “O Rio é azul”

Cor da alegria da sua corrente


O Sol que (de poente) te ilumina

[Na minha objectiva empolgada]

Está como que em exaltação

Lembra os símbolos da união

E é franqueado a todos nós

Para te podermos ter com sofreguidão

Com amor, carinho e devoção

 “Dá esperança à Vida futura”

Num tempo de ingratidão

… Onde o Céu ainda continua azul!


Luís Pais Amante

Casa Azul

9 comentários:

  1. Ver o seu sonho do primo Lpa e o da Dra Ana se tornarem realidade é incrível, continue em frente! Eu ajudo com a manutenção da Quintã Azul!
    Ass Eduardo Miguel BECAS

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  2. Muitos Parabéns! Lindíssimo Poema!
    Azul...Gosto da cor azul....Cor que a nossa mente, nos leva mais longe...a água do leito do rio, o azul do mar, que nos parece tocar o horizonte...quando olhamos...
    Azul! Azul! O Azul...Que a minha querida filha mais velha, " Shana " adorava....
    Seu quarto, era todo em Azul e branco..
    Gratidão! Muita Gratidão, por este lindíssimo poema que muito me emocionou... E me fez voltar no tempo...
    No espaço...e no silêncio do meu coração
    Na minha alma...Já tão esfrangalhada...desta minha caminhada.
    Bem- haja. Por este seu poema lindíssimo! Que me fez vir à lembrança coisas...Que também me fizeram sorrir.
    Muito, muito obrigadaaaa,
    Abraço cheio de gratidão

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  3. Como interpretar este poema lindíssimo numa metáfora azul? Diante da vertigem de um mundo que nos convida a ser tudo, menos a nós mesmos, a nossa casa azul respira uma verdade antiga, vital e quieta como o ar da alvorada. É uma brisa que, ao passar, desenha no ar desorientado os contornos firmes de um refúgio, de uma pequena fortaleza de azul.

    Definir a "casa azul" como um mero lugar seria vê-la apenas com os olhos, e não com o peito. Ela é, antes, um pacto de asilo interior. É o único canto do cosmos que, incondicionalmente, concorda com a nossa respiração. Enquanto do lado de fora as identidades se dissolvem em perfis e os laços se desfazem no vento digital, ela permanece como um testemunho silencioso: aqui, o teu nome ainda é o que era quando criança. Aqui, o peso do mundo pode ser deposto à porta, junto com os sapatos. Perante a exigência exterior de performance e desgaste, ela oferece a geografia do regaço onde se pode depor a armadura. Neste sentido, a sua mera existência é um gesto de insubordinação íntima, em que gritamos ao mundo que há um ponto no mapa (e na alma) que não nega quem somos. É o chão firme onde a semente do ser, tantas vezes arrancada pela pressão do utilitário e do efêmero, pode fincar raízes e respirar.

    Este “tempo de ingratidão” que nós conhecemos bem, em que o barulho de fundo da nossa era exige rentabilidade, aquelas conversas que não escutam, o afeto condicional, das trocas que nos dão a sensação de sermos instrumentos, e não finais em nós mesmos. A casa azul, então, converte-se em santuário. Não se trata de um local para onde fugimos, mas para onde retornamos, isto é, o retorno àquela versão essencial de nós que o mundo, na sua fome distraída, não sabe ver.

    E então, o olhar ergue-se para “Onde o Céu ainda continua azul!”. Não é uma mera observação meteorológica mas sim a mais profunda reorientação da alma. Quando as bússolas sociais falham, apontando para todos os lados e ao mesmo tempo, o céu oferece-nos a única direção verdadeira, para cima... para o vasto, para o eterno, para o que não pode ser comprado, otimizado ou cancelado.

    Aquele azul é a cor da constância que nos lembra que por baixo do caos das notícias, da fluidez dos empregos, da labilidade das modas, existe um tecto primordial, que nunca desaba, pintado daquele azul que coloriu os olhos dos nossos avós e colorirá os dos que virão. É certo que o azul não resolve os nossos problemas, mas altera a sua escala, reduz o ruído do mundo ao seu tamanho verdadeiro, diante da abóboda serena do tempo.

    Assim, casa e céu tornam-se um só pacto de esperança. A casa é o pertencimento horizontal, o enraizamento e o céu o pertencimento vertical, a transcendência. Juntos, ambos desenham uma cruz de orientação para a alma perdida, e oferecem, não uma fuga, mas um centro de gravidade. Aquel ponto quieto a partir do qual podemos olhar para a turbulência do século sem nos perdermos nela. Porque quando sabemos onde fica o nosso azul, seja o da parede ou o do infinito, nenhum vento de desorientação pode levar-nos para longe de casa. A nossa casa azul onde a nossa alma calma, habita, intacta.

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    1. Sinceramente, o comentário acima (que representa e insere) uma análise ao meu poema, deixa-me sem “chão”,
      que é como quem diz: sem ação!
      Muito bem estruturado; felizmente positivo e, sobretudo, acertando na muche do meu pensamento interior.
      Obrigado

      Luís Pais Amante

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  4. Também me desperta a curiosidade de ver a casa Azul”

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  5. … e que belo Espaço para fazermos os nossos Encontros da Família Pais!

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  6. "Casa, ... ...
    É o refúgio, físico e emocional... ... E tem um traço sentimental "
    Concordo contigo Luís, é mesmo isso que sentimos.
    Um abraço!

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  7. Parabéns amigo Luis pelo excelente poema. Por fora é um lugar decorado e paisagístico e por dentro é história famíliar. Grande abraço.

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